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Ilustração - Fernando Vicente


Os lápis de cor

rabiscado pela Gaffe, em 02.03.17

Na semana passada a minha professora chamou a mãe do Firmino à nossa escola. A mãe do Firmino meteu baixa que é uma coisa pequena e veio ver o que era. A minha professora mandou-a sentar ao pé dela mesmo à nossa frente mas de lado e disse-nos que tinha sido o Firmino a roubar os lápis de cor à Liliana e que era bom que toda a gente soubesse qual era a raça do cachopo. A mãe do Firmino ficou como os tomates do meu primo Zeca que são muito vermelhos e brilhantes e desatou a chorar que nem parecia uma pessoa crescida. A gente grande chora para dentro que as lágrimas depois de velhas só caem no coração. Depois a mãe do Firmino levantou-se e foi ter com o Firmino que está na última carteira mesmo ao pé da janela porque é o único que diz que não tem frio. Agarrou-lhe na mão e foi-se embora. Nem disse bom-dia que é muito educado dizer-se quando vamos embora. Também podemos dizer adeus mas isso é só quando temos lágrimas grandes na garganta quase a cair no coração e já não vale a pena dizer bom-dia porque é sempre noite. Eu sei que o Firmino vai apanhar uma tareia e depois vai dizer que caiu pelas escadas abaixo ou que tropeçou na lenha e raspou a cara nas farpas. A gente sabe e já não liga. O meu pai disse que só se perdem as que caem no chão. Eu não me importava nada que as que caem no chão não nos apanhassem já lá deitados mas a gente não pode ter tudo o que quer. O Firmino se queria ter lápis de cor devia ter pedido ao padrinho dele ou então que pintasse o sol com a tinta das mimosas esmagadas misturada com cuspo. Não fica muito bem mas dá para disfarçar e mais vale pouca coisa do que nada como diz a minha avó. O céu deixava em branco a fazer de conta que são nuvens. Não se podem roubar coisas para dar cor ao nosso céu. Eu acho que têm de ser nossas. A Liliana ficou quase uma semana sem os lápis e levou duas estaladas por não apresentar os desenhos em condições. Foi por isso que estava toda contente por saber que o Firmino ia apanhar das boas no lombo. Foi bem feito para ela o Firmino ter aparecido sem uma negra.  Acho que foi a mãe do Firmino que se meteu à frente e disse ao Firmino para se esconder depressa e depois tropeçou. Eu sei disto porque a minha irmã viu a mãe do Firmino e disse assim pelo meio dos dentes olha outra que também cai muitas vezes. A mãe do Firmino aleija-se muito. Eu gosto muito de pintar o céu de branco.

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A D. Dulce

rabiscado pela Gaffe, em 01.03.17

Eu gosto muito da D. Dulce Pontes. Ontem vi na televisão que a D. Dulce lançou um novo CD que os velhos já tinha lançado e fiquei muito espantado, porque a D. Dulce faz CD todos estragados. O senhor Vitorino que é um homem que tem reuniões às Segundas e Quintas-feiras ao fim do dia com a minha irmã Idalina deu-lhe um e disse-lhe olha Idalina hoje não trouxe queijo mas dou-te este CD muito bom que me deram lá nas obras. Eu até fiquei muito contente porque sou obrigado a comer os queijos do senhor Vitorino que diz que fazem muito bem aos ares mas que cheiram muito mal porque são da serra e os pastores são muito pobres e não conseguem dinheiro para comprar luvas para amassar as tetas das cabras e então usam nas mãos as peúgas de lã que tiram aos fins-de-semana para as pastoras as poderem lavar. O CD que o senhor Vitorino deu à Idalina estava mal porque avariou a aparelhagem e a culpa não foi da aparelhagem que até tem um botão que diz play em inglês. Isso não adiantou nada porque quando a minha irmã meteu o CD o aparelho começou aos gritos muito estranhos que até parecia que estavam a enfiar um cacto no cu da D. Dulce. O meu primo Zeca disse ó Idalina ó bruta tu não vês que é a mulher que canta assim. O meu primo Zeca não pode dizer nada porque só gosta da dona Mariza Rodrigues que já morreu e está metida na parede dum apartamento muito grande e importante em Lisboa. A D. Mariza Rodrigues tinha o cabelo branco dos desgostos que apanhava quando andava no fado e com carrapichas que é uma mistura de carrapato e das coisas que não posso escrever aqui porque levo uma pantufada da minha professora que me leva os dentes e que é muito injusta porque não faz mal usar os nomes científicos que os médicos dão à pila. Eu não tenho culpa da D. Mariza Rodrigues ter carrapichas no cabelo que foram feitas por um cabeleireiro bicha com cuspo. O cuspo das pessoas bichas é muito peganhento e pegajoso vá lá a gente saber porquê e dá para fazer essas coisas que dão muito trabalho e que fazem as pessoas bichas adoecerem e ficarem muito distraídas e muito cansadas. O Senhor Padre Alfredo disse que as pessoas bichas precisavam de tratamento num campo e de se concentrarem mais. O meu primo Zeca disse que as pessoas bichas não podem meter um supositório sem o segurarem com um alfinete porque cai. Ora eu acho que gente assim precisa de ajuda como eu que mamei agora uma traulitada da minha professora porque a D. Mariza não se chama Rodrigues e quem se chama Rodrigues é outra senhora chamada Amália que não morreu porque o meu primo Zeca disse que ela não morre e que abre os braços e levanta a cabeça para ver se os pássaros não lhe borram a cena e que diz obrigada obrigada obrigada agora o povo agora o povo agora o povo e a gente canta que se desunha em vez da senhora D. Rodrigues que ganha um pipa de massa com aquilo e depois compra cortinados muito grandes que também servem de vestidos mas mais bonitos do que os da D. Dulce que são todos uns sacos de merda e que a fazem gorda e a parecer um daqueles bonecos gigantes que havia naquele país que agora é dos americanos e que uns homens deitaram abaixo para fazer bonequinhos mais pequenos e vender aos chineses que fazem aparelhagens iguais à da Idalina e que gostam muito de ouvir a D. Teresa Salgueiro que era uma freira que cantava sempre a mesma coisa na missa. O senhor papa número 16 antes deste mandou-a para a China quando descobriu que ela não era culogista e gostava de incendiar vacas e depois comer. A D. Teresa pelo menos não faz caretas como a D. Dulce. Parece que não é um cacto que lhe enfiaram no cu é coisa mais fina tipo apito. A D. Teresa usa umas mantas pretas com penduricalhos nas pontas e tem também um cabeleireiro muito doente que não sabe que o cabelo é uma coisa que cresce pela massa cinzenta do cérebro e que até pode encravar e crescer para dentro e fazer as pessoas carecas. Eu gosto muito da D. Dulce Pontes.

