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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com livrómetro

rabiscado pela Gaffe, em 03.11.14

Tokyo Prayer boards at Meiji Jingu Shrine.pngA Gaffe não entende os livrómetros.

 

Não compreende, por ser rapariga pouco dada a manigâncias informáticas, a aplicação que permite que se inscreva a quantidade livros que se planeia ler, que contabiliza os livros lidos, que distribui o número de leituras pelo ano e que permite que nos alegremos muito, porque cumprimos o estipulado ou que nos enfureçamos quando tal não acontece.

A Gaffe, para além de considerar um bocadinho imbecil uma aplicação deste tipo, pensa que é absurdo comportarmo-nos como quando decidimos comprar os 30 cm de livralhada que nos falta na estante.

Embora a frustração de nos aproximarmos da data estabelecida para cumprir a meta bibliotecária sem perspectiva de a satisfazermos possa ser ultrapassada com a leitura dos romances de Margarida Rebelo Pinto que permitem comermos as páginas que esta querida vai repetindo de obra em obra, quantificar a leitura é sempre deprimente.

 

A Gaffe é uma rapariga antiquada. Considera, por exemplo, que Proust deve ocupar sete vezes setenta dos nossos anos. Pensa que a leitura do velho Dostoiévski tem de ser pausada e intervalada, de modo a nos deixar alguns meses para que possamos emergir dos seus universos asfixiantes. Acha que Shakespeare tem direito a semestres inteiros de atenção e que Hamlet deve reinar mais do que um ano. Sabe que Eça merece mais do que uma corridinha ou que a redescoberta de Balzac leva mais tempo do que o permitido pelo livrómetro.

A Gaffe percebe que basta um capítulo de uma das obras de uma miríade de autores com a dimensão dos citados, para esmagar o tempo que a aplicação lhes destina para que se cumpra o programado.

 

A Gaffe pensa que a leitura nem sequer se mede às palmas e fica pasmada quando percebe que há leitores que a encaram aos palmos.     

 photo man_zps989a72a6.png

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24 rabiscos

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De Magda L Pais a 03.11.2014 às 11:02

eu uso uma dessas aplicações - o Goodreads. Não para contabilizar os livros lidos ou para fazer alguma corrida, mas para manter o controlo dos livros que tenho em meu poder (são mais que muitos) e que livros já li ou quero ler. Não leio para fazer número, leio porque adoro
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De Gaffe a 03.11.2014 às 12:26

Sim. É mais razoável, embora em relação aos meus livros e às minhas leituras goste de ser completamente sem freio e um bocadinho caótica.
:)
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De Magda L Pais a 03.11.2014 às 12:39

ehehehehe eu era assim até ao dia em que descobri que tinha comprado o mesmo livro. Três vezes! sim, o livro é bom (O nome da Rosa, Umberto Eco) mas não precisamos de exagerar . Nessa altura percebi que tinha mesmo de ter algum mecanismo de controlo senão corria o risco de repetir o erro
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De Gaffe a 21.11.2014 às 09:02

A menina não tinha lido "O Nome da Rosa" com muita atenção...

;)
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De Magda L Pais a 21.11.2014 às 09:10

eheheheheh foi mais na base de - adorei este livro que me emprestaram, deixa-me cá comprar :p só que não me tinham emprestado, era meu
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De vanita a 21.11.2014 às 07:24

Gosto do goodreads para ter um registo do que leio, mas concordo com quase tudo o que aqui se diz. Ler é um prazer e requer tempo para digerir, entrar na história e reconhecer o efeito que tem em nós. Sou completamente contra essas corridas que entraram agora na moda. Para mim são o oposto do que me motiva a agarrar num livro.
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De Gaffe a 21.11.2014 às 09:01

Não creio que sejam o oposto. Acontece que nada liga estas maratonas à leitura.

É tão bom passar uma vida inteira ao lado de Proust!
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De css a 21.11.2014 às 08:50

Embora não tenha aderido ao GoodReads costumo fazer listas de leitura para o ano e criar objectivos de leitura. Faço-o para incluir a leitura "na minha agenda" como algo para o qual eu tenho de criar tempo livre, sob pena de o ver escapulir-se entre tarefas diárias.
Actualmente tenho outro objectivos, como por exemplo, um que me "obriga" a alargar horizontes: no book whish devem constar autores de 10 países diferentes.

Pode parecer estranho, mas os livros que desejo ser são tantos que as escolhas vão sendo feitas por critérios mais ou menos absurdos para uns, mas que fazem sentido para mim ;)
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De Gaffe a 21.11.2014 às 08:59

Segundo um amigo muito querido, "ler está para além de qualquer registo. Não contabilizamos as vezes que respiramos".
:)
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De css a 21.11.2014 às 08:52

Correcção:

"desejo ler" em vez de "desejo ser" - não que não houvesse uma ou outra obra em que o último não se aplicaria
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De Gaffe a 21.11.2014 às 08:57

"Os livros que desejo ser" é uma expressão extraordinária!

