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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe desiludida

rabiscado pela Gaffe, em 01.08.14

A Primavera-Verão 2015 de Saint-Laurent é uma desilusão.

Uma mistura de Midnight Cowboy e de Bee Gees, com um travo a hippie debruado a John Lennon.

Absolutamente deprimente.

Caso Yves Saint-Laurent assistisse ao desfile acabrunhante da sua grife (e espero que não o encontrar no meio dos espectadores, porque tenho algum receio de múmias) creio que se sentiria humilhado e desalentado perante uma colecção pouco inteligente, confusa, de certo modo fácil, vivendo apenas de cores soturnas e de tecidos elaborados e claramente excessivos e pesados.

 

Pelo menos faz com que sintamos saudades da Deneuve.

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A Gaffe simplificada

rabiscado pela Gaffe, em 30.07.14

Facílimas de encontrar e absolutamente práticas!

Três imagens de três formas de percorrer as avenidas de um Verão capaz de nos despir sem qualquer preconceito ou pudor.

 

Alexa Chung - camisa clássica com um allure masculino e vagamente descuidado + shorts + carteira pequena Valentino e sabrinas-ballet.

Olivia Palermo - vestido branco breezy  + saco franjado + sabrinas confortáveis ​​+ óculos ligeiramente vintage.

 

Miranda Kerr – Saco-tanque + uma pitada sexy no soutien que surge maroto + skinnies + um conjunto de bons acessórios básicos.

 

Embora a Gaffe não se comprometa com Alexa Chung (por alguma coisa tem este sobrenome), admite que uma rapariga esperta sabe sempre enfrentar o calor das ruas com a leveza estudadíssima do que deixou de ser complexo. 

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A Gaffe em círculos

rabiscado pela Gaffe, em 29.07.14

A temperatura facilmente se aproxima dos 40º. Empurra-nos para o interior dos muros, para o interior das sombras das árvores, dos buchos e das pedras das escadas frescas, de granito guardado do sol pelas trepadeiras. No interior protegido das sombras escapa-se à asfixiante atmosfera que faz estourar os cachos de buganvílias e levanta a poeira dos caminhos que levam à casa.

 

É o calor a desenhar círculos concêntricos, apertados e distintos. Claramente sentidos, evidentemente adivinhados. É o calor que nos sorve e arrasta como títeres, impotentes marionetas movidas pelos fios de fogo.

 

Ao fim do dia mesmo a penumbra escalda e são as salas interiores, onde a temperatura desce abruptamente, as procuradas.

 

Neste fechar quente e claustrofóbico, o interior da sala maior, daquela em que as janelas se abrem para Norte, é escolhido invariavelmente. É aqui que a noite é aguardada e pela noite fora nos falamos.

 

Estes anéis circulares que se vão estreitando, são concêntricos e se analisados sem réstia de emoção, parecem indicar a única direcção daqueles que, como agora nós, enredados neles acabam por seguir. Fatais, empurram-nos para dentro, para o mais ínfimo ponto onde se iniciam ou, nesta perspectiva, onde se acabam.

 

Se observar com a mais profunda atenção e afastamento a sala onde a noite se inicia com toda a gente pousada, vejo-me longe de tudo, com uma ausência completa de vontade e sem mácula ou culpa pelo facto. Afasto-me, não por impulso desgarrado, teatral, furioso e momentâneo, mas porque não sinto falta das palavras. Talvez seja feliz e como diz o outro A felicidade não saiba contar histórias, mas, no entanto, esta minha espécie de se ser feliz é como o bicho-monstro que as crianças suspeitam que existe debaixo da cama nas noites sem sono. É uma felicidade de antes de dormir. Uma estranha suspeita de que depois do beijo da mãe que nos sossega, há mais coisas que ninguém nos diz. É uma felicidade minada pelo receio de escuro. É um sentir que há alguém, central, que nos invade e nos sorve e nos deixa exaustos e escandalosamente vazios e alarves; que faz o ar que respiramos permanecer mudo, tombado a um canto, tocado pelas mãos de um rapazinho estranho, demasiado crescido para a idade, que não tem força para lhe arrancar um choro, mas que fascinado aflora a frescura imaginada das horas em silêncio; que faz o não desejar romper mais desafios, para que o tempo se transforme num gato manhoso a dormir na sombra.

 

Há objectivamente neste calor um maléfico sorver da alma dos outros.
Tornamo-nos ninguém porque deparamos de forma abrupta com a poderosa e avassaladora e incongruente e fascinante vontade de sentir o silêncio da água que não corre.

 

No cerne, no mais profundo interior dos interiores, há o primeiro círculo que absorve tudo, mesmo a seiva nos olhos da vontade dos outros. Deixamos de sentir para sentir para ele, por ele, através dele.

 

É isto o calor aqui no Douro.