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As polémicas

rabiscado pela Gaffe, em 28.02.17

Eu não sei muito bem o que são polémicas porque ainda sou pequeno e não conheço muitas palavras difíceis. Mesmo as que conheço às vezes só sei dizer as letras. Eu acho que tem a ver com desenhos mal feitos e com o Teatro do senhor Filipe la Féria que também se chama Teatro Polémico. Eu por acaso não gosto porque não tem pessoas nuas. Até era fácil ter. Eu fui ver com os meus pais um teatro chamado Mai Fair Lade que também é do senhor Filipe La Féria que é muito rico e tem muitos teatros e o meu pai disse que merda daquela os bombeiros daqui também fazem. Basta arranjar um candeeiro grande e umas escadas em caracol e ensinar a Idalina a fazer de rica porque parola ela não precisava que já é e até se punha nua se fosse preciso. O meu pai não pode dizer nada porque não estudou como eu que já vou apanhar um soco porque a minha professora está a dizer que o Teatro do Senhor Filipe La Féria afinal não se chama Polémico e que se chama uma coisa que se lhe varreu da cabeça. Eu agora não posso apagar nada porque a minha borracha está nas últimas e tenho de poupar que já gastei o lápis de cor amarelo a pintar o sol. Por falar nisso lembrei-me agora das polémicas das caricaturas e acho que devem ser desenhos mal feitos e com números de telefone porque dão porrada. O meu primo Zeca também levou uma carga de porrada do meu tio no ano passado quando fez um desenho da minha prima e escreveu a Idalina é puta e pôs o número de telefone dela nas paredes da cagadeira que agora se chama duplo Vê Cê desde que o Presidente da Junta mandou uma fotografia ao senhor Costa com as sanitas todas partidas. Eu vi o senhor Costa na televisão uma vez mas não ligo muito a concursos com o senhor Passos Coelho a apresentar. Só sei que foi o senhor Costa com o dinheiro que ganhou nesse concurso que mandou para cá sanitas novas que o meu primo Zeca andou a meter nos buracos antes de levar porrada. Quando lhe bateram ele ficou com um osso do ombro partido e já não fez mais nada porque era um osso que vai direitinho ao cérebro e quando a gente o parte pronto já não pode meter sanitas e só grita. O meu primo Zeca fez um chinfrim desgraçado a dizer que lhe tinham cortado a liberdade de expressão mas se calhar é a liberdade que às vezes se exprime mal e depois dá em porrada como os árabes da televisão que andam a queimar panos e a atirar coisas às pessoas que até parecem o senhor Doutor Mário Nogueira mas que não são árabes nem são o senhor Doutor mário Nogueira. São mas é senhores disfarçados porque eu sei que os árabes só andam de panos de cozinha na cabeça e lençóis cosidos. não queimam a roupa. As senhoras árabes andam com gaze nas mamas e na boca por causa dos dentes podres que na Arábia não há muitas escovas. Eu sei isto porque no Carnaval a minha prima Idalina disse ao Zeca olha eu vou vestida de árabe tu vê se me arranjas umas gazes lá no hospital onde vais fazer os tratamentos. O meu primo Zeca vai fazer tratamentos por causa da tareia que mamou à custa do desenho que fez da minha prima no duplo Vê Cê. Até foi injusto porque a minha prima Idalina passou a receber muitas mais chamadas a sair mais e até já foi ao dentista tratar dos dentes porque com eles podres fica-se com uma voz esquisita ao telefone. Eu gosto muito de polémicas.

