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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe baudelairiana

rabiscado pela Gaffe, em 04.01.17

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Ao lado de Baudelaire, a Gaffe não entende a necessidade de vestir capitães deste calibre para cavalgar as ondas.

 

Os homens que não se iludam. Não é dos casacões oficiais que nós gostamos.

Todas as mulheres sonham em segredo ser arrebatadas por um marinheiro musculado, bruto, moreno de olhos cintilantes, tisnado pelo sol, de preferência perdido num episódio de Lost, com a libido alterada por uma abstinência forçada e todo nu.

 

A única condição que lhe impomos é que - depois de termos saboreado vezes sem conta todos os pecados da carne e dos vegetais apensos -, não pergunte se gostamos tanto como ele. Acabamos, quase sempre muito pudicas, a mentir.

 

Nós gostamos sempre muito mais.

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A Gaffe e o mistério do Ano Novo

rabiscado pela Gaffe, em 03.01.17

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Misteriosos são os desígnios do senhor.

 

Do senhor que no primeiro dia do ano vai banhar-se nas águas gélidas do oceano mais perto de si - dele, do senhor, não de si, que apenas observa a quantidade de compinchas que o seguem nestas aventuras mais ou menos náuticas.

 

A ausência de banhistas dignos de figurar no rol de escolhas da Gaffe é escandalosa. Não existe nesta multidão de alegres e encharcados foliões e folionas por esfoliar, um único matulão capaz de ter hipóteses de a levar em braços para os seus projectos de cruzeiro onírico.

 

A Gaffe lamenta que apenas os seniores – a Gaffe decidiu ser cuidadosa -, os mais barrigudos e os mais desdentados; os carecas com patilhas gigantes que atravessam a cabeça como um polvo apanhado por incúria no mergulho; os de ceroulas sem elásticos e coturnos coloridos; os mascarados de matrona carnavalesca - há que ter atenção e não os confundir com as matronas carnavalescas que também se atiram às ondas nesta altura -, os que usam cuecas descaídas que deixam escapar um dos tentáculos do polvo já falado e o senhor Presidente da República, se atrevam a tamanha aventura que acaba sempre com a pila transformada em azeitona, mas heróica a declarar convicta que está mais frio cá fora que lá dentro.   

 

A Gaffe não entende os mistérios desta tradição ancestral que só na Caparica já perfaz dez anos e propõe uma renovação, uma revigorante inovação, uma adaptação aos tempos modernos que também não são de escaldar:

No primeiro dia de 2018 banhar-se-ão nas águas do oceano apenas rapagões seleccionados por esta rapariga friorenta e promete que a menina que chegar primeiro ao primeiro que emergir pode esfregar-lhe a toalhinha onde quiser.

 

A Gaffe sempre apreciou uma bela e esbardalhada correria pela praia fora.

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A Gaffe nos mercados

rabiscado pela Gaffe, em 30.12.16
 

Nos mercados - mesmo naqueles que não são financeiros e onde é fácil retornarmos -, há que estar com imensa atenção aos legumes expostos e às frutas que se oferecem luzidias ao nosso desejo de provar, de mordiscar ou beliscar cada cor e sabor.

 

Há sempre o risco de conterem bicha.  

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A Gaffe com Fawas

rabiscado pela Gaffe, em 28.12.16

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Dando razão aos seus anónimos que a consideram uma criatura fria, distante, vil, má, cruel, cínica e sempre pronta a esmagar os pobrezinhos, a Gaffe vai parecer uma cabra insensível, mas considera que um bocadinho de pragmatismo não vai acrescentar muitos mais adjectivos ao rol de vitupérios com que é brindada de quando em vez.

 

Admite que o talentoso George Michael nunca a fez choramingar. Nunca o rapagão foi banda sonora dos seus desgostos e tristezas, das suas melancólicas prostrações amorosas, nem a fez pinchar nos momentos mais histéricos salpicados pelo brilho dos espelhos, embora tenha de confessar que, já maduro e com uma imagem de carismático navio couraçado, tenha tido sobre esta rapariga tonta um apelo que não dista muito do sexual.

 

A Gaffe gosta dos duetos com Aretha Franklin e com Elton John, da vibrante e emotiva homenagem a Freddy Mercury e de alguns trechos de Faith e de muitos de Listen Without Prejudice, mas nada que não a deixe dormir em silêncio.

 

Tal como o Senhor Marquês, a Gaffe – também de muito boas famílias -, adopta a célebre parangona enterrar os mortos e tratar dos vivos.

