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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe nas premissas

rabiscado pela Gaffe, em 21.06.14

Um homem deve criar o seu guarda-roupa com inteligência, organizá-lo com cuidado e em seguida esquecer que existe.

Sir Hardy Amies

 

Amies, independente e arrojado, foi um dos iniciadores do pronto-a-vestir para homem, o primeiro criador a encenar um desfile de moda masculina no Savoy Hotel, em 1960 e o primeiro que fez descer a altura das calças masculinas.

O seu icónico ABC de Moda Masculina, em 1954, escrito com humor e aprumo durante um período que revolucionou o estilo masculino, torna-se referência para a moda masculina sessenta anos depois. Nele anoto:

 

É fácil pensar em moda como um fenómeno frívolo. As roupas são no entanto uma parte muito importante das nossas vidas e devem ser usadas de modo a  facilitar viver.

 

E sublinho as dez considerações que parecem tão actuais como no momento em que foram escritas:

 

1 - Contraste

Para alcançar a aparente indiferença, absolutamente necessária a um homem, em relação ao vestuário, uma das peças, no mínimo, não deve conjugar.

Se usa um fato azul-escuro, gravata com listas regimentais no mesmo tom, uma camisa azul clara e meias azuis marinho, deve, então, escolher um lenço de seda estampado em vermelho escuro com cornucópias em tons castanhos.

 

2 - Luz

Um boné só é usado correctamente se tiver um padrão claro e limpo. Se desobedecer a esta premissa apenas adiciona uma pitada de sombrio ao rosto de um homem.

 

3 -  Alternância

Em primeiro lugar, deixe que as suas roupas descansem. Não use um fato ou os mesmo sapatos dois dias consecutivos. Ambos, tecido e couro, precisam de tempo para respirar.

 

4 -  Aroma

Não acho que exista uma mulher que não goste de um perfume de homem, mas certifique-se que a sua escolha vai para um aroma tão distante quanto possível do tipo de perfume que ela usa. Não necessita obrigatoriamente de algo limpo e floral.

 

5 - Italian Style

Os italianos têm um ar de superioridade masculina matizada por uma graça quase feminina, muito bem sucedido no jogo da atracção sexual.

 

6 -  Roxo

Não vejo utilidade nesta cor, excepto nas gravatas, meias e lenços. Se sabe como usá-la, então preciso de ajuda. Se desconhece o modo certeiro de usar o roxo, então desista.

 

7 - Preço

É claro que paga a etiqueta, mas não há nenhuma outra forma de a criar se não a pagar!

 

8 - Fumar

Não fume! Fumar tornou-se como uma questão privada, como assoar o nariz. Há modas nos gestos como as há nas roupas.

 

9 - Estilo

Para alcançar o estilo, deve sentir-se perfeitamente feliz e relaxado dentro do que veste. O que vestir deve fazer parte de si e não parecer um aglomerado de peças que vestiu.

 

10 -  Roupa interior

Deve ser tão limpo e tão minimal como divertida.

 

A casa Amies apresentou a sua colecção Primavera/Verão 2015 no Savile Row HQ e fez desfilar um allure retro de listras cítricas, estampados e alfaiataria Inglesa clássica que revisita o criador de 1970. Jaquetas de inspiração militar e casacos de vela em tons pastel, blusões e parkas de bolsos de chapa em verde pistacho e azul cambraia.

 

Creio que as premissas que nos são dadas ver foram respeitadas. 

Fotografia de Rosaline Shahnavaz

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A Gaffe maravilhada

rabiscado pela Gaffe, em 16.06.14

Teresa Martins, bióloga de formação, é talvez a mais inteligente e deslumbrante criadora portuguesa e simultaneamente a que nos prova que um país não necessita de bandeiras na lapela para se impor com convicção no universo da criatividade global.

Todas as colecções que a designer nos mostra e que já referi algures, são o apuramento de elevada sofisticação da raiz cultural de povos que foram visitados pelos seus traços fluidos.