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A D. Fátima Lopes

rabiscado pela Gaffe, em 27.02.17

A D. Fátima Lopes é uma senhora muito rica e presidente do sindicato duma coisa chamada estilistas que se preocupa muito com as cores das roupas que se usam e com as carteiras que levamos de férias ou quando queremos fugir à polícia depois de as levarmos. A polícia já prendeu os senhores que gostavam de andar com os sacos azuis dos cachopos que encontravam no Continente. O Continente é uma terra do senhor Paulo Azevedo que só veste coisas caras e com cores bonitas. A minha prima Idalina diz que é importante a gente ficar preocupada com as cores e disse mesmo que havia um senhor rei chamado Napoleão que tinha um casaquinho vermelho para não se notar o sangue quando ia à guerra. Há também o senhor engenheiro Sócrates que só veste calças pretas e ainda o senhor abade João das Neves que só usa sacos brancos para combinar com as meias que são iguais às do meu primo Zeca. O meu primo Zeca vai-se casar com a Dalete que agora se escreve D’All Lete por causa dos turistas e se lê Delete por causa dos computadores. O casamento vai ser aqui na escola dentro da sala de trabalhos manuais porque a minha professora diz que se querem fazer casamentos na sala dela ela parte tudo à chapada depois de nos fazer mastigar o giz que isto não é a casa da mãe Joana que é a avó dela e está internada no hospital onde o meu primo Zeca alugou umas camitas para os convidados que são do Alentejo. Os convidados ficam nesta casa na véspera do casamento. Devia ser no quartel porque a Idalina se sentia mais em casa. Já conhecia os guardas todos e até se podiam usar as cornetas e as gaitas dos guardas da fanfarra que a minha prima toca muito bem segundo dizem os que fazem a ronda todas as noites cá por casa e que nunca são os mesmos. Até me causa espécie porque as fanfarras deviam ter sempre as mesmas gaitas. A Idalina tem pouca sorte porque o quartel já está reservado para uma coisa chamada congresso doutra coisa chamada PP e os guardas estão todos prontos com aqueles capacetes dos robôs para que ninguém dê uma traulitada nas senhoras velhinhas que lá vão e que são como a avó da senhora professora que teve um ataque e que fala com a boca torta. Dizem que é para os turistas que chegam do estrangeiro e do Brasil compreenderem. O estrangeiro também é onde a D. Fátima Lopes vai ao cabeleireiro porque é para isso que tem um táxi sempre à porta mesmo mesmo mesmo ao mesmo tempo que a D. Maria José Morgado que é uma pintora muito famosa que vive no Rego. A D. Maria José Morgado manda chamar a D. Fátima Lopes para irem as duas dar uma de mão nos tectos ou apresentar um programa da televisão onde ela é ajudada a vestir pela senhora Fátima Lopes que é prima do senhor Santana Lopes que eu não sei quem é mas que anda por aí lá isso anda mas não que tem nenhum cabeleireiro amigo.  Eu gosto muito da D. Fátima Lopes.

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As SMS

rabiscado pela Gaffe, em 25.02.17

Eu gosto muito de SMS. Não sei bem o que é e até perguntei à Idalina que me disse que era uma coisa francesa que os telemóveis apanhavam e que vem sem a gente contar na corrente eléctrica. O meu primo Zeca pôs-se a rir e disse-lhe ó estúpida uma SMS é como um chate que é uma bicha que a gente apanha nos países mais baixos e só lá vai de injecção. Por isso penso que uma SMS é um animal perigoso porque ataca as fichas rentes ao chão. A minha irmã chamou-lhe inocente e cascou-lhe um murro na testa porque o Zeca estava a confundir com o senhor Marques Mendes. Eu é que tenho sorte porque a minha prima Idalina esteve a trabalhar em França nas obras a ajudar os turnos que apanhavam fruta de noite e lida muito bem com a língua e sabe que SMS é a maneira que os senhores que vivem em França dizem Se Mentes Safas-te. Eu acho muito bom sabermos lidar com as línguas e falar um bocadinho de todas. Gostava de ser como o senhor Padre que é muito corajoso porque até mata as bichas daquelas que nos mandam SMS mas que entram só pela parte de trás dos computadores pelos buracos das pénes. As pénes são uns paus de plástico que servem para as pessoas pendurarem num fio e depois se esquecerem onde as meteram e que se apanham muito nos duplos vês cês dos Centros Comerciais que são umas casas muito grandes e cheias de lâmpadas onde há pénes até dar com um pau porque lá entra tudo como na prisão onde esteve o senhor engenheiro. O senhor engenheiro teve sorte  porque lhe deram uma caneta para escrever um livro que depois meteu nas pénes para ninguém ler. Podia meter noutro sítio que a minha prima Idalina disse que sabia onde era e que me pareceu que doía porque o meu primo que esteve na tropa nos serralheiros ou nos artilheiros mecânicos já não sei bem disse que nesse lugar nem uma fava entra. O meu primo passou as favas do Algarve quando lhe fizeram a salada. Por isso penso que deve ser uma saladeira o sítio onde o senhor engenheiro devia meter aquilo ou então era na Santa Casa da Misericórdia porque de lá também sai merda junta com o senhor Santana Lopes que é filho de um Presidente muito antigo que já morreu e que foi substituído pelo senhor Doutor Cavaco que também tinha uma péne espetada no cu. Eu digo sempre a verdade por isso não mando SMS. Quem sabe se foi por isso que a minha professora me espetou uma galheta que quase me arrancava os dentes de cima porque em baixo já não tenho dois que os parti quando caí numas escadas rolantes que subiam sempre que eu queria descer no Centro Comercial onde a Idalina também trabalha perto das lojas onde se vendem cuecas vermelhas e foguetões que são telemóveis que vibram e mandam SMS. Eu gosto muito de SMS.

