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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe corajosa

rabiscado pela Gaffe, em 22.06.16

Tomasz Jedruszek.jpg

Estava a Gaffe esbardalhada no sofá, depois de ter visto o último episódio da sua série favorita, quando decidiu recolher a languidez nos lençóis fresquinhos dos seus aposentos.

Segurou Afonso Cruz - não propriamente o rapagão, mas apenas uma das obras, infelizmente, - fechou as janelas, as luzes e, depois dos rituais do costume, entra no quarto almejado.

 

Subitamente sente o coração estilhaçar-se aos pés.

 

Pelo ar esvoaça um bicho!

 

Um pássaro, um avião, o super-homem?!

 

Um pássaro não é certamente que o pássaro não bate assim nas persianas fechadas, um avião seria politicamente incorrecto e a Gaffe não costuma ter a visita nocturna do super-homem – mais uma vez, para infelicidade sua.  

 

De luz ligada percebe, para seu horror, que o monstro não sendo o Batman - a Gaffe decididamente é infeliz! - é uma miniatura sem qualquer nocturna ambição super heróica.  

 

Um morcego!

 

A Gaffe tem pavor dos morcegos desde que lhe disseram que os mostrengos tocando nos cabelos de alguém neles se ensarilham, não sendo possível retirar estas abominações sem ajuda de profissionais. Tendo em conta que a profissão de extractor de morcegos dos cabelo das pessoas não é muito vulgar, a Gaffe prefere entrar em pânico.

 

Uma rapariga sozinha com um Bruce Wayne de pacotilha no quarto, ou desata aos gritos provocando, àquela hora, interpretações maldosas e muito pouco dignificantes dos vizinhos ou lembra-se de Afonso Cruz que lhe sussurra que um herói é o que não teve tempo de fugir.

 

A Gaffe não tem sequer forças para se descolar da esquina do quarto, logo atrás da porta, ficando desta forma muito limitada e com o tempo de fuga demasiado apertado, sem muitas hipóteses de continuar a ser cobarde - aquele que teve a coragem de fugir.

 

Resoluta, decide escapar-se e assumir que uma rapariga é sempre wagneriana quando quer.

Corre para a sala, embrulha-se na manta de Verão estatelada no sofá e quase de gatas entra no quarto, dirige-se à janela e abre as persianas que sendo eléctricas não a obrigam a permanecer de pé e volta em mísero estado a escapulir-se.

 

Espreita segundo depois.

 

O mostro continua a apavorá-la, a esvoaçar de lado para lado, de lado para lado, de lado para lado!

 

A Gaffe, concentradíssima naquele heroísmo todo, tinha-se esquecido de subir a porcaria do blackout.

Volta a embrulhar-se na manta, volta a empurrar a porta, volta a gatinhar, volta a provar que uma rapariga sozinha é uma catástrofe com um morcego no quarto e finalmente assume e prova, para gáudio dos seus comentadores anónimos, que lhe falta um homem.

 

Tudo no ar, tudo subido, a Gaffe quase a morrer de medo, volta à base, ou seja, à sala onde tudo está tão iluminado como os dentes de Paulo Portas e só não desata a comer gelados para disfarçar o nervoso e fazer pendant com o cérebro, porque se sente a petrificar e receia que lhe salte outro Batman de treta de dentro do frigorífico.   

 

Minutos depois, e depois de ter finalmente compreendido a relação espaço/tempo e toda a Teoria da Relatividade, a Gaffe decide espreitar o antro conspurcado.

 

Não há lodo no cais.

 

O bicharoco tinha desaparecido.

 

A Gaffe procura dentro dos armários – da casa toda! – mais ratos com asas e, depois de inspeccionar todas as sanitas, decide finalmente deitar-se e passar a noite em claro, só para contrastar com o acontecido.

 

Ilustração - Tomasz Jedruszek

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Gavetas:


31 rabiscos

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De Lêh a 22.06.2016 às 11:52

Imagino como te sentiste, porque já passei por uma situação semelhante, também com um desses "monstros esboaçadores", e também me disseram que eles podem prender-se nos cabelos. Mas, se calhar, o bicharoco até teve tanto medo quanto tu
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De Gaffe a 22.06.2016 às 11:56

Eu quero lá saber do medo que o bicho teve!

Não sei se é verdade aquilo do ensardinhar e ensarilhar no cabelo das pessoas, mas pelo sim, pelo não, preferia ser careca.
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De rasto virtual a 22.06.2016 às 12:02

lembrou-me a vanessa redg(b)rave. ( não pergunte porquê. seria embaraçoso)
:)
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De Gaffe a 22.06.2016 às 12:27

Não pergunto, até porque só não aceito o "vanessa".
;)
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De rasto virtual a 22.06.2016 às 13:25

ok. retiro a vanessa ( também não gosto muito)
fica redbrave.
:)
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De Gaffe a 22.06.2016 às 14:07

Retirar a vanessa, soa bem.
:)
Ficamos com a redbrave, porque eu mereço.
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De Filipa a 22.06.2016 às 13:22

Que nojo.
Percebo-te lindamente.
Quando tenho de ir passear os pit bull à noite, seja verão ou seja inverno, vou sempre de gorro e de casaco - arrepio-me de pensar num a bater asas perto do meu pescoço.
A minha vizinha olha para mim com certo pavor mas não estou nem aí.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 14:09

Tu passeias um pitt bull à noite.
Tu tens medo de morcegos.

