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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe da pilita

rabiscado pela Gaffe, em 18.10.16

A Gaffe da pilinha.jpgA Gaffe decidiu reencontrar-se com Lídia Jorge.

 

A implicância que sentia tinha origem na imaturidade com que abriu uma das suas obras num cais de Verão adolescente e sem murmúrios.  

Percorre com o dedo os volumes sossegados, abre o sorteado, procura-lhe um parágrafo e abandona-o sem desperto interesse. Volta a abrir uma página ao acaso e sobressalta-se.

 

Lídia Jorge chama à pilinha de um dos seus heróis espingarda de carne.   

 

Yourcenar, em tempos idos, chamou-lhe canhão. Admite-se que a poderosa belga use uma artilharia mais pesada - afinal conviveu com imperadores, - mas não é admissível que se chame à pilinha seja de quem for espingarda de carne. É tão tolo como lhe chamar pirilau que lembra de imediato pó de talco e creme para assaduras.  

 

Há que encontrar uma certa dignidade neste baptismo tão íntimo.

 

A Gaffe não acredita que dar à pilinha um nome familiar resulte. Chamar-lhe Adalberto ou Zézinho não convence ninguém e corre-se o risco de ver o primo afastado e de quem não gostamos acorrer ao nosso chamamento. Eventualmente a pilinha do primo não se chamará assim. Chamar-lhe Bernardette ou Lourdes apesar de evocar o Moulin Rouge pode parecer também que nos vamos pôr a rezar logo que ela chegue, dada a conotação religiosa apensa aos nomes das senhoras.

 

Atribuir à pilinha nomes de objectos, apesar de ser um interessante exercício de associação, pode levar a desilusões deprimentes. Chamar-lhe martelo tem força, mas pode-se acabar com um de S. João e a subvalorizar os pregos. Mastro é bastante visual, mas existe sempre o risco de termos o casco a meter água.

 

Não adianta muito o uso de vernáculas denominações. Não particularizam. As generalizações são sempre falhas de imaginação e excluem todos os pormenores identificativos de personalidades mais originais.

 

A Gaffe sugere que o nome da pilinha seja escolhido pelo par. O duo terá com certeza o cuidado de evitar conexões demasiado bélicas e harmonizará a escolha de modo a que faça pendant com outros atributos, reconhecendo que chamar à pilinha espingarda de carne é sempre um tiro pela culatra.  

 photo man_zps989a72a6.png

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37 rabiscos

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De Cecília a 18.10.2016 às 11:32

é curioso que ando a tentar pegar em lídia jorge ( precisamente pela costa) e aparece sempre algo melhor para fazer (ler); e isto arrasta-se há anos...

não melhora



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De Gaffe a 18.10.2016 às 11:45

Vou-te confessar uma coisinha, aqui que ninguém nos ouve.
Eu não consigo gostar de Lídia Jorge...
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De Cecília a 18.10.2016 às 12:41

mais um motivo para gostar tanto da gaffe
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De Corvo a 18.10.2016 às 12:00

Modernices, é o que é.
No meu tempo chamava-se kara...pois, essa coisa e cada um tinha o seu sem se preocupar em alcunhá-lo de mais nada.
Acho que o dito se sentia muito mais feliz do que os de agora sem essas esquisitices de nomes próprios, pois valente e nobremente desempenhava o seu trabalho a contento.
Deve ser por isso, por esses baptismos estranhos que o tal se sente inibido e quase tenta passar despercebido. Pelo menos em grande parte dos meninos quase que nem se nota.
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De Gaffe a 18.10.2016 às 12:23

Não tem de se notar, caro Corvo!
Não tem que notar, meu querido.
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De Corvo a 18.10.2016 às 12:49

Eu não! Deus me livre e guarde!
Era só o que me faltava. Fui sempre através dos tempos alinhando com a evolução, mas, alto lá! Notar está fora de questão!
Referia-me mais um notar a nível de congratulador desempenho válido, por alguns preterido por um desfilar de moda...masculino.
A hipotética probabilidade da menina eventualmente ter conjecturado qualquer coisa mais, já me vai fazer passar uma muito má tarde.
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De Gaffe a 18.10.2016 às 12:59

Não fiz nada disso!
Só segui a linha do seu comentário que acaba de ser muitíssimo bem esclarecido.
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De Corvo a 18.10.2016 às 13:16

Privilégio da nossa língua prestar-se sempre à interpretação mais conveniente, sobretudo quando usado como subterfúgio para expressar um pensamento ou suspeita comportamento duvidoso.
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De Gaffe a 18.10.2016 às 14:00

Tão desconfiado que o menino é!
Repito que sou uma menina inocente.
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De Corvo a 18.10.2016 às 14:24

Sim sim, pois.
Não há inocentes ruivas.
:)
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De Gaffe a 18.10.2016 às 15:04