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A CGD

rabiscado pela Gaffe, em 24.02.17

A CGD é uma coisa que eu não sei o que é. Já posso dizer que não sei sem levar uma pantufada da minha professora porque a minha prima Idalina que não é menos que as senhoras do Cerco do Porto disse que se a senhora professora me voltar a assapar vem aqui e parte-lhe a dentadura toda com um martelo pneumático. Por isso espero que a senhora professora esteja atenta a ler esta redacção e tenha mais cuidado porque fica num instantinho sem os dentes de plástico que até são bonitos mas ficam depressa muito amarelos e a cheirar mal. O plástico é uma coisa reciclada e fica a feder aos sítios onde esteve antes de ir para as senhoras de reciclar. Eu sei que reciclar dá muito que fazer porque temos de saber as cores do plástico antes de o meter no lixo e nem sempre conseguimos decorar as cores dos sacos todos do modelo e do continente do senhor Paulo Azevedo. Eu não sei que modelo é mas penso que é a Sofia Aparício. É uma menina muito alta com problemas na boca e nas mamas que incham quando há humidade. Também pode ser outra qualquer que o senhor Paulo Azevedo é muito rico e pode ter mais do que um que não faz mal porque os mete no continente que é a África e ninguém dá conta. A África é muito longe e ninguém vai lá por causa dos mosquitos. Eu até pensava que era por causa das bichas que atacavam quando ficava noite mas o meu primo Zeca disse-me que isso era no Parque Eduardo número sete ou então no Beco do Esparramado que é onde a minha prima  tem o escritório mesmo ao fundo e onde faz muitas horas extraordinárias que são horas que não contam para o Currículo que é o patrão dela e que lhe faz a folha e me dá rebuçados. Eu gosto de rebuçados mas o que queria mesmo era a aparelhagem que vi na loja dos chineses igual ao leitor de CD que o meu primo Zeca comprou na feira. Dizia it’s a SONAE na parte de trás. Na frente tinha uns botões que ligavam à televisão e aparecia a dona Manuela Moura Guedes toda vestida de vermelho com as bochechas todas cheias de comida. Podia ser só defeito do aparelho que a Idalina disse OPÁ it’s a SONAE uma merda isto é mas é fancaria que também é uma marca de electrodomésticos e de pulseiras e brincos que a Idalina usa quando vai para o escritório e que a minha mãe oferece às senhoras quando elas lhe compram trumparueres que são umas coisas estrangeiras que encaixam umas nas outras como nós quando vamos para férias ao Carrapatelo e ficamos na tenda do meu primo que só tem uma assoalhada mas que é muito saudável por causa do ar desde que não se respire muito. Eu gosto muito da CGS.

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O gato do Firmino

rabiscado pela Gaffe, em 23.02.17

Ontem já estávamos todos na sala e a minha professora viu que faltava o Firmino. A senhora professora mandou-me ir procurá-lo que só lhe damos consumições. Eu encontrei o Firmino na arrecadação onde guardamos a lenha para a salamandra da escola. Estava aninhado aos pés dos cavacos e a chorar muito. Eu sabia porque é que o Firmino estava a chorar. O gato do Firmino morreu. Eu tinha visto o pai do Firmino a metê-lo no caixote de plástico do lixo. O gato era velhinho. Muito velhinho e morreu. As coisas ficam velhinhas e depois morrem. Acontece às pessoas velhinhas e até acontece aos peixes às mães e às mimosas. O gato do Firmino chamava-se Farrusco mas toda a gente lhe chamava gato. Só o Firmino lhe chamava Farrusco porque é teimoso. Se toda a gente chamava gato ao gato é porque o gato se chamava gato. Eu sentei-me ao lado do Firmino e pus-lhe a mão nas costas para lhe segurar os suspensórios. Os suspensórios são coisas fortes que prendem os calções e como o Firmino parecia que estava a desaparecer eu queria segurá-lo e achei que se lhe agarrasse os suspensórios o Firmino não desaparecia. Lembrei-me daquelas ervas muito compridas que vivem nos rios e quando a água passa parece que vão com ela mas não saem do sítio. O Firmino também parecia um dióspireiro porque estava cheio de flores mas com mais nada. Eu não chorei. Tinha umas coisas grandes a doer na garganta que pareciam murros mas não chorei porque não se deve roubar nada a ninguém. Muito menos aos amigos e muito menos as lágrimas. Gostava que toda a gente do mundo toda a gente daqui até à lua se chamasse Farrusco. Não me importava de me chamar Farrusco. Quando tiver um filho chamo-lhe Farrusco e se for uma rapariga chamo-lhe também Farrusco. Até a Ritinha devia chamar-se Farrusco. Era bom que Deus se chamasse Farrusco. Isso é que era bom. Assim o Firmino não chorava porque tinha o gato dele para onde quer que olhasse. O problema é que só o Firmino chamava Farrusco ao Farrusco. Nem eu chamava Farrusco ao gato do Firmino. Eu sei que o Firmino é o meu melhor amigo mas quando ele se levantou bateu-me. Deu-me dois pontapés três estalos e dois murros na cabeça que eu contei. Depois foi-se embora e eu não sei para onde. Foi para casa. Eu acho que vamos sempre para casa quando os outros não sabem para onde vamos. Eu não sou o melhor amigo do Firmino porque acho que o Firmino não tem coisas que são melhor. Eu gostava muito do gato do Firmino.

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A senhora Inspectora

rabiscado pela Gaffe, em 22.02.17

Hoje não tenho muito tempo para escrever a minha redacção que a senhora professora mandou-nos para o recreio porque esteve na nossa sala a senhora Inspectora para ler as redacções de toda a gente. A senhora Inspectora nem precisava de cá vir porque lhe mandam as coisas para ela ver em casa e não ter de se incomodar mas ela é uma pessoa muito boa e mesmo não podendo que é doente anda que se farta. A senhora Inspectora era uma pessoa muito alta e muito magra e muito muito muito mas mesmo muito inteligente. Tão inteligente que os miolos pesavam assim como os sacos de batatas que o meu primo Zeca costuma acarretar. O peso era tanto que a senhora Inspectora esparramou-se e ficou atarracada e gorda. Os miolos agora misturam-se com as tripas e a senhora Inspectora vê-se à rasca para separar o que diz da merda que faz. Eu acho que a senhora Inspectora não vai gostar muito das minhas redacções porque eu ainda não sei o que são as vírgulas e a senhora Inspectora disse para quem a quis ouvir e foi pouca gente que as vírgulas são como o alimento dos passarinhos. A gente atira-as ao ar e onde caírem lá ficam à espera dos pombos. Há sempre um que não se engasga. Agora vou brincar que se faz tarde. Eu gosto muito da senhora Inspectora.

