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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe acolchoada

rabiscado pela Gaffe, em 09.11.12

A proposta de Angelo Nardelli para o Inverno que se aproxima é tão satisfatória que apetece percorrer os acolchoados dos nossos rapazes e verificar se, entre os clássicos que se escondem no escurinho das cruzetas, não existe um exemplar fofo onde nos possamos reclinar.

A actualização dos blazers de tecidos nobres e de cortes clássicos, urbanos e vagamente bolsistas, através do uso do matelassé, obedece e alimenta a imagética do conforto e da protecção em tons pastel.

Se adereçados convenientemente, conseguem unir esta aconchegada representação do que pode ser fofinho, ao allure quase romântico dos descontraídos extravagantes dos nosso imaginário mais boémio.

Convém emagrecer antes de ousar.

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A Gaffe dupla

rabiscado pela Gaffe, em 08.11.12

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Aliada à conjugação de vários padrões, surge, vinda de diferentes áreas do saber vestir, a mistura de peças que, na origem, configuram ou complementam uma imagem bem definida e facilmente decifrável.

As fronteiras entre o que se apelida clássico e o casual são esbatidas, não só por esta miscelânea inteligente e ordenada, mas também pelas cores que se escolhem propositadamente contrastantes e, num primeiro lance, de aliança paradoxal.

A nobreza clássica dos tecidos limpos e o rigor de acessórios tradicionais, acompanha na perfeição o renovado e actualizado acolchoado, próximo do tradicional matelassé, que cumpre aqui o papel de subtil transgressor aliado a pormenores oriundos de outras paragens com sabor nómada e mais irreverente.

A proposta é atraente e convincente. Não há nada mais sensual como ter a oportunidade de enlaçar o melhor de dois mundos.

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A Gaffe transgressora

rabiscado pela Gaffe, em 05.11.12

A coordenação de padrões aparentemente incompatíveis, ou no mínimo a mistura aleatória dos mesmos, é quase proibida nos conservadores cavalheiros que pululam os gabinetes onde os destinos de um incontável número de gente se padronizam.

Há, quase inconsciente, a regra que indica aos citados cavalheiros que a cor menos nítida nos padrões usados, é aquela que deve ser usada nas peças que se vangloriam da cor única que ostentam. O subtil vermelho do conceituado Burberry é, sob a alçada desta orientação, a cor escolhida pelas peças que coadjuvam o restante conjunto.

Esta perspectiva limita a possibilidade de se ser divertido. São fechadas portas à criatividade e à ostentação discreta de inteligência que torna a junção de padrões eventualmente distintos e incompatíveis, num processo claro de demonstração personalidade e de vínculo a uma das mais extraordinárias capacidades que temos: a de criar regras, para depois as transgredirmos.

Rapazes, usem e abusem, de forma inteligente, da harmonia que resulta da construção do caos. Lembrem-se que é do Caos que geralmente a Ordem se afirma e que sempre foi uma maçada para uma rapariga esperta ter perto dela a monotonia cinzenta de um homem sem qualquer infractora e atrevida nuance.

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A Gaffe estival

rabiscado pela Gaffe, em 01.08.12

A proposta de Rubinacci é de extremo bom gosto, mas de difícil aplicação.

A justaposição de padrões sugerida, já por si complicada e fácil de perturbar com deslizes fatais quando não equacionados convenientemente, adquire maior dimensão no arrojo declarado do padrão do forro do casaco projectado no lenço no bolso exterior.

É indubitavelmente uma proposta sadia e repleta de calor.

O Verão torna-se elegante e descontraído e faz recordar a velha máxima, repetida até à exaustão pela minha santa avó sempre que os rapazes se atreviam a chegar, de chinelos e t-shirt descomprometida, à casa de praia em Miramar:

Em férias, nunca venham como estão, apareçam sempre melhor!

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A Gaffe aos quadradinhos

rabiscado pela Gaffe, em 05.07.12

 

Imprescindível no guarda-roupa de qualquer rapaz que se preza, o quadrado Vichy é sem dúvida o herói recuperado das profundezas do preconceito estimulado por machos inconstantes e muito pouco seguros da quantidade de testosterona que lhes vai correndo pelo corpo.