 

É sobre um vivo muito específico que a Gaffe gostaria muito de se debruçar.

Fadi Fawas.

 Indiscutivelmente, e mesmo ao longe, o melhor dueto de George Michaeal.

 

Não adianta, raparigas, desatarem a carpir o escândalo que é esta referência indecente a um viúvo tão recente, porque todas, mas TODAS, perante um portento destes, no aconchego dos lacinhos da lingerie mais ténue, muito reservada, muito escondidinha nos escombros do desgosto, pensaram que este belíssimo animal é capaz de provocar paragens de toda a espécie - incluindo as de autocarros -, acelerar desastres e provocar todas as pequenas mortes que quiser, que nos deixamos.

 

Para grande tristeza nossa - seria caso para dizer, se fossemos grosseiras, que temos Fawas sem chouriço -, este vivo prova-nos apenas que George Michael foi, para além de tudo o que de bom dele dizem - e provavelmente com razão -, um brutamontes com um cabelo muitíssimo bem tratado.           

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A Gaffe de farda

rabiscado pela Gaffe, em 14.12.16

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Temos de assumir, raparigas. Nós babamo-nos.

 

Babamo-nos quando vislumbramos desprevenidas uma farda ou uniforme capaz de nos fazer crer que o rabinho do dono saiu de um expositor do MET; quando adivinhamos dois peitorais de aço a rebentar a camisa; quando deparamos com duas colunas musculadas enfiadas em botas de couro polido; quando sofremos por não poder fazer deslizar os dedos pelo cabelo rente de quem nos faz parar o carro ou de quem nos mostra a arma inacessível e quando imaginamos cenários de guerra e de guerrilha, internas e aconchegadas, protagonizados por um destes rabinhos fardados, que fazem ruborizar Belzebu, já que os outros e celestiais arcanjos tremem de pavor perante estas quedas iminentes.  

Babamo-nos e só não esbugalhamos os olhos porque, em tempo de crise e não sendo o rímel YSL, receamos que as pestanas se nos colem à testa.

 

Dizem as más-línguas que o apelo erótico que nos abrasa quando vislumbramos um uniforme bem vestido, equivale ao que a visão de Irina Shaik em lingerie provoca no masculino olhar.

Não subscrevo.

Uma farda bem vestida inflaciona a reserva erótica do portador e, no caso dos soutiens, é geralmente o seu conteúdo que favorece o rendilhado.

 

O facto de salivarmos perante estas visões enfarpeladas, não pode implicar descuidos no terreno.

O episódio estrelado pela Gaffe ilustra cabalmente o que foi dito.

Perante o deslumbrante polícia de trânsito, a Gaffe decide sair do carro para solicitar a informação, pormenorizada em papel couché, que traz na carteira ao lado do bâton - há estratégias de abordagem que se tornaram clássicas.

Vai babada e não segura.

O fabuloso animal fardado de quem se aproxima sorve-lhe toda a atenção e povoa-lhe os mais esconsos pensamentos, toldando-lhe o raciocínio com imagens pouco dignas de uma menina de boas famílias. A Gaffe usa todas as artimanhas que possui - e possui várias -, retiradas do arquivo Seduzir Fardamentos, lamentando, mais uma vez a porcaria da chuva que a impede de ter uma brutal cabeleira estonteante, repleta de caracóis possíveis de espargir pelo espaço e capazes de enredar a resistência.

Vai de sorriso armado e ondulante, pestana a saltitar e pezinho leve.

 

Tropeça.

 

Tropeça miseravelmente.

Esbraceja estropiada de tacão partido, esvoaça deformada, estrebucha já estragada e esbardalha-se toda aos pés da cobiçada figura bem fardada. Nem sequer fica de joelhos, posição mais aceitável e compreensível, dado o contexto de uniforme. Estatela-se com as pestanas cravadas na biqueira da bota do portento, absolutamente humilhada por não ter sido premeditado o tombo - com destino aos braços do rapaz -, mas apenas produto do encontro deplorável com a porcaria de uma pedra solta no meio caminho.

 

É evidente que depois de uma catástrofe destas, uma rapariga deseja somente e com a ardência dos joelhos esfolados, a cela de um convento.

 

Há, como fica demonstrado, a urgência de aliar a baba a uma atenção acrescida às agruras de um pedaço de mau caminho.

 

Nota - O homenzarrão consumiu imenso tempo a apanhar o conteúdo da minha carteira espalhado por todo o lado e perdeu toda a carga erótica quando comparou a dispersão dos meus parcos haveres a um desastre de avião.