Tu não tens juízo.
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De Filipa a 22.06.2016 às 14:15

São dois.
E pitt bull era forma de expressão por causa que os meus dogs têm medo até das bufas que dão.
E os cães fazem pipi e pupu também à noite.
E esta zona tem bué de bats.
Odeio.
Delego essa função ao homem mas ele às vezes não me obedece.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 14:23

Ah!
Assim já sou capaz de te compreender.
Os morcegos são como os gorilas. Se apanhamos com um na frente, é melhor que haja alguém por perto com uma espingarda carregada.

(Se bem que um "gorila" na frente não é de todo de se descartar...)
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De Filipa a 22.06.2016 às 14:26

Vou mas é passar a mandar os putos passear os cães.
A Luísa ainda anda mal, mas que se lixe, vai a gatinhar. Ou então às cavalitas de um deles.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 14:29

Uma óptima ideia.

Ficas de arma em punho na varanda como um snipper todo camuflado.
Não acertes é no cão, porque tens a outra menina a atirar na criança só para se vingar.
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De Filipa a 22.06.2016 às 14:33

Ai meu Deus.
Não sei se consigo gerir isso tudo.

Tenho quatro coisas na rua: duas crianças e dois cães.
Qual salvo primeiro?
A miúda por causa que sou feminista e é o sexo forte?
O puto que é macho e me vai perpetuar o nome e dar netos?
O cão porque vai fazer render o dinheiro que paguei por ele?
A cadela porque me aquece os pés no inverno?
Porra. Eu sabia que não devia ter vindo cá!
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De Gaffe a 22.06.2016 às 14:40

Meu amor,
Atira. Depois logo se vê.
Convém é não pensares muito no assunto e, em caso de dúvida extrema, apontares ao gorila - há sempre um por perto.
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De Filipa a 22.06.2016 às 14:44

Depende.
Se o gorila estiver bem tratado, vou atirar porquê?

Boa ideia. Atiro assim num repente e logo vê o que o destino me reserva.
Obrigada.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 14:48

Atiras porque é sempre melhor um gorila morto, mas bem tratado, na mão no do que dois a voar com anorexia.
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De Pequeno caso sério a 22.06.2016 às 16:33

Fizeste - me lembrar um encontro que tive com uma osga que caminhava por cima do berço da minha filha que ,na altura, ainda não tinha nascida.
Eu com uma barrigona de 8 meses de gravidez.
Uma osga arraçada de lagarto.
Uma vassoura.
Um final digno da saga "Allien" onde a osga saiu a perder.
Moral da história :
Bicheza que se mete com uma grávida em fim de tempo conhece toda uma dimensão do ser humano equivalente ao cruzamento de um guerreiro Samurai com a "Godzilla" !
; )
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De Gaffe a 22.06.2016 às 17:27

:D

Tão bom!!!!

A gravidez é um estado que vou desconhecer a vida inteira. Não corro o risco de me transformar num guerreiro samurai cruzado com Godzilla.
Em relação à bicheza fico-me pelo guerreirinho samurai no fim da fila.
:))))))
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De Pequeno caso sério a 22.06.2016 às 19:14

Há muitas dimensões na palavra maternidade.
Sem te conhecer , acredito que preenches algumas delas melhor do que muitas "mães " que conheço.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 20:24

Não sei. Nunca pensei nisso.
Não vale a pena pensar nisso.
Seria inútil. Sou como Issbel I, ruiva e seca como um cepo. Não há volta a dar.
:)
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De Pequeno caso sério a 22.06.2016 às 21:01

Never say never my dear.
; )
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De Gaffe a 22.06.2016 às 22:10

Acredita que neste caso posso.
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De Gaffe a 22.06.2016 às 20:24

*Isabel.
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De Quarentona a 22.06.2016 às 22:48

Fazes-me sentir uma troglodita, não há bicho nenhum que me faça subir para cima de cadeiras e mesas... definitivamente, não sou uma Lady...
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De Gaffe a 22.06.2016 às 23:21

Só entro em pânico com morcegos e baratas
Não posso portanto ser considerada uma lady pura.
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De Quarentona a 22.06.2016 às 23:33

As baratas dão-me asco, já os morcegos (não me olhes assim...) até os acho fofinhos... então se tiverem Affleck como apelido... :P
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De Gaffe a 23.06.2016 às 00:16

Com esse sobrenome são bem vindos ...
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De Magui Ferreira a 22.06.2016 às 23:51

Eu não tinha ficado descansada, mesmo depois do bicho ter desaparecido do meu campo de visão, quem sabe não foi uma saída de amigos para uma noite de copos. Cadê os outros?
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De Gaffe a 23.06.2016 às 00:13

Porque é que achas que passei a noite em claro?
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De Maria Araújo a 26.06.2016 às 23:38


Morcegos, baratas, abelhas, carrapatos, ugh!
Se por vezes fujo, outras, pego numa vassoura, abro janelas, apago luzes, e tento matá-los ou levá-los para um passeio ao ar livre.
Mas a minha gata se apanhar, fá-los em cacos.
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De Gaffe a 27.06.2016 às 09:38

Morcegos e baratas são os meus pesadelos.

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