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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe estrelada

rabiscado pela Gaffe, em 16.12.14

Salvo raríssimas excepções, uma rapariga esperta jamais interage com material capaz de lhe dar um choque.

A Gaffe desconhece o nome destes aparelhos e sabe que jamais conseguiria encaixar com tanta perícia uma lâmpada nos objectos que necessitam de fios coloridos para funcionar, mas depreende que para os rapazes que gostam de bricolage este piscar equivale a uma avenida inteira de luzinhas e transforma-os no orgulho da família mais chegada.

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A Gaffe dos esquecidos

rabiscado pela Gaffe, em 12.12.14

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A Gaffe preocupada

rabiscado pela Gaffe, em 04.12.14

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Gavetas:

A Gaffe autorizada

rabiscado pela Gaffe, em 03.12.14

Casa Cartier.jpgSe a Maison Cartier já nos aparece neste estado, podemos então esbardalhar por todos os lados todas as luzinhas de Natal que nos aprouver sem deixarmos de ser BCBJ.

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Gavetas:

A Gaffe da árvore de Natal

rabiscado pela Gaffe, em 02.12.14

São amorosas as propostas de árvores de Natal que surgem por tudo quanto é lado!

Elas são de tábuas, de vidros, de canudos de papel higiénico, de novelos de lã, de garrafas vazias de whisky (neste caso é compreensível o desarranjo), de papelinhos, de luzinhas suspensas, de retratos de família, de rolhas, de espuma, de embalagens de gel de banho, de livros coloridos, de cestos de fruta, de pauzinhos secos, de peluches e de tudo o que nos queiramos lembrar.

Um universo de criatividade sempre disponível no Natal.

Normalmente é um aborrecimento reproduzir na sala estas propostas. Nunca ficam tão radiosas como as das fotografias e enchemos os dedos de cola que custa imenso a sair e dificulta o trabalho à manicure. Quem não for talhado para a bricolage é brindado com um pesadelo natalício.

Meus caros, aquilo que nos mata de trabalho deve vir já feito. É por alguma razão que os chineses vendem árvores de plástico já decoradas!

É uma maçada desatarmos a recolher coisinhas para construir o que se pode perfeitamente comprar já completo num armazém qualquer. Poupamos imenso tempo que depois podemos gastar a escolher os presentes.

As árvores de Natal originais, muito recicladas, muito in, que a nossa vontade de inovação apanha fotografadas, são como os cigarros que se preparam a uma esquina deprimente da vida. Existem já prontos, empacotados, matam da mesma forma, só que são mais baratos.

Uma árvore de Natal tem de ser o tradicional e gigantesco trambolho verde vestido de luzinhas, bolinhas, fitinhas, estrelinhas, anjinhos e tralha a brilhar, capaz de fazer tropeçar a travessa das rabanadas que se esqueceu que o gigantone se tinha erguido há uns dias pelas mãos calejadas do Natal das nossas memórias.      

A árvore de Natal tem de ser verde, gorda, farfalhuda, grande, maternal, profusamente enfeitada com insignificâncias que cintilam, quente, refulgente, envelhecida e ficar espapaçada na sala a ocupar o lugar da poltrona da avó.

O resto é mariquice, mas se não concordam comigo, meus queridos, podem sempre experimentar a proposta que vos deixo.

árvore de Natal.jpgFoto de Geof Kern

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A Gaffe e um Natal escuro

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.13

Dentro dos olhos fechados ardem luzes.

As luzes que as mulheres de luto teimam em pendurar na árvore, porque é Natal fora dos seus olhos.

É Natal nas árvores, nas balaustradas, nas coroas de azevinho que cresceu desenfreado e tem de ser cortado para que sem freio cresça uma outra vez e uma outra vez se enfeite em coroa com as luzes que as mulheres de luto teimam em suspender nos olhos abertos mesmo quando há sono.

Ficam sempre atentas às luzes dentro das pálpebras que fecham.

 

Deixai o escuro cerrar pelos olhos dentro, deixai a noite inteira e negra e negra e negra, porque é despudorada a luz cá fora e não sabeis adormecer com sono e não se apagam dentro as labaredas.

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A Gaffe e o eterno desejo

rabiscado pela Gaffe, em 24.12.13

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A Gaffe à espera do Natal

rabiscado pela Gaffe, em 23.12.13
(Norman Rockwell)

O quartel general é, este ano, em casa da minha avó onde chegamos ontem à noite.