Produz conjugações de extrema e madura elegância e, em simultâneo, consegue fabricar uma imagem descontraída, jovial e ligeiramente imberbe e desconcertada (a proposta da Mango é um disso exemplo), conseguindo a ligação perfeita entre uma subtil ousadia controlada e uma liberdade sem preconceitos, capaz de resultar numa perfeição cosmopolita.

Depois, é sempre agradável ver uma rapariga procurar jogar xadrez nas intersecções do padrão. Nunca acerta no movimento das peças, mas consegue ser rainha.

 (Mango)

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A Gaffe faz copy/past

rabiscado pela Gaffe, em 27.06.12

Passeando levemente pela brisa dos blogs similares a este, reparei com perplexidade que, em quase todos, há uma referência completa e pormenorizada ao que se observa na imagem que se propõe.

Se me perguntarem qual é a programação da Ópera de Paris, do Scalla de Milão ou do Guggenheim (esteja ele onde estiver), consigo até apontar facilmente os horários em que determinado acontecimento ocorrerá, mas não sou capaz de identificar sem auxílio de uma cábula, ou de um desavergonhado roubo, a proveniência de cada peça que uma menina com um ar ligeiramente retardado usa na fotografia.

Como sou, embora raramente, uma Maria via com as outras, decidi despachar este assunto e colmatar esta lacuna, roubando sem piedade o que algures me agradou e que, não me deixando convencida, e muito menos eufórica, consigo deixar passear pela brisa deste blog.

Ataquemos, portanto, corajosamente esta questão:

Saia - Tibi

Top - Equipamento

Sapatos - Stuart Weitzman

Bolsa - Chanel

ÓculosKaren Walker

Bâton - MAC 'uby Woo'

UnhasEssie 'pirulito'

Bandolete - ASOS

Jóias - David Yurman, Kate Spade, Jcrew, Stella & Dot, Pomelatto, YSL

Cardigan - Zara

 

Uma maçada, não é?!

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A Gaffe e a tribo digital

rabiscado pela Gaffe, em 19.06.12

Na eventualidade de serem tentados a usar, respeitando literalmente, o que no desfile trespassa o vosso deslumbre, socorram-se de um relaxante muscular com propriedades sedativas.

O que passa, vossos males espaça, mas caso não tenham o incêndio do corpanzil de nadador olímpico em que se transformam os modelos ou a coragem (também olímpica) para enfrentar a urbe conservadora e cinzenta antracite, não arrisquem levar o cão a passear reproduzindo com absoluto rigor um modelo que vos cegou num desfile de Galliano numa das suas fases psicóticas (a não ser que o cão seja um doberman treinado para atacar trolhas, beatas, o pároco da freguesia, taberneiros e afins).

A proposta interessantíssima que mistura padrões tribais com elementos digitais, provenientes de um universo informatizado e quase asséptico, acaba por produzir peças deliciosas cujos padrões se conjugam, e coadjuvam, numa miscelânea atractiva e perfeitamente conseguida.

Há, no entanto, que acalmar a propensão para o entusiasmo imediato que quase sempre acaba por nos deixar uma ou outra mazela no bom senso.

Esta mescla de elementos quase antagónicos de dois mundos que, dir-se-iam, em princípio, discordantes e impossibilitados de intersecção, não pode (se o tal cão for um pincher) ser usada indiscriminadamente pensando-se que, se desperta a faísca do deslumbre no tapete do desfile, vai provocar o trovão na esquina do quotidiano.

As adaptações e as reinterpretações são essenciais.

O autocarro que nos transporta pelas ruelas da vida não inclui lugares iluminados por profissionais altamente qualificados, nem há música de fundo para nos modelar os compassos e os passos.

A forma mais perfeita de adaptação do extraordinário criativo, destinado a permanecer debaixo de luzes e de sons externos ao quotidiano mais comum, é o uso da inteligência, crítica, analítica, contundente e cirúrgica, que permite, por exemplo, uma conjugação do mais principesco dos clássicos padrões com subtis elementos tribais, consubstanciados em pormenores discretos e quase ínfimos, unindo, desta forma, a proposta, possivelmente considerada excêntrica, que foi apresentada.

