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Ilustração - Fernando Vicente


A minha cantina

rabiscado pela Gaffe, em 13.11.17

A minha cantina

 

A minha professora mandou-nos fazer uma redacção sobre a cantina da escola. É uma coisa muito difícil porque na minha escola não há cantina mas a minha professora diz que assim também não há bichas na comida e a sopa não está viva e que temos de defender a honra do convento. Uma pessoa até fica atrapalhada porque assim de repente nem sabe se há-de falar da cantina se do Pantelhão que é uma igreja com os franciscanos lá dentro todos mortos e onde se janta quando há gente importante com fome. Depois as sobras vão para as cantinas das escolas. Não admira que osa restos venham com bichos lá dentro porque o bichedo ataca as pessoas que faleceram. É o bichedo e a terra porque a minha tia diz que a terra há-de comer-lhe os olhos o que até me faz muita impressão. O último jantar no Pantelhão foi de uns senhores muito modernos que criam ápes e andam de tishartes nas setárapes que são umas coisas que crescem como mato que é preciso cortar por causa da época dos incêndios. O jantar foi muito bom e não valia a pena a gente andar aos saltos no feiceboque a dizer que aquilo é como um cemitério e que não se pode andar a tirar selfes e a enfardar lá dentro. Aquilo foi muito simples e a bem dizer a D. Amália que está no Pantelhão até nem cantou nem nada. Não admira muito porque a D. Amália já não cantava nada mesmo antes de se finar. Só abria os braços com a cabeça toda atirada para trás e dizia Obrigada Obrigada Obrigada agora o povo agora o povo. A D. Sofia e o D. Camões não se armaram aos cágados e não se puseram a dizer versos e por isso o jantar nem foi uma seca que a gente sabe que quando há pessoas a dizer versos não se pode beber nem conversar que parece mal e passamos por burros. Eu gostava de ter ido ao Pantelhão mas a minha prima Idalina disse que mais valia ir à uébesumite que tem mais vida. Não fui com ela porque ela disse que lá não entram cachopos mal vestidos. Só os que usam jines de marca. É assim como aquela coisa do Urbane. Os cachopos que trazem jines com o cu nos joelhos levam tanta paulada que nem sequer se sabe de que cor essas pessoas eram porque ficam todas pretas e depois levam ainda mais porque ficaram pretas. É assim um circo vicioso como há nos hospitais que a gente vai para lá toda doente e sai de lá ainda pior com umas bichas ligianélias agarradas a nós e que depois vão para a comida. A minha prima Idalina diz que é preciso ir em condições. É por isso que a minha prima vai sempre ao Portugal Faxon. Vê aquilo tudo e depois tira ideias. É assim como aquele estrangeiro famoso que fez um saco para as senhoras caro como o caraças que até dava para comprar um apartamento em Moimenta e que a minha prima encontrou depois a sessenta cêntimos no sítio onde foi comprar umas estantes para meter as batatas para as batatas não grelarem. Não foi muito boa ideia porque o meu primo Zeca disse aquela merda nunca se sabe montar e que mais valia uns caixotes uns em cima dos outros que não se desfaziam todos com o peso dos sacos. A minha prima Idalina roubou o saco nessa altura para ir ao Portugal Faxon toda muito enfeitada e a parecer de marca mas tinha uma marcação com o senhor Inácio às onze da noite que é quando o senhor Inácio acaba o turno de guarda ao Pantelhão da minha terra que é mesmo ao lado do cemitério e tem dentro o antigo presidente da Câmara e a esposa a D. Maria José Portugal Duas Vezes. A minha prima como é muito boa nestas coisas pegou no saco e fez um fato para o meu primo Adalberto ir em vez dela. Ficou muito bonito. Vou colar aqui na redacção para verem como passa bem por uma coisa feita pelo senhor do saco muito caro.

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Bem bonito. Parece mesmo do bom. O meu primo Adalberto foi um sucesso. Pena ter ido ao Urbano depois de acabar o Portugal Faxon. Apareceu em casa a altas horas da noite com este lindo fato todo roto e sem se poder mexer e muito menos sentar. Diz que o sediaram tal e qual em holiúde. Só não faz queixa porque o segurança que o sediou lhe mandou uma SMS a gabar-lhe a minhoquinha que encontrou na refeição. Nem tudo é mau. O meu primo Adalberto anda muito feliz e a Idalina já disse que na próxima festa de  uébesumite vai pedir o carro funerário ao meu tio que é cangalheiro para estacionar ao lado do Pantelhão. Assim como assim janta com os setárapes e no fim ainda fica um niquinho de tempo para uma sessão de harderóque de chicote preto no Urbane. Eu gosto muito de comer em casa.

Gui

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20 rabiscos

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De Genny a 13.11.2017 às 15:31

Mas porque se gasta tempo a ler notícias e mais notícias quando o Gui consegue explicar tudo tão bem
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De Gaffe a 13.11.2017 às 15:50

Primeiro o Gui tem de as ouvir pela boca da José Rodrigues dos Santos que se fartou de badalar o processo disciplinar que recaiu sobre a aluna que publicou o video da lagarta e das outras refeições que tais - e que NÃO existe, nem nunca existiu, nenhuma escola abriu processo disciplinar a quem quer que tenha publicado as porcarias que são servidas nas cantinas -, não é?

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