O Natal já escacou o sentido estético da minha prima colocando nas portas deprimentes coroas de bolas de plástico vermelho e laçarotes escarlates que prendem azevinho falso.
A rapariga chegou ao início da manhã de ontem, no seu melhor estilo hollywoodesco, juntamente com a mãe que ganhou o privilégio de reconhecer apenas o Natal que bem entende e se recusa a olhar para os arranjos.
O restante exército depois, pela calada da tarde.

O meu querido irmão, o meu reforço principal, tarda a aparecer!
De Paris aqui há um penoso e tortuoso caminho a palmilhar, aviões comboios, autocarros, triciclos, carrinhos de choque, bicicletas, tartarugas, trotinetes, camiões, patins e sabem os deuses o que mais terá de ser apanhado para aqui chegar, sobretudo para quem se recusa a conduzir.
Encaixo a minha mais ingénua, cândida, amável e pacífica figura, mas sinto-me como se tivesse encarnado uma das mais psicóticas figuras de Almodóvar e começo a ficar com a alma assustadoramente parecida com o realizador.

E eles começam a chegar!
Toda a tarde de ontem se ouviu bater portas de carros e como um bando de pardais à solta se viu esvoaçar a mais diversificada comandita de exemplares que se vão reunindo para o debicar das iguarias do Natal no Douro.
E há de tudo!
Yuppies ressequidos e recessos, damas de copas com espada à cinta, dois adolescentes que resplandecem ruivos, boémios a tresandar a whisky e a tabaco, artistas plásticos de plástico e vinil, cantoras de ópera de barrocos palcos, velhos tão velhos que a velhice é velha, doentes de Molière e saudáveis que tossem mesmo as lágrimas, arrastados sotaques e pronúncias, meninas tontas a espirrar hormonas, lunáticos repletos de luar nos olhos, um Chihuahua  à beira de um ataque de nervos, soutiens de farpas, barbatanas de baleia, um homem que ri que ninguém conhece, uma dona Elvira e um calhambeque, um frade, um mendigo e dois magnatas e mais o que não digo porque já me perco!


E a minha prima a acordar as hostes com um estrondoso e rodopiado karaoke! Mariah Carey de pijama à solta esbaforido e uma jarra minúscula de cristal por microfone:

 ... And all I want for X-mas is...YOU!

O Natal é também esta espera que faz tilintar todos os sininhos que de súbito se descobre haver no coração e em cada um deles perceber que existe no Natal que chega a magnífica hipótese de voltarmos a nascer e a certeza límpida e impoluta de que podemos em cada renascer encontrar por todo o lado aqueles pedacinhos frágeis de Felicidade que se unem e que se chamam Vida.

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A Gaffe e o Pai Natal

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.13

Dior - Vogue, Dezembro de 1954

Que o Pai Natal esteja sempre vosso dispor.

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A Gaffe e um Natal publicitário

rabiscado pela Gaffe, em 19.12.13
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Lembro-me de ter visto, era eu muito, muito pequenina, um anúncio publicitário que fez definitivamente do Volvo o meu carro favorito.

A imagem mostrava o poderoso animal, cinza metalizado, extraordinariamente bem iluminado, com as cinco portas abertas. Aproximavam-se dele dezenas de bebés, apenas de fralda, a gatinhar. Invadiam-no em poucos segundos. Volante, bancos, mala, capot, o interior e o exterior do portento ficavam completamente povoados de bebés que brincavam, riam, exploravam, tocavam e dormiam sem qualquer constrangimento ou receio enquanto o slogan se fazia ler:

Como o primeiro colo.

Esta irrepreensível imagem publicitária, aliada a um slogan inteligentíssimo, funcionou quase de imediato, atingindo o objectivo de modo certeiro. O Volvo é ainda o carro que quero que me dê colo.

Creio que a publicidade é uma das mais exigentes, difíceis e complexas formas de comunicação. Implica, entre centenas de outras qualidades, estudo, conhecimento, inteligência, criatividade, poder de síntese muitas vezes aliado a uma polissemia cuidadosa, capacidade de captar e operar no inconsciente do público sem o violentar e de criar ou recriar imaginários que terão como finalidade o almejado despertar do desejo de consumo ou mesmo apelar a causas mais dignificantes.     