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Tema livre

rabiscado pela Gaffe, em 21.02.17

Eu gosto muito do tema livre. Para dizer a verdade só gosto um bocado porque nunca sei o que tenho de dizer. Da última vez que a minha professora me disse que o tema era livre eu pensei que se podia copiar. Copiei o título de um livro que se chamava o iluminismo estrangeirado na obra do Cavaleiro de Oliveira que estava na secretária da minha professora para ela poder pousar o copo e a garrafa de água sem deixar marcas na madeira que dá mau aspecto e parece mal. Quando o senhor Sócrates nos veio entregar o Magalhães a minha professora até teve de se sentar na secretária para ninguém ver a rodela que o copo deixou na madeira. O Magalhães é um senhor que nos deu um computador parecido com a malinha da minha prima Idalina. A minha prima tirou um curso de manicura à noite e faz as unhas a uns velhos que até são muito bons clientes. Vão lá casa duas vezes por semana porque as unhas são umas coisas que crescem muito de um dia para o outro e devem ser cortadas rente porque senão os senhores são obrigados a vir às escondidas com vergonha das unhacas que ficam iguais às da minha professora que quase me arrancava os olhos quando descobriu que eu tinha copiado o título do livro. Nem se preocupou em ler o resto que era muito bom e falava no Cavaleiro de Oliveira que é o um senhor que morreu já múmia e que fazia filmes com a Soraya Chaves que já foi namorada do senhor Padre Amaro. Depois arrependeu-se e foi para Nova York estudar muito teatro. Já estava cansada de mostrar as mamas. Queria ver se conseguia mostrar menos coisas e dizer mais palavras. Coitada parece que aquilo correu mal só por causa dos professores que não sabiam falar português e gostavam de mamas. A senhora Soraya Chaves tem cara de gostar muito de hipismo que é um desporto que os hippies praticam e que exige uma cara de quem está sempre com pedra nos rins ou que enfiou no nariz o pó que a senhora que apresenta os sorteios da Santa Casa usa para encarquilhar e parecer morta há já uma semana. A gente percebe que é só a fingir porque ela até está muito bem para a idade como a minha professora que ninguém diz que é uma velha que já devia ter morrido e que não leu a minha redacção até ao fim porque me disse que eu devia respeitar os mortos que fizeram tanto pela nação e deixar de ser ingrato e rezar rezar rezar para que Nossa Senhora de Fátima nos ilumine que sabe iluminar as pessoas muito bem. Tem uma pilha na carteira porque no sítio onde moravam os pastorinhos não havia electricidade. Só lâmpadas muito fraquitas. Eu não falei de morto nenhum a não ser que ela estivesse a pensar que eu estava a falar do Senhor Oliveira que era um empreiteiro patrão do meu primo Zeca que trabalha nas obras da Covilhã que até foram primeiro desenhadas pelo Senhor Sócrates no computador que lhe deu o Magalhães que tem um programa chamado paint. Só se fosse por isso. O senhor Oliveira morreu num acidente de aviação porque uns pássaros se agarraram as rodas para ir de boleia. Aquilo deu para o torto porque o avião era uma avioneta sem força para aguentar a passarada e só havia um charquito para pousar nas emergências que era o charquito onde depois se fez o Freeport porque com os passarinhos mortos já não havia lá nada para guardar a não ser umas bichas sem importância que foram todas lá para dentro e que agora estão desempregadas porque o povo gosta de peixe e armou uma cavala só porque aquilo não demorou nadinha a ter autorização para se fazer. É uma vergonha porque se demorasse também reclamavam. O povo nunca está contente a não ser com o desgosto dos outros e não percebeu que o Senhor Sócrates fez aquilo a correr para esquecer os passarinhos que morreram no desastre agarrados as rodas da avioneta. Nem se queria lembrar daquela tragédia e quis fazer uma coisa parecida com o que estão a fazer em Nova York onde a Soraya Chaves mostrou as mamas. A minha prima Idalina disse que gostava de fazer como ela e estudar ainda mais para fazer umas unhas aos trolhas que lá trabalham porque pelo menos tinha uns andaimes em condições para se encostar e não a porcaria nojenta dos andarilhos dos velhos. Eu gosto muito do tema livre.

