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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe eleitoral

rabiscado pela Gaffe, em 29.09.15

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A Gaffe atribui grande importância à eleição da Miss Universo. É tão simples!

As candidatas são giras, não maçam muito, sabemos que querem em uníssono acabar com a guerra e com a fome no mundo, mas que a duração do mandato permite apenas acabar com a delas e ninguém apanha a surpresa de as ver fazer o contrário do que dizem. Nelas, o inverso do Nada é uma questão filosófica e toda a gente sabe que a filosofia é para aqueles que têm imenso tempo livre.

 

A Gaffe, nas campanhas para as próximas eleições para a Assembleia da República, não espera ver os candidatos em fato de banho e embora tenha tido o choque amarelo dos calções justíssimos de António Costa, considera o acidente um percalço isolado e prefere avaliar outras miudezas.

A verdade é que, nestas ocasiões, uma rapariga esperta fica sem cenários adequados. O amontoado de gentalha mal vestida, as feiras de gado, as ruas apinhadas de paus e de panos com padrões absolutamente pindéricos, a papelada que se desperdiça – a Quercus devia congratular-se. Mais uma campanha e ficamos sem a época dos incêndios! - e a barulheira descomunal dos tachos e dos apitos, impedem que qualquer pessoa de bem possa interpelar o candidato, pedir um autografo a Mariana Mortágua - que enfrenta banqueiros como uma Valquíria, mas que se torna liliputiana na frente do povo -, ou apalpar o rabiosque a João Galamba.

 

A Gaffe vai restringir-se, em consequência, aos candidatos mais proeminentes, deixando, por exemplo, Gonçalo da Câmara Pereira longe da ribalta, apesar de ser mimoso vê-lo empolado e empolgado a tentar ler o teleponto ao mesmo tempo que procura perceber o que se está a passar ou Marinho Pinto a berrar que nos vai processar a todos. Não se atreve a tocar no MRPP, porque tem medo de ser morta, nem no NOS, porque está fidelizada à MEO. 

 

Resta-lhe o habitual.

 

A Gaffe tem medo de Paulo Portas. Desvia os olhos quando o senhor esganiça no púlpito, com um bicho morto e espalmado na cabeça e um globo ocular gigantesco na barriga. A Gaffe fica arrepiada quando o ouve a modelar o discurso aproximando o timbre das catequistas anzoneiras de província ou das beatas que dentro dos missais escondem estampas pornográficas. A Gaffe sente que Paulo Portas é o sinistro gato - sempre o mesmo - que aparece nos colos dos mauzões. Ninguém sabe o que lhe acontece quando os vilões são apanhados.

 

Passos Coelho parece ter qualquer coisita enfiada no rabo, mas não quer que o eleitorado se aperceba disso. Sorri, como quem abre um figo com os dedos. Dir-se-ia, caso quiséssemos ser cabras – e nunca o desejamos - , que foi de plástico numa anterior encarnação e que ambiciona voltar a sê-lo num futura. Entretanto, é de barro, moldado na peanha de uma troika.

 

António Costa aparece como um tio bonacheirão. Toda a gente sabe que a eternidade é um tio desses que nos promete a fortuna se dele cuidarmos. Acabamos sempre por descobrir que vai estourando as parcas moedas que tem com as mulheres da má vida. A Esperancinha, dizem, ronda cada esquina. Veste-se de verde. Vem um burro e come-a.  

 

Jerónimo de Sousa é o último pedaço que resta das Ideologias. A Gaffe lembra-se de Álvaro Cunhal, sem as sobrancelhas de carpélio, quando vê surgir este velho e calcinado capitão. Surpreende-se quando percebe que o respeita, porque sempre considerou uma tolice a insistência tenaz com que alguém se esbardalha. Simpatiza com Jerónimo de Sousa, porque reconhece instintivamente que mesmo nas derrotas, podemos sempre recusar a venda burguesa por grifar e mostrar o rabo proletário ao vencedor. 

 

Catarina Martins é pequenina. A porcaria do ditado que a aproximará da sardinha, se não erguer a banca da oposição, é ameaça eleitoral. A peixeirada está macerada de contínua e o pescado de tão exposto cobre-se de moscas. Os eleitores esperam ansiosamente vê-la nua, vê-la depois de burka, depois de Índia Tupi, mais tarde de Louça e a usar as bananas de Carmen Miranda para a poder comparar com as rivais.

 

Elencados os candidatos predominantes, resta reparar na pobre gente que neles votará.

A Gaffe já só tem palavras esgotadas - porque gastámos tudo menos o silêncio, porque metemos as mãos nas algibeiras e não encontramos nada -, e uma fotografia avulsa de um dos eleitores. Eugénio de Andrade terá portanto aqui de bastar, em esperas inúteis, já que os elegíveis parecem as Misses.

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23 rabiscos

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De Neurótika Webb a 29.09.2015 às 13:26

Como eu gosto de ler os teus posts....e como descubro tantos pontos de contacto entre nós...que vai desde a fidelização à MEO (não gosto das coisas produzidas pela Mercearia Sonae), à vontade de acariciar o João Galamba, que para mim é o político mais apetecível naquela coisa cinzenta que está ali em S. Bento!
Desconfio que se o João Galamba se candidatasse a primeiro ministro, quisesse transformar a república numa anarquia ou acabar com a sardinha assada....eu votava nele na mesma!
Eu até nem gosto de sardinhas...
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De Gaffe a 29.09.2015 às 13:29

O João Galamba, minha querida amiga, tem o meu voto garantido. Seja lá onde for a urna, seja lá onde quiser e mesmo que não hajam eleições.
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De Neurótika Webb a 29.09.2015 às 13:48

Ainda bem que estamos longe uma da outra, desconfio que em matéria de homens íamos ter um conflito de interesses.
Se ele fosse eleito, desconfio que me candidatava logo a assessora de imprensa!
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De Gaffe a 29.09.2015 às 13:50

Já tinha pensado nisso!