Quando cumpre todas estas condições, é digna de figurar na nossa memória, ainda que na mais superficial. Quando não o faz, normalmente dispara sobre o próprio pé. 

O Natal é sem dúvida uma das épocas a que as marcas dedicam grande e criativa atenção. Algumas produzem imagens interessantíssimas, originais, inteligentes e dignas de menção.

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A Gaffe a contar

rabiscado pela Gaffe, em 18.12.13

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A Gaffe com árvores de Natal

rabiscado pela Gaffe, em 18.12.13
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Por muito desconcertante que seja, a Gaffe ainda não decidiu decorar a sua árvore de Natal!

Passa saltitando por uma multidão de inspirações, de ideias, de sugestões, de recomendações, de fotografias, de opiniões e de luzinhas a catrapiscar de ternurazinha muito natalícia, mas continua a oscilar de hesitação, suspeitando que vai acabar por escolher o maravilhoso pinheirinho tradicional repleto de luz, fitas de cetim verde e vermelho, bolas vidro colorido e uma estrela no cimo a liderar os sonhos.

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Ver mais. )

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A Gaffe e O presépio

rabiscado pela Gaffe, em 13.12.13

   (O Natal sem avô)

Levou três anos a ser recuperado.

A minha avó, com luvas brancas de feltro, retira dos invólucros as pequenas figuras. Escolheu o móvel japonês lacado com incrustações de madre-pérola, para pousar as relíquias.

Despojou-o. A superfície negra, lustrosa, polida, acolhe as texturas resgatadas das imagens.

Quase três séculos depois, as três figuras abrem-se no esplendor do início.

- Queres ajuda, avó? – Tenho tanto medo de tocar no tempo!

- Quero que retires da caixa mais pequena os querubins.

Os querubins adormecidos. De asas fechadas a ouro folheadas. Um e outro. Medo a medo. Nas minhas mãos o tempo adormentado, entregue devagar a outro tempo.

Inamovível, intocável, imperecível a Senhora inclina o rosto de marfim para a criança que sustém ao colo. Senhora de marfim e talha de ouro. Senhora de José, ao lado, no lado que os protege.

Eu fico muda.

- Pousa-os, minha querida. Pousa os teus anjos aos pés de quem quiseres.

 

Aos teus pés, avô.

O dormir do Tempo e o dormir da Morte aos pés do meu avô fecharam asas.

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A Gaffe sugere um Natal antigo

rabiscado pela Gaffe, em 05.12.13
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Para fazer esvoaçar por todo o lado o espírito de Natal é essencial ter em conta alguns pormenores indispensáveis ao voo da fantasia e ao trenó que atravessa as nossas mais queridas memórias de lareiras e de laços, de neve e de presépios.

 

1 - Comece por ouvir de imediato as extraordinárias músicas que adornaram já milhões de árvores natalícias. Não deixe que o espírito do Natal seja mais rápido do que a música. Ouça os clássicos. Faça coro!

Eis alguns dos meus favoritos:

- White Christmas - Bing Crosby
- The Christmas Song - Nat King Cole
- Holly Jolly Christmas - Burl Ives
-  It’s Beginning to Look a Lot Like Christmas - Bing Crosby
- Sleigh Ride - Johnny Mathis
- The Most Wonderful Time of the Year - Andy Williams 

Merry Christmas - Johnny Mathis
The Spirit of Christmas - Ray Charles
The Best of Christmas Cocktails - UltraLounge (com uma maravilhosa versão de Sleigh Ride);
Christmas Portraits - The Carpenters 

 

2 - Assista a alguns desenhos animados de Natais antigos! Quando a Gaffe era criança perdia-se enlevada com:

 Christmas Comes But Once a Year 

Rudolph the red nosed reindeer 

que o avó guardava, entre tantos outros, numa velhíssima cassete VHS;

 

3 - Os menus natalícios são parte integrante da felicidade. Saboreie um pouco de chocolate quente ou de gemada (no Douro a gemada de Natal é tão perfeita!). Arranje tempo para confeccionar e saborear as pequenas maravilhas culinárias desta época. Acenda uma lareira, desfolhe o encanto de um bom livro e saboreie o Natal feito de biscoitos em forma de árvore ou de duende (ou procure na net a receita de gemada de George Washington);


