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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe "trumpolineira"

rabiscado pela Gaffe, em 09.11.16

Kafka.jpg

 

É uma tontice lançar perdigotos contra a eleição de Donald Trump.

O senhor teve os votos suficientes de mulheres, de afro-americanos, de gays, de emigrantes nacionalizados - eu entrei, mas tu já não entras, carago! - de latino-americanos e de mais uma caterva de gente que decidiu dar mais crédito a um estreante com ditos alarves iguais ao penteado, do que a uma mulher com trinta anos de corrimãos, esquinas, vãos, escadarias, alçapões, caves e corredores políticos, com um cabeleireiro que também não é exactamente o mais apropriado.

 

A eleição foi democrática e, em processo igual, foi já eleito Reagan e George Bush. Não se entende as ondas de indignação verborreica.

 

É evidente que a Clinton foi negada indulgência. A implacabilidade com que foram abanados os seus erros crassos, contrastava com uma espécie de benevolência, um tudo ou nada cúmplice, com que se ouviam os petardos misóginos, racistas, machistas e xenófobos do rival, mas existem neste saco alguns pequenos picotados que provavelmente ajudam a entender esta eleição - democrática, sublinha-se.

Trump, sem experiência política, foi cuspindo um palavreado populista que encontrou eco num país que - diz o humorista, - não existe, é publicidade. H. Clinton arrastou consigo três décadas de inoperante mobilidade, tempo e cargos mais do que suficientes para alterar os slogans das oligarquias.

 

É claro, dizem os entendidos, que a economia americana, ao contrário do apregoado pelo candidato eleito, cresce de modo saudável, que a taxa de desemprego diminuiu significativamente e que Obama não conseguiu cumprir parte significativa do que havia prometido porque se esbardalhou contra mecanismos institucionais e constitucionais - democráticos - que muitas vezes travam o bom senso e a possibilidade de se ver instalada a noção clássica de democracia. São este mecanismos, institucionais, constitucionais - democráticos, - que da mesma forma travarão os surtos psicóticos do ocupante da Sala Oval, seja ele quem for.  

 

A vitória de Trump é um facto incontornável e é irritante ver passar a torrente de indignação digital generalizada e inútil, erguendo as trevas de um holocausto nuclear, temendo as fogueiras da Inquisição, da xenofobia, da homofobia, do machismo ou do obscurantismo sexual, escurecendo com muros de vergonhas pagos pelos mexicanos ou transformando Putin num Maquiavel de pacotilha, capaz de erguer a Rússia como uma potência planetária, manipuladora dos destinos dos povos.

 

Escandalizarmo-nos com esta eleição democrática é o mesmo que criticar o plástico de Melania Trump, a decoração do apartamento do agora eleito pelo povo americano ou discursar como os comentadores dos Jornais das Nove que já tinham estudado e concluído e conhecido o resultado desta eleição, mas que não desejavam contrariar as sondagens que são fáceis de enfiar no rabo dos que as ouvem.

É tragicómico.

Trump é o novo Presidente dos Estados Unidos da América.

 

Deal with it!

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29 rabiscos

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De Me, myself and I a 09.11.2016 às 11:46

Excelente e real texto sobre a vitória do Trump!
Parabéns pela clareza das ideias!
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De Gaffe a 09.11.2016 às 11:51

o que interessa agora é tentar lidar com a situação.

Que aborrecimento! Tantas virgens a rasgar as vestes!
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De Me, myself and I a 09.11.2016 às 11:53

É que hoje aborrece mesmo passar os olhos pelos vários post sobre este assunto...não é o fim do mundo tal como o conhecemos!
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De Gaffe a 09.11.2016 às 12:24

Uma choradeira escandalizada com o resultado de uma eleição democrática. um carrossel de indignados e apavorados carregadinho de insultos e de superior capacidade de escolha impressa no "ai, se fosse eu".
Que maçada inútil.
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De Maria Araújo a 09.11.2016 às 12:04

É louco.
Outros como ele por lá passaram.
O mundo t(r)eme, aprendamos a conviver com quem escolheram/ escolhemos.


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De Gaffe a 09.11.2016 às 12:28

O mundo treme e teme demais.
o mundo é um cagarolas, mas apesar disso tende para uma "cagarolice" democrática. Tudo treme e teme ao mesmo tempo, mesmo sem saber qual a razão ou se se justifica tanto tremelique.
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De Psicogata a 09.11.2016 às 12:18

Que se fale da eleição entendo, especialmente que falem aqueles que falam de outras eleições e de outros assuntos relacionados com política.
O que não entendo é os indignados de serviço das redes sociais que estão contra Trump sem saberem porquê e que estão muito admirados com a ignorância do povo norte-americano, haverá maior ignorância do que essa!?
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De Gaffe a 09.11.2016 às 12:26

Verdade.
Temos de os mandar "educar" o povo que elegeu democraticamente Trump. Podem ir no carrinho de linha de um tweet.
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De Quarentona a 09.11.2016 às 13:02

A fragilidade da Democracia reside no facto de ela somente o ser quando vai ao encontro das ideias de apenas alguns...
Estou crente que será uma montanha a parir um rato. E nunca uma expressão idiomática me fez tanto sentido, agora que penso nisso :))))
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De Gaffe a 09.11.2016 às 13:04

Outra verdade.
O rato - morto - a que te referes é o que está na cabeça de Trump, muito oxigenado, certo?
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De Cecília a 09.11.2016 às 13:43

1) sempre é melhor uma Melania primeira-dama do que um Bill Clinton... cavalheiro.

2) as minhas orações estão com o Canadá: não será fácil levar com a Cher, a Barbra Streisand e a Amy Schumer de uma só vez.

