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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e os sete instrumentos

rabiscado pela Gaffe, em 29.12.16

A Gaffe recusa-se a iniciar 2017 sem prestar homenagem ao homem que partilhou com ela o último trimestre de um ano já passado há muito tempo.


Nós, raparigas inconscientes, ignoramos demasiadas vezes a importância de ter por perto um exemplar dos chamados homens de sete instrumentos. São no entanto estes miraculosos espécimes que nos deixam livre, indiferentes aos destinos que lhe damos, o compartimento onde se acumula o nosso arsenal de produtos de beleza.
No manancial dos nossos cremes diurnos e cremes nocturnos; máscaras de variadas dimensões, consistências, formatos, objectivos e aromas, rejuvenescedores de massa capilar e das outras massas que, cedo ou tarde, ameaçarão ceder à gravidade; retardadores de pés-de-galinha e de outras tantas pegadas de bichos mais pesados; unguentos vários que reafirmam a firmeza - que juram duradoira -, do que por enquanto ainda não relaxa e de demasiado mais que agora nos escapa, encontramos, os mínimo, ínfimos, tímidos, quase humilhantes, culpabilizantes, sete instrumentos desta espécie de delicioso troglodita:


1 - A lâmina de barbear;
2 - A espuma de barbear;
3 - A loção para depois da barba,
4 - A pasta dentífrica - invariavelmente sem tampa;
5 - A escova dos dentes;
6 - O sabonete;
7 - O desodorizante.


Sete. Tão mágico! Tão simbólico! Tão cabalístico ou maçónico!


Não são retrossexuais, porque preferem ler o blog do Cláudio Ramos a imaginar um pingo, doce que seja, de cera depilatória a tocar-lhes as axilas e a aflorar-lhes as virilhas - e porque acreditam que a palavra tem um prefixo que lhe dá um sentido dúbio.


Pensam que Kant é apenas uma regra de futebol na boca de Ronaldo - Nã é fôre de jôgue, é Kant! – e ignoram que, por muito que nos seja agradável durante uma ou duas semanas, buzinar-lhes os músculos logo após a chegada do ginásio - cedendo às suas súplicas exibicionistas -, os torna, a eles, previsíveis e a nós muito mais exigentes durante as mais íntimas investidas daquilo que já nos fartamos de apalpar.


São, no entanto, estes homens de sete instrumentos que nos fazem acreditar que somos esplendorosas, brilhantes, educadíssimas, bon chic, bon genre, repletas de glamour, cultas, inteligentes, a roçar o genial, e nos transformam na heroína da canção do Marco Paulo – Uma lady na mesa, uma louca na cama - e louca é a mais decente das palavras que descreve aquilo que nos fazem sentir no amarfanhado dos lençóis.

 

A Gaffe crê, mas não afirma, que o sangue, irrigando de forma exígua o cérebro, se vai concentra em zonas menos dadas ao raciocínio e muito mais vocacionadas para a acção.


Durante um último trimestre de um ano que já passou há séculos, a Gaffe partilhou parte dos seus dias, e as noites completas, com um destes exemplares, lindo de morrer de todas as formas de pequenas mortes. Adorou cada instante e surpreendeu-se - embora estranhasse a ausência daquele ruído bom do virar das páginas de um livro -, com as melodias tranquilas e relaxantes geradas, por vezes, pela privação do pensamento.


O seu primeiro acto de 2017 será este render de homenagem a um homem de sete instrumentos que repartiu consigo o tempo que gastou a montar um puzzle, celebrando ao mesmo tempo a euforia, o êxtase e a exaltação que o dominou por ter conseguido unir correctamente as peças em três meses - quando na tampa da caixa dizia de 3 a 5 anos!


(Um beijo, meu muito, muito querido Rodrigo!)

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Gavetas:


13 rabiscos

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De Cecília a 29.12.2016 às 14:49

nunca mais vou ler kant da mesma forma! a gaffe traumatizou-me!

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De Gaffe a 29.12.2016 às 14:52

E não foi "fora de jogo"!
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De Corvo a 29.12.2016 às 15:50

Tirando o Kant, porque sei muito bem o que é um fora-de-jogo, :) Quase me senti retratado em 99%
O 1% que falta é não desconhecer que há certas perguntas que nunca se fazem a uma mulher.
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De Gaffe a 29.12.2016 às 16:07

Mas creio que não foi com o meu querido Corvo que passei uma temporada num Inverno passado!!!
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De Corvo a 29.12.2016 às 16:15

Não foi certamente!
No inverno não há forças naturais ou sobrenaturais que me arranquem de casa no aconchego do meu calorzinho.
Frio para mim, longe, muito longe.
:)
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De Gaffe a 29.12.2016 às 16:57

E depois o menino não usa barba.
Ninguém sem barba passa temporadas comigo.
;)
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De Corvo a 29.12.2016 às 17:22

Não, de facto barba não uso. Nem podia.
Sou um caso muito estranho. Barba e cabelo como arame todo esticado para a frente impossível dobrar.
(O meu antes que agora no meu depois nem esticado nem enrolado)
Aquilo desesperava-me porque a malta fazia popas como o Elvis e o James Dean e obtinham um sucesso terrível entre as miúdas, e eu um desvalido do Céu.
Felizmente por graça divina apareceu por lá o filme Doutor Jívago, que por sorte abençoada tinha o cabelo exactamente como o meu, aquilo foi um sucesso estrondoso entre as miúdas e a minha sorte mudou para muito melhor.
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De Gaffe a 29.12.2016 às 18:12

Omar Sharif sempre soube seduzir...
;)
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De Maria Araújo a 29.12.2016 às 21:51


Como sempre, a Gaffe no seu melhor:

"Pensam que Kant é apenas uma regra de futebol na boca de Ronaldo - Nã é fôre de jôgue, é Kant! "

Um final de post muito querido, na minha opinião.
Que sorte tem o seu muito, muito querido Rodrigo.
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De Gaffe a 29.12.2016 às 23:31

:)
Já não é o meu "muito, muito querido". Pelo menos no sentido que lhe deu. Provavelmente será o muito querido de outra mulher.
Foi há muito, muito tempo.
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De Maria Araújo a 30.12.2016 às 13:28

Foi esse o sentido, sim.
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De Cuca, a Pirata a 29.12.2016 às 23:59

Tive um desses muito queridos Rodrigos durante um período de tempo, há muitos períodos de tempo atrás, e subscrevo a maravilha. É muito bom.
(Aquela parte de ter que explicar as piadas é que seria dispensável)
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De Gaffe a 30.12.2016 às 10:35

São fofinhos, mas não se lhe pode contar uma piada. É uma canseira ter de lha explicar depois.

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