Sobreposições de texturas, de volumes, de cores, de pormenores, de pesos e de cortes por vezes assimétricos, por vezes discordantes, produzem peças susceptíveis de se misturarem sem qualquer perda de personalidade. Um cross-over quase intuitivo, quase instintivo.

Nada é deixado ao acaso. Teresa Martins percorre o caminho que vai desde a mais bucólica paisagem portuguesa à elegância sofisticada de universos longínquos, passando pelo apelo telúrico que marca nomeadamente a sua imagem de África, embora seja constante em todo o seu percurso.

A extraordinária beleza dos tecidos que se misturam de forma cuidada e dir-se-ia inevitável, coadjuva a perfeita escolha de acessórios que pesam sem ter peso na imagem total de uma mulher sem idade em que a mais absoluta elegância se cruza com o conforto e com a feminilidade conseguindo entregar à mulher a marca, a personalidade e a presença e da liberdade com raiz num prefeito conhecimento de si própria.

Teresa Martins é sem sombra de dúvida uma aventura apaixonante.

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A Gaffe com bichinhos

rabiscado pela Gaffe, em 28.05.14

Os nossos bichinhos merecem tudo!

Mesmo quando não estamos, nós, raparigas espertas, a referirmo-nos aos rapagões que povoam as avenidas dos nossos contentamentos, temos de admitir que é sempre fofinho entregar ao bichinho o design nascido em Paris que tem como papás Marc Ange e Fred Stouls, da Chimère, a primeira loja dedicada aos móveis contemporâneos para os nossos bichanos.

Um mimo para quem, embora conheça os homens, cada vez gosta mais dos outros animaizinhos. 

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A Gaffe com um cartão de visita

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.14

A primeira impressão perdura mais do que aquilo que se pensa. A imagem que retemos mal avistamos o que desconhecemos, influencia demasiadas vezes uma apreciação futura e objectiva.

A importância de cartão de visita é notória e existe uma panóplia de criatividade a coadjuvar estes pequenos, mas significantes, modos de nos apresentarmos a alguém.

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A Gaffe padronizada

rabiscado pela Gaffe, em 13.05.14

A Half Design tem como seu primeiro projecto uma sacola ecológica onde o usuário se pode expressar personalizando um padrão que já vem impresso. As canetas utilizadas permitem uma lavagem segura e em consequência uma nova aparência.

Uma forma divertida de substituir os tenebrosos sacos dos hipermercados! 

Depois, como todas sabemos, qualquer uma de nós tem imenso tempo para desatar a rabiscar saquetas e saquinhos entre a secção dos legumes e o talho. 

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A Gaffe de Teresa Martins

rabiscado pela Gaffe, em 07.04.14

Teresa Martins é uma das minhas criadoras favoritas e uma das mais inteligentes e originais na planície de um Portugal Fashion que se vai esgotando no previsível e na continuidade entediante dos trabalhos apresentados nas edições anteriores.

O encontro de uma simbologia portuguesa extraordinariamente bem trabalhada com uma alma oriunda dir-se-ia da Índia, fez com que “Alma Mater”, a colecção de Teresa Martins para a TM Collection, se tornasse a colecção mais sedutora e mais singular de todas as apresentadas.

As cores, os volumes, as sobreposições, os adereços, a forma como são trabalhadas as texturas e a perfeição coesa das silhuetas, tornam a criadora um belíssimo exemplo de como a internacionalização de uma marca pode sem receio sustentar-se no que de genuíno existe na alma portuguesa.

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A Gaffe na GNR

rabiscado pela Gaffe, em 11.03.14
Acontece que 150 elementos da banda da Guarda Nacional Republicana (GNR), a cavalo que nos é dado ver sem mostrar os dentes, desfilam seguidinhos, certinhos, todos limpinhos e muito aprumados, no Terreiro no Paço a abarrotar de gente, desgentada e oca de alegria enevoada, dando alma a Panteão, a nova e belíssima colecção que Nuno Gama oferece à 42ª edição da Moda Lisboa. Depois dos cavalos, desfilam mais elementos da banda, apeados, transformados em cenário, e fazendo ecoar um cheirinho a Lisboa e a hino nacional.

