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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no tempo de Paris

rabiscado pela Gaffe, em 27.04.13

 

Esta é a imagem de um allure absolutamente parisiense e, em simultâneo, a mais próxima do conceito de bon chic, bon genre (e não somos, de todo, raparigas modestas) que a Gaffe gosta de cultivar.

Evoca uma época em que Paris era preenchida por artista de todos os quadrantes, com relevo especial para os poetas e pintores, boémios e talentosamente pelintras. É uma imagem que contém histórias dentro e que seduz e nos envolve, porque quase lhe sentimos o perfume.

A Gaffe adopta sem hesitações laços poéticos e chapéus com travos de mistério, porque conhece o seu cabelo e já desistiu de o tentar domar. Tantas vezes lhe ralhou inutilmente, tantas vezes o prendeu para o ver soltar-se numa explosão imensa, numa festa tonta, com fogos de artifício. São cabelos de vendaval, são tempestades soltas, são pior do que montanhas russas, são jardins de castelo abandonado, e, todos ruivos, parecem folhas de Outono em debandada.

Nada faz parar a aventura que é tentar domar ruivos rodopios de temporal do que um chapéu fitado e laços que nos atam a histórias de Monmartre no tempo de Picasso.

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A Gaffe e as abelhas

rabiscado pela Gaffe, em 21.03.13

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Admito a loucura, tendo em conta que as peças atingem facilmente os 800€, mas a primorosa ornamentação da colecção Primavera/Verão 2013 de Sarah Burton para Alexander McQueen é uma fabulosa demonstração de feminilidade oriunda de um certo erotismo e de doirada sensualidade, sobre a pele e não sobre a nudez.

Sobre os tecidos que pairam sobre o corpo, pousam abelhas e favos de mel. Um esvoaçar de brilho em oiro e preto.

São objectos de desejo criados em  plexi, material fascinante para elaboração de acessórios delicados, reconstruindo carapaças de tartaruga que projectam a luminosidade, o requinte e a sumptuosidade do mel. É de referir que o plexi solidifica em três minutos, tendo de ser tratado de forma rápida e precisa, num esforço intenso, que requer o trabalho manual de muitos especialistas de uma só vez. Neste caso, a peça é ajustada à forma do modelo, tornando-se única, e, polida, nela são aparafusadas as extraordinárias abelhas artesanais.

Gargantilhas, colares, cintos, arreios, fivelas, bustos e punho, são capturados com de modo brilhante, pelo fotógrafo Joss McKinley.

São colmeias povoadas pelo desejo.

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A Gaffe e o Demónio

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.13

Se Deus está nos detalhes, o Diabo está no modo como são descobertos.

Despir um homem é facílimo. Normalmente não nos demoramos nas pequenas delícias que vamos descartando. Talvez por isso a Santa Madre Igreja tenha condenado a nudez. Não são devidamente abençoadas as peças que tombam por terra.

Vestir um homem é louvado pelos anjos como acção benemérita, digna de tornar santo Martinho de Tours e, no entanto, Satanás, matreiro e provocador hipnótico, espreita cada lanço, cada passo, cada gesto, cada mover de dedos, cada balanço de olhares com que uma mulher esperta desconstrói a nudez de um homem, tornando-a pertença dos sonhos mais privados.

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A Gaffe passada

rabiscado pela Gaffe, em 15.01.13

O Passado, é o Futuro usado – dirá Millôr Fernandes.

Há instantes raros em que o tempo se curva e o resultado é o encontro inesperado entre um lugar perdido e procurado por Proust, algures à sombra das raparigas em flor, e lampejos de esmaltes que se vislumbram no pescoço do presente.

Usemos o futuro como gargantilha.

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A Gaffe de manta

rabiscado pela Gaffe, em 12.01.13

Eu sei que é difícil levantarmo-nos, manhã por nascer, ensonados, embuçados no amarfanhado do pijama quente e ainda com o murmúrio do cheirinho a alfazema dos lençóis de linho da nossa santa avó, sabendo que há uma rua de granito frio e imenso que teremos de calcorrear para cumprir o dia.

Rapazes! Não adianta, no entanto, arrastar convosco as mantas desta memória morna e mansa, sobretudo se não forem, o atraente e ensonado matulão da imagem, com o charme de quem foi mal tratado pela boémia.

Há acessórios que não se devem ousar, nem usar, quando não se tem a altura e a massa muscular exigidas pelas circunstâncias, o ar carrancudo da indiferença e, sobretudo, a expressão facial de quem nos esmaga até pelo telemóvel.

