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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe detective

rabiscado pela Gaffe, em 04.07.14

Uma das minhas séries favoritas passa na FOX e não é significativamente diferente de todas as outras. A fórmula que a torna atraente é mais que conhecida, porque é a usada em todas as séries com argumentos similares ou dentro do género em que esta se inclui.

Elementary traz-nos uma versão de Sherlock Holmes que, agora em NY, é coadjuvado por um Watson no feminino, muitíssimo bem encarnado por Lucy Liu que percebe de forma inteligente a primazia do elemento masculino da parelha, embora use umas pestanas que parecem dois toldos de esplanadas góticas que poderiam fazer sombra no seu discernimento.

Jonny Lee Miller é um Holmes tatuado e de barba de três dias que nos faz perder parte do argumento quando aparece em tronco nu. Um belíssimo, nervoso, agitado, angustiado, ressacado Holmes que arrasta um allure desleixado acentuado pelo contraste com a elegância e o cuidado com que as restantes personagens se vestem. É um dos poucos homens em que as tatuagens dispersas pelo corpo não desviam a atenção do torso nem transformam o resto (e que resto!) apenas num suporte, num expositor, de marcas de tinta.  

Percebe-se porque vicia qualquer rapariga esperta e a faz ficar presa à dose cavalar de episódios que são injectados à Quinta-feira.

Numa dessas tranches, Holmes divaga sobre a evolução da linguagem elogiando a capacidade dos adolescentes para minimizarem, minimalizarem, às vezes de modo ininteligível, as SMS e todas as outras frases que vão deixando quase cifradas em suportes digitais. Não perdendo apesar de tudo a capacidade de comunicar, a rapidez aumenta, a síntese é um facto e a eficácia torna-se evidente.

 

É curiosa esta apologia de um comportamento tipicamente adolescente, sobretudo quando a adolescência, conceito que surge apenas nos finais do século XIX, se vai estendendo cada vez mais no tempo, arrastando e invadindo o espaço temporal que convencionalmente dá início ao estado adulto.

 

As minhas fontes fidedignas insinuam o aparecimento em 2015 – Primavera/Verão – do conceito de teen-adult regido pelo lema boyest for the boys. O homem vai adquirindo alguns tiques adolescentes que vão contaminar a sua imagem. Os cortes de cabelo tornam-se menos duros e menos militaristas, dando lugar a caracóis domados e estrategicamente colocados de forma a entregar ao dono um tom colegial, as barbas desaparecem dando lugar a rostos escanhoados, quanto mais imberbes melhor, eivados de olhares mansos de timidez ruborizada, e a mistura de peças do agrado dos jovens rebeldes com a agrura e secura do guarda-roupa dos executivos torna-se um must .

Esta prevista miscelânea contraria a linha dura e agreste do actual barbudo másculo e indomável e vai tornar as nossas avenidas numa espécie de recreio de escola secundária repleta de homens grandinhos que ainda não entenderam a disciplina do bom-gosto.  

 

Talvez por isso compreenda Holmes quando aclama a evolução da linguagem sagrando a adolescência como uma nova e definitiva espécie de estado adulto.

Holmes percebe que quanto mais moços ficarem os homens, mais raros se tornam os exemplares que atraem as Watson deste mundo.

Mais fica para ele!

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A Gaffe e os spornossexuais

rabiscado pela Gaffe, em 13.06.14

Depois do teste, é altura de os conhecerem.

Se pensava que o mankini era uma forma tenebrosa que apoiava a tendência dos homens a revelarem na praia muito mais do que o necessário, chegou agora a um nível totalmente novo: o mankini híbrido, uma espécie de meio-fio dental.

Minhas queridas, se é isto que alguns homens pensam da sensualidade, então estamos todas condenadas.

(towie-pants)

Embora as patéticas criaturas da imagem não sejam frequentes e representem o vértice desfocado e apalermado da pirâmide, preparemo-nos, porque há alguns patamares mutíssimo mais aceitáveis que já desfilam, se quisermos acreditar na ascensão da chamada spornosexualidade que engloba uma nova espécie de homens que usam e abusam de produtos, práticas e prazeres anteriormente apenas domínio das mulheres e dos gays, dando início a uma nova existência, um novo conceito de sexo e versão corpo-obcecado.

 Mark Simpson, que cunhou o termo metrossexual, explica agora o spornossexual:

Um homem das selfies, obcecado social, mergulhado na sua aparência, no desporto e na pornografia. Rapazes-músculo que tornam o corpo o acessórios final, moldando-o no ginásio, tonificando-o, perfumando-o e gravando cada ondulação em selfies que espalham no facebook, fazendo do desenvolvimento dos abdominais quase uma prática masturbatória.

A capacidade do mercado para vender uma imagem é surpreendente!

As mulheres tiveram de suportar esta comercialização durante anos. O fadário começa no masculino em 1990 com o aparecimento dos metrossexuais.