 

Diriam os entendidos que é o círculo d’oiro.

 

Eu gosto de ferrugem.  

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Gavetas:

A Gaffe a escaldar

rabiscado pela Gaffe, em 28.07.14

Este calor imenso torna a minha vida verde e vegetal.

 

Não faço literalmente nada e o tempo passa por mim a arrastar-se como ancião empobrecido.

Sem interesse, vazia, deslavada, miserável, quente, a minha vidinha deambula entre as cadeiras do jardim a arder e as poltronas das salas incendiadas.

Está calor aqui! Demasiado quente e começo a trincar o ar que respiro. Salvo-me recorrendo à sombra das árvores e ao ar condicionado que suado trabalha todo o dia.

Morro de tédio.

Nada me motiva.

Ontem comi coisas verdes e saudáveis, bebi da mais fresca fonte laboratorialmente analisada, tentei uma subtil aproximação à cadela assassina que aqui governa e que me desprezou soberanamente, ignorando a minha proposta de tréguas, arrastei dois livros das estantes para os esquecer sem abrir e adormeci alarve deitada na relva.

Tudo cenários deprimentes.

Sinto-me uma alarve inútil, alagada em tédio e asfixiada pelo calor.

 

Penso brevemente entrar em coma.

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Gavetas:

A Gaffe arriscada

rabiscado pela Gaffe, em 18.07.14

Parem com as depilações que vos conseguem arrancar o esterno e descarnar as pernas!

Estes Verão, rapazes, corram outros riscos.

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A Gaffe anota

rabiscado pela Gaffe, em 09.07.14

A Primavera/Verão 2015 de Dries Van Noten é absolutamente encantadora!

O uso de vários tons de café com leite, desde a densa cor do café puro até à sua mais frágil mistura com a cor do chá ou do leite; o uso de padrões clássicos agigantados os rasurados; a amplitude das peças de linho e de seda que entregam um allure informal sem desconcerto e a colocação de pormenores que apesar de discretos se tornam primordiais, fazem de Dries Van Noten uma das Casas capaz de transformar 2015 num desfile de bom gosto e de inteligência.

A Gaffe aplaude entusiasta e decide riscar a giz todo o guarda-roupa.

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A Gaffe tropical

rabiscado pela Gaffe, em 16.05.14

Rapazes!

Neste Verão usem e abusem do allure aventureiro. Tramas artesanais. Linhos e algodão do puro.  

Falem-nos de aventuras bravas e de perigos de selvas tropicais, de jibóias e jacarés gigantes, de florestas-virgens e de feridas e das tropicais tempestades que vos encharcaram.

 

Não interessa nada que saibamos que o vosso estado se deve apenas a um balde de água fria.

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A Gaffe ao encontro do tempo perdido

rabiscado pela Gaffe, em 24.10.13
(Panos Emporio - Verão 2014)

Num rapidíssimo vislumbre do que se avizinha no próximo Verão, a Gaffe percebe que irá encontrar a sombra de um tempo já perdido num Caminho de Swann que se descobre algures e que não sendo, de todo, um trompe l’oeil a deixa confusa e prisioneira de uma imprevisível memória de mar.

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A Gaffe no fim do Verão

rabiscado pela Gaffe, em 21.09.13

Neste final de estação, a Gaffe recorda com simpatia os garbosos veraneantes que traçam pudicamente a toalha rígida de sal, de sol e com sabor a ondas para, reservados e postos em resguardo, trocarem os calções que se encharcaram.

Tão ingénuos (ou tão marotos são, que a ingenuidade alia-se às vezes a uma subtil garotice que nos belisca levemente a alma) esquecem-se que é no alçar da perna que procura a segurança protectora da perna dos calções, que todo o véu não basta, toda a toalha é pouca, para esconder os mundos que se avistam da sombra tropical das nossas esplanadas.  

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A Gaffe no Rio

rabiscado pela Gaffe, em 18.09.13

Não gosto do Corcovado. Não aprecio o clima brasileiro e sempre me fez muita confusão ver as pessoas de eternas bermudas, com tropicais flores estampadas e vistosas, que se usam com camisolas de alças coloridas de chinelos de plástico com uma tira de se enfiar entre os dedos, de perna alçada por tudo quanto é recanto fresco e sombra, a mastigar pipocas de modo a que seja possível verificar o trajecto das ditas até ao trato intestinal.

Brasília é um gigantesco trem de cozinha pousado no chão e em Copacabana correm surpreendentemente menos deuses do que no paredão da nossa atlética imaginação.

Não gosto do modo como o Brasil fala do que veste.
O singular mata-me.

Pergunto-me curiosa por onde será que ficou o outro sapato?! A peúga desculpo, mas onde pára a outra manga da camisolinha?! Será que o moço de que fala a obra é rapaz perneta que só tem um braço?!