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O Papa Francisco

rabiscado pela Gaffe, em 20.02.17

Eu gosto muito do senhor Papa Francisco que é um senhor muito velhinho que vive em Roma numa casa muito bonita que tem um tecto pintado à pistola por um trolha que gostava de coisas feitas à mão e que fez pisa-papéis que são um homem nu com uma fisga na mão. Também fez muitos trabalhos de pichelaria porque não é calão como o meu primo Zeca que diz que o senhor Papa antes deste era um nazi de merda. Isso é mentira porque nazi é o nome de uma bisnaga para desentupir o nariz quando estamos constipados. Eu agora não sei se é nazi ou vick mas também não interessa porque os senhores papas não se constipam porque andam sempre dentro de uma cabina telefónica. É gente muito ocupada que recebe muitas chamadas. A minha professora já escreveu ao senhor Papa Francisco. Foi a senhora dona Aura Miguel que é uma freira disfarçada de jornalista que lhe deu a direcção. É muito fácil de decorar porque tem logo o número da porta. Vai logo lá ter. Depois as cartas são metidas nos chumaços que o senhor Papa tem nos ombros que parecem as asas do avião que bateu contra as mamas da minha prima Idalina. Disseram que isso aconteceu e que foi muito mau um avião ter batido contra as torres gémeas se bem que a minha prima não se tenha queixado muito. A minha prima Idalina também já não sente nada de tantas coisas que já lhe bateram contra as mamas. A minha prima disse que mais vale escrever ao senhor engenheiro João das Neves que esse responde logo com palavras muito difíceis a dizer mal das bichas e que pelo menos não anda de capelina como o Papa. Uma capelina é uma coisa que se põe nos pés dos atletas quando correm a maratona e apanham muito sol e ficam presos dos intestinos que até podem ser bichas. Então é preciso tomar o remédio que o senhor Papa dá aos padres para que eles não andem a dar catequese a mais como os senhores da Casa Pia que estão presos há tanto tempo e só queriam ensinar-nos a rezar muito. O remédio mata o bichedo todo porque o bichedo é uma coisa desgraçada que se mete em todo o lado e faz o meu primo Zeca cuspir para o chão e desatar aos murros e a bater com uma matraca num senhor em Viseu que é uma terra muito longe da casa do senhor Papa Francisco mas que ele já conhece porque o papa vê e sabe de tudo como aquela senhora da televisão que nos anda a fazer o mesmo que o pároco da minha freguesia faz ao regente do coro mas com o Calimero e que se chama Maia. Eu gosto muito do Papa Francisco que mora na rua do Bento n.º 16 Roma.

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Os anónimos

rabiscado pela Gaffe, em 18.02.17

Os anónimos são uns bichos com muitas patas assim como as centopeias mas mais feios e mais escuros tipo carrapato que é uma coisa que dá nas pessoas e as mata.Vai ao cérebro e come a massa cinzenta e deixa-nos muito moles e a pensar que andamos com caganeira que é uma palavra que não posso escrever porque a minha professora diz que se deve dizer diarreia e que eu sou um porco por andar a falar disto das centopeias e que devia mas era olhar para o exemplo do senhor Padre Jesuíta João das Neves que esse sim é que sabe da poda. Eu nem sequer sei o que quer dizer jesuíta. Ao princípio até pensei que era um pastel mas apanhei uma estalada por não saber nada de história que parece que tem muito jesuíta grande e com sabores diferentes. A minha prima Idalina é que gosta de anónimos porque diz que esses é que não chateiam que pagam e não bufam. Por isso é que eu penso que os anónimos são uns bichos com muitas patas mas também com muito dinheiro o que até faz confusão porque o único bicho com dinheiro que eu conheci era o meu padrinho que morreu atropelado. Até lhe saltaram os intestinos. Foi na Nacional número 2 e o trânsito esteve parado muito tempo. O meu primo Zeca até desatou aos gritos todo furioso a dizer palavrões e a berrar que aquilo até parecia os da Assembleia contra o ministro Centelho. O meu padrinho ficou ali estatelado e todo morto à espera do senhor Doutor Legista que é um senhor muito importante que faz leis e regista tudo num livro mas depois assina porque tem medo de se transformar num bicho com muitas patas e com diarreia. A minha prima Idalina que por acaso até estava na variante da Nacional número 2 porque gosta muito de ver passar os carros veio a correr e disse ai coitado do homem que ficou com tudo de fora tu chama-me o 115 morcão estás à espera que o gajo acorde e telefone para o hospital meu espantalho. A Idalina não sabia que o meu padrinho não podia telefonar porque o telemóvel tinha ficado esmagadinho debaixo das rodas do camião e que por isso tinha mesmo de ser o meu primo Zeca que só sabe contar os números mas não os sabe escrever e portanto não consegue carregar nas teclas só consegue carregar resmas de lenha quando o meu tio o apanha distraído e lhe diz ó moço tu faz qualquer merda porra que até já cheiras mal tu não passas dum carrapato dum anónimo nesta vida porra. Por isso eu acho que os anónimos são o meu primo. Eu gosto muito de anónimos.