Mas o metrossexual deixou a adolescência e completou 20 anos. O jovem solteiro com um rendimento elevado, que vive ou trabalha na cidade (porque é na cidade que as melhores lojas se fixam) foi o mercado consumidor mais promissor da década, mas o futuro da masculinidade está já hidratado e apesar do metrossexual continuar a ser a menina dos olhos de rapina do consumismo, as revistas de fitness fazem brilhar peitorais e ondular abdominais, promovendo uma cultura de celebridade com a sua luta darwiniana para se ser notado.

Em defesa da metrossexualidade, existia o facto de, pelo menos, essa tendência se basear no refazer do corpo e do allure para se ser atraente para os outros. Havia de certa forma uma natureza e uma razão social. O spornossexual , pelo contrário, está realmente interessado apenas nele, com o seu olhar de si e em si – é um narcisista quase patológico.

(Dan Osborne - direita - exibe a sua spornosexualidade em Marbella - foto Rex Features)

Não só não é certo, como é também perverso numa era de austeridade que exige uma maior consciência das armadilhas do consumismo e um maior espírito de envolvimento social, que se assista a uma celebração da cultura da celebridade com a sua luta darwiniana para se ser notado através de um visual, de uma marca, no mundo finalmente afastou os restos de Victorianismo (Mark Simpson). O narcisismo, sugere o autor, é o inimigo do puritanismo vitoriano, assumindo que Wilde teria apreciado um mundo em que os homens procuram ser parecidos com estrelas porno.

Claro que a idade da Old Spice está atrás de nós. Já não há paciência para um bigode espesso e desgrenhado ou para um corpo a cheirar cerveja, a gordura e a cocó de cavalo, mas passar horas a admirar ao espelho o resultado do ginásio, pode significar apenas o triunfo do charme e inteligência de um gorila rapado.

É verdade que Óscar Wilde disse que a beleza era mais elevado do que o génio, porque não requer explicação, mas O Retrato de Dorian Gray  (todo o excesso, assim como toda renúncia, traz a sua própria punição) prova que a estética tem limites morais ou pode merecer até censura. Quando se busca a perfeição para usufruto, acaba-se corroído.

Este paradoxo que Wilde teria saboreado, não é superficial. Não se trata de tratamentos faciais e manbags, guyliner e chinelos. Não se trata de homens femininos ou gays. Trata-se de homens que se tornam tudo, apenas para eles, mesmo que necessitem depois de estampar na embalagem a chupeta fálica da palavra HOMEM.

Com corpo meticulosamente esculpido, esta espécie de metrossexualidade de segunda geração está menos preocupada com o vestuário do que a primeira. Ansiosamente auto-objetifica-se tornado os corpos os acessórios finais, partilhados e comparados num mercado online.

Esta nova imagem de homem destaca e sublinha o sexual na metrossexualidade, como se o desporto fosse para a cama com a pornografia enquanto o Sr. Armani tirava fotos.

Ao contrário dos metrossexuais de Beckham, em que os seus atributos são possivelmente reforçados de modo artificial, os spornosexuais têm photoshop na vida real porque querem ser procurados pelos seus corpos, não pelo seu guarda-roupa e, certamente, não pelas suas mentes.

 

Suspeito que Óscar Wilde aprovaria.

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A Gaffe de Carnaval

rabiscado pela Gaffe, em 04.03.14

O Carnaval brasileiro não é apenas o que é solto pelas ruas do Rio e se desfaz no sambódromo.

Em Jabaquara, Paraty, todos os anos um bloco formado por seres pré-históricos invade as ruas de pedra fazendo explodir alegria que repele os maus fluidos desta vida.

 

Há cerca de 15 anos, alguns amigos na Praia do Jabaquara brincam na lama e tornam-se irreconhecíveis. Invadem o centro histórico da cidade, fazendo surgir um dos blocos mais bizarros do carnaval brasileiro: O Bloco de Lama.

Enlameados da cabeça aos pés, cobertos de trapos, carregando caveiras, cipós e ossos, urrando e guinchando, o grupo torna-se a mais interessante mensagem de paz e de alegria que o Carnaval lanteloulado da Cidade Maravilhosa começou a deixar de ser.

As fotos são fantásticas e basta procurar e encontrar no Google esta festa incrível para que nos apeteça desatar aos saltos sujos por ali!

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A Gaffe vitoriana

rabiscado pela Gaffe, em 11.01.14
Angela Venable

Angela Venable é uma enigmática joalheira capaz de produzir peças, talvez demasiado exuberantes, mas maioritariamente feiticeiras, susceptíveis de se verem incluídas na corrente estética  Steampunk que procura envolvimentos vitorianos e da revolução industrial, embora o movimento não se restrinja à Inglaterra ou mesmo ao continente europeu, podendo focar-se nas culturas não ocidentais, num futuro alternativo ou mesmo em épocas e cenários indefinidos.

