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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe enigmática

rabiscado pela Gaffe, em 07.04.17

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Duas mulheres a dormir numa valeta.

 

Que horas são?

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Gavetas:

A Gaffe vencedora

rabiscado pela Gaffe, em 31.03.17

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Às vezes o nosso melhor argumento de defesa, é precisamente a forma como somos atacados.  

 

Greta Garbo - The Mysterious Lady - 1928

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A Gaffe emocional

rabiscado pela Gaffe, em 30.03.17

Peter Lippmann

 

O dia atira-se contra as paredes e faz do tempo que passa um trapo que se esquece no côncavo das horas mortas.

 

Estou cansada e penso que hoje todas as minhas emoções foram dispostas como naturezas-mortas. Alguém, externo ao meu sentir, assim as quis e assim foram entregues.

 

São emoções sem a minha alma dentro.

 

Fotografia - Peter Lippmann

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Gavetas:

A Gaffe por entre os vidros

rabiscado pela Gaffe, em 23.03.17

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Os sons da chuva entram pelo impossível laqueado das janelas.

Atravessam os vidros, as minhas pálpebras e entram no interior dos meus olhos. Sons visíveis.

Lembram flores. Flores que se abrem num espaço que dura apenas o tempo de assomo do meu espanto à janela.

 

Daqui vejo o mar. Parece um mimo. Mudo. A gesticular em modos de afogado.

Descubro que por entre as minhas janelas intransponíveis há intercepções de águas de línguas diferentes e é neste maravilhar que me emudece que pouso as minhas mãos e lavo os olhos.  

 

Fotografia - Sara Facio

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A Gaffe voadora

rabiscado pela Gaffe, em 16.03.17

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Em tempo que já lá vão, era eu menina e moça, levada de casa de meus pais, introduziu-se-me na cabeça a ideia peregrina de abandonar tudo o que tinha iniciado e planeado levar a cabo e a bom porto e me transformar em comissária de bordo.

 

Com altura suficiente para esmagar rivais prováveis, magríssima, porque o choque alimentar e o jat lag gastronómico, me tinham arrancado o apetite voraz que sempre me caracterizou, e ruiva até à mais ínfima sarda, acreditei ter hipóteses de ser seleccionada pela Emirates Airlines num processo que decorria num dos hotéis mais famosos do Porto.

 

Do alto dos meus vinte e poucos anos, entrei sozinha e segura, de calças e de caracóis soltos na sensação de futilidade do acto, que se vinha tornando a cada passo que dava na alcatifa fofa uma tolice monumental a que não era indiferente um piquinho de desafio em relação à opinião – desfavorável, como se esperava - que não se tinham cansado de me ceder sem gastos.

 

Fui seleccionada.

Não foi grande vitória. Num rio de Barbies bastava nadar até à margem e não chocar com os Kens.

 

Deveria estar presente dois dias depois, manhã cedo, no mesmo hotel, mas desta vez com o cabelo apanhado, saia travada e tacões dispostos a humilhar o Evereste.  Esta pose estereotipada que assumi com prazer, prova que muitas vezes a submissão ao imaginário provavelmente machista não significa um abdicar da dignidade feminina, desde que cumpra os objectivos a que uma mulher se propõe.

                                                                                                         

A noção de vanidade e de vacuidade da minha candidatura foi crescendo ao lado da minha vontade de vencer o que se tinha tornado apenas um desafio sem consequências práticas.

 

Na manhã aprazada, a minha irmã aceitou adereçar-me. Condescendente, elaborou o uniforme, cumprindo as exigências descritas, e prendeu no meu pescoço o colar que me permitiria comprar o avião.   

 

- Usa-o - refilou, quando protestei. - Tens de os convencer que ser … aquilo é a tua verdadeira vocação e não um emprego mal pago que te permite andar de cabeça no ar.

 

Muito Grace Kelly, anui à vontade da minha irmã.

Seria transportada por ela que não queria perder uma pitada da minha provável humilhação.

 

Lembro-me que o trânsito - naquela manhã como em todas as outras -, nos obrigou a sair com uma antecedência significativa, que foi perdendo vantagem à medida que nos aproximávamos do destino que nos fez parar à porta do hotel sem qualquer respeito pelo fado.

Foi nesse instantinho que acordaram em mim a pirosa, a ranhosa, a pateta e a totó, sem que fossem travadas pela sobranceria da mana que olhava de soslaio pelo retrovisor o condutor que se tinha atrevido a buzinar e a barafustar contra o impedimento loiro e altivo que se tinha assestado no caminho e que agora empunhava o rímel pronto a perfurar os olhos ao condutor irritado.