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A Gaffe Marlboro

rabiscado pela Gaffe, em 11.12.16

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 Não há nada como o homem Marlboro dos catálogos antigos.

Bem sei que o público-alvo era constituído por rapagões deste calibre ou que dele se tentavam aproximar, mas valha a verdade, os publicitários da Marlboro sabiam o que faziam. Os antigos catálogos estão cheios de homens que parecem a sério. Nada de frágeis andróginos e hermafroditas. Era só passar os olhos pelas páginas para que nos sentíssemos satisfeitas e prontas a correr para uma loja onde, quem sabe, talvez encontrássemos à porta um exemplar encostado ao carrito de calças amarrotadas, casaco de couro com um ar vintage e com uma alma de lenhador toda bonita que adivinhávamos com facilidade. Não era provável, as hipóteses eram quase nulas, mas havia uma esperança secreta e sempre alimentada por quem era bom a fazer publicidade.


Neste momento, os meninos que fazem as delícias das passerelles não são mais do que bonecos de plástico depenado, com olhinhos de cão ou de gatinho e corpo reluzente, sem um pêlo. Não alimentam. Não são capazes de povoar um sonho mais encorpado. Uma pobreza toda igual. Não adubam ninguém.


Sou uma rapariga muito sensível a estas nuances publicitárias.

 

A velha Marlboro, pelo menos, cheirava a macho. Podiam perfeitamente estar todos a usar - no interior oculto do nosso desejo -, lingerie de renda vermelha com ligueiros cor-de-rosa que uma rapariga perdoava e agradecia o exterior.

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A Gaffe bazófia

rabiscado pela Gaffe, em 29.11.16

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É habitual a Gaffe estampar fotos de rapazes que passam o tempo a humilhar o comum dos mortais, atirando-lhe à cara a esplendorosa forma física em que se encontram e despertando a esplendorosa inveja dos mostrengos mais desfavorecidos.

 

Apesar destes portentos não passarem por nós ao virar da esquina - são criaturas parecidas com os unicórnios, - a Gaffe apanha demasiadas vezes umas cornadas destes bichos, vindas das paredes e dos muros, das páginas das revistas e do armário do vizinho de gabinete que tem posters destes colados ao fundo - do armário.

 

A Gaffe não fica nem excitada, nem incomodada. Isto funciona como o acordo ortográfico. Embora não simpatizemos com ele, vamo-nos habituando à grafia até deixarmos de sentir que estamos perante um erro. Acabamos vacinados e, de certa forma, imunes. Aquilo marcha sem que lhe prestemos uma atenção especial.

Ora, se o que foi escrito agora não passasse exactamente disso, uma banalidade idiota, a coisa até nem pareceria muito mal. Acontece que hoje de manhã a Gaffe cruzou-se com um unicórnio destes e deve dizer, para acalmar, que o bicho que se avistou dentro de um fato  - e de facto - não se inscrevia no conto de fadas tradicional. Era um unicórnio de todo o tamanho!

 

Isto prova, sem lugar para dúvidas, que, por muito que o neguemos, não passamos de umas bazófias com uns trocadilhos todos marotos em relação às excelentes formas físicas chapadas nos cartazes das montras que nos impingem, mas que, perante os factos de fatos justos, perante todos aqueles músculos em carne e osso, até as bainhas das saias se nos eriçam.

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A Gaffe com todas as letras

rabiscado pela Gaffe, em 26.11.16

M. Brando.jpgNuma tarde de Outono acabrunhada ou em pleno sol de uma nudez, um livro é sempre a forma mais eficaz de um rapaz provar que pode ser muitíssimo atraente, mesmo quando sabemos que podia perfeitamente ser analfabeto que o efeito sobre nós seria o mesmo. 

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Não vou tecer qualquer consideração acerca do que vejo.

 

Estou absolutamente depauperada, exausta, exaurida, extenuada, abatida e debilitada (creio que alguns destes vocábulos são sinónimos, mas estou demasiado depauperada, exausta, exaurida, extenuada, abatida e debilitada para cintilar de originalidade e diversidade semântica).

 

Atiro-me para dentro do sofá, adormeço sob o olhar vigilante de Fabian Schweizer, faço tudo o que o senhor quiser, que tudo o que ele quer parece BOM, porque ele é grande.