Apesar de muitos dos trabalhos mais emblemáticos da estética steampunk serem dos anos 60/70, o termo, possivelmente inventado pelo autor de ficção científica K.W. Jeter - que escolhe cenários do século XIX (geralmente vitorianos) desafiando as convenções e regras da sociedade colocando-a em situações improváveis e recorrendo a máquinas retro-futuristas - , só apareceu no final da década de 80, como uma provocação ao cyberpunk tão em voga nessa década.

Em Abril de 1987, numa carta escrita à revista de ficção científica Locus, Jeter refere em público pela primeira vez o termo que iria passar a denominar toda uma estética:

Dear Locus,
Enclosed is a copy of my 1979 novel Morlock Night; I'd appreciate your being so good as to route it Faren Miller, as it's a prime piece of evidence in the great debate as to who in "the Powers/Blaylock/Jeter fantasy triumvirate" was writing in the "gonzo-historical manner" first. Though of course, I did find her review in the March Locus to be quite flattering.
Personally, I think Victorian fantasies are going to be the next big thing, as long as we can come up with a fitting collective term for Powers, Blaylock and myself. Something based on the appropriate technology of the era; like "steampunks", perhaps (...)

 K.W. Jeter

 

Um elemento que parece ser omnipresente nesta estética é a adaptação de tecnologias ultrapassadas a invenções futuristas que reproduzem máquinas e equipamentos impossíveis, engrenagens, dirigíveis, máquinas voadoras que aparecem muitas vezes como elementos cruciais da acção steampunk cujo motor é quase sempre a resistência a uma sociedade injusta, opressora ou em convulsão. O herói steampunk é símbolo da revolta e da luta determinada contra a injustiça, a arbitrariedade, a angústia, a selvajaria e a brutalidade civilizacional, podendo a acção cingir-se a um navio, um dirigível, uma estação de comboio, ou englobar uma cidade, um país ou mesmo um planeta.

É curioso perceber como actualmente a estética steampunk, graças a variadíssimos talentos - Gail Carriger e os seus vampiros e lobisomens; Cherie Priest e os zombies criados pela acção do Blight; Cassandra Clare e os seus anjos escuros e ferrugentos; as recentes versões cinematográficas de Sherlock Holmes, de Os Três Mosqueteiros ou de A Invenção de Hugo Cabret, todos claramente steampunk – se eleva da sua posição marginal, começando lentamente a invadir o vocabulário, as prateleiras e os cinemas, provocando uma invulgar valorização de tudo o que é vitoriano, de tudo o que é revivido pela linhas de força deste movimento.

Angela Venable é steampunk e os seus corpetes, relógios de bolso transformados em colares, pulseiras repletas de roldanas e mecanismos de corda, goggles, engrenagens e toda uma parafernália de objectos que são por ela reorganizados, se não nos ajudam a combater a opressão, pelo menos criam um allure próximo de quem o faz com uma convicção alicerçada no passado, mas com todas as roldanas no futuro. 

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Gavetas:

A Gaffe Hugo Bossada

rabiscado pela Gaffe, em 07.10.13

Há que referir, nestas andanças pelo lado conspurcado do glamour, o recrudescimento de um grupo que neste momento faz as delícias das pobres raparigas iludidas com a imagem de malandreco sofisticado e bem sucedido encharcado em auto-estima e presunção.

O Armani ao pingarelho teve, em Portugal, uma das suas mais fulgurantes aparições quando José Sócrates nos surge envolto no seu sobretudo negro e requintado, mas com um apelativo e revolucionário forro escarlate de cetim. O cavalheiro sensato e comedido, rigoroso e eficiente, esconde um aventureiro capaz das mais ousadas proezas, temerário e preparado para o risco.

Lentamente, o senhor engenheiro foi apurando este allure em NY atenuando a tendência para se ver esta imagem a contaminar o séquito.

Depois de navegar no mar alto das empresas em que o tio é accionista, constata-se que o Armani ao pingarelho abalroou a governação actual.

Adolfo Mesquita Nunes, o jovem Secretário de Estado do Turismo, é o timoneiro do barco que embate contra a rocha.

Clássicos suspensórios avoengos, gravata tricotada pintalgada por discreto escuro, camisa de tradicional riscado com colarinho e punhos contrastantes e a ausência do casaco dispensado porque a tarefa exige uma energia sem limite de fazenda, inspiram a confiança feita de força e de respeito juvenil bem doseado e de clara eficiência e eficácia. O avô que o diga.

As pulseirinhas surripiadas à caixinha de surpresas das meninas que conquista no elevador do condomínio fechado onde reside, evocam a aventura e a resistência do jovem que não se esquece de unir o gabinete de trabalho árduo em prol dos outros aos riscos, peripécias e proezas de um jovem de negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado. Que o diga o Cláudio Ramos.

