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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe dos cabeçalhos

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.15

Um cabeçalho – ou header, como desejarem – é o átrio de um blog.

É por ele que entramos e é agradável que seja o reflexo, ou mesmo o resumo, daquilo que de seguida vamos encontrar. Será, como diria Garcia Marquez, salvaguardando a distâncias gigantescas, o nosso primeiro parágrafo que deve necessariamente captar a atenção do leitor.

Talvez seja por isso que é obra difícil e daquelas a que só vou voltar se o tempo for às riscas, ou seja, nunca.  

Não é passível de ser construído com eficácia quando o conteúdo do blog não é coerente, não possui uma linha condutora nítida e se dispersa e dilui em cada post, não entregando uma personalidade ao seu autor, indeferindo-o.

Exige, quando o seu fazedor não coincide com o autor das palavras, uma leitura completa ou quase completa do já escrito e a procura do leitmotiv que move a esmagadora maioria dos posts, sem esquecer a caixa dos comentários, lugar onde o autor é apanhado quase sempre desprevenido e onde se colhe informação preciosa.

Tentei construir, para além do meu, dois cabeçalhos. O da M.J. e o da Filipa.

http://eagoraseila.blogs.sapo.pt/A cumplicidade que estabeleci com a M.J. tornou mais fácil o desenho. Foi intuitivo. Desde cedo percebi a facilidade com que as ilustrações de Norman Rockwell serviam os escritos do E Agora Sei Lá?.

A quase telúrica resmunguice; o fabuloso mau humor; a capacidade de descarnar personagens torpes; a afirmação de um pensamento politicamente incorrecto; a exposição de personagens que se cruzam connosco todos os dias sem que nos apercebamos dos universos, grandes ou raquíticos, que dentro trazem, o sarcasmo com que as trata e a sua traquinice muitas vezes sacana e patifória, tornam inevitável que pensemos que só alguém que consegue gostar desmesuradamente das pessoas pode ao mesmo tempo, também com crueldade, desvendá-las sem pudor. A M.J. é a miúda sentada ali, depois da briga que venceu, à espera que a venham buscar desiludida.

O Cabeçalho tentou retratar isso.

http://duvidascor-de-rosa.blogs.sapo.pt/No da Filipa encontrei ao lado de esbardalhar - um dos meus verbos favoritos -, esbugalhar e a possibilidade de tantas vezes me rir de mim. A Filipa deixa-me saudável. Rio-me do que sou nos muitos retratos que faz.

Tornava-se necessário esbugalhar o header. Encontrar a imagem que retratasse este espantar esbardalhado que surge de um cor-de-rosa que corre várias nuances, que vai desde o mais ténue, quase nada, ao próximo do vermelho, pisando-o amiúde. Era preciso encontrar a imagem que ilustrasse alguém que se vê enfiado entre dúvidas tontas e que por muito que tente ignorar a imbecilidade e o ridículo, calando a capacidade de se ser corrosiva através de um humor ácido e brutalmente cru e nu, por muito que aperte a boca num assomo de contenção, o esbugalhanço faz romper o dique e arrasar de vez com toda a patetice que somos sem saber ou de que, a saber, gostamos de ser.

 

São dois pobres cabeçalhos possíveis apenas porque as autoras a quem os ofereci me deixam todos os dias pasmada com a claríssima inteligência com que olham o mundo.

 photo man_zps989a72a6.png

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70 rabiscos

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De M.J. a 25.05.2015 às 12:07

sempre, meu amor.
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De Gaffe a 25.05.2015 às 12:12

Arranjo quem te mate se não for assim.
:)

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