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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe dos fofinhos

rabiscado pela Gaffe, em 12.07.16

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Dentro das polémicas, divertidas e muitas vezes pouco seguras classificações antropológicas, sociais ou culturais, que os estudiosos costumam referir e que descrevem tribos urbanas, subculturas ou subsociedades, que vão desde o punks, o headbangers, o neo-punk, o rockabilly, o nerd, o emo, o skatista, passando pelos ligeiramente insossos peper e pelos assustadores skinheads, perdendo-se numa panóplia de denominações que custa memorizar, mas que reúne grupos ou agregações com características comuns e identitárias que apresentam uma conformidade de pensamentos, hábitos e maneiras de se vestir, de agir e de pensar, não existe o que a Gaffe considera um dos mais queridos. Os ... 

 

Fofinhos.

 

São esmagadoramente muito jovens e com um allure feérico que perfuma de ingenuidade as nossas artimanhas maquiavélicas destinadas a catrapiscar-lhes a inocência. Gostam de cardigans com jacquards tradicionais, ou t-shirts vintage, e usam uma espécie de ceroulas de malha lassa e bamboleante que nunca deixa de estar sintonizada com a imagem simultaneamente estudada e descuidada que se complementa com adereços em pele ou pêlo. A rudeza e agressividade das botifarras que usam quando descalçam as all-star, são atenuadas pelos quebradiços atacadores soltos e sem nó, que nos fazem imaginar o tropeçar do fofinho e a queda subsequente nos nossos braços que o esperam.

 

Apesar de revelarem algumas preocupações ecológicas, estão vocacionados para a defesa dos animais mais amorosos, coalas, golfinhos e pandas, deixando os monstros de Chila e os demónios da Tasmânia para depois do jantar, quando chega a hora de deitar, que é o momento em que demónios e lagartixas venenosas são frequentes debaixo das camas dos meninos. Apesar de desportistas com um elevadíssimo fair-play, não gostam de competir com os pares e preferem as braçadas solitárias em piscinas de cristal. Um onanismo atlético de que não resulta perdedor.

 

Conseguem ler romances com menos de trezentas páginas, mas esquecem facilmente os autores com que se cruzam passando os dedos pelas lombadas das estantes das bibliotecas onde fazem esvoaçar os seus olhares tristonhos e distraídos.

 

Os fofinhos, óptimos companheiros de uma tarde de ócio ou de um entardecer de ópio, possuem uma das mais atraentes características de que há memória: uma aparente candura e desamparo que nos desperta o instinto protector e nos leva a cometer os maiores dislates, as maiores marotices e as mais inconfessáveis das asneiras.

 

São como os grandes diplomatas: tiram, parecendo que nos dão.     

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Gavetas:


10 rabiscos

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De Maria Araújo a 12.07.2016 às 11:03


"uma aparente candura e desamparo que nos desperta o instinto protector e nos leva a cometer os maiores dislates, as maiores marotices e as mais inconfessáveis das asneiras.
São como os grandes diplomatas: tiram, parecendo que nos dão. "

Lá no fundo do nosso íntimo, tiram-nos do sério.
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De Gaffe a 12.07.2016 às 11:07

:)))))

Verdade, verdade!!!
:DDDD
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De Corvo a 12.07.2016 às 14:41

Os fofinhos/tão engraçados
tratam as meninas/ com mil cuidados
São para elas/ que os vão amar
Que os fofinhos/se vão esmerar.
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De Gaffe a 12.07.2016 às 14:50

:DDDD

Oh! Tão fofo!!!
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De Corvo a 12.07.2016 às 15:18

Experiência=sobrevivência; muy estimada Gaffe.
Ou seja. Nunca esperes que o mundo se adapte a ti, adapta-te tu a ele.
Ou ainda melhor. Não necessariamente sujeitando a tua índole, mas que acreditem na tua sujeição.
Ou seja, sinceridade!
Se se conseguir fingir-se tê-la, por que não. "Oh, tão fofinho" :)

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De Gaffe a 12.07.2016 às 15:45

Mas foi fofinho, doce e terno.
Fui sincera.
Ultimamente tenho sentido da sua parte alguma animosidade.
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De Corvo a 12.07.2016 às 16:04

Pois foi. E eu só quis fazer espírito.
Animosidade? Dificilmente alimento esse feio sentimento.
Só quis mesmo fazer espírito com cinismo, que, para ser mesmo verdadeiro, até nem sou.
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De Gaffe a 12.07.2016 às 16:08

Pois.
Prefiro-o a si.
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De Corvo a 12.07.2016 às 16:48

Olhe, Gaffe, nem a propósito.
Depois da minha última intervenção, levantei-me, tirei um café e fui para a varanda tomá-lo e fumar um cigarro.
No passeio do outro lado da rua, reparo num rapaz fofinho a passear o cão pela trela. Vem enlevado a olhar para o bicho, o canis repara num post e desvia-se, mas ele não e espeta-se contra ele.
Pára e fica muito curioso a olhar para o post a abanar, (um tubo de ferro a assinalar uma paragem de autocarro) depois furioso manda-lhe uma biqueirada.
Começa a dançar a ária comanche da chuva, o cão fica felicíssimo e ajunta-se a ele na diversão.
Fica irritado, deixa de ser fofinho e dá uma biqueirada no bicho.
:)
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De Gaffe a 12.07.2016 às 16:54

Valha-me Deus!

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