Embora seja de esperar que tresande a Hugo Boss até à asfixia, é ouvi-lo desdobrar o infindável rol dos episódios da sua vida audaciosa, mas exemplarmente administrada, que nos afoga o tino e a paciência na água de demolhar a cara de bacalhau convencido com que sempre nos brinda.  

Um Armani ao pingarelho é apenas mais um exemplar do que não queremos na cama, mas que é difícil impedir que tente: um empertigadito suspenso por pulseiras que custa imenso a calar. 

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Gavetas:

A Gaffe reincidente

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.13
A Gaffe já o referiu algures por aqui, mas não resiste à forma lindíssima, certeira e repleta de humor com que o designer egípcio Ahmad o descreve e o representa. Regressemos então ao Hipster, agora abordado pelo talento de Ahmad.





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A Gaffe e a Resistência

rabiscado pela Gaffe, em 11.09.13

No ano passado, fecharam quatrocentos numa sala com capacidade para suportar menos de metade. Ficariam de joelhos durante duas horas com portas e janelas vedadas.

Começaram a suar.

A temperatura elevou-se a níveis insuportáveis, insustentáveis. Empapados e com dificuldades sérias em respirar, alguns desmaiaram, outros choraram, outros vomitaram e uma teve um ataque de pânico. O histerismo misturou-se com o cheiro a suor e a vómito quente e nauseabundo.

O António chegou com meia hora de atraso. Para que não fossem abertas as portas, quiseram que ele os seguisse, de joelhos, para onde quer que fossem. O António agarrou a farda do mandante e obrigou-o a morder-lhe o hálito e a suspeitar da segurança da cana do nariz.

Foi o António que abriu a porta a tempo de retirar e levar em braços a uma farmácia próxima uma rapariga a quem tinham surripiado e perdido a bomba de asma.

Não usam braçadeiras com uma cruz macabra, nem as elegantes e sinistras fardas dos facínoras da Guerra, nem o António pertence à Resistência.

É apenas a praxe, no ISCAP. Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto.

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A Gaffe enjoada

rabiscado pela Gaffe, em 10.09.13

Por favor, rapazes, larguem a imagem que já se transformou em fardamento!

Basta de fatinhos justos com calcinhas pelos tornozelos, camisinhas limpas, às risquinhas ou pintinhas, agarradas aos esqueletos, chapeuzinhos raquíticos e pastinhas de proporções exageradas!

Uma rapariga deixa de vos reconhecer quando apareceis sem o uniforme. Sois entediantes, monótonos, cansativos, maçadores, enfadonhos, aborrecidos, fastidiosos, enjoativos e maçudos saídos da mesma linha de produção e do mesmo departamento que abre logo pela manhã cedinho para vos tornar reproduções sem qualquer réstia de originalidade.

BASTA!

Sejam homenzinhos e deixem de parecer uma manada de gnus enfezados no encalço dos cascos uns dos outros e enfrentem os crocodilos com a ousadia, a coragem e o ímpeto que são esperados por qualquer rapariga mais esperta.

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A Gaffe e o hipster

rabiscado pela Gaffe, em 09.08.13

Um hipster é, normalmente, um jovem adolescente oriundo da década de 1990, associado principalmente com o non-mainstream e que acaba por se tornar para a Gaffe um interessantíssimo objecto de estudo, sobretudo sabendo que, para os elementos desta tribo, as peças que se vestem são tão importantes quanto as peças que se ouvem.

Como em todas as tribos urbanas, há variantes conhecidas, sendo as mais representativas a American Apparel, H & M, ASOS, Cobrasnake e os Urban Outfitters, mas a Gaffe acha demasiado fastidioso debruçar-se sobre miudezas e vai directa ao cerne da questão.

Vejamos:

Para estas amorosas criaturas a griffe é de evitar. Uma loja vintage é um must onde podem desbravar caminho bamboleando os seus corpos magros, quase escanzelados, dentro dos seus famosos e tão desejados Jeans skinny 2Wear, usados, quanto mais apertados melhor, por ambos os sexos (embora as meninas prefiram leggings, jeggings, treggings ou, em alternativa as usadas jeans Mãe).

Os óculos são quase imprescindíveis. Os hipsters amam óculos, sobretudo os bem-dispostos, como os grandes de armação de plástico, óculos de Buddy Holly, óculos de nerd, e - para os que os podem pagar - autênticos Ray Ban Wayfarers de todas as cores do arco-íris. Mesmo não sendo pitosgas, de todo, substituem as lentes graduados por vidros inofensivos. Coadjuvando estes acessórios, são boas escolhas as t-shirts irónicas, as camisas xadrez, as camisas de cowboy e qualquer coisa em gingham, xadrez, paisley ou com estampados florais vintage, salpicados por imagens de animais ou de florestas, personagens de programas de TV para crianças e grafismos trocistas.

