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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe psicopata

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.17

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Sempre senti uma enorme atracção por sangue.

Folhas manchadas que cortaram dedos; lâminas sujas, maculadas, que rasgaram o rosto ao barbear; lenços brancos que serviram de tapume a pequenos golpes sofridos à toa.

 

Não chegava a tocar nas manchas vermelhas, mas despertavam-me a atenção de modo quase obsessivo. Ficava varada a observar o esbater da nódoa, as zonas onde a cor se atenuava, a esmaecida fronteira que iniciava o corromper do límpido. Deslumbrava-me com a magnitude do encarnado e assombrava-me se adivinhava a origem, o golpe, o lanho, a carne onde o fio frio da agressão se liquefazia externo.

 

Ultimamente esta atracção tem raiado o vampirismo. 

 

Se me corto, levo à boca o sangue e atento no sabor que dele chega. Não o defino, não o aproximo de nenhum outro que tenha experimentado. Roço a língua pelo golpe e sorvo e chupo e deixo que aquele sentir vagamente metálico me arrepie e é então que descubro a violência bruta das arenas e o apelo incontrolável do assassino, como se da memória mais profunda, mais secreta e obscura, me assaltasse o instinto do que sou.

 

Depois faço de conta que são rosas. 

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