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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe agente dupla

rabiscado pela Gaffe, em 13.11.15

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O que separa, ao primeiro olhar, uma criatura angelical, ingénua, colegial, simpática e benévola, capaz de um voluntariado qualquer, repleto de boas intenções e de sacos de hipermercado, de uma cabra altiva, implacável, carniceira, dominadora, insensível e obstinada?

Num primeiro olhar - que, digam o que disserem, conta muito mais do que se pode imaginar - afirmaria, sem hesitar, os sapatos.

 

Evidentemente que há criaturas medonhas com laçarotes rasos nos pés e santas de salto alto, mas a experiência indica que o contrário é mais usual.

Não é, de modo nenhum, confortável andarmos a calcorrear os becos e as esquinas, com agulhas abissais e abismais nos pés, à procura de quem, normalmente, passa bem sem a nossa insistente caridadezinha e, pelo contrário, não há na Empresa ninguém que nos obedeça se tivermos calçados umas sabrinas amorosamente laçadas.

É escandaloso e triste, mas não podemos negar a evidência.

 

Os homens que iludidos pensam deter algum poder que nos supera, receiam as mulheres que são capazes de fenomenais equilíbrios, seja em que matéria for e ignoram ou, no máximo, sorriem condescendentes, perante a menina que lhes apresenta os dossiers completos e estudadíssimos das futuras aldeias olímpicas, com laços fofinhos a abanar nas extremidades inferiores.

 

Os homens, todas as raparigas espertas o sabem, são previsíveis.

 

Portanto, minhas queridas, deixem-se de tontices e usem estratégias inteligentes de compensação. Não insistam heroicamente no que sabem que não vai resultar perante a mente estereotipada do poder masculino. Usem os dados que eles viciam. Usem-nos a vosso favor.

Se querem ser obedecidas, tornem-se fisicamente maiores do que eles, cresçam com a ajuda de doze centímetros de Louboutin e façam como o cavalo do cortejo: passem, borrem o que há para borrar e sejam aplaudidas.

Se querem o ursinho de peluche com coleira de diamantes que vos servirá de pulseira, lacem os sapatinhos e saltitem.

Posso não ser feminista, minhas caras, mas a verdade - a de alguns deles - usa sempre saltos altos.

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13 rabiscos

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De Maria Araújo a 13.11.2015 às 10:46

Nem santas, nem cabras.
Um misto de boazinha na rua, uma cabrinha na cama.
Ahahahaha!
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De Gaffe a 13.11.2015 às 11:06

Às vezes sabe tão bem misturar tudo!!!
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De Psicogata a 13.11.2015 às 11:50

Concordo, uns saltos vá-se lá saber porquê impõem respeito.
Mas curiosamente muita gente acha estranho eu recusar calçar sapatilhas e sandálias de tiras para vir trabalhar.
Com pena minha tive de abandonar os saltos diários já que uns ossos maldosos resolveram crescer fora do tempo e por precaução tenho de usar saltos mais baixos, mais largos e menos vezes.
Mas sei bem o poder de uns saltos agulha e eu que tão bem os usava como se fossem uma extensão dos meus pés.
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De Gaffe a 13.11.2015 às 12:06

Exactamente!
Uma extensão dos pés. Um pesadelo que só é suportado se for uma "coisa" genética.
;)
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De Psicogata a 13.11.2015 às 12:15

E com treino, se um dia tiver uma filha vou fazer com que ande de tacões desde tenra idade em casa. Eu fiz isso naturalmente, desde que comecei a andar que surripiava os sapatos à minha mãe.
Conclusão aprendi a andar de saltos praticamente ao mesmo tempo que aprendia a andar o que tornou o seu uso tão natural como caminhar.
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De Gaffe a 13.11.2015 às 12:33

Uma bela atitude pedagógica.
:)
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De Psicogata a 13.11.2015 às 12:43

E então tem de aprender desde pequenina a usar as armas das mulheres.
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De Gaffe a 13.11.2015 às 13:15

:)
De pequenina se torce a "pepina".
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De Cristina a 13.11.2015 às 19:43

O que será aconselhável então calçar a um bebé menino de onze, treze meses, pergunto-me. Assim para o preparar para o mundo, para a vida, essas coisas.
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De Gaffe a 14.11.2015 às 16:59

Estranha essa dúvida!
Os onze, treze meses de uma criança devem ser calçados como é habitual. Moschino, por exemplo, tem imenso talento e várias colecções de sapatos para criança.
Será que colocou a hipótese de obrigar uma criança a usar saltos altos, porque pensou que são os saltos altos que a "preparam para o mundo", "para a vida", "essas coisas"?!?!?!
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De Cristina a 15.11.2015 às 00:00

Cara Gaffe,

assim pensei, de facto, mas não pensei em praticá-lo. É possível que o tom do seu diálogo com a comentadora anterior me tenha levado a concluí-lo. De qualquer forma, grata pela ideia. Desconhecia que a Moschino tinha linha de criança.
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De Gaffe a 15.11.2015 às 14:03

Minha cara Cristina,
Ficamos mais descansadas.
:)

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