As raparigas ficam fascinadas por vestidos de preferência vintage, florais ou com rendas, sendo o armário das santas avós um manancial de sonho, embora a hipster saiba costurar, adaptando a velharia empoeirada sem quebrar o encanto do antigamente das estrelas.

A colecção de sapatos inclui botas de cowboy, Converse, e uma reduzida gama de apontamentos que passam pelos Reeboks clássicos, os Doc Martens ou por um encontro vintage com um sapateiro de esquina. Não usam crocs, felizmente!

Para as meninas, os saltos não são de todo populares. As sandálias, os tênis, as botas e as botinas da santa avó são mais práticos e mostram o quão pouco esforço foi dispendido na escolha do calçado (mesmo que tenha ficado sem pele nos calcanhares só para encontrar o par perfeito).

 Existe uma vasta gama de acessórios, incluindo grandes bandoletes de flores, esmaltes neon, alfinetes, cintos brilhantes, colares de pássaros, estampados e leggings coloridas. A hipster não se pode lamentar da falta de tralha que pode associar ao seu allure e não se esquece de um pequeno toque carpinteiro patente nas pequenas cicatrizes, supostamente adquiridas ao trabalhar madeira e dos sacos de correio (nunca uma mochila!), de preferência Freitag, onde pode guardar à vontade o seu MacBook, iPhone, e discos de vinil (nunca CD) da sua actual banda favorita.

Tudo muito irónico, quase zombeteiro, quase sarcástico. Não esquecer que o uso de peças que não se ajustam ou condizem é claramente hipster e que o ar de eu não posso ser incomodado é relevante, embora leve algum tempo a apurar, porque, com uma auto-estima elevada e não recusando um belíssimo spa, uma cuidada manicure, ou um completo kit de maquilhagem, o hipster o que mais quer é ser abordado e reconhecido, embora aceite publicamente que estes mimos são apenas uma submissão confrangedora aos ideias de beleza vigentes.

Penteados desengonçados são um achado. O bed look, o cabelo despenteado, longo e que resiste a todas as tentativas para ficar liso, sem produtos químicos, é oiro sobre azul (que pode tingir de forma óbvia a cabeleira hipster).

O importante é uma mistura de sobriedade, respeito pelo que chega do passado e um desejo de demonstrar que as coisas novas não definem ninguém. Naturalmente, é preciso lutar contra a inconsistência desta directriz perante o amor novinho em folha reflectido no maravilhosamente actual produto da Apple.

O hipster está interessado em exibir abertamente seu amor por qualquer coisa indie, expondo-se à literatura existencialista, à angústia existencial, à busca de propósito e de valor interno, perguntando o significado de tudo ou à filosofia niilista e a uma consciência cultural superior considerando que tem um dedo apontado para o que há de podre no centro de tudo. Entretanto, os dedos restantes sentam-se numa esplanada tomando mocha lattes enquanto navegam no Mac ou no iPad várias horas por dia, porque estão ligados globalmente, graças à Internet, à procura sobretudo de áreas como arte, arte gráfica, matemática e ciências, música ou moda que, embora não sejam escolhas essenciais, são provavelmente uma saída natural para a sua criatividade.

Procuram Jack Kerouac, Alan Ginsburg, e Norman Mailer (ou qualquer outro autor que tenha produzido livros com um número imenso de páginas), adoram shows de Ann Liv Young, amam Wes Anderson, Hal Hartley e os filmes de Jim Jarmusch, música Indie ou nu-rave, techno minimalista, rap independente, nerdcore, garage rock, rock clássico (Beatles geralmente), e punk rock.

Apesar de maioritariamente vegetariano (se come carne, afirma que a escolha é apenas uma transcendência cínica das tentativas fúteis vegetarianas de salvar o mundo e que o seu senso de ironia já considerou este movimento obsoleto), o hipster adora fazer refeições gourmet logo após ter passado horas a actualizar o Blogspot, o Wordpress ou Tumblr publicando as imagens captadas com a sua câmera Holga.

Não conduz um carro caro, aliás, nem sequer possui um carro. É um desperdício de gás e dinheiro e o problema do estacionamento desgasta o cérebro. Anda de bicicleta de pneus skinny, genuína sela de couro Brooks e sem freio dianteiro e mesmo não possuindo uma, certifica-se que arregaça a perna direita da calça para parecer que acabou de cruzar a cidade sem aumentar a sua pegada de carbono.
É claro, a ironia de ser um early adopter é que, uma vez que a tendência que adoptaram e que consideraram inovadora, se torna mainstream, é ter de passar para algo mais obscuro e desconhecido. Esse é o problema de se ser um espírito tão independente: há que manter o movimento.

Depois da canseira que foi reunir alguns dados sobre esta curiosa tribo urbana, a Gaffe vai procurar um amigo com mais de trinta anos, um ar de lenhador robusto, vestido com um Harry tweed sólido e possante, para desanuviar o ambiente.