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De Pedro a 21.11.2014 às 10:48

Bom dia,

ler faz bem a muitos níveis, tal como correr. E no entanto, correr não é fácil para todos. O mesmo pode ser dito em relação à leitura. Penso que é aí que entram os livrómetros para algumas pessoas (eu incluído), como forma de incentivo.
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De Gaffe a 21.11.2014 às 11:48

Meu querido Pedro,
Uma rapariga chique não corre. Estamos portanto com este assunto arrumado.

Aceito que o livrómetro possa ser usado como forma de incentivo desde que se tenha a consciência que todas as formas de incentivo não nos podem "comer" a razão, tornando-se rígidos, obsessivos, transformando-se nos gurus que nos comandam e delimitam a felicidade de ler quando desejamos, como desejamos e sem qualquer obrigação ou meta.

Acredito que existem modos diferentes e mais atractivos de "apoiar" os leitores renitentes.

(Obrigada pelo destaque!)
:)*
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De Gaffe a 21.11.2014 às 20:30

Agora que ninguém nos ouve, gostava que me prometesse que vai procurar e ler "A História do Amor" de Nicole Strauss (Dom Quixote).

Mereço, porque levei horas a escolher a obra que penso que é a certa para si.

Depois voltamos a este assunto, se achar que vale a pena.
:)
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De Aerdna a 21.11.2014 às 10:53

Leio porque amo ler. Não tenho um estilo. Qualquer coisa serve para ler no momento em que ocorre: o romance, as receitas, o blog e até o ròtulo do shampoo ou as instruções em italiano do secador de cabelo.
Leio e releio conforme dita o espìrito.
Por isso este tipo aplicação não faz muito sentido, para mim.

Mas se de alguma forma ajudar a que outros se iniciem nesta arte de cultivar a alma, que seja benvinda.
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De Gaffe a 21.11.2014 às 11:35

Sou bastante selectiva.

Mas tenho um amigo que apenas lê e relê apenas e só os grandes clássicos. Declara que não vai ter tempo para ler o resto.
:)
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De Aerdna a 22.11.2014 às 21:16

São opções.

È uma maravilha ser livre e escolher fazer de acordo com o que queremos e gostamos.
E é uma maravilha ser civilizado e respeitar as opções e escolhas dos outros.
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De Mamã a 21.11.2014 às 11:58

Eu sou mais como a aerdnA: leio tudo e em qualquer lado.

Apesar de ser seletiva e de ler e reler os livros que vou amando sem me cansar, não tenho qualquer registo dos mesmos.
Não tenho como comprar os livros que gostaria de ler - por serem tantos, mas tantos - que por isso recorro à biblioteca da empresa e aos colegas.

Já li milhentos e sempre que tenho um livro na mão, basta-me ler o resumo para saber se já o li.... e memórias fantásticas dos tempos de leitura daquele livro invadem-me.

Eu vivo os livros. Os livros são filmes vivídos em que eu sou a responsável pelo casting, direção, guarda-roupa e realização. São fantásticos!!!
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De Gaffe a 21.11.2014 às 12:15

Talvez os livros nos ajudem a compreender a parte fácil da vida.
:)
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De Maria das Palavras a 21.11.2014 às 12:22

Não repito livros. Só se me esquecer e quando descubro que me enganei fico chateada.
Não é que não compreenda que se saboreie de forma diferente cada leitura em cada fase da vida (ou semana) mas penso sempre que estou a perder tempo em que podia andar à descoberta. Ou, quem sabe, daquela vez nem gosto assim tanto e arruino o livro para mim.

De maneiras que acho graça aos livrómetros mas sou incapaz de levar um a sério (até porque teria de começar de forma incorreta já que não me lembro de tudo o que li). Portanto só mantenho a lista do que tenho por ler (em casa e o que ainda está nas prateleiras da livraria). E já é bom .

Maria das Palavras
http://daspalavras.blogs.sapo.pt
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De Gaffe a 21.11.2014 às 13:12

Tenho de confessar!
Eu repito uma data imensa de livros. Há obras que nunca "acabo" de ler. Em cada leitura que faço, abro um livro completamente novo.
:)
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De Aerdna a 22.11.2014 às 21:21

Ocorre-me o mesmo. Existem livros que nunca acabo de ler, mesmo quando fecho a contracapa. Revisito-os e encontro sempre algo novo.

Como não é possìvel ter se alterado o texto, creio que é a maturidade que passa a fazer parte da història.
Isso é a magia de ler e de escrever.
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De Maria Araújo a 21.11.2014 às 19:29


Para já, gostei disto: "A Gaffe pensa que a leitura nem sequer se mede às palmas e fica pasmada quando percebe que há leitores que a encaram aos palmos. "
Excelente!
Quanto às minhas leituras, não faço planos dos livros que vou ler, leio quando me apetece e tem corrido muito bem.


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De Gaffe a 21.11.2014 às 20:31

:)
É difícil ser de outra maneira.

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