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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe compara

rabiscado pela Gaffe, em 15.01.16

É interessante colocarmos lado a lado um rapagão portuense, o que melhor conheço, e um parisiense, que conheci e que me provoca saudades.

As diferenças são notórias e proclamam uma ausência de cosmopolitismo no primeiro, que para além de assustar um bocadinho, deixa que o rapaz permaneça numa espécie de limbo onde as certezas são de betão com aberturas transformadas em frinchas por onde a claridade tem gravíssimas dificuldades em penetrar.

 

O portuense é, na maioria dos casos, conservador e rotineiro, considerando, num homem, demasiado ousado, ambíguo e suspeito, qualquer atitude que por tradição é apanágio do sexo oposto.

É embaraçado que o vemos de lista de compras na mão, à procura da marca de pensos higiénicos que a sua amada lhe pediu para comprar e tem a tendência para sorrir e espetar uma piadinha raquítica acerca do assunto, quando a menina da caixa faz apitar o código do produto.

Raramente o vemos sem as cores discretas da monotonia e, quando acontece uma camisa verde alface, surge o constrangimento aliado a uma necessidade imbecil de justificar o uso de um elemento discordante no panorama discreto das ruas opacas.

É quase impossível encontrá-lo com a descontracção necessária à alegria e à solar necessidade de sorrisos abertos, entregues aos passageiros que com ele cruzam. Fecham-se e desconfiam de abordagens estranhas e estrangeiras, procurando escudar-se com a urgência do tempo e do caminho que são obrigados a calcorrear para não perder o que sabem não os esperar nunca.

Apesar de gregários, dificultam a entrada de elementos novos nos grupos com que se identificam e repelem, com algum cinismo ou ironia idiota, os que desobedecem, ainda que vagamente, aos códigos, regras e preceitos que são mantidos sem razão consciente.

Não abdicam de uma masculinidade que de tão exteriorizada acaba por cansar e aborrecer e jamais aceitarão sem um esgar sarcástico, zombeteiro ou escarninho, o homem que passa de bicicleta, com rosas no cestinho de apoio ou um desalinhado pedalar nas ruas que, por norma, são de graníticas vocalizações que impedem gestos de fragilidades mais serenas e mais flutuantes.

São simpáticos, mas dizer que um homem é simpático é um dos mais pobres e desvalorizantes adjectivos com que o podemos brindar.

 

Ao contrário deste portuense, o parisiense é como uma avenida solarenga, larga e plena de cor, de espuma e perfumes.  

Não hesita, é audacioso e arrojado e é nítida a sua presença despojada de soturnidade e de sombra, quando passa a pedalar, florido nos olhos que acolhem de bom grado o estranho e o estrangeiro e com o aroma quente das baguettes a espalhar-se no ar.

Ao contrário do portuense, o parisiense sabe que é na sua cidade que existe a maior concentração da Europa de homens bonitos por metro do quadrado.

 

Ajuda e impede que se tornem simpáticos.  

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Gavetas:


31 rabiscos

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De Psicogata a 15.01.2016 às 11:54

Só um pequeno grande detalhe, eles são tão bonitos e elegantes que apaixonam-se uns pelos outros.
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De Gaffe a 15.01.2016 às 12:31

!!!!

Oh! isso é apenas um "fait divers".
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De Psicogata a 15.01.2016 às 12:36

Até pode ser, mas ao passear pelas ruas de Paris conseguimos facilmente distinguir os homens parisienses dos outros e a percentagem de casais é grande.
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De Gaffe a 15.01.2016 às 13:40

Os "outros" passam despercebidos porque não são "contabilizados" por ninguém.
:)
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De Psicogata a 15.01.2016 às 14:11

Ah não são, eu contabilizo mais depressa os outros do estes ;)
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De Gaffe a 15.01.2016 às 14:18

E se deixasses de contabilizar seja estes ou os outros?!
Tornava-se tudo muito menos complicado.
;)
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De Psicogata a 15.01.2016 às 14:26

Eu não contabilizo, aprecio, gosto muito de apreciar a sociedade, perceber os hábitos, a cultura, a forma de estar.
Uma das coisas que mais gostei de Paris foi a mistura de culturas, etnias e raças.
Mas mentiria se dissesse que não reparei que os casais homossexuais masculinos lá são mais visíveis, não quer dizer que sejam mais do que nos outros locais, apenas mais visíveis e ainda bem é sinal que o preconceito é menor. ;)
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De Gaffe a 15.01.2016 às 14:52

Exactamente. Os parisienses não olham para os casais do mesmo sexo como se fossem "aves raras".Creio que não olham sequer. Passam e dizem bonjour.
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De Gaffe a 15.01.2016 às 14:52

Exactamente. Os parisienses não olham para os casais do mesmo sexo como se fossem "aves raras".Creio que não olham sequer. Passam e dizem bonjour.
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De Psicogata a 15.01.2016 às 15:00

E ainda bem que assim é.
Mas os homens parisienses são aves raras, mas não por isso, mas pela forma como se vestem, todos eles.
Um sentido de estilo fantástico.
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De Gaffe a 15.01.2016 às 17:02

Por norma são.
:)
E depois são verdadeiramente charmosos!!!
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De Psicogata a 15.01.2016 às 17:16

São mesmo.
Os franceses foram uma agradável surpresa os italianos uma desilusão.
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De Gaffe a 15.01.2016 às 17:55

O meu Grande, grande, grande Amigo vive sazonalmente na Alemanha e devias ver o ar de desconsolado com que anda.
Os alemães são tão parolos!
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De Psicogata a 15.01.2016 às 18:06

Imagino, pela amostra dos turistas… O sentido de estilo deles é nulo.
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De Gaffe a 15.01.2016 às 20:54

São amorfos!
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De Maria Araújo a 15.01.2016 às 12:10


O homem português está a melhorar, pelo menos os que usam a bicicleta no seu dia-a-dia.
O meu irmão mais novo é fã da bicicleta. Em vez do carro para se deslocar para o trabalho, pedala.

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De Gaffe a 15.01.2016 às 12:30

Pedalar faz muito bem às coxas...
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De Gaffe a 15.01.2016 às 12:33

Sabias que pedalar desenvolve imenso um músculo chamado "costureiro"? (está hiperdesenvolvido nos ciclistas e faz-lhes uma coxas estranhas.)
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De Maria Araújo a 15.01.2016 às 13:12

Não conhecia o "costureiro".
Então, pedalar nas bicicletas do ginásio, também desenvolve o costureiro...
Vou dedicar-me a estas por que nas outras não me equilibro.
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De Gaffe a 15.01.2016 às 13:40

Sim.
Pedalar seja onde for desenvolve o "costureiro".
;)
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De Mam'Zelle a 20.01.2016 às 11:07

Não posso falar com conhecimento de causa nem grande autoridade do espécimen do Porto. Mas concordo totalmente com a tua análise do de Paris.
E que saudades que tenho, não dos Parisienses, que aqui também não estou mal servida, mas sim daquela luz, daquela magia da cidade e do cheiro a baguette . Ai o cheirinho a baguette das boulangeries...
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De Gaffe a 20.01.2016 às 11:13

Ah! Tantas saudades!!!

Felizmente, em breve, haverá o meu reencontro definitivo com Paris!
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De Mam'Zelle a 20.01.2016 às 11:16

sortuda. :)
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De Gaffe a 20.01.2016 às 11:17

Oh! Esforço-me tanto!

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