 

O cume da adrenalina para toda a rapariga - depauperada, exausta, exaurida, extenuada, abatida e debilitada, - em todo o seu esplendor.

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A Gaffe num vislumbre

rabiscado pela Gaffe, em 24.11.16

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É sempre excitante quando, perfeitas e intocáveis, quase virginais sacerdotisas, impenetráveis e inalcançáveis mulheres topo de gama, nos portamos como stalkers e nos enfiamos, com a discrição de deusas passeando na brisa da tarde, nos cantos e nas esquinas mais improváveis das montanhas apenas para nos deleitarmos com um qualquer bem equipado brutamontes. 

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A Gaffe trabalhadora

rabiscado pela Gaffe, em 19.11.16

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Inicia-se um fim-de-semana repleto de trabalho.

A Gaffe decidiu entregá-lo a braços competentes, porque sempre pensou que é fácil para um rapagão limpar, seja a que trapinho for, o suor que lhe escorre pela testa, sem perder - de modo nenhum - a capacidade de nos fazer imaginar a tomar duche com o resto.

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A Gaffe com gêmeos

rabiscado pela Gaffe, em 03.11.16

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Ao folhear uma revista, a Gaffe depare com uma fotografia de moda onde duas gémeas se abraçam e se acariciam sem propósitos nenhuns - diria a santa - perante o olhar esfomeado de um quarentão muito apelativo.


Se naquela fotografia fossem substituídas as gémeas esqueléticas por um par de gémeos observados por uma mulher, depressa haveria gente com ambições de beatificação que a consideraria uma porcaria escabrosa.


Uma rapariga esperta não dá valor a estes julgamentos precipitados.


A Gaffe admite, embora hesite, que uma das fantasias eróticas femininas mais protegidas e acarinhadas é aquela que nos coloca na frente - e atrás -  dois garbosos gémeos verdadeiros para depois obrigar a dupla a acariciar-se como se o amanhã não existisse.


Uma rapariga esperta sabe exigir o seu quinhão de felicidade em dose dupla ou os seus pares de quinhões, já que falamos de gémeos.

 

A Gaffe é acusada de promiscuidade em comentário esconso a que não será dada luz - pois que já é iluminado, - por publicar fotos de rapagões lindos de morrer, imbuídos de muito BOAS vontades e com uns paninhos exíguos a tapar as pilas. A confiar no dito, o leito da Gaffe é um apeadeiro, o mictório da estação de serviço, a camarata do 5.º Regimento dos sapadores bombeiros.        

Por muito que lhe custe, a Gaffe terá de assumir que não corresponde à verdade o paraíso descrito.

Salvaguardando, é evidente, o facto de não ser parva, esta rapariga é mesmo muito tímida, reservada e criteriosa em relação à escolha dos matulões que partilham as suas fantasias menos públicas. Admite que gosta mesmo muito, muito, muito, de homens e que não faz questão de ser canonizada ou sagrada protótipo do tipo de virtude que a faz ter um paupérrimo sexo infeliz - deixa esta miséria para comentadoras mais pudicas, - mas os segredos da sua alcova não são partilhados pelas multidões insinuadas no comentário sujo. A Gaffe ainda não sabe se deve lamentar o facto.

É evidente que o comentário recebido é a prova mais que evidente que a dona do dito sempre teve muitíssimo menos sexo do que a Gaffe - o que é dramático - e o pouco que tem é de qualidade esmagadoramente inferior - o que é frustrante.

 

É certo - e pobre - reconhecer o que é uso classificar um homem promíscuo como um D. Juan, um excelso conquistador potente, sedutor e sabido, um valente maroto que sabe da poda - embora possa não dominar as grafias mais ultrapassadas - e que uma mulher com as mesmas características é tida por um estafermo possuído por um demo libidinoso capaz de a fazer esbardalhar nos confins de uma sexualidade desenfreada e descontrolada, mal vislumbra um rabo de calças.

 

Atirar pedregulhos a um pobre e doce blog feminino que se vai divertindo publicando, de quando em vez, estampas onde a testosterona é um foguetório digno de se ver, é a mesma coisa que entrar em êxtase percorrendo fotos de mulheres de mamocas a furar o monitor e rabos que se empinam enquanto as donas olham como se tivessem um vibrador encastrado e a funcionar a todo o gás.

É imbecil.

 

À sua indignada comentadora a Gaffe aconselha uma noite libidinosa com os gémeos poderosos referidos no início desta sua perdição. Podem salvar-lhe o casamento que de tão harmonioso, reservado, beato, puro, sacro e belo já deixou crescer folhinhas de louro em redor da piloca do cônjuge e hera no pipi que se dedica agora a espreitar escandalizado os homens que por aqui lhe causam inundações cerebrais.  