4 - Assista a um filme de Natal. Já os viu um milhão de vezes, mas nunca deixam de lhe atar fitas de cetim e de cristal ao coração. Aqui estão alguns que lhe oferecem uma belíssima dose de espírito natalício:

 

 -  It’s a Wonderful Life de Frank Capra

-  A Christmas Story de Bob Clark
-  A White Christmas de Michael Curtiz
-  National Lampoon’s Christmas Vacation de Jeremiah S. Chechik
-  A Miracle on 34th Street de George Seaton
-  Elf de Favreau
-  Peanuts’ Christmas Special com o maravilhoso Charlie Brown;


5 - Leia alguns dos clássicos livros de Natal. Toda a família se reunia (a Gaffe era minúscula) na noite de Natal para ouvir o avó ler. Mesmo agora a Gaffe não perde uma oportunidade de folhear o encanto perto dos sobrinhos pequerruchos (adoram A noite antes do Natal - Twa the night before Christmas - de Clement Clake Moore);

 

6 - Olhe para as luzes de Natal. Seja absoluta e desmesuradamente deslumbrado e não tenha o mínimo pudor em ser piroso;

 

7 - Construa uma árvore com luzes e brilhos e cores e cheiros de Natal e partilhe-a com alguém. Não se esqueça de desenhar com giz branco na parede, no passeio ou numa rua, um trenó ou um cavalo ou uma rena e afirmar com toda a convicção dos brilhos das estrelas que será através do que riscou que o Natal chegará a quem está ao seu lado.

 

8 - A ideia moderna de Natal pode ter tido início com A Christmas Carol de Dickens, mas não importa muito, porque há sempre um teatro perto de si que leva à cena uma história que não envelhece nunca, porque se enlaça e se prende nos contos de Natal. Nenhuma história destas pode ficar sem palco;

 

9 - Tente ser feliz e sobretudo tente que este Natal se transforme numa belíssima memória de alguém que encontrou por acaso. 

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A Gaffe e o "dress code"

rabiscado pela Gaffe, em 28.11.13
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A camisola de malha grossa de Natal do meu avô era vermelha com uma barra larga branca no peito por onde saltitavam renas cor de camurça de guizos minúsculos ao pescoço, bonecos de neve com sorrisos de lã perto de dezenas de árvores de Natal repletas de pequenos pompons coloridos e de estrelas verdes que emolduravam o friso. Tinha flocos de neve espalhados por todo o lado.

O meu avô usou-a durante décadas na véspera e no dia de Natal, perante a discreta reprovação da minha avó negada pelo olhar e sorriso doce com que o brindava mal o sentia distraído.

A camisola era inevitável como o presépio, como as velas, as coroas de azevinho ou o pinheiro que coroávamos sempre à meia-noite.

A camisola do meu avô fez parte do Natal da minha família durante toda a minha vida. Era tão inevitável como um cântico ou como os laços nos presentes. Era tão esperada como a visita do Pai Natal ou como o fogo na lareira ou como aquela noite sempre gelada no Douro ou como a imensurável felicidade do desembrulhar dos presentes.

Sentado à cabeceira da mesa natalícia o me avô tornava-se o maestro do Natal e nada, absolutamente nada, me oferecia tanta segurança, tanta certeza, tanta amenidade e bonomia, tanta felicidade e paz do que ver as renas a engordarem à medida que os Natais passavam.

Este Natal o meu avô não vai poder usar a sua camisola.

Sou a neta mais velha.

Neste Natal o meu mais querido presente, chegado nas mãos da minha avó, vai ser a velha camisola vermelha de lã grossa com uma barra branca e enfeitada.

Neste Natal vou usar a camisola do meu avô e todos os meus Natais futuros terão a velha camisola a orquestrar a ceia. Serei a maestrina da saudade.

Queria tanto que neste Natal, por todas as avenidas deste mundo, passassem cachecóis de malha grossa, vermelhos com cristais de gelo, camisolas e gorros com pompons e estrelas e flocos espalhados, luvas vermelhas com pelinho branco, casacos com renas estampadas e árvores de Natal em todas as bainhas e brilhos verdes de azevinho entretecidos nos fios e nos laços que prendem os cabelos!

Nenhuma guerra teria continuidade, nenhuma batalha se iniciaria, nenhuma questiúncula poderia resistir se as ruas se enchessem de camisolas de Natal como a do meu avô.  

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