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A Gaffe acalentada

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.12

(Louis Vuitton)

Ainda com estilhaços brancos e gelados de Natal presos aos dedos, é forçoso que nos aproximemos das lareiras, próximas ou longínquas, ainda que ignoremos as direcções das chegadas ou o modo mais dócil de derreter o gelo.  

O importante é perceber que nem todas as partidas implicam um destino certo e arquitectado, mas que todas devem ter a noção de que nenhuma lareira se acercará de nós. É o rumo que tomarmos que tem de passar pela nossa deliberada aproximação ao calor que delas surge.

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A Gaffe recicla

rabiscado pela Gaffe, em 01.11.12
(Salvatore Ferragamo)

 Numa época de intensa necessidade de reciclar, não é de todo impensável adaptar os velhos e majestosos cardigans dos nossos rapagões.
Há (ainda) antigos e magníficos artesãos com capacidade para, com uma qualidade irrepreensível, unirem os fechos e as pegas, ou asas, ou alças, das carteiras vintage, esquecidas pelas avós no bengaleiro da memória das casas, aos recortados e perfeitamente moldados cardigans de malha grossa dos nossos meninos.
Nesta delicadíssima operação não convém esquecer apensar um forro resistente, se não quisermos que o bâton e o perfume, as canetas e o digno filofax, as notas e as bugigangas, o estojo de viagem, a navalha de ponta e mola e o universo inteiro que conseguimos fechar dentro da mala, não nos parta os tornozelos.
Em alternativa, podemos sempre empenhar metade do ordenado e comprar um original.

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A Gaffe nos punhos

rabiscado pela Gaffe, em 26.10.12

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O Tempo sempre entregou muitos mais laços e fitas às mulheres do que aos homens. Os apertos femininos foram, durante séculos, ataviados e adornados com veludos e cetins, enquanto a história passava.

Aos homens foram, muito mais cedo, fornecidos os botões como elemento de união de partes.

A Gaffe aproxima o olhar fugaz dos punhos dos cavalheiros.

É certo que os botões de punho são acessórios que não são próprios de quem tem tendência para o erguer. Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã ou mesmo o sorriso de João Proença, não se coadunam com este requintado pormenor, assim como não há uma ligação pacífica entre estes dois pequenos detalhes e um nicho cultural da esquerda, mesmo a chic. Os botões de punho são de direita.  

A hierarquia do poder político é detectada com facilidade através da presença destes mimos. Os Presidentes da Juntas apertam os punhos com botões de massa ou plástico; os Secretários de Estado usam bolotas exibicionistas a unir as entretelas; os Senhores Ministros são relativamente mais discretos e apertam-se, quando não querem dar uma imagem de suado labor (neste caso arregaçam as mangas), com dois berloques subtis, mas com alguma, pouca, modéstia – normalmente Armani - e os Senhores Presidentes das Repúblicas conseguem espartilhar os punhos duplos das camisas já com dois requintados objectos de valor considerável.

A aristocracia usa-os com alguma frequência, a unir padrões pastel axadrezados, casacos de trespasse, com botões metálicos, calças vermelhas e sapatos de vela. Nestes casos, é banal que os botões de punho sejam vintage, normalmente belíssimos e refinados (D. Duarte Pio não é representativo neste caso, porque parece estar a usar nos punhos da camisa os brincos pequerruchos da duquesa).

A elite, sobretudo financeira, bolsista ou bolsada (e muitas vezes boçal), é altamente permeável ao uso de botões de punho. Não há banqueiro, financeiro – com advogado ao lado - ou yuppie ultrapassado que se preze, que seja capaz de resistir ao brilho e distinção de uns botões de punho com diamantes engastados.

São tidos como representação de estatuto, de prestígio e mesmo de conservadorismo.

Há, no entanto, aquele irresistível grupo de homens fascinantes que consegue unir, ileso e impune, esta imagem gasta de seriedade que anexa e aperta dois lados de um problema, subvertendo a clássica, e muitas vezes maçadora rigidez, dos botões de punho sobre o rigor formal, com a ousadia e o humor de quem se diverte com jogos quase infantis com que se finta o tempo.

São os botões dos punhos dos sedutores pistoleiros por quem quase sempre nos apaixonamos.