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De Gaffe a 09.11.2016 às 18:13

Eu acredito poamente que seja preconceito meu, mas não consigo deixar de suspeitar que existe uma primeira-dama um bocadinho burra, de plástico e fabricada na oficina dos troféus. Não tem charme e parece a fêmea mais cuidada de um jogador de futebol. Sou tão cabra!


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De Cecília a 09.11.2016 às 18:22

somos duas então

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De Gaffe a 09.11.2016 às 18:54

Somos mais, só que ainda não se conseguiu reparar bem no cromo com o brilho das luzes.
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De Pequeno caso sério a 09.11.2016 às 22:43

Então somos duas cabras porque eu penso exatamente o mesmo.

Não consigo imaginar nojo maior do que ter de ...praticar" karaté alentejano" com o Trump. 'Ca nojo!!!
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De Gaffe a 09.11.2016 às 23:26

Uma imagem tenebrosa.

No entanto temos de reter que a mais forte justificação para o casamento e manutenção do mesmo, logo a seguir ao amor, é o dinheiro.
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De Pequeno caso sério a 09.11.2016 às 23:51

Verdade mas neste caso nada, repito, nada do que o dinheiro deste homem (?!) pudesse comprar seria capaz de me convencer.

No que concerne à sô dª Melania acho que percebo o fascínio (blheccc) pelo Trump dado que a senhora deve muitíssimo à inteligência.
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De Gaffe a 10.11.2016 às 00:12

Só pensar vislumbrar a sombra de Trump próxima da minha cama, tenho um ataque de pânico.
Provavelmente Melania gosto demasiado de Raph Lauren e como já tem os discursos de M. Obama prontos, pode fazer de conta que não é de plástico.
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De Gaffe a 09.11.2016 às 18:14

*piamente ... embora "poamente" não causasse qualquer diferença.
;)
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De Fatia Mor a 09.11.2016 às 13:57

Brilhante!
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De Gaffe a 09.11.2016 às 15:51

oh! Merci!
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De anacb a 09.11.2016 às 14:14

Ter de escolher entre dois penteados tão mauzinhos não terá sido fácil, mas realmente os americanos têm uma certa tendência para a (maior) asneira. E já se sabe que quanto mais se bate no fundo, mais ele desce...
:(
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De Gaffe a 09.11.2016 às 15:51

Talvez cometa uma falha imperdoável, mas para ser honesta devo dizer que visitei os Estado Unidos algumas vezes, sobretudo NY onde me demorei o tempo suficiente para observar com muitíssima atenção o que se me deparava, e confesso que o americano "das ruas", aquele com que nos cruzamos a cada passo, não é muito diferente de Trump.
Trump é um soberbo espelho do americano mais banal e mais quotidiano. Assustadoramente parecido.
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De anacb a 09.11.2016 às 16:04

Eu também já lá estive, quando era novinha, e também já conheci alguns americanos e tenho parcialmente a mesma impressão. Talvez por isso não tenho qualquer pancada pela América nem acho que sejam os maiores do mundo. Aquela gente só olha para o próprio umbigo e tem uma falta de conhecimento sobre o mundo que até impressiona. E o pior é que parece que não evoluem. Estou a ser generalista, claro. Mas é nestas ocasiões que me sinto feliz por ter nascido num país europeu e pequenino. Falta-nos muita coisa, mas temos muitas outras para compensar.
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De Gaffe a 09.11.2016 às 16:22

Falta História. Os Estados unidos são realmente uma nação demasiado jovem.
A educação, a educação livresca, aquela que se ensina, a das Escolinhas, é um luxo americano. Caríssima. Daí a contínua falta dela. Reflecte-se depois nas atitudes, nas escolhas e nos comportamentos, por muito que se não queira.
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De Outra a 09.11.2016 às 14:18

É mesmo isto. Será que as pessoas precisam todas fingir-se indignadas com um resultado que tinha 50% de probabilidade de acontecer...Tanto criticam o facto de ele ser xenófobo, machista, bla bla bla mas se votam nele, identificam-se com a mensagem. isso diz mais dos americanos (e do mundo) na minha opinião...
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De Gaffe a 09.11.2016 às 15:46

Não sei se se identificam com as bandeiras de Trump, mas seguem com certeza uma frustração galopante criada por uma classe política descompensada e autista, longe, verdadeiramente longe, dos que a elegem ou dos que se vingam nas eleições.
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De Pedro Wasari a 09.11.2016 às 14:53

Leio o seu blog faz tempo. Mas só hoje me deu para comentar, não que os outros "rabiscos" não o mereçam, mas este merece mais.

Quem votou Trump, votou no anti-sistema. Votaram nele, os excluídos os desiludidos, os que acreditaram "In the land of opportunity", aqueles para quem o sonho, "Uma casa, um carro e um cão" é viver no Eden maravilhoso e (era aqui que eu queria chegar), votaram as mulheres. Deixo a pergunta no ar: Como é possível, que o sexo feminino tenha deixado escapar a grande hipótese de colocar na presidência dos EUA, uma mulher.
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De Gaffe a 09.11.2016 às 16:55

Deixamos por eleger uma mulher, provavelmente porque a mulher que se candidatava não merecia ser eleita, apesar da alternativa ser o Trump.
Não somos tão "defensoras da camisola" ao ponto de não percebermos que a camisola tem nódoas e está danificada.
Mas será que se pode perguntar aos latino-americanos, aos afro-americanos, aos emigrante nacionalizados, aos homossexuais, (...), em suma, aos homens que o elegeram,se a razão do seu voto reside no facto dele ser homem?
Não creio que funcione de modo assim tão simples.

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