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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe tipificada

rabiscado pela Gaffe, em 19.05.15

O estereótipo é a maior simplificação do pensamento. O amalgamar das variantes e da miríade de nuances do raciocínio e por consequência, sendo errado, acaba por facilitar um entendimento do social – embora circunscrito - sem requerer esforço. Nessa perspectiva é útil.

Uma das muitas imagens da mulher que se foram construindo ao longo dos séculos, liga-se à tonalidade da pele, à sua tez.

Morenas, loiras e ruivas são caracterizadas com alguma perícia e o tempo encarregou-se de enganadoramente lhes atribuir determinados comportamentos que são tidos como factos e que acabam por fazer as delícias dos homens menos atentos e com propensão para generalizações.

jim-schaeffing-1-728.jpgConsultando alguns dos seus amigos, a Gaffe apurou que, numa súmula, as morenas são tidas como detentoras de uma sensualidade e de uma voluptuosidade digna de nota. São carnívoras e capazes de crimes passionais. Exuberantes, muitas vezes histriónicas, são as representantes das latinas capazes de urdir tramas de amor trágico, atrair Quasimodo e protagonizar óperas repletas de salero. Impulsivas, corajosas e emotivas, são aquelas que fazem parar o trânsito as bambolear as ancas potentes e sinuosas de amazonas com as mamocas intactas. Jane Russell e Sophia Loren são ilustríssimas representantes desta cor.  

4490360416_6592700339.jpgAs loiras são frágeis – salvaguardando-se um lugar de excepção para valquírias de mais de cem quilos -, racionais e calculistas. Protagonizam cenas de Hitchcock e produzem belíssimas princesas de contos de fadas. Frias a roçar o frígido, surgem muitas vezes inalcançáveis e distantes, embora consigam fazer explodir uma incalculável panóplia de fantasias masculinas quando aliam esta aparente inocência de gazela a uma granada de sexo sem cavilha, como é exemplo Monroe. Capazes de tecer dramáticos enredos em que são quase sempre vítimas depois de assassinar alguém ou heroínas de anedotas que fazem parecer que mirraram o cérebro com o platinado. Grace Kelly é hitchcockiana, Monroe a mais bela encarnação de uma guerra aberta dentro dos lençóis.

FV.jpgRestam as ruivas.

Hayworth é uma das mais poderosas ruivas de que há memória. Gilda é incandescente e herdeira de feiticeiras medievas, amantes de Lúcifer e donas do medo.

A dificuldade de enfrentarem o sol escondeu as ruivas nas sombras condenadas. São más, maquiavélicas, esconsas e perigosas. São raras por maldade e comuns também por ela. Não se confia numa ruiva. Nenhum segredo está a salvo de se tornar a bala com que a ruiva atinge o que deseja e o que deseja é sempre carne ou rubis roubados e mesmo quando Jessica Rabbit se torna o sonho desenhado de qualquer rapaz, é de vermelho sanguinário que se veste.   

 

Esta tipificação do feminino não deixa de ser interessante. Não creio que cause dano ao universo feminino e é bem mais benevolente do que os estereótipos com que resumimos os homens. As mulheres cultivam-na subtilmente e as mais espertas não a deixam esbater nas mãos de um feminismo radical. Usam-na para colorir os dias dos rapazes fáceis e banais.

Afinal um estereótipo não passa da mais simples maneira de os enganar.  

 

Ilustrações - Jim Schaeffing

 photo man_zps989a72a6.png

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Gavetas:


17 rabiscos

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De Fatia Mor a 19.05.2015 às 11:43

Já dizia o outro, só é machismo se não for usado a nosso proveito.

;)

Ainda que perceba bem a noção de estereótipo, custa-me acreditar que estes ainda sejam vigentes. Gosto da ideia do glamour, mas com as tintas de cabelo, estes têm vindo a tingir-se (os cabelos e os estereótipos também).
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De Gaffe a 19.05.2015 às 13:38

Mas eu creio que as "tingidas" procuram, nada menos nada mais, do que uma aproximação ao estereótipo.
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De Maria Araújo a 19.05.2015 às 12:20


Gaffe sempre na vanguarda.
Adorei e aço jus do que escreveu.
Já agora, a Gaffe é ...
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De Gaffe a 19.05.2015 às 13:33

Das últimas.
:)
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De Maria Araújo a 19.05.2015 às 12:20


Desculpe, "faço jus".
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De bloga-mos a 19.05.2015 às 13:50

A minha ardente Princesa nunca será das últimas, nunca...
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De Gaffe a 19.05.2015 às 13:53

Sei...
O meu dragão é tão esquivo!
Sou das últimas a sentir a sua chama, já percebi. Há uma multidão de meninas à minha frente prontinhas a ser incineradas por si.
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De bloga-mos a 19.05.2015 às 16:15

Repetindo-me: nunca...
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De Gaffe a 19.05.2015 às 16:26

... Prove-mo...
(Digo muito baixinho para não confundir nada)
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De [Mad]emoiselle O a 19.05.2015 às 14:12

Só posso felicitar-nos, ruivas, por sermos tão incríveis.
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De Gaffe a 19.05.2015 às 14:36

Somos fabulosas, é verdade!
:)))))
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De [Mad]emoiselle O a 19.05.2015 às 15:44

E raras! O que faz com que sejamos ainda mais maravilhosas, dado o numero reduzido de seres desta espécie.
:)
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De Gaffe a 19.05.2015 às 16:01

exatamente e de acordo com o AO.
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De Quarentona a 19.05.2015 às 15:02

Agora fiquei preocupada... fiz madeixas multicolores...
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De Gaffe a 19.05.2015 às 16:02

Nada de preocupações. És polivalente.
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De Corvo a 20.05.2015 às 01:23

Tão polivalente como as outras.
Tanto quanto eu julgo saber a tinta só matiza o cabelo. Ou também o que está por baixo?
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De Gaffe a 20.05.2015 às 09:23

O que está por baixo já se encontra matizado.

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