 

 (John Varvatos - Men’s Spring 2013)

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A Gaffe à meia-noite

rabiscado pela Gaffe, em 06.08.12

Muito mais do que o perdido sapato, todos os príncipes de todas as histórias povoadas por pequenas e infelizes meninas órfãs que tropeçam nas escadarias, da meia-noite da vida, perdendo no desequilíbrio o objecto mágico que as redimirá, são as ligas e a cumplicidade dos insinuantes ligueiros a razão última do delicioso pecado principesco.

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A Gaffe argolada

rabiscado pela Gaffe, em 04.08.12

(Theo Hutchcraft)

Nos meus tempos de menina e moça (não tão distantes como me parecem), esvoaçava pelos corredores da Faculdade um rapaz que me partiria o coração, não fosse eu uma rapariga esperta.

Jovem garboso e musculado, alto e espadaúdo, cabelo desalinhado e olhos pretos, provocava tsunamis por todo o lado. Um deus tempestuoso pelas brisas calmas das tardes.

O que me fascinava neste rapagão não era o corpanzil perfeito e aquele andar matreiro de patife irresistível (embora não fosse de todo alheia a estas características). Era o brinco!

Uma argola maciça, grande, poderosa e faiscante de ouro puro, presa ao lóbulo da sua orelha esquerda.

Derretia-se todo o meu bom senso quando me cruzava com este adereço, pecaminoso, porque despoletava alguns pensamentos que fariam corar de vergonha a minha santa avó.

Passei a ficar presa àquela argola presa na orelha do rapaz e só me libertei daquela algema quando percebi que o pirata navegava pelas rotas que deveriam ser apenas minhas.

Roubou o namorado à minha maior inimiga. Foram viver, os dois, juntos e em êxtase, para uma mansarda romântica na velha e corroída Paris e a argola foi vendida para suprir as primeiras desventuras financeiras.

Passei a respeitar mais as inimigas e a suspeitar de argolas deslumbrantes.

Há no entanto, escondida em mim, a fascinação por este gordo e possante adereço. Continuo a não resistir ao charme de um másculo rapagão penetrado pelo estilete curvo de uma argola em ouro. Sei que existe a hipótese de o saber numa mansarda de lata a usurpar o namorado a uma qualquer mulher que não conheço, mas este pormenor não é apanágio ou pertença única de homens com argola numa orelha. Há orelhas sem aro que sabem trair a preços vertiginosamente mais baixos que o do ouro.

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A Gaffe nos pulsos

rabiscado pela Gaffe, em 30.07.12

 

Reconheço que não sou grande apreciadora de adereços usados nos pulsos masculinos. Admito algemas, em ocasiões especiais e festivas.

Há, no entanto, a possibilidade de alargar esta limitação quando as pulseiras masculinas são usadas de forma quase desafiadora, contrabalançando com algum arrojo a ousadia discreta e reservada de um conjunto clássico e disposto a fornecer ao dono um aspecto de cavalheiro respeitável.

São detalhes que devem ser pensados com rigor, conta e medida, tendo em consideração que as contas coloridas no punho e os seus volumes devem obedecer à medida do risco que o homem quer correr.

A discreta ousadia de uma burguesia sofisticada permite um ligeiro e perverso boicote ao rigor dos clássicos e não contraria a elegância do conjunto.

Se o homem conseguir usar no pulso uma pulseira aparentemente proveniente de um universo que não é o habitual e costumeiro, que nos traz uma linguagem diversa da que se espera do resto do conjunto, far-nos-á suspeitar que, por baixo do corte impecável do fato Gucci, há a um subtil aroma a Indiana Jones.

O apelo é quase sublimado, mas funciona lindamente.

Basta evitar que os pulsos chocalhem.

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A Gaffe com saudades do futuro

rabiscado pela Gaffe, em 25.06.12

(Jil Sander – Homem - Outono/Inverno 2012-13)

Devo assumir, perante a chuva de especialistas que se me deparam em cada canto e esquina da vida e dos blogs, que sou completamente leiga em assuntos relativos aos que tenho a ousadia de abordar. Não consigo sequer distinguir uns sapatos Oxford ou Blucher de uns Monk Strap e para nomear uma característica específica de determinada peça tenho, não raras vezes, de recorrer ao Google, para não parecer completamente tonta.

Sou uma rapariga de província, minimal e simplória, que decidiu, a talho de foice, enfiar o nariz em seara alheia.