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A Gaffe do chef

rabiscado pela Gaffe, em 02.11.16

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Para complementar o maravilhoso post da minha querida Quarentona que nos deixa desejosas de provar as iguarias deste chef, a Gaffe não pode nem deve deixar de referir que o peruano Franco Noriega, para além dos atributos que já foram esmiuçados, gosta imenso de ler e que embora o faça numa pose muito próxima do Fauno de Barberini, usa umas cuecas que não permitem que nos desviemos do conteúdo do romance.

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A Gaffe da Escócia com amor

rabiscado pela Gaffe, em 28.10.16

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Um recente estudo de uma Universidade escocesa prova por A mais B, coadjuvados pelo C, que as mulheres preferem os homens que fisicamente se parecem mais com elas, mais femininos e e aparentemente mais seguros e desconfiam dos opostos, ou seja, não acreditam em rapazes com traços demasiadamente masculinos.
 
Da Escócia chegam-me os Kilts. Confesso que abençoo por isso os escoceses, mas coloco entraves ao estudo publicado. Não fui tida nem achada no processo que levou a concluir a estes dados, mas não acredito que algum dia me possa sentir perdida de amores por um magrinho, com ar de gazela, ágil como um acrobata, com olhos de bambi pestanudo, uma boca capaz de proezas inimagináveis e com uma tendência mórbida para gostar de fazer compras inúteis e de bolos encharcados em creme.
 
O estudo escocês pode ter estar baseado em factos que uma rapariga simples desconhece, mas ninguém me tira um matulão, com maxilares quadrados e violentos, capaz de nos entregar o céu com as mãos peludas e bem grandes.
 
São homens que nos causam problemas impensáveis, mas uma rapariga esperta sabe fazer florir mesmo as urtigas e todas nós gostamos de um másculo problema bem desperto. 

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A Gaffe ao pormenor

rabiscado pela Gaffe, em 25.10.16

David Vargas by York Carmona.jpgO momento mais simpático para observarmos um homem é enquanto ele dorme, mesmo quando o faz de pé.

 

Sossegado e indefeso, podemos analisar com minúcia a testa larga e ampla, as centenas de pestanas tombadas sobre os olhos que sabemos castanhos, levemente riscados por um verde que se torna seco quando lhes toca, as sobrancelhas espessas que desenham arcos perfeitos e atraentes, o nariz recto e poderoso em que as narinas tremem levemente à medida que respira, a boca carnuda com o lábio superior insolente, o queixo quadrado e viril, a barba densa e rude a romper a pele de cetim moreno, o pescoço forte e potente onde um pêlo encravado inflamado, aureolado, esbranquiçado, nos retira à força da contemplação.

 

São as mais insignificantes imperfeições, os mais irrisórios pecadilhos físicos, que fazem oscilar e recuar a atracção que uma mulher sente por um homem por quem não está apaixonada.

Podemos ter na frente Rubén Cortada que encontraremos pela certa, na sua nudez asfixiante, a mazela insignificante no joelho, o minúsculo sinal peludo na planta do pé, o espigão rente à unha ratada ou o pêlo do nariz que avança como uma pata de um grilo, que nos vão congelar a empatia física e desactivar o íman em que se tornariam se fossem isentos destas irrelevantes incorrecções.  

 

As mulheres - ao contrário dos homens que cegam atraídos pela globalidade da paisagem feminina, - estão atentas às flores mais miudinhas, aos mais ínfimos pormenores de cor e de textura, que fazem parte do chão do corpo de um homem. Basta uma pequena dissonância para que haja uma avalanche capaz de soterrar o que se avista.

Talvez seja por isso que resistimos com maior facilidade aos apelos da carne como diria o senhor abade que de paisagens físicas conhece os arredores. Somos muito mais susceptíveis aos desencantos das miudezas e muito mais depressa desencorajadas pelo sobressalto de um pequeno lapso.    

 

O facto é auxiliar precioso quando tentamos traduzir para uma linguagem perceptível as nossas emoções. Se perdoamos a borbulha no pescoço do rapaz adormecido e se a entendemos como a mais humana forma de se ser um deus, então é tão certo como simples. O homem que adormeceu ao nosso lado é o mesmo que nos acorda o coração.

 

Na foto - David Vargas por York Carmona

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