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A Gaffe e o Punk

rabiscado pela Gaffe, em 25.02.13

Encontrei, perdido na biblioteca, entalado entre calhamaços descomunais, um minúsculo livrinho encantador editado em 1984 por Robert Laffont. Les Mouvements de Mode, de Hector Oblak, Alain Soral e Alexandre Pashe. É um manual divertido que nos descreve algumas das diversas tribos urbanas que assolam e assombram as gerações anteriores às suas eclosões que as contemplam com pasmo e perplexidade. 

É uma obra evidentemente datada. Está ultrapassada, deixando de caracterizar uma panóplia imensa de subculturas urbanas que entretanto surgiram, transformaram ou extinguiram, mas é um curioso repositório de características bem definidas de tribos urbanas que conhecemos com alguma deficiência, embora tratadas de forma simplista e muitas vezes redutora. É uma colecção de estereótipos que cumprem uma função específica: procurar denominadores comuns a diversas e mais evidentes expressões e experiências, quer adolescentes, quer juvenis, ao mesmo tempo que as tenta seguir nas suas ramificações e desvios.

 Não esquecendo que o livro tem cerca de trinta anos e que as dinâmicas sociais usam TGV para ultrapassar o que tomamos como certo, a leitura que se faz acerca do movimento Punk é curiosíssima, sobretudo no que concerne à estrutura mental dos seguidores desta expressão social. Fala-nos o livrinho de uma imunidade ideológica que é assumida pela recusa do todas as formas de aborrecimento, sensação e estratégia de aparência. O silêncio odioso torna-se eloquente quando pretende a revelação, a denúncia, dos horrores sociais (de que o Punk é o espelho) ou, o que é mais palpável, a legitimação da vivência das debilidades adolescentes. O Punk é como um leproso que permite que a lepra o alimente fornecendo-lhe energia e transformando-o na agressividade que é agredida, detentora de uma violência imóvel, como é apelidada a resistência que se canibaliza.

Curiosa é também a referência a uma condição que é tida como causa principal do surgimento do movimento Punk e que aponta a desilusão generalizada ocorrida sobretudo entre 1975-77 onde de uma moral clara (a revolução contra o capitalismo ou o amor contra a morte lenta) se desemboca numa filosofia doente (proveniente de um marxismo debilitado), numa história sem sentido, num vácuo existencialista, onde a falha é uma constante da vida e onde o estrato intelectual das sociedades se vê perdido, se inscreve na Amnistia internacional ou se transforma em esteta. Ao jovem, em 1976, é reservado o comportamento primário do Punk.

Avesso a específicas e reconhecidas condições e situações sociais, o Punk é anti quase tudo.

Anti-social, anti-jovem, anti-burguês, anti-liberal, anti-comunitário e anti-punk, este movimento faz definhar o sentimento amoroso, reduzindo-o a um imaginário sadomasoquista que se exprime também através do uso do negro, das queimaduras de cigarro, dos alfinetes e de uma imensidão de adereços que vão desde o abuso de fechos metálicos (zips) que funcionam como cicatrizes dos tecidos, passando por coleiras, pulseiras e anéis com simbologias decadentes e acabando nas decorações militares, insígnias políticas e nas correntes pesadas que lhe dificultam o andar. Tudo sujeito a um spray com palavras de claro intuito provocador, sendo fuck, sexe ou rock as favoritas.

Acabamos por reconhecer que o Punk é a consternação. Consternação face a falência da contestação, face ao conformismo do anti-conformismo. É um modelo de identificação social criado por uma juventude que espera um novo papel social e por uma parte dessa juventude que não pode esperar seja o que for. Em 1975 ser nada ainda é hippie, porque ser-se hippie já não quer dizer nada. Em 1976 o jovem punk pode ser novo, bastando para tal dizer eu sou nada, ou seja, eu sou punk.

O resto do manancial informativo contido no livrinho é extenso, mas vale o esforço da procura até porque, neste caso específico, é bem provável que em 2013 se esteja na berma de um caminho similar ao calcorreado por este movimento escuro e cabisbaixo.

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A Gaffe e os mad men

rabiscado pela Gaffe, em 21.06.12

Os cavalheiros que se apresentam são os tímidos retrossexuais da Pitti Uomo.

Os mad men menos ousados, e muitíssimo mais retraídos, de uma onda ligeiramente grosseira que alastra hoje pelos meandros da testosterona em melancólica procura da uma imagem masculina próxima dos anos 60.

Não são efusivamente imaginativos, afastando-se mimosamente do másculo e machista ambiente da década onde procuram influências, mas, pelo menos, não parecem deselegantes, misóginos e peludos fumadores inveterados.

São mimosos mad men que não recuperam o irresistível, mas insuportável, charme de Donald Draper, nem creio que deles surja um slogan digno da Sterling Cooper, capaz de nos convencer ou excitar convenientemente.