Os deuses podem ser belicosamente generosos com os pacíficos. Ao alcance do nosso olhar escrutinador, os soldadinhos passam, ladeando o glamour de uma colecção perfeita.
Roi-te de inveja, Evita! Agora é a vez da Gaffe sentir que marcham para ela.

 

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De acordo com Nuno Gama convencer a GNR a participar no desfile foi o mais fácil possível. Bastou um email elogioso, mas, mesmo sem email, depois de mirarmos Nuno Gama percebemos que se torna impossível recusar-lhe seja o que for!

 Do outro lado da lua um cabo da GNR é suspenso por ter ousado mostrar a sua excelente forma física num bar qualquer, todo aos pulos de alegria feminina, mostrando quer os atributos que Deus lhe deu, quer os que a GNR usa como apetrechos do ofício.

O pobre do rapagão devia ter percebido que mais valia ter desfilado para Nuno Gama! Também era despido (a Gaffe deixou escapar alguns modelitos do criador, ocupada em desnudar um ou outro soldadinho), também usaria os símbolos da Nação (mesmo sem cavalgaduras) e também faria esbugalhar os olhos às meninas mais impressionáveis (cavalgaduras incluídas).

É certo que o cabo stripper não bamboleou o fio dental (um bocadito largo à frente) ao som do hino nacional, mas temos de admitir que foi mais rápido vê-lo despido do que imaginar os colegas do desfile só de cuecas.

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A Gaffe a aplaudir

rabiscado pela Gaffe, em 10.03.14

Mantendo uma linha com influência mais ou menos clara da corrente steam, Valentim Quaresma mais uma vez deslumbra com a colecção apresentada na Moda Lisboa deste ano.

Não é a primeira vez que o criador nos oferece a possibilidade de emergirmos num universo quase fantasioso onde a utilização dos objectos, matérias, texturas e cores que escolhe para produzir os seus adereços, nos transporta para um imaginário onde se mistura um instinto de defesa guerreiro com a aparentemente desprotegida sofisticação que é consequência de um bom gosto irrepreensível.  

Quaresma continua a marcar o espaço onde se torna cada vez mais difícil a permanência da criatividade inteligente.    

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A Gaffe nos desfiles

rabiscado pela Gaffe, em 07.03.14

De Paris a Jacarta, há sempre por todo o lado desfiles onde a beleza, o bizarro ou o divertido se juntam a oos outros adjectivos que povoam a criatividade dos que comandam ou tentam controlar o nosso desejo.

Se a Gaffe conseguísse passear à velocidade da luz, escolheria estes:

Lina Sandberg nos bastidores de Lena Hoschek – Outono/Inverno 2014 durante a  Mercedes Benz Fashion Week, Berlim, Jan/14/2014. (foto de Markus Schreiber)

Lentes azuis para o desfile de Patrick Mohr – Outono/Inverno ,2014. Mercedes Benz Fashion Week, Berlim, Jan/14/2014. (foto de Markus Schreiber)

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A Gaffe azeiteira

rabiscado pela Gaffe, em 25.02.14

Criada pelo português Alexandre Mendes, a nova embalagem especial do Azeite Gallo, comemorativa de 2013-2014, é tão bonita que apetece ter na nossa cozinha em lugar de destaque.

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A Gaffe de Xiomara

rabiscado pela Gaffe, em 16.10.13
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Uma das características essenciais a um criador de trapos é sem dúvida a capacidade de produzir peças que, sofrendo ligeiras alterações, conseguem ser transversais a todas as idades da mulher ou do homem. Verificarmos que aos sessenta conseguimos deslumbrar envergando, com ligeiras mutações, Luís Buchinho como seria expectante se tivéssemos trinta, é clara afirmação do criador.