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Três senhoras importantes

rabiscado pela Gaffe, em 17.02.17

Eu gosto muito de senhoras e como a minha professora me mandou escolher três senhoras que são importante para o nosso país eu vou escolher a senhora dona Isilda Pegado porque a minha professora gosta muito dela. Não me lembro assim de mais nenhuma de repente. A dona Isilda foi ver o Papa e disse-lhe que os homens sensuais vão ficar podres quando forem velhos sem ninguém para lhes enfiar a algália que é uma coisa que ampara muito os velhinhos e que tem duas rodas à frente que os ajuda a andar que os velhos são como o meu avô da parte do pai e já não andam sem aparadeira que é uma coisa com que a dona Isilda se preocupa e que se não tiver rodas acho que faz chiadeira como a cadela da minha prima Idalina mas a que ladra e não a minha prima que também traz coleira mas só às terças-feiras que é quando tem as visitas do senhor Américo. O senhor Américo trabalha em peles e tem de vestir umas calças que só têm pernas porque sofre das hemorróidas que são uma espécie de batatas que cresce na pele. A dona Isilda tem uma na bochecha com que deu um beijo no anel do senhor Papa que lhe disse que os homens sensuais não podem ter filhos. É por isso a Dona Isilda é útil ao país porque reza pelos homens sensuais e lhes diz para casarem antes com as mulheres que também são homens sensuais que assim se aparavam uns aos outros na velhice e deixavam a Dona Isilda livre para dar cambalhotas com os velhos que não são homens sensuais por causa da idade que a idade é uma coisa que não perdoa como diz a minha avó que pensa que uma algália é um tubo que se mete na pila. Isto é uma coisa que eu não entendo muito bem mas não posso perguntar porque já apanhei um safanão do meu primo Zeca que me garantiu que os homens sensuais são do pior que pode haver e que só nos querem comer os tomates mas o meu primo Zeca é muito estúpido porque sabe que nós só plantamos comida biológica porque assim não precisamos de comprar adubo e desodorizantes das plantas e que não plantamos tomates porque compramos em latas. É muito triste ser como o meu primo Zeca. Triste e esquisito porque o meu primo Zeca acha sensual a senhora dona Cristina Ferreira que apareceu quase nua na capa da revista que faliu mas afinal não e que pode ser a segunda senhora importante desta redacção que me está a correr tão bem que até parece um dos livros que se chamam sempre uma aventura que a dona Alçada Baptista que é ministra da defesa das crianças escreve e que a dona Canavinhas que é presidente da Casa da Música carimba com uma coisa que diz Ler+. Depois toca piano para descontrair e não pensar na senhora dona Cristina Ferreira que apareceu quase nua na revista que tinha o Sabrosa de pila ao léu. A minha prima Idalina diz que se fosse o senhor padre Justino a mostrar o cu aos cachopos do colégio já estava preso por podologia mas ela já pode mostrar o que lhe apetece porque é Laica como a cadela da minha avó que ficou a chamar-se assim por cauda dos astronautas. O meu primo Zeca diz que se fosse ele mandava a Dona Alçada aparecer também toda nua na capa da TV Mais para acabar com a polémica que é uma redacção para um piano com cu ter na tampa com um arranjo de flores em cima. Como me falta agora a terceira senhora importante e já não conheço mais nenhuma vou falar no Senhor Cavaco Silva que não é um homem sensual e que já se foi mas é o que se arranja. O senhor Cavaco Silva foi o Presidente da Câmara e escreve livros à Quinta-feira a dizer mal do Sócrates que era um senhor muito inteligente que morreu na Grécia e que escreveu umas frases para meter no feiceboque. O senhor Cavaco Silva assinou uma coisa que não podia sobre os homens sensuais. A dona Isilda não o deixava mas foi obrigado por aqueles terrorista dos homens sensuais e teve de vir dizer às pessoas que foi sem querer. Eu até entendo o senhor Cavaco Silva porque estou aqui estou a apanhar dois chapadões da minha professora que me vão arrancar os dentes se não assino esta composição que me saiu tão bonita com uma letra redondinha. Eu gosto muito destas três senhoras importantes para o país.

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A Ritinha

rabiscado pela Gaffe, em 16.02.17

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Hoje não posso demorar muito a fazer a minha redacção porque andamos à bulha e vamos todos de castigo partir a lenha para a salamandra da escola. A senhora professora disse que andamos no buldingue e tirou uma fotografia com o telemóvel para meter no feiceboque dela para mostrar que se vê grega para nos aturar. Até teve muitos laiques que é um dedo azul levantado para cima a pedir boleia. É muito importante este dedo porque se não o tivermos no feiceboque não conseguimos ter ar no cérebro. Por acaso não andamos no buldingue que isso é como se diz edifício em inglês como eu ouvi num filme com a Angelina Jole que se atirava dos buldingues para dar tiros nos bandidos e atravessar a estrada mais depressa que há muitos carros lá no sítio onde ela vive e podemos morrer atropelados. A Angelina Jole é parecida com a Liliana que anda como ela com o cu a abanar para os lados. Foi por isso que ontem andamos à bulha. Como era o dia dos namorados os rapazes queriam dar-lhe umas lembranças. O problema é que foram muitos a lembrar-se e deu para o torto. Até esmagaram o bolo de arroz que o Zé tinha guardado desde o ano novo para lhe dar e o Ferreiro Rocher que o Manuel tinha no bolso. Eu até digo uma coisa o Ferreiro Roche com bolo de arroz misturado é bem bom. A Liliana ficou sem lembranças mas continuou a abanar o cu para os lados como se não fosse nada com ela. Por acaso eu não gosto muito da Liliana por isso não andei à batatada mas é como se andasse que não se vê quem foi na fotografia. Gosto é da Ritinha que é magrinha e pequenina e tem medo de tudo e usa sempre um laço no cabelo faça chuva ou faça sol. Mais sol do que chuva porque quando ela aparece à minha frente cheira sempre a girassóis. Eu andava à bulha por causa da Ritinha porque eu acho que só vale a pena andar à batatada por causa do cheiro dos girassóis que a Ritinha tem e que me fazem sentir corajoso. Eu gosto muito da Ritinha.

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O que quero ser quando for grande