São fofinhos!... e nada há de mais destruidor e inconsequente para um pujante rapaz do que ser considerado fofinho por uma mulher.

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A Gaffe e a revelação retrossexual

rabiscado pela Gaffe, em 13.06.12

Depois do metrossexual, já dicionarizado, surge agora o termo retrossexual, neologismo proveniente do inglês e aparentemente formado pela aglutinação das palavras retrograde (retrógrado) e heterosexual (heterossexual). A palavra parece ter sido correctamente transposta para o português (com a consoante dobrada, dado que o segundo elemento se inicia com s).

Pretende representar o homem de meia-idade, menos preocupado com a aparência física, e/ou aquele que adopta uma aparência característica da década de 60.

Culpa do livro The Retrosexual Manual: How to be a Real Man, do australiano Dave Besley, coadjuvado pelo  conceito criado em 2002 pelo jornalista inglês Mark Simpson, (também pai da palavra antónima, metrossexual, cujo paradigma creio ter sido David Beckham),o metrossexual é caracterizado através de alguns elementos repletos de humor e que, de tão inúteis, transformam a classificação num autêntico manual de idiotice.

Recordemos algumas as características apontadas no texto do Diário de Notícias, de 9 de Dezembro (pp. 28 e 29):

Têm mais de 40 anos, barba, cabelo grisalho e ar durão. São os retrossexuais, homens que rejeitam a ditadura de uma imagem perfeita e reclamam o regresso de um homem simples e real.

Continuemos:

A era dos homens bonitinhos, de cara lavada, carregados de brincos, tatuagens e de corpo depilado acabou.

(…) A moda e a publicidade receberam de braços abertos os retrossexuais. Um retrossexual é, grosso modo, um homem heterossexual que gasta pouco tempo e dinheiro na sua aparência.

Numa coluna à parte, no que o jornalista chama bilhete de identidade, ficamos a conhecer nove das várias características deste tipo de homem:

1 - Gasta o mínimo de tempo e dinheiro com a sua aparência;

2 - Usa barba de três dias;

3 - Não depila as sobrancelhas (nem o peito, nem as pernas);

4 - Ostenta com orgulho o cabelo grisalho;

5 - Sabe mudar um pneu, trocar uma lâmpada, montar um móvel e arranjar um pequeno electrodoméstico;

6 - Dá primazia às actividades ao ar livre (como a caça e a pesca);

7 - Abre a porta da rua e do carro e paga sempre a conta (mesmo que elas insistam em dividir);

8 - Um homem chora (quando morre um ente querido ou quando o seu clube perde. Nunca durante um episódio da Oprah);

9 - Não sabe distinguir roxo de lilás… nem quer saber.

São duas páginas plenas de informação explicativa do conceito. Se alguma vez o termo vier a ser dicionarizado, aquele texto é imperdível. É que está lá tudo para uma boa definição da palavra.

Há, em simultâneo, que reter o que Dave Besley refere como elementos imprescindíveis para a caracterização do retrossexual: 

1 - Não discute uma relação com nenhuma mulher, em nenhuma circunstância, sobretudo em presença de estranhos, principalmente se os estranhos forem terapeutas;

2 - Jamais descreve qualquer objecto usando termos como lindo, divino, maravilhoso ou adorei;

3 - Não se importa em aparecer sujo e descomposto em público. Um pouco de desleixo ou desmazelo é indispensável na sua aparência geral;

4 - É um profundo conhecedor de desporto;

5 - É capaz de abrir uma garrafa de cerveja com todo tipo de ferramenta, inlcuindo seu cinto, em menos de 10 segundos;

6 - Não se importa em engordar. Regimes são definitivamente coisa de mulher;

7 - Tem orgulho das entradas que inauguram a sua calvície, um dos símbolos mais evidentes da masculinidade, e não vai gastar rios de dinheiro tentando recuperar o cabelo;

8 - Sabe cuidar de uma mulher, o que significa oferecer-lhe protecção física e segurança financeira;

9 - Sabe usar armas, tem sempre uma à mão e não hesita quando tem de disparar para defender a sua propriedade, mulher e filhos;

10 - Não enfeita seu carro e jamais dirige um veículo cuja cor e a aparência não sejam inteiramente másculas;

11 - Não se envergonha nem do cheiro nem dos sons emitidos pelo seu corpo;

12 - Não perde tempo com essa coisa de ser politicamente correcto. Diz o que pensa na cara de quem acha que deve dizer e se o interlocutor não gostar é sempre uma oportunidade de provocar uma boa briga, que é a forma de saber quem está com a razão;

13 - Definitivamente, um retrossexual não se importa com a idade. Tenha oito ou oitenta anos, um homem é um homem para todas as ocasiões e funções. Idade é uma preocupação típica de mulher e de metrossexuais;