 

O casaquinho?! Levo ou não levo? Ai, que levo. Ai, deixa-mo vestir. Ai, que me fica mal. Ai, que tenho de o tirar. Ai, que não me parece bem. Ai, que levo? Ai, que não levo? Ai, que dizes? Ai, que pareço uma catequista! Ai, e se não o levasse? Ai, que pareço uma ninfomaníaca sem ele! Ai, que vou mesmo assim. Ai, tu não achas que o devia levar vestido? Ai, levá-lo no braço é suburbano!

 

- Não vás. Estás com um atraso de um minuto. Manda o casaco.

 

Mas fui.

Desatei a correr esgaivotada, de tacões a tentar escapar dos interstícios das pedras e a tropeçar depois no pelinho do soalho, de saia a apertar-me a correria, de colar a dar-a-dar e com o soutien a saltar-me pela boca.

 

Cheguei três miseráveis minutos depois da hora estabelecida e a minha fulgurante carreira de comissária de bordo terminou ali, porque - disseram eles - tinha atrasado a partida do avião.

 

Passados anos sobre esta minha leviandade aeronáutica, se não continuo a atrasar os aviões, é porque vou de barco.

 

Imagem - McClelland Barclay

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A Gaffe pequeno-burguesa

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.17

Ferrari

 O sonho de um empreiteiro:

Uma loira e um Ferrari.

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A Gaffe e um homem banal

rabiscado pela Gaffe, em 13.03.17

 

Da janela do meu gabinete, consigo ver, todas as manhãs demasiado cedo, um homem que vem à rua fumar um cigarro.

É novo e parece arrepiado. Bate com os pés no chão e esfrega os braços com as mãos bonitas. Não usa resguardo ou casaco, talvez para que dentro não se apercebam que se ausentou do serviço.

 

É banal.

 

As hastes dos óculos não são as recomendadas pelos peritos - e sobretudo pelas especialistas, que decidem que hastes devem os homens transportar em determinada época - e não controla o uso de pequenos adereços. Usa-os em excesso.

Vejo-o todas as manhãs e começo a sentir que o quero esperar àquela hora e que lhe sentiria a falta se um dia o cigarro acabasse definitivamente.

 

Às vezes penso que a banalidade é um vício.

 

Às vezes penso que é a banalidade que nos faz falta. Aquela espécie de diário corriqueiro que muitas vezes lamentamos e que nos transforma a consciência da realidade num enorme dissabor ou numa desilusão difícil de carregar.

 

Não sei se alguma vez vou conhecer o homem do cigarro. É provável que não. Sempre suspeitei que andamos constantemente a fugir das pessoas certas e o homem do cigarro matinal não preenche os requisitos que lhe permitiriam pertencer ao meu círculo de amigos. É um círculo que passa o tempo a tentar escapar às pessoas certas, acreditando que as escolhas que faz são as menos comuns.

Não sabem que as pessoas certas, são banais. Que fumam todas as manhãs, à mesma hora, fora dos intervalos do serviço; que sentem frio, porque não querem que se descubra a sua pequenina ilusão de fuga; que usam aquilo que já é fora de moda; que cantarolam para dentro qualquer coisa que ouviram algures pelo caminho e que falam da tijoleira que levantou com a chuva no mesmo tom com que referem o discurso do Trump.

 

São como o homem do cigarro friorento que é a certeza de todas as minhas manhãs, à mesma hora, demasiado cedo, e que me faz tanta falta como a banalidade que mo faz esperar.

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A Gaffe acordou assim

rabiscado pela Gaffe, em 01.03.17

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Creio que adquiri o direito de fazer o mesmo que as meninas com o cérebro feito de papa cor-de-rosa e declarar com a maior desvergonha:

 

 - Hoje acordei assim!

 

Acordei com um desejo imenso de me abrirem a porta da sumptuosidade, entrar a rastejar um Valentino, rumo ao jacto privado, logo ali na esquina, e pedir algo a um garboso, e sobretudo jovem, motorista, esperando de olhar assassino que o rapagão não me ofereça - apenas - as bolinhas rugosas e encarquilhadas, embrulhadas em papel risonho e enrugado.

 

Há diferenças substanciais em relação ao anúncio, como se percebe.

 

Na foto - Pierce-Arrow Convertible Sedan com carroçaria de LeBaron - 1931

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Gavetas:

A Gaffe não chora em português

rabiscado pela Gaffe, em 20.02.17

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Por amor chora-se demais.