No entanto, nunca foi meu objectivo marcar com firmeza o pequeníssimo universo dos comentadores altamente qualificados nesta área. O meu primeiro e único propósito é registar o que me agrada, independentemente da actualidade do que é assinalado.

Por esta razão, refiro com agrado os chamados paper bagging que, embora não sendo novidade, me deixaram tonta de tanto os desejar.

Originários da ANVE, pequena marca que nasceu a partir de curtos esboços de Anne e Kerstin, as Clutch Saco de Papel, espalham-se pelos quatro cantos do planeta e, como parece óbvio, inspiram-se nos desenhos dos sacos e no modo como cada pessoa pega neles. Seguros na mão, escondidos e apertados com força por baixo do braço, enrolados ou com uma dobra, estas pequenas maravilhas de pele, manufacturadas, são originais reproduções dos velhíssimos sacos de papel que nos cansamos de ver seguros pelas empregadas lá de casa e conseguem conquistar por completo uma rapariga provinciana que se lembra com saudade da padaria do Sr. Antunes, perto de Chaves onde nasceu, e que agora encontra nas ruas de Paris uma versão sofisticada, cosmopolita e fashionable, do modo certo onde o pão quente, estaladiço e incomparavelmente saboroso, era levado à mesa improvisada dos lanches sorrateiros de uma infância.

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A Gaffe ganha pulso

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.12

(Veronique Leroy)

Em 2013, minhas queridas, (E se ainda não o fizeram em 2012) abandonem a colecção de contas idiotas que vão sendo adicionadas a uma pulseira que vos recorda os momentos mais marcantes das vossas vidas e esqueçam as correntes subtis de ouro com medalhinhas de S. Jerónimo a badalar.

Os vossos pulsos serão lugar de destaque, local privilegiado onde todos os olhares convergem, onde todas as fantasias trazem medida e peso poderoso e onde o excesso deixará de ser condenável, porque abrange o despudor da sofisticação.

Tenham pulso e suportem o poder do excessivo, do dominante, do quase em demasia, predominando como o Empire State Building na cidade em que o vosso corpo ganha forma.

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A Gaffe solar

rabiscado pela Gaffe, em 17.06.12

(Alrick por Paul Smith)

Relembro, embora desnecessariamente, porque toda a gente já memorizou ou intuiu, que um acessório pode com alguma facilidade tornar-se uma peça central de toda a imagem, definindo-a e conquistando-a por completo.

É o caso!

Não se permitam usar os óculos que vos são mostrados sem cuidar minuciosamente do que resta e recordar que o que resta, depois destes exemplares, é muito pouco. Estes dois objectos dominam e canibalizam com uma destreza espantosa todas as peças que a eles se unem.
É um exercício de inteligência, de perícia e de extrema lucidez, fazer acompanhar condignamente estes magníficos acessórios quase propositadamente estudados para assassinar um guarda-roupa menos cuidado.

Poderia arriscar palpites e fazer esvoaçar hipóteses, mas não resisto à delícia que é ver uma rapariga pouco esperta, ou um rapaz com as idênticas capacidades cognitivas, com os olhos protegidos por objectos magníficos, mas que desnudam por completo a escassa desvergonha e o copioso mau gosto crónico dos seus portadores.

Pelo sim, pelo não, seguindo o velhíssimo conselho da minha santa avó: Moço! Não arrisques calçar botas que pertencem a um colosso.

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A Gaffe chapeleira

rabiscado pela Gaffe, em 05.06.12

Há imensos, nós sabemos.

No entanto, este acessório (ou adereço), dado o pouco uso que dele se faz, tornou-se um objecto obsoleto, quase condenado e anacrónico.

É, contudo, um objecto belíssimo e contribui para a imagem fleumática do homem que se quer irrepreensível e que assume a dificuldade extrema de tornar um chapéu o coadjuvante perfeito de um charme que resiste ao tempo.

Em qualquer estação, o chapéu é passível de criar um envolvimento apelativo e entrega ao portador a sombra de algum mistério, a minúscula gota de enigma, suficientes para despertar a vontade incontornável de descobrimos o que esconde.

Nem sempre a descoberta é razoável, mas a primeira impressão marca a diferença e, para uma rapariga esperta, os segredos desvendados deixam de se referir na agenda.

Não é aconselhável a jovens imaturos, que os usam como se fossem vasos de noite (diria a minha santa avó) e a homens mais largos do que altos, que se tornam uma espécie de cogumelos anões e, não raras vezes, indigestos.

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