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.17

Eu quando for grande quero ser médico plástico. Ando a decorar os nomes dos exames que a minha avó faz para depois receitar às pessoas velhinhas e pobres. As pessoas velhinhas e pobres não sabem ler mas vão na mesma ao Centro de Saúde onde vou receitar os nomes dos exames que decorei porque aquilo é sempre igual. Se os velhinhos morrerem é já por serem velhinhos portanto já basta eu saber escrever lectrocefotróstopia e colonecostrostifona e já ganho uma data de dinheiro que nem precisava de saber o que aquilo é. Eu até sei que lectrocefolostróstipia é um exame em que se liga uma pessoa à electricidade e se carrega num botão que diz on em inglês. Depois a electricidade bate nas amígdalas que são umas coisas que a gente tem dentro dos olhos e há quem diga que são do senhor reitor e dá uma choque que é marcado num papel A4 com uma esferográfica presa por um fio de nilon que também se usa nas meias. Depois temos de ver se os riscos se parecem com os desenhos das montanhas onde um senhor chamado João Garcia perdeu o nariz e os dedos e quem sabe a pila e já nem pode ir aos Jogos Olímpicos. Se a esferográfica não riscar então é porque é o meu primo Zeca que está a fazer o exame ou então é o meu tio Alfredo que já estava morto há três dias quando o chamaram para fazer a lectrostrifosfonia. Também gosto do colonecostrofidia que é um exame que só se faz às senhoras porque vem do colon que numa língua que já morreu coitada queria dizer mamas portanto tenho de ter cuidado e não o receitar aos homens. O meu primo Zeca uma vez fez um por engano e ficou sem se poder sentar com diarreia durante quatro dias. Ninguém soube porquê. Há outro exame que o meu primo não gosta e que é o que faz o senhor papa Nicolau mas esse é porque o meu primo diz que não é religioso mas que a minha prima Alzira adora e até diz que podem vir os que vierem que ela já está habituada a ter as pernas preparadas. Também há um exame chamado cardotraqueocupalgia que é um estudo que se faz aos gases e que o meu avô diz que não pode fazer porque fica com eles na garganta e depois não pode acompanhar a menina Maria Leal quando ela se põe a cantar. A minha tia fez um cardotraqueocupialgia no ano passado e aquilo foi um escândalo. A minha tia rachou a cabeça e escamou os dentes ao senhor doutor com um chinelo de cunha quando ele lhe meteu um tubo de plástico no ânus que é o dia do aniversário dela que foi quando ela marcou a consulta no mesmo médico que tratou a senhora dona Manuela Moura Guedes quando ela teve um acidente. A dona Manuela Moura Guedes andava pelos estúdios da TVI que o marido comprou aos chineses muito distraída e levou nas trombas com o intercidades e depois não podia mastigar os Ferrero Roche que andava a guardar na boca para se ir entretendo até ao Natal. Até ficou com o plástico da frente do comboio nas bochechas. Eu dantes queria ser primeiro-ministro mas a senhora professora disse-me que se volto a tocar neste assunto que já se arquivava aquela merda e no da Médi levo uma galheta que até tenho de ir ao Centro de Saúde fazer uma ortopantropalmatolhia que é um exame que dói muito e que deixa as pessoas parecidas com o senhor João César das Neves que fez há já algum tempo uma ortopantitopalmilha e nunca mais foi o mesmo que era quando era novo e andava de caçadeira aos tiros às bichas que provocam muitas doenças e que só detectadas com um bichotopomortógrafo que é um aparelho que as apanha quando se põe a vibrar e as faz gritar. Eu gostava muito de ser médico de plástico e ainda gosto mais da senhora dona Manuela Moura Guedes não a desfazendo.

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O amor

rabiscado pela Gaffe, em 14.02.17

O amor é uma coisa que dá nas pessoas na Primavera. Dá também nas outras estações mas com menos força e até dá muito no Verão mas a minha avó diz que isso é rebaldaria que também é uma coisa que dá nas pessoas mas parece que é melhor. Às vezes o amor atinge a gente  com muita força e por isso devemos olhar para os dois lados antes de atravessar e faz com que se soltem umas bolinhas pinchonas como nos reclames dos videos mas que se chamam hormonas e que saltam bastante. Quando as pessoas são atingidas pelo bicho do amor ficam sem perceber que têm mau hálito e começam a falar-nos ao ouvido sempre da mesma coisa que é o amor que está dentro a fazer saltar as bolinhas pinchonas que se chamam hormonas embora a minha tia diga que também faz saltar outras bolas mas eu isso ainda não entendi porque sou ainda pequeno. Quando as pessoas ficam assim desenham muitos corações nas árvores e nos papéis do escritório mas o amor não é um coração é um menino com asas tipo passarinho mas com mais caracóis que tem um arco na mão porque vai desfilar nas marchas de Lisboa e que tem um paninho a tapar a pila. Mesmo que ele voe muito depressa o paninho tapa sempre porque é o paninho daquele mágico com olhos esbugalhados que anda na televisão. A gente não deve gostar muito deste amor porque vai presa como aconteceu a um senhor da Casa Pia que aquilo até foi uma pena. O amor também se oferece porque eu ouvi o namorado da minha prima a oferecer muito à minha prima e a dizer toma amor toma amor toma amor quando os meus pais estavam a trabalhar e eu tive de vir embora mais cedo da escola porque havia greve. O amor também dá fraqueza porque a minha prima fartou-se de dizer que ia desmaiar. O amor também dá nos cães e torna-os esquisitos porque se agarram às pernas das pessoas a dançar com a língua de fora e depois a minha tia que tem dois vadios tem de lhes atirar água. Os vadios da minha tia são os cães porque ela ao marido chama porco apesar da minha avó achar que ele também é vadio. O amor às vezes é muito esquisito e dá para brincar. A minha irmã até comprou um foguetão muito engraçado que trabalha a pilhas e abana todo mas que não levanta voo porque eu já experimentei atirar com aquilo ao ar e apanhei mas foi um estalo da minha irmã que me disse que aquela coisa era o seu único amor e o único voo que fazia era o dela e eu não entendi muito bem mas também não interessa porque a minha avó diz que ela é uma frustrada e isso deve ser uma doença que faz com que as pessoas não digam coisa com coisa. Também apanhei um estalo quando perguntei à minha tia o que era o amor oral e anal mas isso foi outra coisa diferente que depois conto. Eu não gosto muito de levar estalos mas a minha tia ficou cheia de nervos porque estava a limpar a louça e deixou cair os pratos e partiu dois. O amor parece ser uma coisa boa mas dá muitos estalos. Eu gosto muito do amor.

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