Para além daquela que secciona e selecciona de modo inteligente um mercado específico ou um alvo determinado, a capacidade de atingir públicos de variadíssimas idades com a mesma colecção exige arte e engenho e é talvez a derradeira prova de talento.

Katty Xiomara não detém esta potencialidade.

Todas as criações até agora vistas destinam-se a uma mulher talvez demasiado infantilizada, dulcíssima, pastel e malmequeres, eventualmente frágil e romântica, mel e rosmaninho. A sensualidade inata, carnal e apelativa, da Venezuela, ponto de origem da criadora, não sendo obrigatório estar patente, desaparece por completo das suas colecções sendo substituída por uma ingenuidade de vestal apoiada por uma cândida e pueril imagem tímida, demasiado leve e inocente.

Katty Xiomara não consegue unir os tempos.

A colecção que apresenta agora, apesar do dito, consegue a proeza de não ficar cativa desta imagem etérea.

A criadora arrisca num mais sisudo e pensado allure e atinge uma maior maturidade nas cores que escolhe, nas silhuetas que oferece e sobretudo no desenho interessantíssimo das peças que a libertam, esperemos que definitivamente, das fadas saltitantes com que nos irritava.

Não é inata a capacidade de se tocar em todas as gerações, mas é sempre possível aprender a envelhecer com os sentidos voltados para todas as curvas do tempo.

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A Gaffe fascinada

rabiscado pela Gaffe, em 15.07.13

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Belíssima a proposta para o Verão de 2014 de Kazuki Nagayama!

Uma imagem de seda e de linho, de cores densas e queimadas, para a perdição de qualquer rapariga que se deixa invadir pela promessa de enigma contida nestes homens envolvidos por uma aura de incontido mistério amarrotado oriundo de lugares onde os desertos se expandem pelas cidades.    

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A Gaffe rendilhada

rabiscado pela Gaffe, em 20.06.13

Astrid Andersen não é aquilo a que possamos chamar uma criativa de génio.

Muito antes da sua colecção Primavera/Verão 2014 ser apresentada, já Joana Vasconcelos encadernava cães de loiça usando croché e rendas de bilros.

Apesar da transparência do modelo nos fazer adivinhar uma data de noites mal dormidas, a proposta não é para ser seguida, meninos.

Esqueçam o coleante rendilhado e visitem a obra escultórica da artista plástica (ou visual, como se queira). É menos divertida, mas não nos faz ter de procurar debaixo dos móveis o queixo caído de espanto. Espanto silencioso, porque convém não revelar que somos leigas, retrógradas, pindéricas, parolas, limitadas e que não entendemos um pirolito de arte contemporânea.

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A Gaffe e a mochila

rabiscado pela Gaffe, em 12.06.13

Ralph Lauren já nos habituou a peças com sabor vintage dentro de algumas das suas inteligentes e cuidadas colecções, mas a Gaffe não resiste e tomba seduzida quando depara com a sábia mistura de uma imagem quase banal, mas com um ligeiro travo conservador, acentuado pela mochila que recorda os magníficos sacos de correio de uma América já ultrapassada.

Nestes casos de lettering desbotado, corroído, mas com memória, esperamos sempre que o carteiro toque sempre duas vezes. 

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A Gaffe e dois calções

rabiscado pela Gaffe, em 11.06.13

 

 

 

 

São fantásticos (não, não estou a falar dos peitorais dos meninos) os calções propostos por Orlebar Brown.

Um desenho absolutamente intemporal que evita a tanga com que o Tarzan de pacotilha nos faz clamar pelo auxílio da manada de gnus que são inevitáveis a atravessar o rio e a ser atacados pelos crocodilos em todos os documentários da especialidade, nem nos afligem com o bronzeado dos tornozelos adolescentes que conseguem equilibrar as bermudas já no início das coxas.

Apesar dos dias difíceis e cinzentos, é sempre radioso pensar que podemos encontrar espalhado pela areia o irrepreensível gosto dos rapazes que se transformam em homens, mesmo que o Verão seja o passado.

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