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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe bisbilhotando

rabiscado pela Gaffe, em 29.10.16

George Petty1.jpg

Não podemos nem devemos subalternizar a importância da bisbilhotice sob pena de ficarmos com grande parte da informação, com peso desmedido nas nossas agendas interiores, desequilibrada e muito pouco coesa.
 
Não falo das revistas cor-de-rosa. É absolutamente inútil saber se a rainha de Espanha supera em elegância o manequim francês ou que a Rainha da Jordânia vai incumbindo o seu staff de actualizar o twitter. É uma maçada e uma inutilidade que para além de nos fazer perder tempo, nos irrita por não sermos nenhuma delas, embora, como é mais do que evidente, merecêssemos a coroa de qualquer uma das três ou os três de qualquer uma das coroas.

O essencial é a bisbilhotice caseira. Aquela que é produzida através de um telefone fixo, já que o telemóvel permite uma mobilidade pouco condizente com a produção de material que exige uma concentração que não se compadece com dispersões e interrupções esporádicas de criaturas que descobrem que é possível colocar uma chamada em espera.

A bisbilhotice deve ser fixa, contínua, exige uma imobilidade prostrada num sofá e deve versar todos os pormenores mais sórdidos da vida dos parceiros, amigos ou vizinhos. É essencial o conhecimento prévio, embora superficial, do que se fala e reconhecer, mesmo vagamente, os protagonistas das acções que nos são contadas. É necessário termos as coordenadas certas para que nos saia da boca o tão apetecido AH! tu não me digas! que se aproxima de um orgasmo e nós dá a sensação de poder que mesmo por coroar nos fornece o trono.

O mundo gira em torno das mais corriqueiras das bisbilhotices e são elas que mesmo fazendo a montanha parir apenas um rato, levam todo o terreno a Maomé.
 
Ilustração - George Petty, 1945
 

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11 rabiscos

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De Cecília a 27.10.2016 às 10:41

a verdadeira e única razão para a posse de um bom e autêntico telefone vermelho
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De Gaffe a 27.10.2016 às 10:51

E que funciona apenas com a nossa impressão digital.
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De Maria Araújo a 27.10.2016 às 11:13


Cem por cento verdade.
O telefone fixo é o meu amigo da bisbilhotice. Ai que bem me sabe.
Mas são poucas as vezes, porém extensas quando existem.
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De Gaffe a 27.10.2016 às 11:25

A bisbilhotice é uma arte injustiçada.
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De simplesmente avô a 05.11.2016 às 18:13



Texto excelentíssimo.
A boa bisbilhotice merecia o Nobel da literatura.
Bjs.
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De Gaffe a 05.11.2016 às 20:33

:)
O Prémio está bastante abrangente, mas não é necessário que o faça sofrer uma humilhação.
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De Magda L Pais a 06.11.2016 às 13:34

Ui, na rua onde vive a minha mãe há bisbilhotices ao telefone e nas janelas que a malta não se evita


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De Gaffe a 06.11.2016 às 15:45

E gatos e sardinheiras nas varandas e um cheirinho a alecrim?
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De Di Art Blogger a 07.11.2016 às 15:00

Que texto maravilhoso!
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De Gaffe a 07.11.2016 às 15:12

:)
Não é, mas eu coro na mesma, toda contente.
Obrigada.
*
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De Di Art Blogger a 07.11.2016 às 15:14

Oh!...
Até me fez voltar a lê-lo, por pouco pensei que me tivesse enganado!!!

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