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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe vietnamita

rabiscado pela Gaffe, em 25.07.16

 

Esta é uma das fotografias que trazem pronto o que querem que se sinta ou pense ou mesmo como querem que eu reaja. Podemos portanto divagar à vontade que o rastilho é sempre o mesmo. Por mais inesperada, ocasional e imprevista que tenha sido a captura, a foto tem inscrita a história que quer contar.

 

No entanto, esta tem colado um elemento particular bastante interessante.

 

No capacete está escrita a frase de William Tecumseh Sherman e, exactamente por isso, permite-nos uma intertextualidade importante que, se não me custasse muito, daria um post muito comprido e a armar ao fino. Como sou uma rapariga apagada, cheia de calor e começo a não ter paciência para estas teclas, reporto-me apenas a dois ou três grãos para moer enquanto isto passa.

 

Lembro, em consequência do exposto, e assim sem mais nem menos, que se faz tarde e a vida é curta, Voltaire a atribuir a César a extraordinária deixa: Com dinheiro tem-se soldados e com soldados rouba-se dinheiro, dou um voltinha por Agustina Bessa-Luís e a identificação de guerra com orgia - ainda que macabra e negada em consciência, - e apanho na esquina Sartre e o inferno somos nós.

 

Juntos, estes conceitos dão uma data de coisas fenomenais e do tamanho do post que devia ter escrito.

 

Como sou uma rapariga preguiçosa, fico-me a olhar para o rapazito e a sentir exactamente aquilo que a foto quer que eu sinta e que não deixa de ser semelhante àquilo que sente qualquer um que a apanhe por acaso.

 

Foto de Horst Faas - 18 de junho de 1965

 photo man_zps989a72a6.png

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19 rabiscos

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De josef a 25.07.2016 às 13:56

do diário de kafka (cito de memória): " a alemanha declarou guerra à rússia, à tarde piscina".
boa semana, gaffe.
:)
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De Gaffe a 25.07.2016 às 14:23

A leitura é similar à que fazemos com a fotografia.
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De josef a 25.07.2016 às 14:35

sim. similitude e finitude.
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De Gaffe a 25.07.2016 às 14:50

E uma pitada de surreal.
:)
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De josef a 25.07.2016 às 14:52

essa é a melhor parte.
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De Gaffe a 25.07.2016 às 15:16

Desde que nada haja de insecto.
:)
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De josef a 25.07.2016 às 15:30

nem uma borboletazita?
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De Gaffe a 25.07.2016 às 15:39

Só na barriguinha.
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De josef a 25.07.2016 às 15:42

com uma pitadinha da angústia de sartre?
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De Gaffe a 25.07.2016 às 16:13

O existencialismo nunca foi o meu forte.
Li "As Mãos Sujas" e " A Náusea" e afastei-me irreversivelmente.
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De josef a 25.07.2016 às 16:29

era só uma pequenina companhia para a borboletazita. pareceu-me a combinação perfeita em harmonia com a leveza existencial da sua barriguinha.
:)
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De Gaffe a 25.07.2016 às 16:37

Talvez salvaguardando-se Simone - que de borboleta nada teve - Sartre nunca foi uma leve companhia.
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De josef a 25.07.2016 às 16:44

ok. aceito a sua perspectiva. abdicamos então do efeito borboleta. ou do surrealismo? ou de ambos?
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De Gaffe a 25.07.2016 às 16:51

Abdiquemos da borboleta, mas não do efeito.
:)
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De josef a 25.07.2016 às 17:00

:)
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De josef a 25.07.2016 às 16:58

(mas convenhamos que o vasto trabalho fotojornalístico de horst faas também não prima pela leveza)
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De Gaffe a 25.07.2016 às 18:26

Talvez por isso goste mais de Kapa.
:)
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De Maria Araújo a 26.07.2016 às 18:53


Gostava de me desdizer mas, irreversivelmente, o inferno somos nós.
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De Gaffe a 26.07.2016 às 19:10

Há quem diga que são os outros. Vá lá a gente entender.

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