O absoluto clássico é susceptível de se tornar elemento primordial numa actualização, como diriam os connaisseurs, mais vanguardista.

Basta um inteligente golpe de asa.

 

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A Gaffe a alta velocidade

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.12

vintage Belstaff Trialmaster jacket, perfeito para uma estação de transição, é um misto de peça especialmente criada para motociclistas e um impermeabilizado fragmento de urbanidade mais ou menos sofisticada.

Embora correndo-se o risco de se parecer um selector de alface do leste europeu (rapaz por quem sinto o mais elevado respeito), usar o Trialmaster Belstaff, um clássico, quatro bolsos na cintura, cinto, forrado a tartan, com um comprimento três quarto, pode funcionar na perfeição, surpreendendo-nos, quer por invocar Steve McQueen, quer pelo uso de materiais alternativos.

O Trialmaster chega-nos agora com os ombros e cotovelos transformados em armadura e um forro acolchoado destacável, mas mantendo-se fiel ao estilo do ícone original.
Infelizmente a aventura invocadora de velocidade e testosterona, pode terminar se o local onde permanece tem o aquecimento ligado. O revestimento de cera a que o  Trialmaster  foi submetido pode transformar o vento das estradas alfazema ou o mais requintado dos perfumes masculinos, no suplício que é ir ao encontro de Godot com o nariz enfiado em dois sovacos trogloditas.

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A Gaffe nas areias de Lawrence

rabiscado pela Gaffe, em 16.06.12

Não é, felizmente, aquele cozinheiro com um sotaque desnecessário e turbante (também dispensável) que se dedica com afinco à publicidade a detergentes e a elaborar uma minuciosa ementa onde a qualidade, com um certo tom nouvelle cuisine, se sobrepõe à quantidade e me deixa, a mim, que sou uma provinciana pateta, com uma vontade muito pouco sofisticada de triturar trinta dos saudosos e tradicionais bolinhos de bacalhau da minha santa avó.

Mas, esquecendo o famigerado turbante, não posso deixar de me apaixonar pela solar presença do linho imaculado, pelo humor cortês e delicado da cor e dos padrões da camisa e da gravata, deste sumptuoso rapaz, que pode escapar a T. E. Lawrence, mas que transforma o desértico quotidiano de qualquer rapariga esperta, numa cavalgada avassaladora no dorso de um puro-sangue árabe ou numa das mil e uma noites em que não contamos histórias, porque estamos demasiado ocupadas a senti-las.

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A Gaffe rendada

rabiscado pela Gaffe, em 12.06.12

Rendam-se às rendas, raparigas!

Rendem-se e rendadas teçam as teias envolventes de uma quase poesia, de uma etérea fascinação frágil e ténue.

Nas teias tecidas pela aranha que sempre somos tombarão, inevitáveis, todos os pobres insectos que displicentes nos sobrevoam, ignorando o perigo que a delicadeza do sonho que vestimos, dissimula.

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A Gaffe redime-se

rabiscado pela Gaffe, em 10.06.12

Observemos o que Daniel Waldron nos oferece, para além de uma barba divinal e de um olhar latino, com laivos de matador.

Vestido por Alexander Nash, passa, breve e solto, com um blazer repleto de pormenores cheios de humor (pertencente a um fato de três peças - não esquecer que três é um número quase sobrenatural) de bolsos quadrados, que é absolutamente apropriado para completar o que chamaram, intraduzível e presunçosamente, American Apparel henley (uma versão de sweatshirt, justa, mais básica, e abotoada até meio do esterno) sobre uma t-shirt elementar. As Levi's 511 são essenciais e apoiam os ténis Converse desenhados por John Varvatos.

Photobucket Photobucket Photobucket Photobucket Fácil, não é?!

Não consigo compreender porque me declaram elitista!

