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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe "apalonçada"

rabiscado pela Gaffe, em 06.09.16

1.57.jpg

 

O palonço é um tipo de homem que facilmente encontramos na praia, ao Deus dará, de speedo e de speed pela areia fora, óculos espelhados e músculos em fase de construção - um work in progress infindável, - posando para as garinas que pasmam quando ele passa a caminho do mar convencido que tritões como ele, inconformados, revoltos e rebeldes, são o mais profundo desejo das sereias da polícia.

É por norma o bronze de eleição, a medalha dos que ficam sempre atrás dos campeões, mas acredita no karma e desconfia que foi tramado pelos pecadilhos marotos que comete, ou sonha cometer, sempre que por ele passa no seu balançado que é mais que um poema a garota mais linda que vem e que passa e o enche de graça a caminho do mar.

 

Há palonços magrinhos, enfezados, mas não sabem cantar e permanecem colados às toalhas de praia, em poses artísticas que procuram dar ênfase ao que apertado pelos calções se torna óbvio sem nos preencher sequer um soslaio de olhar, mas desses, a história é tão  parca como o que guardam para nos dizer ou declamar.

 

 

Comum aos dois é o cruzar dos braços frente ao mar e o lançar dos olhos na pesca do horizonte. Reconhecemos os palonços, nestes casos, porque os seus perfis, em contraluz cinematográfica, empurram, com o único jogo de cintura que possuem, o centro dos seus mundos para a frente. Identificámos a fita.

 

Os musculados estão tatuados. Tolices tribais e triviais, dragões que lhes queimaram os pêlos das pernas, carpas sem marés ou lugares-comuns de uma literatura naufragada.

Os raquíticos parecem tatuagens.

 

Não representam qualquer perigo. São como as marés. Sobem e descem ao sabor das nossas luas.

 

O único palonço que uma rapariga deve evitar é o que pertence ao terceiro tipo deste grupo popular.

Não tem tatuagens; gosta do calor; não posa nem pesa nos nossos temores; sabe de cor, mesmo não sabendo, palavras de poetas; quer fazer connosco o que a Primavera faz às cerejeiras, porque leu Neruda grafitado; esbardalha-se nas nossas toalhas e preenche-nos cadeiras que nenhuma faculdade nos credita e ronca e é grosseiro e lambe o dedo para virar a página do livro que somos sempre nós, de capa fina e ilustrações magníficas.

 

É o palonço que se não se encontra sempre à luz do sol. Às vezes aprecia as nossas sombras.

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20 rabiscos

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De Maria vai com todos a 06.09.2016 às 14:09

Diz-me a que praia vais, porque nas praias onde eu ando, não há palonços como o teu amigo da foto =P
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De Gaffe a 06.09.2016 às 15:44

Estão espalhados por todas as praias que se prezam... e por todas as esplanadas dignas de marca.
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De Quarentona a 06.09.2016 às 15:41

Ai Gaffe... "palonço" é uma palavra tão feia para descrever tamanha beleza retratada na foto...
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De Gaffe a 06.09.2016 às 15:44

Uma beleza palonça. É uma das melhores, porque não dá muito trabalho.
;)
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De Maria Mocha a 06.09.2016 às 17:49

Ai Jesus! Até fiquei inibida com tamanho espécime que ocupa a foto!
Ótimo post!
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De Gaffe a 06.09.2016 às 18:36

Concordo.
Um tamanho considerável...
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De Fleuma a 06.09.2016 às 22:29

Lamento discordar Gaffe. Creio que a generalização pode, como neste caso particular, revelar-se traiçoeira. Esta é apenas e só a minha opinião pessoal, baseada no que já senti e experimentei. Nada mais.
No entanto, gostaria de afirmar que faço parte em algumas características ( outras não...) desses supostos palonços. Os meus músculos estão em fase de construção há anos; devido a uma distrofia muscular, diagnosticada muito cedo e onde a palavra dor se encaixou perfeitamente, como naqueles casamentos podres que temos de sustentar, embora o ódio exista. Já agora, caminhar curvado como um pedinte, também se se pode juntar ao lote de agruras... Tudo se alterou quando conheci um halterofilista nórdico que apenas me disse que deveria fortalecer os músculos. Pois, o raquítico torto e em permanente dor, cresceu. Para me livrar das dores e dos habituais 15/20 minutos a endireitar as costas antes de puder chegar à banheira para tomar banho tive de dobrar o volume dos meus ombros, das minhas costas e do meu peito. Forcei o crescimento das pernas e os meus braços estão irreconhecíveis. Alguém uma vez me disse com uma seriedade que ainda hoje me faz rir, que o anexo transformou-se num armazém! Sim, estou muito musculado e sem esteróides. Sim, estou seco de gordura ao ponto de se puderem observar veias onde jamais se pensa ver. Se gosto. Prefiro, a estar em agonia por fraqueza muscular.

