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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe pede desculpa

rabiscado pela Gaffe, em 14.11.17

 

Kudlicka.jpg

 

Pedir desculpa é, há muitíssimo tempo, considerado um acto nobre.

A ponte cai matando uma quantidade de gente absurda, o ministro demite-se pedindo desculpa. Um acto de grande nobreza. O país incendeia-se e queima gente, a ministra não se demite e o governo não pede desculpa. Uma falta de nobreza. O Presidente da República apresenta condolências e pede desculpa. Tão nobre. Uma bactéria mata nos hospitais, o ministro pede desculpa. Nobremente.

 

O acto de se pedir desculpa chega com gola de arminho e manto de veludo escarlate. Traz o ceptro da grandeza de carácter numa das mãos e os brasões da elevação de alma na outra. Exige-se o desfilar compassado e grandiloquente do corpo da desculpa pelos corredores das nossas vidinhas. Deslumbrados pela nobreza exibida, aclamamos e reverenciamos o brasonado como capaz deste acto que parece exclusivo do gentil-homem e que lhe revela o cume de um carácter de Evereste e uma alma fidalga.

 

Pedir desculpa é sempre a revelação de uma falha. O reconhecimento de um erro e a assunção da vergonha de ter sido cometido e de sermos responsáveis pelo facto. Nada há de aristocrata - nem de plebeu -, numa atitude que deve ser comum a todas as gentes - a todas as classes, mesmo as definidas pela Idade Média e que, digam o que disserem, perduram ainda.

A atribuição de um carácter nobre a um pedido de desculpa é tão imbecil como o apaziguar da indignação popular quando os grandes infractores assomam à varanda do palácio e confrangidos acenam com os lenços choramingas das desculpas. Se os grandes vigaristas deste mundo abanarem na frente dos olhos dos lesados a alegada nobreza de um pedido de perdão, serão por norma julgados com uma condescendência bem maior do que aquela que é concedida aos inocentes apanhados pelo ladrilhar da trafulhice.

 

Pedir desculpa não engrandece, nem diminui. É um acto inseparável da condição humana. Existe, porque existimos e porque existimos, pensamos - e porque pensamos logo somos, diria o velho sábio se pudesse.

 

Após a admissão do erro, logo se verá.

 

Posto isto, a Gaffe apresenta-vos o maravilhoso atleta checo Jan Kudlička e avisa-vos, meninas, que apesar de não ter grande talento para as línguas, a primeira desavergonhada que se meter à sua frente, apanha com um dicionário na nuca.

A Gaffe pede depois desculpa.

É uma aristocrata.

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11 rabiscos

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De Genny a 14.11.2017 às 11:46

Bom dia, Gaffe!
Desculpa, mas esta desavergonhada acha que vale a pena sujeitar-se a tal mocada instrutiva.
Ai daduuuzzzz
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De Gaffe a 14.11.2017 às 11:52

A menina pediu desculpa antes do acontecimento.
Não vale.
Tem de sair da frente, se faz favor. Peço imensa desculpa.
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De Quarentona a 14.11.2017 às 12:13

Podes guardar o pedido de desculpas e o dicionário que eu desenrasco-me bem na língua gestual :))))
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De Gaffe a 14.11.2017 às 12:22

Há com certeza um gesto fantástico para àquelas coxas monumentais ... ...
;)
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De Maria Araújo a 14.11.2017 às 15:13

Gaffe, não precisa de ter talento para as línguas.
A linguagem gestual diz e faz tudo.
Imagine, agora, a gargalhada que dei.
Gaffe, não precisa de pedir desculpa se alguém se atravessar à sua frente, pelo menos a quem por estas avenidas passeiam.Elas conhecem-na bem.
E que pedaço de homem! Demasiado jovem para uma mulher como eu: baixinha e sem importância, contudo " aristocrata" quanto a pedido de desculpa.

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De Gaffe a 14.11.2017 às 16:16

É verdade!
A língua gestual é fantástica para "comunicar" com este tipo de rapagão.
:)))
Reparou bem nas pernocas?
Nos peitorais?
Nos brações? ... ...
Pois apetece gesticular imenso.
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De Anónimo a 14.11.2017 às 17:15

Claro que reparei, Gaffe!
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De Happy a 14.11.2017 às 17:17

Ias tão bem... Com um texto tão sábio, a roçar a politica e o bom senso. E eu a pensar, 'mas como é que isto está relacionado?'
E vai daí, descambas!
Ainda bem que aristocraticamente, pedes desculpas!
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De Gaffe a 14.11.2017 às 17:51

:)
Está mais relacionado do que à primeira vista parece.
:)

Uma aristocrata não descamba. Divaga.
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De Pequeno caso sério a 15.11.2017 às 00:42

O ato de pedir desculpa é extraordinariamente difícil, quer para os graúdos, quer para as crianças. Nunca percebi porquê.
Acho o ato de pedir desculpa (quando verdadeiramente sentida) uma coisa natural.
Desde cedo me ensinaram que as desculpas não se pedem, evitam - se.
Sigo o ensinamento à risca e não me tenho dado mal. Porém, lembro -me de um episódio em que (quase) apanhei uma palmada do meu pai porque tranquei a minha prima no quarto onde estávamos a brincar.
Motivo ? Simples. Brincou e não queria arrumar. Avisei - a duas vezes e como ela não cedeu, tranquei - nos no quarto.
Claro que o meu pai só ouviu os gritos dela e claro que , quando abri a porta, estava furioso como nunca o tinha visto.
Exigiu - me que pedisse desculpa à minha prima, que assistia a tudo , muda, a gozar o doce sabor da vingança.
Não pedi.
Ele quase me batia... mas como viu que eu não ia pedir, resolveu a coisa de outra forma ( já nem me lembro como).

E a prima?
Arrumou tudo o que lhe competia e só depois abri a porta.

No dia seguinte, pediu - me desculpa porque percebeu que tinha agido mal comigo.
O meu pai, fez o mesmo a seguir e ganhei um dos melhores abraços de sempre.




Quanto ao Checo, não me aquece , nem me arrefece.
Desculpa, mas há outros "atletas" por quem arriscaria levar uma dicionarioletada da Gaffe.

; )



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De Gaffe a 15.11.2017 às 09:24

A minha tribo é perita em fazer com que nos sintamos culpados dos erros que vamos cometendo. Acaba por resultar na esmagadora maioria do casos e torna-se inevitável a desculpa mais sincera e genuína que consigas imaginar. Sempre foi assim. Nem sequer são necessárias palavras para sentir a culpa do erro cometido.

O checo é muito interessante. É evidente que há atletas mais... sufocantes, mas este tem uma coxas giras e um pelinho agradável. Nestes casos, esqueço com bastante facilidade o pacote inteiro ...
... enfim ... há que rever esta última deixa.

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