14 - Vê com desprezo e combate com ardor todas as tentativas bichosas de liberalização de costumes. Sabe que isso é uma conspiração para desmoralizar o homem e poluir a mente das nossas crianças com a feminilização dos costumes;

15 - É o primeiro a receber o namorado da filha na porta da sua casa e a mostrar com quem terá de se haver caso decida ir além das suas calcinhas;

16 - Sabe o que sexo é e não precisa de nenhum especialista para lhe dizer como é que se agrada uma mulher. Sobretudo se esse especialista for uma mulher;

17 - Não usa um guarda-roupa actualizado, nem roupa de griffe. No seu armário só há lugar para roupas tradicionalmente usadas por homens, discretas e sem enfeites. Os únicos adereços permitidos a um retrossexual são a aliança de casamento e o relógio de pulso;

18 - Não usa nada rotulado como unisexo – nem roupa, nem perfume, nem freqüenta salão de cabeleiro que se intitula como tal. A marca da loção pós-barba usada pelo seu avô continua a ser a ideal;

19 - Não usa produtos de beleza de nenhuma espécie e sob nenhuma circunstância, nem quando trazem o rótulo para homem;

20 - Não só come carne vermelha, como mata o boi para fazer o seu próprio bife;

21 - Considera que comida vegetariana faz o homem perder a masculinidade;

22 - Bebe cerveja, whisky e cachaça. Dry martinis e camparis são bebidas típicas de metrossexuais efeminados;

23 - Exibe a sua barriga com orgulho. Sabe que se trata de uma marca essencial da masculinidade;

24 - Deve possuir, no mínimo, uma boa cicatriz para exibir em público;

25 - Não assiste a programas de TV produzidos ou dinamizados por bichas efeminadas;

26 - Por último, o único item que, na minha opinião, faz com que um batalhão de mulheres continuem a tolerar o exército de retrossexuais que existe por aí: o retrossexual, não importa o quanto a mulher insista, jamais permite que ela pague a conta;

27 - É pau pra toda obra: Bateria do carro, ladrão em casa, TV a cabo que não funciona, terremoto…ele resolve;

28 - Toma as rédeas do churrasco dominical – nem que tenha que treinar uma semana antes ou vá ter aulas práticas no rodízio da esquina;

29 - Nunca será visto no lugar do morto de um carro, a menos que seja num táxi, onde se prefere sentar na frente a ir atrás;

30 - Tem um kit completo de ferramentas e apetrechos de bricolage (a ser exibido mesmo se não estiver em uso);

31 - Recusa a ir ao médico, mesmo que tenha uma doença rara que lhe faça cair os testículos.

32 - Tem que ter sempre um magoado. Acompanhado de uma boa história, que dure pelo menos cinco minutos;

33 - Fica em pé num pub ou num bar qualquer. Sentar é para casais e leitores do Guardian ou da Caras.

 

O regresso do troglodita (absolutamente manipulável por uma rapariga esperta) como antítese dos instalados e resposta aos antecessores que, por exagero, se tornaram igualmente idiotas.     

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A Gaffe e os Preppy

rabiscado pela Gaffe, em 24.05.12

 (Gant)

Preppy é um termo surgido nos EUA e está apenso a uma tribo urbana, com características quase conservadoras, de fácil localização, porque pulula nos colégios particulares do nordeste dos USA (colégios-preparatórios). Os Preppy frequentam também as prestigiadas universidades do país e o termo envolve características sofisticadas, quer na área vocabular, quer na atitude, e principalmente no vestuário e num determinado estilo de vida.

A tribo é residual, ou mesmo inexistente, em Portugal, mas surge com relativa força sobretudo nas cidades europeias onde as tradições académicas e o prestígio do capital cultural adquiriram uma dimensão global.

É interessante verificar que a Gant dirige parte da sua desmesurada atenção para a satisfação deste aglomerado de jovens saídos da adolescência e com um poder económico substancial, mas ao contrário do habitual, oferece-lhes, neste momento, uma proposta demasiado colorida, pautada por amarelos solares, verdes alface, vermelhos sanguíneos e azuis estelares que contrasta com a tradicional paleta discreta e quase vintage, que lhes agrada sobremaneira.

A conjugação desta paleta com as formas de rigor clássico, poderá tornar-se um sucesso, dizem os entendidos, mas a tribo é adversa ao apelo cromático demasiado aberto e prefere a inovação que lhe não retira a imagem irrepreensível que os caracteriza. Acolhem, com muito mais entusiasmo, a renovação que passa, por exemplo, pelo trompe-l'oeil dos belíssimos sapatos da imagem, que Prada vai adaptar para um público mais adulto e arrojado, mas suspeitam da notoriedade histriónica da actual sugestão da Gant.

Nos colegiais meninos desta tribo urbana há apenas espaço para o arrojo da cor apenas quando está em causa a apreciação de um vinho.

 

(saddle shoes)

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