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A Gaffe a um ritmo soul

rabiscado pela Gaffe, em 08.06.12

Ter no ADN um registo soul é caso de quente festividade, não comum a todos os mortais, no entanto, o soul pode ser insinuado com enorme sucesso se conseguirem, rapazes, transformar o balanço rouco e morno, envolvente e inimitável, do ritmo daquilo que vestem ao som de um contrabaixo que nos vai murmurando o que o saxofone sussurra ao piano.

Nada se torna imperfeito quando descobrimos e reforçamos os espaços da alma que nos parecem ser vedados, mas que exercem a imensa atracção de uma melodia em tons ferruginosos onde pousou, quase por acaso, a negra luminosidade de uma voz vestida para abrasar.

 


Nota - Com facilidade, aplicamos o mesmo quando ouvimos jazz!

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A Gaffe cor-de-rosa

rabiscado pela Gaffe, em 06.06.12

Talvez compensando uma certa sensação de rispidez da imagem anterior, escolho a relaxante cor-de-rosa, usualmente atribuída às raparigas, mas que usada por uma masculinidade sem hesitações traz um encanto irresistível.

É notório que nem todos os rapazes conseguem resistir a uma imagem quase monocromática, sobretudo quando a cor não está (ainda!) separada de uma imagética feminina.

Torna-se, contudo, bem mais agradável, e de mais fácil aceitação por parte da brigada dos bons costumes e da divina moral, a monocromática imagem de suave cor-de-rosa aparecer num homem já feito (diria a minha santa avó, que nunca foi membro do clube).

O estereótipo, pensamento básico, limitado, redutor e primário, é, em consequência, de fácil assimilação, chegando rápido, sólido e epidémico, às massas.

Desestruturar este estreito e delimitado pensamento exige maturidade e esta, como é sabido, chega (quando chega) invariavelmente com a idade.

Daí, esta suavidade máscula se destinar a homens. Não a rapazinhos.

Nenhum imberbe é capaz de alterar as conotações centenárias apensas ao cor-de-rosa, fornecendo-lhe a necessária dose de masculinidade que o torna, não apanágio de bebés de laço presos a caracóis e folhos em redor, mas apenas mais uma cor com que passeamos o lado solar das nossas vidas.

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A Gaffe de lápis de cor

rabiscado pela Gaffe, em 05.06.12

(Gant, British GQ, Maio – 2012)

Respondendo à minha querida, altíssima e elegantíssima, Catarina, que me previne do perigo que corro transformando os meus homens em reproduções baratas de actores dos idos 40, propondo a visão mais berrante saída das mãos dos criativos da Gant.

Acredito que seja o deleite das urbes mais povoadas e com capacidade para absorver tanta cor (o Porto é tão cinzento!), mas aconselho vivamente a controlar, atenuando, ainda que ligeiramente, a paleta.

Creio ser igualmente arrojado o assumir de um certo allure vintage e a explosão juvenil e quase orgíaca de cores que, apesar de se manter no ninho dos cortes clássicos e de certa forma conservadores, vai causar o mesmo impacto e também deixar memória.

Falemos claro, minha querida, saídos de um filme negro dos anos 40 ou do laboratório de cores licenciosas da Gant, os homens merecem que constantemente os transformemos.

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A Gaffe penalizada

rabiscado pela Gaffe, em 30.05.12

(Amato Haute Couture – fotografia deTina Patni para Velvet Magazine, Março 2012)

É interessante perceber, pelo feedback que tenho obtido, que O Martelo de Afrodite é mais lido por homens do que por mulheres.

O pecado é meu, como é patente.

Não tenho dedicado a atenção devida a feminilidade. Há razões que justificam o facto. A primeira prende-se com a minha tendência para gostar muitíssimo mais de homens, a segunda (e basta) é porque ainda não estou convencida a entregar armas às minhas potenciais adversárias.

Contudo, minhas caras, para compensar a evidência e atenuar a falha, decido oferecer-vos o maior presente que encontrei!

Não podem agora acusar-me de não referenciar a feminina distinção, porque acabo de vos mostrar o quanto posso ser exagerada.

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