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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe dos impossíveis

rabiscado pela Gaffe, em 15.10.15

The Holy Grail.jpgMais uma vez, a minha querida Quarentona me desafia. Devo indicar as 10 coisas que nunca farei na vida. Apesar de renitente, eis o meu rol de impossíveis.

 

I

Mudar de sexo

Não que me aflijam cirurgias complicadas, mas receio que, após a alteração, acabe a envelhecer com um morcego morto no meio das pernas.

 

II

Ser mãe

Morram de indignação os baby blogs. Atirem-me à fogueira dos seus úteros fecundos e extasiados. Vou cedo ou tarde transformar-me numa rainha ruiva, rabugenta, seca e furibunda, sem paciência até para continuar a pensar que deviam ser presas as senhoras que são donas de blogs onde se vendem os filhos.

 

III

Comer caracóis e pipocas

Não necessariamente ao mesmo tempo. A minha mãe proibiu-me de morder até os meus e a minha avó considera que comer pipocas é sintoma de um transtorno de personalidade que afecta as pessoas que não conseguem deixar de mastigar o cérebro enquanto impedem que alguém tente compreender o que se passa.   

 

IV

Nudismo

Se o sol me escalda o narizito exposto todo o ano, recuso-me a imaginar o que faria ao meu rabinho perfeito que decididamente nasceu voltado para a lua.  

 

V

Ler Margarida Rebelo Pinto

O meu avô ensinou-me que mais vale jejuar como um anacoreta que passar os olhos por uma gastroenterite.

 

VI

Cozinhar

Exceptuando o mais banal, o mais aflitivo e o mais constrangedor, não vou aprender a cozinhar. A confecção das iguarias do Norte está vedada à minha proficiência, com grande desgosto meu e ainda maior apetite. A única vez que tentei cozinhar um rolo de carne com ameixa, pensaram que tinha incendiado a casa e que estava a tentar fazer com que alguém engolisse os cavacos calcinados. A minha cadela vomitou durante uma semana.  

 

VII

Mudar de perfume

Depois de encontrar o que nos pertence, não o conseguimos trocar, por muito agradável que isso seja. Deixei de sentir o meu em mim, mas percebo quando me esqueço de o usar pela manhã. Quando me dizem que já sabiam que tinha chegado, porque sentiram o meu perfume, suspeito sempre que me ensopei e que vou ter de distribuir máscaras químicas.  

 

VIII

Deixar de amar Paris

Paris tem os mais belos sorrisos do planeta.

Tem luz doirada e azul no final da tarde e cafés com mesas pequeninas nas esquinas redondas das ruas que me perdem e onde pouso a vida como quem se esquece de dormir.
Domar Paris é como ter um gato ou molhar o corpo com o azul dos anjos.
Paris é minha! Desde que eu a vi, há muito tempo.
Sei o que ela quer e dou-lhe tudo: Um rasto de Dietrich, azul e ruivo; um traço de Dean, sem causa, apenas rebeldia; um risco de mistério emoldurado no traçar de pernas instintivas e o caixilho doirado e perfumado de um corpo.
Em Paris eu sou o que cidade exige: Uma obra sua. O destino é o Louvre.

 

IX

Esquecer um lema

Se não sabes o que queres, entra. Eu tenho.

Um amigo encontrou-o perdido há muito tempo. Não se esquecem Amigos a partir do instante em que os reconhecemos - os amigos não se fazem, reconhecem-se - e eu nunca soube exactamente o que queria, mas sabia que ele tinha.

 

X

Morrer de amor

Só no Père-Lachaise.

 

 

Na foto - John Cleese - Monty Python - ou a Gaffe a ilustrar a alínea n.º 1

 photo man_zps989a72a6.png

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73 rabiscos

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De Quarentona a 15.10.2015 às 16:14

Tão bom, tão bom, tão bom... eu sabia que não ías estar à altura! Superáste largamente!!!!
Não me indigna nada o facto de não quereres ser mãe, eu própria, antes de o ser, espalhava aos sete ventos que não queria... e talvez ainda reste um pouquinho dessa minha convicção (que deixou de o ser), porque não pretendo mesmo voltar a reproduzir
Estou contigo nos pontos I, V, IX e X, e troco, no ponto VIII, Paris por Macau
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De Gaffe a 15.10.2015 às 16:35

Creio que há um pequeníssimo percalço que te confundiu.
Eu nem quero, nem deixo de querer, ser mãe. Eu não posso ter filhos.
:)
Um pormenor.

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De Quarentona a 15.10.2015 às 16:38

Ups... mil perdões, minha querida! O mais grave é que eu já sabia... mas não me lembrei... perdoa esta cabeça tonta!
No entanto, há um outro pormenor, tu não podes gerar, mas nada te impede de ser mãe
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De Gaffe a 15.10.2015 às 16:42

Não tem a mínima importância. É um facto. Gosto de factos tanto como gosto de sonhos e ilusões.
:)

Mas não! não.
Sou como a Merkl: não há alternativa.
Custa-me imenso aturar os filhos dos outros.
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De Quarentona a 15.10.2015 às 16:48

Aí estou inteiramente contigo! Essa foi a maior razão por eu não ter seguido a via de ensino... Deus "ma libre"!!!
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De Gaffe a 15.10.2015 às 17:30

Volto portanto à rainha ruiva, rabugenta, seca e indisposta.
:)
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De Quarentona a 15.10.2015 às 17:36

E tão fascinante
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De Gaffe a 15.10.2015 às 17:37

Oh! Tão gentil!

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