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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe passeriforme

rabiscado pela Gaffe, em 06.06.17

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 Trump é divertido.

Trump é um manancial de boas piadas e de trocadilhos bem-humorados. A delícia dos comediantes e uma fonte copiosa de notícias engraçadas que a comunicação social não se cansa de explorar atirando holofotes e lupas às facetas caricatas do presidente da maior potencia do planeta.

 

O serão é bem mais pândego quando, no aconchego do lar, passamos em revista as peripécias que protagoniza e que vão desde as sapatadas de Melania na manápula do homem, ao empurrão no senhor de gravata em riste que se vê de repente ultrapassado e impingido para um segundo plano da fotografia, até se chegar ao maravilhoso covfefe que se vai tornando um clássico da imbecilidade. Pelo caminho o rasto de tolice a raiar a imaturidade patológica é visível a olho nu e a gargalhada solta.

 

A comunicação social vicia-se nestes pequenos truques e malabarismos, nestes minúsculos incidentes patetas, nestas manigâncias tolas de um egocêntrico cravado num tweet, apostada em nos fazer ver a tragicomédia em que se torna uma eleição que faz vencedor um irresponsável mal preparado, populista, homofóbico, preconceituoso, misógino, com tiques de ditador de circo e tudo o que se quiser que Trump alinha.

 

Neste arraial de foguetes mal lançados, as ínvias e mais perigosas - porque não noticiadas - alterações à legislação americana, são vomitadas em surdina por uma administração composta por sinistros, bem preparados - maldosos, gananciosos, implacáveis, racistas, silenciosos e tudo o que se quiser, que tudo serve -, magnatas da desumanidade. Não são notícia. Não consubstanciam alertas. Não merecem o rodapé das televisões. Não nos dizem respeito. Não são susceptíveis de nos fazer rir. Não nos fazem sentir mais inteligentes, mais diplomatas, mais honestos, mais cultos, mais bonitos, mais respeitáveis, mais humanos - e tudo o que se quiser, que sabe bem -, que o homem mais poderoso do planeta.

 

Olhamos Trump já com uma certa complacência, já como uma espécie de sábios observadores da arena da idiotice, porque o que nos diverte, o que é imbecil e age como tal, nos deixa na boca um certo travo de superioridade intelectual, fazendo parecer que pertencemos àquela elite culta e democrática capaz de denunciar e ridicularizar o ridículo, de mostrar ao mundo o que jamais se faz numa cerimónia oficial e que é maravilhoso compreender as implicações do Acordo de Paris.     

 

A comunicação social é responsável directa por este amortecer do conhecimento daquilo que os manipuladores do espantalho vão urdindo pela calada da noite, à luz do dia. Preferem noticiar os solavancos e as torções que os fios manipulados vão imprimindo ao corpo do boneco, enquanto os donos do títere vão devorando o milho.

 

É assustador pensar que quando olharmos finalmente para o campo, depois de termos perdido o medo ao espantalho tolo, reste apenas um ninho de corvos e a terra espetada pelos bicos que a sorvem.     

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24 rabiscos

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De Gaffe a 06.06.2017 às 19:28

Eu acredito que as massas se habituam depressa quer ao lixo jornalístico, quer ao televisivo que não tem ambições jornalísticas, assim como se habituaria se o que lhes é dado não fosse a porcaria que lhes é impingida.

Não me fales em Salazar que me arrepio toda. Tenho tanto medo dele! Cheguei a ter pesadelos com o homem sem sequer ter vivido no mesmo tempo! Imaginava-o tenebroso e sinistro com uma adaga ensanguentada na mão.
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De Pequeno caso sério a 06.06.2017 às 19:36

Graças a Deus que nenhuma de nós viveu nesse tempo.
O mais assustador é que quase ninguém perceba que é para esse tempo que , perigosamente, nos aproximamos.
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De Gaffe a 06.06.2017 às 20:16

No entanto, Salazar acaba por ser um "menino" quando se olha para os ditadores que vão surgindo.

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