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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe cro-magnon

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.17

Marlon-Brando-Shaving.jpg

 

 

Não é segredo eu gostar de barbas.

 

Os homens deviam usar barba por obrigação e deviam ser encarcerados no vagão do cacilheiro de Joana Vasconcelos, algemados a Joana Vasconcelos e a ouvir Margarida Rebelo Pinto a ler um dos seus cumances, se não cumprissem o estipulado por Lei.

 

Provavelmente esta minha predisposição pilosa está ligada ao facto de todos os homens importantes da minha vida terem usado, ou usarem, barba e daí também haver à minha disposição e apreciação imensos tamanhos de barba que vão desde a lixa número três, até a uma intimidadora barba branca de cavaleiro medieval - embora não tenha memória de ter a presença do exemplar ostentado por Salvador Sobral.

 

É claro como água que usar barba não significa trocar os minutos matinais usados para um escanhoar em condições, por uma escapadela ao Facebook enquanto o pão torra e o café se faz - por norma os homens barbudos não são fãs de pequenos-almoços repletos daquilo a que chamam mariconices.

 

Usar barba é muito mais trabalhoso do que arrastar, todas as manhãs - em tronco nu, de toalha felpuda traçada na cinta, pés descalços sobre o ladrilho frio, axilas por depilar, peitorais retesados, pernas dignas da estatuária grega se o mármore fosse peludo, cabelo desalinhado e ainda a pingar nas costas, umbigo a interromper uma espinha de pelinho penteado e duas covinhas mesmo logo acima do rabiosque - e vamos lá tentar retomar a lucidez e voltar ao assunto -, uma lâmina pelo queixo.

 

Usar barba é assumir que é necessário obter um tempo realmente longo para despender no desenho, na lavagem, na hidratação, no condicionamento, no amaciar, no perfumar, no escovar, no pentear e sobretudo no aparar da dita.

 

Usar barba não é sinónimo de ter apensa ao queixo uma homenagem à Amazónia com bichos raros lá dentro. Nestes casos miseráveis, uma rapariga sente sempre muito a falta de um Centro Comercial bem desbastado onde o único animal visível é a pantera da Cartier e, lembrem-se rapazes, que acordar ao lado de um gigantesco pirilampo mágico electrocutado não povoa as nossas fantasias.   

 

Estas considerações devem-se apenas ao facto do rapagão ter tombado no jantar - depois de um exílio de quase três semanas no meio do Minho -, com uma barba descomunal.

Atrasado, ainda por cima! Se já lá estivesse, sentadinho à mesa, ninguém notava que estava vestido como se tivesse chegado de uma visita aos pobrezinhos, ao lado de Assunção Cristas, e evitava ser picado pela minha irmã:

- Tiveste dificuldade em estacionar a vaca.

Vai hoje directo - que não se atreva a tomar primeiro o pequeno-almoço -, ao António, jovem e competentíssimo barbeiro, que de armas em punho cuidará de encontrar os olhos deste brutamontes por entre o matagal cerrado e negro e decepará pelo menos metade do seu allure cro-magnon.

 

Rapazes, entreguem os queixos barbudos pelo menos duas vezes por mês a um profissional capaz de vos transformar em valentes príncipes de outras eras, sem pêlos nas orelhas e de nuca rapada. Acreditem, meus queridos, que o self-made man neste caso específico é um fracasso. Um orangotango que ao depilar-se se esqueceu que também deve atacar os pêlos que não vê.

 

Na foto - Marlon Brando

 photo man_zps989a72a6.png

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Gavetas:


8 rabiscos

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De Maria Araújo a 17.05.2017 às 13:57

Não comento o rapagão que esteve nas tarefas campesinas cá pelo Minho.
Mas admiro o seu texto que está perfeito destacando isto, aiaiaiai:

"...duas covinhas mesmo logo acima do rabiosque".

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De Gaffe a 17.05.2017 às 14:31

Belo destaque.
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De Maria Araújo a 17.05.2017 às 13:59

Ah! Quero acrescentar que odeio barbas grandes, e mesmo que bem cuidadas, fazem-me algum nojo.
Um exemplo: a barba do Rui Unas.
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De Gaffe a 17.05.2017 às 14:31

Fui ver.
Também não é destas que gosto. Mas acredite que há barbas grandes de nos fazer perder.
O Rui Unas tem ar de parolo e isso trespassa para a barba.
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De Corvo a 17.05.2017 às 16:19

Decididamente, não alinho nessas cenas de barbas nem de barbudos.
Não que tenha nada contra, nenhuma particular má vontade contra as barbas me move, mas simplesmente porque não gosto de me ver de barbas.
Se bem que agora já pouco ou nada interesse, e até por uma questão de poupança de esforço as pudesse deixar ficar, contínuo, pelo menos, a barbear-me duas ou três vezes por semana.
De novo era mais descuidado e às vezes lá perduravam uma semanita, assim para o alargado, mas desde que uma encantadora demoiselle, que por sinal não me era, de todo, indiferente, me ter confidenciado com ar verdadeiramente desolado, numa semana de desleixo piloso: "que pena, adorava tanto o teu sinal de beleza, e tu tapaste-o", nunca mais deixei de me barbear todos os dias
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De Gaffe a 17.05.2017 às 16:44

Tão romântico!

Assim está perdoado.
:)*
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De Pequeno caso sério a 17.05.2017 às 17:34

Já te contei a minha coisa com as barbas que estão afetivamente ligadas ao homem mais importante da minha vida : o meu pai.
Curiosamente, ou talvez não, o meu marido não usa nem nunca usou barba. Acho um desperdício tapar aquela covinha no queixo que tanto me enche as medidas. Para além disso tenho uma pele muito sensível e qualquer coisa que se assemelhe a lixa não é compatível comigo.
Mas sim, há homens que foram talhados para usar barba (ó se há ).
;)

P .S-Acho a "subtileza" da tua irmã uma coisa divertidíssima.
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De Gaffe a 17.05.2017 às 18:24

Os homens que atravessam a minha vida usam barbas. Deve ser o fado!!!

A minha irmã, acredita, é muitíssimo subtil. Não tem é paciência para o demonstrar.
:)

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