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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe enciclopédica

rabiscado pela Gaffe, em 12.02.16

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Não consigo falar de um fôlego só dos meus dois amores que surgem à frente da novíssima e pobre vaga de escritores portugueses.

A obra Matteo perdeu o emprego de Gonçalo M. Tavares, é aquela que escolho para depois, apenas porque soa ainda na sala o som aquático de Afonso Cruz.

Da série Enciclopédia da Estória Universal, Mar recolhe breves pedaços de água em sal entrelaçados, intrinsecamente ligados por uma inevitabilidade que agarra de forma terrível a infância e à maturidade, atravessada, a primeira, por uma rapariga que colhe cartas de amor presas em garrafas por um músico que escreve a perdição da esperança, e, a segunda, por homens tresmalhados, como aquele que traz tatuado o céu na pele.

 

Um livro que abre com a inquietude presa a uma estupenda e crua imagem de invernia:

 

1 Um recado: “Estou lá fora, morta, não tragas a miuda”.

2 Prevaleci agarrada à mão do meu pai.

3 Ficámos os dois parados.

4 A olhar a porta.

5 O pai saiu, o bilhete caiu no chão. Senti aflição e ranger de dentes.

6 Do outro lado via-se a mãe a baloiçar no plátano.

7 O plátano não tinha folhas porque era Inverno e o Inverno extermina as folhas dos plátanos.

 

Depois, cada letra, frase, cada passo no aforismo, cada escolha de trecho a citar, enche-nos de sal e de reflexos de humanas emoções de náufragos que somos - e não ilhas.  

 

Uma obra imperdível.

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10 rabiscos

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De Rita a 12.02.2016 às 18:11

Afonso Cruz é do melhor que já li! Não conhecia esse livro, do autor apenas li "Flores", "Para onde vão os guarda-chuvas" e "Jesus Cristo bebia cerveja". Três leituras magníficas e que "impinjo" a todas as pessoas com quem falo sobre livros.
Quero ler tudo o que existe publicado de Afonso Cruz. Obrigada pela referência

Coincidência ou não, mesmo antes de ler este post comprei o "meu" primeiro livro de Gonçalo M. Tavares, não esse a que te referes no post mas antes "O Torcicologologista, Excelência", vamos ver como corre a leitura.

Boas leituras e bom fim-de-semana!
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De Gaffe a 13.02.2016 às 18:04

Gonçalo M. Tavares não é um autor fácil. Espero que não desista com o embate.
:)
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De simplesmente avô a 12.02.2016 às 18:30



Obrigado pela sugestão
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De Gaffe a 13.02.2016 às 18:01

Estou às suas ordens.
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De Charneca em flor a 12.02.2016 às 23:38

Nunca li nada do Afonso Cruz. Do Gonçalo tenho, autografado, "A viagem à Índia" mas não fez muit o meu género. Tenho alguma curisidade em ler o livro novo "O torcicologista" do qual tenho ouvido alguns excertos na rubrica "livro do dia" na TSF. Desta geração de escritores conheço melhor o José Luís Peixoto, que adoro e de quem já li os livros quase todos, e o João Tordo embora não tenha lido as obras mais recentes dele. Também tenho em espera há algum tempo o "Desumanização" o valter hugo mãe.
Qual é o teu livro preferido do Afonso Cruz?
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De Gaffe a 13.02.2016 às 18:00

"Viagem à Índia" é um dos meus livros favoritos! Um monumento.
Os três outros autores que referes não fazem parte dos meus eleitos.

De Afonso Cruz escolho "Para onde vão os guarda-chuvas". Belíssimo.

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De Charneca em flor a 13.02.2016 às 18:02

Por acaso tenho alguma curiosidade em relação a esse. Um dia ainda vem morar cá para casa :).
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De Gaffe a 13.02.2016 às 18:05

É um estupendo convidado.
:)
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De Charneca em flor a 13.02.2016 às 18:25

Obrigada pela dica ;)

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