 

Pertence à mulher a maior parte das lágrimas. O homem transcende o mito, manifestando, ao contrário do dito, a sua virilidade quando se afasta da censura que o mantém longe das lágrimas e causa o espanto cantado por Piaf - ... Mais vous pleurez, Milord?! ça je l'aurais jamais cru!

 

É abertamente permitido ao feminino o choro de amor e chora-se sempre pela partida e pela ausência - a traição, o ciúme, a não reciprocidade ou outras razões que quisermos aliar ao choro desta natureza, são sempre metamorfoses do abandono. A mulher, sobretudo a portuguesa, foi sempre a sedentária que ouviu dizer às velhas da praia que ele não voltava. O mar, a guerra e a emigração - que é, em última análise e forçando a metáfora, uma mistura dos dois - sempre forneceu versos ao Fado, que é maioritariamente uma história de abandono de uma mulher que chora a partida ou a ausência do homem que ama - tornando-se por isso o reverso do Tango, em que é sempre o homem a lamentar a perda da mulher amada.

 

Choramos copiosamente, desfazemo-nos em lágrimas, rompemos em lágrimas, chegam-nos a lágrimas aos olhos, choramos todas as lágrimas do corpo, soltamos um fio de lágrimas, ficamos de olhos marejados. Choramos de formas diferentes para públicos diferentes. O choro é também um enviesamento que vai submeter o outro à sua própria sensibilidade, solidariedade ou indiferença. Todas as lágrimas são mais do que palavras, mas acabam por salgar uma exposição quase chantagista impressa no vê o que me fizeram! Vê o que fizeram de mim! Chorar exige destinatário.

 

O choro solitário, o chorar para nós, por amor, torna-nos de forma subtil espectadores do nosso sofrimento. Choramos então porque acreditamos – ou para acreditar - que as dores que sentimos não são ilusórias. Oferecemo-nos um interlocutor de excelência e provamos através do corpo que ultrapassamos a palavra que traduz a possível fantasia. Cumprimos as ordens do corpo apaixonado e permitimo-nos chorar. Em nenhuma língua somos capazes de exprimir o que uma lágrima traduz. Se não somos capazes de o dizer, entregamos a voz ao que está para além da linguagem.      

 

Se uma imagem vale mais que mil palavras, a lágrima é a imagem de todas as palavras que quisermos.  

É só fazer as contas.

 

Foto - Henri Cartier-Bresson

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A Gaffe e as futilidades

rabiscado pela Gaffe, em 16.02.17

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Apetece-me ser fútil.

Há alturas em que me apetece ser absolutamente vazia. Uma pin-up de cartaz e somente isso.

 

Confesso a minha admiração pelas raparigas geniais que formigam nos blogs que tenho lido. Fazem ligações inteligentíssimas, links para artigos de opinião muito eruditos e arranjam modo de os comentar fornecendo aos néscios as suas brilhantes conclusões. Conseguem criar uma espécie de mesa redonda, à boa maneira medieva, e permitem apenas aos intelectos superiores o uso das cadeiras.

 

São fantásticas e conseguem transformar os seus apontamentos em tratados de erudição. É sobretudo esta última característica que me provoca espanto.

 

Como não sou miúda de links inteligentes para blogs eruditos e por não preencher os parâmetros exigidos para ser introduzida nos círculos mais famosos, fica aberta a possibilidade de me transformar em pin-up idiota, recortada em papel e em poses divertidas e marotas.

 

Apetece-me ser fútil e palrar acerca de tralha inútil.

 

Às vezes a vacuidade é abençoada. Nós, que apenas somos raparigas espertas, acabamos por parecer loiras tontas e patéticas, mas é a futilidade consciente que nos permite falar ao mesmo tempo do baile de Cortez e do corte de uma saia Valentino.

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A Gaffe tablóide

rabiscado pela Gaffe, em 14.02.17

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Ela lembrava-se do modo como cicatrizavam os lanhos do amante. Como os lambia até se transformarem em traços ou rastos de gaivotas sobre a areia.

Vinha pedir guarida e ela guardava-o.
Santuário.

Lençóis erguidos, góticos, erectos.

Sangue atrás de sangue, ferida a ferida, lambia unindo os bordos do rasgado até surgir a linha rosa de carne e cicatriz. Lanho a lanho, noite em noite, de solidão em solidão, ela cosia os rasgões que ele trazia.

Muda. Mais muda. Sempre mais muda. Como se o seu silêncio pudesse crescer interminável, como se tombasse no negro e se transformasse nele, como se logo atrás da mudez existisse o vácuo.