Se fosse eleito, candidatava-me a assessora de in prensa. uma nuance que faz toda a diferença.
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De Neurótika Webb a 29.09.2015 às 14:17

estava aqui a tentar perceber o que faz uma assessora de in prensa....mas o nome promete!
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De Gaffe a 29.09.2015 às 15:24

Uma assessora destas, prensa com a maior ternura e cuidado tudo o que for in no corpinho do João Galamba. Não tem mãos a medir.
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De Neurótika Webb a 29.09.2015 às 15:27

e pronto, já ficou tudo a olhar pra mim com a gargalhada dei.
acho lindamente, devia criar-se um lugar desses...mas só para o João Galamba.
só de imaginar esse cenário no corpo do senhor de Massamá, revoltam-se-me os fígados!
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De Gaffe a 29.09.2015 às 15:40

O senhor de Massamá não tem assessora de in prensa. É só "im pressão".
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De Maria Araújo a 29.09.2015 às 14:53

ahahahahhahahaha! : " nem no NOS, porque está fidelizada à MEO. "

tentava caracterizar este senhor, encontrar as palavras certas que o identificasse a algo ou com alguém.
A Gaffe definiu-o, na mouche : " a modelar o discurso aproximando o timbre das catequistas anzoneiras de província ou das beatas que dentro dos missais escondem estampas pornográficas. "

Excelente, Gaffe, excelente! "que foi de plástico numa anterior encarnação e que ambiciona voltar a sê-lo num futura. Entretanto, é de barro, moldado na peanha de uma troika."

Sabe que também sinto o mesmo? :"Surpreende-se quando percebe que o respeita".

Ahahahahaha! "e a usar as bananas de Carmen Miranda para a poder comparar com as rivais."

Sem dúvida, um esclarecedor post.
Apesar das misses que se nos deparam e com conversas mais do mesmo, não falto ao ato eleitoral.





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De Gaffe a 29.09.2015 às 15:19

Apesar das Misses, vale sempre a pena encarar o voto que pode arrasar todo o desfile.
:)
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De Corvo a 29.09.2015 às 15:02

Xiiiii! Que quadro mais deprimente a menina pinta.
Ausência de vida e de cor, paisagem deserta, estéril, terra vazia, natureza morta, cinzenta e nua esbatida a esfuminho.
Convenceu-me! Vou ficar a ver futebol.
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De Gaffe a 29.09.2015 às 15:17

Não! não faça isso!
Vá votar. Apesar de tudo, vale sempre a pena voltar à ilusão mais colorida.
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De Paulo Vasco Pereira a 30.09.2015 às 01:20

Parabéns pelo post.
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De Gaffe a 30.09.2015 às 09:19

Obrigada, Paulo.
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De F Santos a 30.09.2015 às 08:03

Pois é, é tudo muito bonito mas...
É esta a realidade que temos, e a única alternativa que temos é mesmo ir votar, caso contrário ficamos sempre com um peso na consciência, que poderia ter sido diferente.
Se quisermos mudar alguma coisa nesta situação a solução é darmos a cara, arregaçar as mangas e ir para um partido/organização e fazer diferente do que tem sido feito.
Não ir votar, e não ter em conta o que temos sofrido é mau de mais.
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De Gaffe a 30.09.2015 às 09:20

Subscrevo.
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De Paula a 30.09.2015 às 08:57

Irei lá, claro! Mesmo com a ameaça de chuva que o Instituto do Mar e da Atmosfera tem vindo a mostrar!
Mas que me deu que pensar, deu! Indecisa estou, mais indecisa fiquei! Mas vou lá!
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De Gaffe a 30.09.2015 às 09:19

A chuva já começa a ser um desejo.
Ir, é o melhor caminho.
:
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De Makiavel a 30.09.2015 às 09:35

Bastante criativo.
Realço a comparação de Paulo Portas com os gatos dos maus dos filmes. Muito bom.
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De Gaffe a 30.09.2015 às 09:39

Obrigada.
Tenho uma grande ajuda dos visados.
;)
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De Gaffe a 30.09.2015 às 10:21

Renato,

Peço-lhe desculpa por não conseguir aprovar o seu comentário. Sei que não tem como objectivo qualquer tipo de ofensa a quem quer que seja e que nem sequer é passível de ser condenado, mas custa-me demasiado invadir a privacidade de alguém, sobretudo da forma que apareceria se fizesse surgir o seu "aviso à navegação".
:)
Brincamos com João Galamba que é, sem dúvida, o político mais bonito que conheço e, como duas raparigas tontas que somos, não pretendemos nada mais do que isso. Não creio ser lícito misturar jogos de palavras e tolices num blog, com possíveis "atentados" - a palavra é exagerada, mas não encontro outra de momento - à vida privada do rapagão.

Peço-lhe desculpa por achar por bem censurar o seu comentário, mas sei que compreende e que concorda comigo.
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De eduardo a 30.09.2015 às 19:18

um tema que poderia sugerir uma prosa áspera geralmente tendenciosa acaba por revelar uma macia lucidez de bravura
a menina rabina pinta paredes com um toque caran d'ache elucidativo que não interessa se é ou não importado porque no fim de contas cria valor e isso é que importa
há quem prefira viarco há quem prefira viagra há quem vote neles todos para equilibrar a balança
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De Gaffe a 30.09.2015 às 19:55

Oh!
Eu não sei pintar!

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