Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Salvador

rabiscado pela Gaffe, em 14.05.17


311.jpg

Pela primeira vez sinto que devo fazer um esforço para controlar o uso dos adjectivos, tornar-me parca nos avérbios e emegracer a verborreia.

Afinal, este post fala de Salvador Sobral e de Amar Pelos Dois e é um bocadinho tolo desatar a coleccionar o lado pomposo das palavras, quando todos os cromos estão já repetidos.

É inútl também tecer considerações rebuscadas, ou retirar ilações precipitadas, iguais àquela que na ausência de género na letra da canção encontrou uma subliminar indicação de apoio à diversidade de escolhas que o amor tem ao dispor.

 

A letra - convém reter que existe a letra de uma canção, assim como existe um poema que é cantado e que estas duas possibilidades nem sempre coincidem - é lindíssima, estabelece uma cumplicidade cativante com o arranjo musical e está interpretada por uma voz belísssima, comovente e expressiva que atingiu em cheio a sensibilidade de países que não precisaram de a entender para se renderem à união do timbre mágico de Salvador, à harmonia, à inteligência e a sensibilidade da melodia.

 

O less is more foi aqui perfeito.

 

Há no entanto, para além de tudo o que foi já dito - e muito bem dito - por outros que não eu, um dado que me deixa curiosa.

A canção extravasou os territórios bem delimitados do Eurofestival e provocou reacções efusivas, entusiastas e entusiasmadas, quer por parte de gente que tem lugar cativo no patamar maior da música global – Caetano, ou Scott Matthew, por exemplo -, quer por parte de quem não é habitual nestas andanças - J. K. Rowling, ou Meryl Streep que já declararam a sua paixão pela voz de Salvador.

Aposto que Judy Garland também se renderia a esta canção.

 

Estou certa que arrisco rabiscar mais uma teoria tola que se pode unir às tantas outras que aparecem nestes casos, mas apetece-me dizer que Salvador e Amar Pelos Dois sobrevoou alguns dos arquétipos que - como é destino deles -, são comuns a toda a gente. Salvador com a melodia que encarnou aproximou-se dos nossos denominadores comuns e, muito mais do que a letra cantada ou o arranjo que a vestiu, foi a voz de cada palavra, a voz que a voz de Salvador entregou a cada uma das palavras, que fez com que as árvores do cenário se tornassem realmente elemento primordial e coadjuvassem a interpretação.  

Talvez tenha sido este breve voo sobre o ninho de cucos que partilhamos todos sem mesmo saber, que fez com que Salvador Sobral se tenha tornado realmente a celebração da diversidade, unindo tudo.    

 

Mas é evidente que posso apenas estar ainda comovida e tudo se acabar na Quarta-feira, mas se ouvir Nem Eu, ou pasmar com esta extraordinária versão da canção vencedora, penso exactamente o mesmo.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)


18 rabiscos

Imagem de perfil

De Quarentona a 14.05.2017 às 20:09

Estou tão contente e tão orgulhosa, eles (os Sobrais) são mesmo "Salvadoráveis" :))))
Imagem de perfil

De Gaffe a 14.05.2017 às 20:54

São! Ela menos que ele, mas um compensa a outra.

:)
Sem imagem de perfil

De Cidália Ferreira a 14.05.2017 às 21:09

É um grande orgulho!!

Até arrepia só de pensar :)

Beijinhos
Imagem de perfil

De Gaffe a 14.05.2017 às 22:29

É preciso agora "controlar" esse orgulho. Não podemos desatar a gritar que "vencemos aquilo!!!". É bom entender que quem ganhou foram os manos Sobral. Nós assistimos e ficamos muito contentes. Mesmo os que amaldiçoaram o rapaz.
Imagem de perfil

De Pequeno caso sério a 15.05.2017 às 22:34

Essa coisa do "ganhámos" intriga - me também.
Não sendo a minha escolha inicial reconheci sempre talento ao Salvador.
Lá chegado ,desejei que conseguisse uma boa prestação sobretudo porque pesquisei o seu trabalho que vai muito além do "amar pelos dois".
Foi ótimo vê - lo(s) ganhar . Mas o mérito é deles não meu. Não nosso.
O nosso papel é apenas ouvir, aplaudir e , quem sabe com um pouco de sorte, compreender.
;)

P.S- adoro vinil e percebo a tua escolha para ilustrar este post.
Imagem de perfil

De Gaffe a 15.05.2017 às 23:38

Exactamente!
Pouquíssimas criaturas conheciam Salvador Sobral e contudo havia um trabalho editado que não era ouvido quase em lado nenhum. Ninguém lhe prestava atenção e mesmo a irmã era tida como uma "estrangeirada". Ninguém prestava atenção a Salvador Sobral. Ninguém a não ser um círculo fechadíssimo e minúsculo.