Acredita mesmo nisso?
Acredita que inocentes são apenas as loiras angélicas?
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De Corvo a 18.10.2016 às 15:22

Pois, olhe, quer dizer...não!
Talvez disfarcem melhor, não?
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De Gaffe a 18.10.2016 às 16:07

Não vou ter em consideração a sua pergunta.
:)
Tem de repensar a atribuição de graus de inocência às diversas colorações de cabelo que existem.
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De Corvo a 18.10.2016 às 17:59

OK! As de cabelos brancos. Essas de inocência comprovada pelo virtuoso exemplo da minha querida avó, duvidosamente seguido pelas filhas.
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De Gaffe a 18.10.2016 às 18:06

As cãs não implicam inocência. Há cabelos brancos de pecado.
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De Corvo a 18.10.2016 às 18:25

Há pecado seguramente, mas não se nota devido a que ninguém medianamente polido se atreve a aventurar-se à descoberta, e daí passa a desconhecido.
Ora como toda a gente sabe, o que se desconhece não se questiona, e não se questionando a virtude permanece.
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De Gaffe a 18.10.2016 às 18:37

Um silogismo muito interessante, meu caro Corvo. Na linha do "longe da vista, longe do coração".
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De Corvo a 18.10.2016 às 18:50

Exactamente, Gaffe!
Que outro poderia arranjar?
Não que a menina poucas hipóteses dá de defesa.
:)
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De Gaffe a 18.10.2016 às 19:08

Dou tantas!
Podia, ppr exemplo, precipitar-se e referir que o "longe da vista, longe do coração" não é um silogismo.
:)
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De Corvo a 18.10.2016 às 19:34

Não é, mas não deixa de se uma linha de pensamento alicerçado numa estrutura lógica, o que para lá atira, ou dá-lhe parecenças significativas.
Mas para ser mesmo sincero, o que eu queria mesmo era livrar-me da menina que está quase a dar o futebol :)
Então fazemos assim: são todas inocentes por igual...ao nascer e não se fala mais nisso.
Fique bem, Gaffe.
Resto de uma excelente noite.
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De Gaffe a 18.10.2016 às 19:39

Feito. Conseguiu.
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De AC a 18.10.2016 às 12:51

Cá em casa chama-se pistolinha. Na verdade também um termo bélico.
Também se utiliza mais amiúde a expressão maravilhosa e muito doméstica... de bora lá lavar roupa!

Na intimidade o nome que se dá ao "material de guerra" é sempre pessoal e intransmissível. ihihih.
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De Gaffe a 18.10.2016 às 12:58

Tudo tão bélico! Tudo tão bélico!

Porque não lhe chamam "passarinho da paz", hum?
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De AC a 18.10.2016 às 13:03

Cá em casa tem mesmo a ver com o facto do rapaz ser militar. E usar pistola (ambas).
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De Gaffe a 18.10.2016 às 14:00

E o que eu gosto de militares!!!
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De M.J. a 18.10.2016 às 14:20

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
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De Gaffe a 18.10.2016 às 15:06

;)
:)))))))
***
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De Maria Araújo a 18.10.2016 às 17:19

Pila ou pénis.
Está dito.
Mas há homens que gostam que se chame de pau.

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De Gaffe a 18.10.2016 às 17:59

Nao comento...
;)
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De Maria Araújo a 18.10.2016 às 19:26

Fui inconveniente?
Desculpe.
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De Gaffe a 18.10.2016 às 19:33

Não!
Absolutamente nada.
O meu comentário brincava apenas.

Numca será inconveniente.
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De Pequeno caso sério a 18.10.2016 às 18:37

Tenho amigas muito...criativas :
uma chama à pilita "cobra zarolha";a outra chama - a "palhaço". E eu? Bem, eu não chamo nada pois quando nos encontramos não temos grande tempo para conversas.
; )
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De Gaffe a 18.10.2016 às 18:40

AHAHAHAHA

Mas olha que um bom diálogo é sempre de ter em conta. Assim de olhos nos olhos.

Se bem que também não sou de grandes conversas nestes casos.
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De Quarentona a 18.10.2016 às 22:21

Nós por cá, gostamos de chamar o boi pelos nomes e chamamos-lhe mesmo caralho! Às vezes, pila, quando nos dá mais para o romantismo... pronto, já vim esbardalhar isto tudo :P
Pardon my French, Gaffe Marie ;))))
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De Gaffe a 18.10.2016 às 23:07

Fracamente.
Uma rapariga já não consegue ser mimosa.
Contigo lá se vai a pose toda!
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De Quarentona a 18.10.2016 às 23:23

Espero não ter ficado interditada a minha circulação nas tuas Avenidas...
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De Gaffe a 18.10.2016 às 23:47

Porque raio aconteceria tamanha tolice?!

Faças o que fizeres, nunca deixes de fazer o que eu faria no teu lugar.

:)))))

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