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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe migrante

rabiscado pela Gaffe, em 27.11.17

e agora sei lá

 

Maravilho-me sempre que leio as memórias da MJ.

 

A serra, o frio, a alma nas mãos de quem amou na lonjura do tempo, os bichos pequenos, os bichos mui grandes, o grito do galo a acordar a manhã, a lareira, o quente, os livros, a tristeza bordada a felicidade, um gato gordo, a luz da vela, o medo do escuro, a lua, a chuva, o caminho que vai até à infância, o ermo, o grito do grilo no meio do nada e a insegurança de uma menina que desconhecia que ao crescer me entregaria o orgulho de saber que gosta de mim.

 

Foram estas encantatórias narrativas de infância que me fizeram acreditar que, mesmo raparigunha perdida e pequenina, a MJ era a única menina que conhecia o trilho dos mágicos. O caminho por onde passa a caravana da magia, a insustentável leveza do feitiço do Natal das criaturas mais secretas do Universo, os minúsculos cristais de neve que tombam na ternura e que a transformam em palavras nas margens da memória.

 

A M.J. sabia do trilho dos mágicos. De outra forma não me saberia desvendar a marca dos passos das migrações da vida.

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A Gaffe com Manhattan nos pés

rabiscado pela Gaffe, em 27.11.17

)

Esmaguem-me, chamem-me retro, acusem-me de anacronismos, atirem-me à fogueira das vaidades, enfiem-me numa cela de convento, mas não me digam que não matavam, minhas queridas, para ter nos pés estes sapatos e aos nossos pés assim calçados, esta Manhattan de outros tempos.

 

Manhattan - Novembro de 1950

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