Subitamente vencemos todos!!! Todos somos Salvador e todos o amamos, mesmo os que o amesquinharam. Mas ganhamos o quê?! Eu só vi ganhar Luísa, Salvador Sobral e Luís Figueiredo.
Nós ficamos muito contentes, mas nem juízo ganhamos. Nem juízo, nem vergonha, nem pudor. Toca a reivindicar a vitória e vamos para frente que já se faz tarde e o rapaz não devia ter dito o que disse após ter vencido - sim! já ouvi e já li isto!

Pobre Salvador que traz agarrado um povo bipolar que elogia a sua independência e liberdade ao mesmo tempo que lhe exige o politicamente correcto.
Imagem de perfil

De Gaffe a 16.05.2017 às 00:14

Falta o assento no "ganhamos" - falta assento neste povo -, mas desde já te digo que achei tudo muito pouco educado. Então eu ganhei e nem sequer fui convidada para comer um croquete!
Imagem de perfil

De miss queer a 14.05.2017 às 21:34

este texto está lindo, parabéns!
«É inútl também tecer considerações rebuscadas, ou retirar ilações precipitadas, iguais àquela que na ausência de género na letra da canção encontrou uma subliminar indicação de apoio à diversidade de escolhas que o amor tem ao dispor.» - mas seria tão bom que assim fosse. :)
Imagem de perfil

De Gaffe a 14.05.2017 às 22:25

:)
Antes de mais, obrigada.

Mas não é assim. Foi um acaso. Luísa Sobral esclareceu. A canção é composta por ela, como se para ela, mas entregue ao irmão. Tornava-se mais simples não existir indicação de género.
Não penso que seja importante. Nem tudo pode ou deve empunhar uma bandeira. Às vezes basta ser o que se é, e pronto.
:)
Imagem de perfil

De C.S. a 14.05.2017 às 23:03

"Nem eu" também é lindíssima, sim.
Imagem de perfil

De Gaffe a 14.05.2017 às 23:42

É uma belíssima versão do "Nem Eu" de Dorival Caymme. Salvador é incrivelmente bom aqui.
Imagem de perfil

De Corvo a 15.05.2017 às 21:00

Enche-se-me a alma de enlevo sabê-la tão esfuziantemente eufórica!
Imagem de perfil

De Gaffe a 15.05.2017 às 21:39

Meu querido Corvo,
Uma coisa que evito sempre é a euforia e tenho imenso cuidado sobretudo com a esfuziante.

Limito-me a sorrir. Discretamente.
:)
Imagem de perfil

De Corvo a 15.05.2017 às 22:12

Poder-se-á, portanto, conjecturar, algures dentro de si, probabilidades condizentes e nunca esquecidos por uma rapariga esperta que se preze, e sem grandes esforços cerebrais ler claramente como a mais límpida e cristalina água pela angelical fonte derramada.
Com um sorriso discreto,
eu nunca me comprometo.
:)
Imagem de perfil

De Gaffe a 15.05.2017 às 23:40

Não sei se o percebi...

Mas sim. Um sorriso discreto é elegantemente descomprometido.
Imagem de perfil

De Corvo a 16.05.2017 às 00:31

Aceite-o como uma merecida lisonja.
Como aliás, nunca poderia ser diferente.
Imagem de perfil

De Maria Araújo a 15.05.2017 às 22:26

Desde que ele foi seleccionado para a final, fui escutar mais canções desta jovem bela voz.
Não conhecia a versão da canção vencedora que a Gaffe aqui nos presenteou com o link.
Maravilhosa voz e a melodia.
Obrigada.
Entretanto soube que vem à minha cidade em 8 de Julho, estou atenta à venda de bilhetes.
Não quero perder o espectáculo.
Uma noite descansada.


Imagem de perfil

De Gaffe a 15.05.2017 às 23:39

E ao Norte!!!
Infelizmente vou estar longe.
:(

Comentar post



foto do autor




  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
JIFR-J5MR-Y1XR-YACD