Mas gosto do caução do menino do Rio que madruga no meu Havaí e por mais que tente não deixo Caetano Veloso trautear sozinho canções que são beijos.

 

Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração de eterno flirt
Adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto p'ra Deus proteger-te 
Menino do Rio
O Havaí, seja aqui
Tudo o que sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo eu desejo o teu desejo
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo


- iéli trázia um sapatchinho pretcho, cum meiinhá brãnca, camisolinha cum monguinha curtcha e uã singletche cu auça linda de morrê. A caucinha táva um pouquichinhu féa, má deu p'rá disfarçá, viu?

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A Gaffe na despedida

rabiscado pela Gaffe, em 06.09.13

 A Gaffe vai percebendo que o Verão se retira lentamente da sua esplanada. Os dias começam a reter mais sombras e adormecem cada vez mais cedo.

Para esvoaçar neste final acalorado de um estio repleto de luz escarlate da aventura, a Gaffe escolhe a seda fluida de uns calções pijama e a camisa branca do amigo transformada pela vontade de permanecer com o calor da cumplicidade junto a pele.

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A Gaffe de TGV

rabiscado pela Gaffe, em 07.08.13

B. Marley

Quando a C. cedeu ao meu ataque de orgulho nacional e concordou em ir comigo, de comboio, às Terras do Douro, socalcos fora, vinhas dentro, eu devia ter desconfiado, porque:

1As decisões tomadas de forma imediata e consideradas inabaláveis pela C., não devem ser tidas como certas. Devemos sempre elaborar um plano B.

2 –Os únicos contactos que a C. deseja ter com a Natureza, é sentir nas costas o vison da mãe, aquele que arrasta um pedacinho no chão (perto da mãe, a filha é minúscula).

3 - Foi altamente suspeito o telefonema da minha querida amiga, na véspera do passeio, a perguntar se podia substituir a viagem pela leitura do Vale Abrãao ou pelo aluguer do filme com o mesmo nome.

- Daquele senhor que toda a gente acha lento, mas que eu não acho nada, porque lentos são ... os velhos...os trapos ... os trapos velhos. - A rapariga nunca se entendeu muito bem com os ditos populares.

Fui inabalável. O Douro é deslumbrante. O comboio é fabuloso. Os turistas noruegueses também.

É claro que nos distraímos por alguns momentos, especadas a olhar os socalcos dos gigantes loiros. É claro que segui um deles para lhe acender o cigarro. Detesto ver gente a olhar para mim com olhos suplicantes. Vi logo que o rapaz não tinha lume. É claro que voltei depressa para o meu lugar, juntinho da minha companheira de viagem. Comigo o sim é sim e o não é não. O resto é do Demónio (S.Mateus - Versículo 43)*. O norueguês era o Satanás.

A C. estava mergulhada na janela, a espreitar a paragem.

- Onde é que já estamos? – Pergunto eu ligeiramente frustrado com a experiência nórdica.

- Olha a maçada! Acho que andamos às voltas! Estamos outra vez em Urinóis.

É por isto que não quero ouvir falar em TGV. Continuo a achar piada aos comboios que param em todas as estações, apeadeiros e... urinóis.

*Não faço ideia se S.Mateus disse isto, mas achei que era a cara dele.

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A Gaffe no piquenique

rabiscado pela Gaffe, em 01.08.13

De acordo com a sua santa avó, o fruto mais refrescante do Verão é a melancia.

A Gaffe confessa que não gosto das pevides e como não existe ninguém que lhas arranque, limita-se a fazer pendant com a paisagem, na esperança vã que passe um valente rapagão capaz de a confundir com o fruto e mordiscar malandro a polpa do pueril capricho do seu Verão. 

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Gavetas:

A Gaffe revivalista

rabiscado pela Gaffe, em 28.07.13

Prada já tinha proposto uma imagem geometrizada, retrocedendo aos anos 60 através de um vago minimalismo contido nas peças de desenho puro, linear e básico, usado nos Verões dos miúdos dos colégios caros.

Os casacos zipados unidos a uma limpidez de forma e a calções justos a acabar no início das coxas, fazem a alegria do recreio e de nós, raparigas espertas, meninas de fitas largas no cabelo, mini-saias de rodelas de Rabanne e camisolas justas apertadas no desejo.   

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A Gaffe latino-americana

rabiscado pela Gaffe, em 19.07.13
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Neste Verão, rapazes, não se esqueçam do chapéu e, se for um panamá, aguentem o inevitável desejo de sombra que trespassa qualquer rapariga esperta, em busca da frescura com um ar de patife sedução, da aba do que trazem na cabeça.

(Excelentes os vendidos no Porto, na velha José & Baião Ld.ª - R. de S. Crispim)

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