Ela tinha o sabor dele na boca, como palavras delas.

 

Hoje matou-o. Foi a única forma de falar que ela encontrou.

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A Gaffe incumbida

rabiscado pela Gaffe, em 10.02.17

A Gaffe foi incumbida de questionar os amigos do Gui.

Como menina obediente, a Gaffe deixou as questões que o rapazito queria muito que fossem respondidas e os votantes tiveram o fim-de-semana para o fazer.

 

Surpreendemente consideraram que valia a pena não se esqueceram de colaborar com o Gui, que vos agradece e apresenta o quadro que foi obtido.

 

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Notita - onde se lê, Sei na última questão, deve ler-se Se. Era só para ver se estavam atentos... 

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A Gaffe com haters

rabiscado pela Gaffe, em 06.02.17

PhotobucketSão pouquinhos, mas cá estão sempre que há um post.

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A Gaffe num processo de "adopção"

rabiscado pela Gaffe, em 03.02.17

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Decidi adoptar uma criança.

Dentro de algum tempo por estas Avenidas saltitará o Gui

 

Não é um projecto original. Foi maravilhosamente inventado por Luís de Sttau Monteiro e perfilhado com perícia por um amigo que agora mo entrega com a promessa de me ajudar a cuidar do petiz quando a traquinice me arrasar os nervos.

 

O Gui é um rapazinho comum, minúsculo, muitas vezes infeliz, curioso, incompreendido, espantado com o mundo que interpreta de acordo com as ferramentas que vai descobrindo sozinho, rodeado de adultos que o deixam confuso, embora arranje sempre explicação e razão para uma espécie de surrealismo pacóvio, de parolice primária, que atinge o seu pequeno mundo e que resolve com a eficiência e com a eficácia que a idade lhe traz.

 

O Gui frequenta o 1º Ciclo e tem o que é usual chamar-se algumas dificuldades de aprendizagem, apenas porque ninguém percebeu que o Gui explica o Universo inteiro - e os aquários que ele contém -, com os lápis de cor que esconde nos olhos.

 

O Gui só gosta do Natal, porque é no Natal que se esquecem dele.  

 

O Gui é ruivo e é apenas uma personagem inventada que vai viver aqui. 

 

Vai chegar em breve.

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A Gaffe embruxada

rabiscado pela Gaffe, em 02.02.17

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Era uma mulher jovem. De busto anafado, apertado em camisolas justas de malha com borbotos. Camisolas coloridas. Verdes bandeira, vermelhas sanguíneas, amarelas solares, azuis de mar de Verão. Camisolas a contradizer o sorriso mostarda - sinistro por não se ver nos olhos -, com que barrava o caminho quando lhe perguntavam se estava à espera de vez.  

Via-a todas as tardes sentada de saia travada a compor os joelhos descobertos, de camisola berrante a apertar o busto roliço, a sorrir mostarda quando lhe perguntavam se esperava a vez.  

Sempre calada. Sempre à espreita.

Vinha com uma criança que sentava durante três horas ao seu lado. Uma menina de pouco mais de quatro anos de camisolas tristes, sem bandeiras e sem sóis desbravados. Camisolas só com borbotos.

Durante três horas as duas sentadas, uma a fazer os olhos sorrir em desafio imbecil e a outra a desafiar a imbecilidade de ficar ali a entristecer, esperavam o homem.

 

O marido, requalificado pelo governo aos cinquenta anos, ficava-se durante as três horas que durava a tarde atrás do balcão a requalificar-se. Era um homem magro, alto, curvo como a piedade, de óculos que a desilusão embaciava e tornava redondos como é de esperar das desilusões que nos ajudam a ver.

 

Pedi-lhe um dia para evitar que a mulher o esperasse ali, com a filha triste que enrolava nas horas os desenganos precoces. Disse-me que tentou. Não conseguiu. A mulher e a filha continuaram a vir todas as tardes. Sentavam-se e esperavam que o homem se requalificasse.  

 

Proibi.

 

Dias depois do meu decreto irrevogável que as impedia de esperar, encontrei em cima do capot do meu carro um pão seco, empedernido, sujo e com uma mecha de cabelos nauseabundos espetados naquela pedra de centeio. Ao tentar com uma folha de papel levar o nojo ao lixo – ai, menina que é bruxedo! -, vi, escondidas, a mulher de camisola berrante com borbotos com a criança agarrada à saia travada compostinha nos joelhos.

 

Era a criança que sorria só com a boca.  

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