Também sou palonço por que tenho tatuagens. As minhas costas estão cobertas, os meus ombros e uma perna. Há muito que iniciei o processo, muito antes da moda absurda que grassa por aí. Nada de tolo, a meu ver. Para mim, tatuar o corpo é um acto pessoal e único. Cara Gaffe, cada tatuagem que tenho no meu corpo maciço tem um significado e utilidade. Cobre golpes que não deviam existir e acima de tudo, serve para me lembrar do que está errado. Cada minuto, dia ou mês que me aproximo do limiar, basta que me dispa e completamente nu, observe as tatuagens. Acredite, é o suficiente para pensar noutras coisas.

Claro que o que está escrito tem a sua razão de ser. Porém, não somos todos iguais. Veja-se: eu não gosto de praia, apesar de ser moreno. Eu odeio multidões e não me interessam os dias de sol. Prefiro o frio.
E divirto-me muito, quando sou olhado com arrufos; o grande como um urso é oco de cérebro! E quando tento discutir Nietzsche, Emil Cioran, analogias psiquiatricas, Pieter Bruegel, Hieronymus Bosch e louvado seja o senhor e já em desespero(!) qualquer outra coisa que não envolva Facebook ou instagram, sou brindado com a suprema face da frustração ignorante! Impagável, cara Gaffe. Não tem preço.

Ainda mais divertido, aqui com um trago quase divino, quando sabem onde estou a estagiar e quanto falta para a minha tese de doutoramento. Já perdi a conta aos idiotas que engolem em seco e retiram para o seu canto facebook.

Gaffe, sei que por norma, as pessoas não gostam de homens com as mãos grandes, com os ombros que quase não passam nas ombreiras e com umas costas onde se perderiam. Se olhamos de frente e aqui os olhos verdes são muito culpados, somos ameaçadores. Se olhamos para o chão e passamos, somos arrogantes e vaidosos. Uma coisa é certa, se pertenço a uma tribo, ela não é destes locais. E sou dos palonços que muitas vezes, apenas e só se contenta com o valor das sombras.

Lamento a texto. Apenas deixo a minha opinião que terá o valor que quiser. E se for demais, não me aborrecerei se apagar este comentário.

Saúde,
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De Gaffe a 07.09.2016 às 00:18

Meu caríssimo Amigo,

"Lutamos" com valores semânticos diferentes dentro da mesma palavra.
Repare que escrevi, se escrever foi o que fiz, sobre "palonços". Não escrevi sobre Homens.

Há um abismo que separa os dois. Os primeiros não trazem história e nunca têm mãos grandes.

Gosto dessa espécie anunciadora de surrealismo de Bosh, assustam-me os caminhos permitidos por Nietzche, intimido-me perante o grotesco admirável de Bruegel e gosto da asa francesa de Cioran.
Não tenho medo de gigantes.
:)

Beijo-lhe as mãos, Senhor.
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De Corvo a 07.09.2016 às 10:01

Ora bolas, Gaffe. Constato, desagradavelmente pesaroso, que andei iludido toda a minha vida a respeito de mim mesmo.
Mãos grandes com um palmo de 30 centímetros, não tenho por onde me esconder: palonço acreditado.
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De Gaffe a 07.09.2016 às 10:06

Mais uma vez distraído!
Os palonços nunca têm mãos grandes.
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De Corvo a 07.09.2016 às 10:26

São os tais sentidos da mente que por insondáveis mistérios caminham sempre no sentido de nos mostrarem aquilo que não desejaríamos em nós ver.
Ou então caduquice condizente com a idade. Vou mais por aí.
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De Gaffe a 07.09.2016 às 11:47

Não vá, que é muito cansativo.
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De Psicogata a 07.09.2016 às 11:42

Nunca gostei de palonços, só servem mesmo (alguns) para alegrar a vista ou preencher vazios enquanto não se encontra um homem a sério.
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De Gaffe a 07.09.2016 às 11:47

Alguns nem para tal servem, minha querida.
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De Psicogata a 07.09.2016 às 11:52

Verdade, nem para isso
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De Gaffe a 07.09.2016 às 12:13

:)))
Mas escapam alguns durante algum tempo.
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De Maria Araújo a 09.09.2016 às 14:13


Não sou perita em homens, mas consigo identificar um palonço ( que faço vénia, a Gaffe descreve-os na perfeição).
E os não palonços, onde estão?
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De Gaffe a 09.09.2016 às 19:41

Alguns estão espalhados por estas avenidas.
:)
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De Maria Araújo a 09.09.2016 às 20:54

Em pessoa?
Vá, envie um à minha medida.
Bom fim-de-semana.
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De Gaffe a 10.09.2016 às 01:18

:)
Sou demasiado egoísta.
:)
Bom fim-de-semana!

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