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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe opticalizada

rabiscado pela Gaffe, em 09.07.15

nick sushkevich.jpgA Gaffe foi comprar uns óculos de sol.

Encontrou-os, após penar, suar e quase desistir de tentar evitar as rugas provocadas pelo franzir dos olhos, exactamente iguas aos que Alina Zolotykh usa na imagem.

Não se pode dizer, como é uso, que lhe custaram os olhos da cara, pois deixariam de fazer sentido pousados na cana do nariz, e não se consegue encher a boca com o levaram-lhe o couro e o cabelo, tendo em conta que os está a usar e o contraste que fazem com os caracóis afoguedos é notório.

Digamos apenas que foram carotes.

 

O que mais intrigou esta rapariga nas ópticas visitadas foi o uso do singular aplicado a palavras que não o possuem, sendo invariáveis.

A menina do balcão, aperaltou a simpatia e perguntou se a Gaffe desejava um óculo de sol em massa ou noutro material e se o óculo de sol desejado teria uma lente graduada. Recordou entretanto que um óculo de sol tem de ser robusto.

A Gaffe não saberia o que fazer com uma lente graduada e repetiu que o seu objectivo era apenas o de comprar uns óculos de sol, sem mais nem menos, puros e duros.

A menina informou que lhe iria mostrar uma quantidade substancial de óculo de sol.

A Gaffe esperou ver surgir um bando de piratas munidos de extensivos apetrechos de mirar ao longe, mas refreou a alegria quando a menina simpática lhe estende no balcão um manancial de óculo de sol que não foi do seu agrado.

Três ópticas depois e depois de ter experimentado em todas um quantidade absurda de óculo de sol sem lente graduada, decidiu esquecer singulares amostras e acabou por comprar, segundo a menina amorosa:

-O óculo de sol mais mederno.

 

a Gaffe fica a pensar se o novo Acordo Ortográfico teve a ousadia de surripiar o s a estes objectos tão simpáticos e tão estivais e sente-se feliz por não ter pedido dois, porque suspeita que saíria dali de binóculo.

 

Foto de Nick Sushkevich

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Gavetas:

A Gaffe oftalmológica

rabiscado pela Gaffe, em 19.07.14

Estão a ver isto?
Coisa mais linda!
Mas não é destes que a Gaffe quer falar. Estes são Ray-Ban e pertencem à famosíssima colecção Clubmaster, lançada nos anos 80 e que dava uma piscadela de olho aos anos 50 e aos óculos Browline usados por Buddy Holly e Malcolm X. Foram recuperados agora e são uma autêntica coqueluche por aqui fora.

Mas o que interessa não é isso.
O que importa é que há uns aninhos (mais um para trás ou para a frente) o Armani lançou uma edição limitadíssima de óculos que são a cara destes, com hastes mais largas, anos-luz mais bonitos e sexualmente abrangentes.
Foram usados uns parecidos nos filmes JFK, Cães danados e O talentoso Mr. Ripley. Coisa fina. Custavam uma fortuna. Mas a Gaffe não descansou enquanto não conseguiu compras uns para oferecer ao homem dos seus sonhos. A armação era de tartaruga, com a ligação entre lentes de ouro velho e parafusinhos lindinhos e pequenininhos a prender as ditas, verdes garrafa. Um milagre.

Apesar de maravilhosos, eram pesados demais. Era maciços e chegavam a magoar a cana do nariz. Foi exactamente esta a razão que levou o Armani a retirar o produto do mercado. Ficou prometida uma versão mais leve, mas nunca mais apareceu.


Mas o homem da vida da Gaffe adorava-os. Chispava por eles.

 

A Gaffe ofereceu-lhos!


Com caixinha e paninho para os limpar, garantia e documento assinado pelo Armani atestando a origem e o número de edição! Assim, o matulão que a Gaffe presenteou conseguiu pregar-lhe um par de chifres, mas de modo vintage.

A Gaffe quer ver se o apanha distraído, lá mais para o Verão, e vai tentar recuperar os óculos para os dependurar depois nos dois galhos secos que ainda tem na testa.

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A Gaffe repete-se

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.13

 

De volta ao Verão e, repetindo-me, de volta à interessantíssima aliança do blazer e dos calções.

Assumo que, desta vez, não hesito. O azul é perfeito, a cor e as pernas do rapaz que se adivinham fazem com que a minha santa avó me repreenda e refreie os meus libidinosos pensamentos com um olhar reprovador atirado para dentro da minha consciência.

Há pequeníssimos pormenores que me fascinam. Os óculos com um travo vintage, o colarinho da camisa que desdiz a rigidez aflitiva de Lagerfeld e que entrega ao conjunto uma brisa atraente de estudada negligência, a gravata traçada com o discreto gancho de metal baço e a textura sóbria dos tecidos, fazem-me render por completo, apesar de continuar a pensar que um saco gigante, se o portador tem a envergadura do Marques Mendes, se arrisca a abalar toda a harmonia e a nos fazer duvidar de quem transporta o quê.

Um must em tons de azul, para pousar no ouro das nossas noites quentes e estreladas. 

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A Gaffe pitosga

rabiscado pela Gaffe, em 16.07.12

Encontram-se no mercado uma quantidade absurda de óculos – óculo como diz a minha fornecedora – destinados a entregar aos homens uma distinção razoável e uma aparente seriedade intelectual digna dos correctores e dos banqueiros que ainda se recordam do que foi ser yuppie.

São objectos destinados aos chamados pitosgas, mas que contribuem significativamente para coadjuvar uma imagem que não é isenta de prestígio e de algum charme. Normalmente de armação de tartaruga, complementam condignamente qualquer indumentária mais formal.

Segundo informação suspeita, porque recolhida junto de quem os vende, as armações de metal estão ultrapassadas e o último grito é dado pelo possante e seguro acrílico gordo e assumido.

A gritaria excessiva costuma convencer os que apresentam um aparelho auditivo mais sensível, mas, pelo sim, pelo não, suponho que não é despropositado colocar a hipótese de aliar o útil ao agradável, colocando as vossas dioptrias sob a protecção de exemplares como o da segunda imagem que representam a aliança entre o semi-cegueta e o veraneante de olho em riste, pronto a catrapiscar o que lhe é alheio longe da mira da respectiva lady.

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Gavetas:

A Gaffe veste o rapaz

rabiscado pela Gaffe, em 24.06.12

 

(David Gandy, London Collections Men – 2012)

Redimindo-se do despudor com que, ao acordar, despiu e apresentou David Gandy, esta criatura desavergonhada, volta a deslumbrar-se (com mais recato, é certo) com o fabuloso macho, desta vez chamando a atenção para a conseguida harmonia das texturas e discretos padrões das elegantíssimas peças, destacando, com especial cuidado, os bolsos do balzer e o colete, mas continuando (desta vez corando ligeiramente)  a apetecer-lhe ver tudo despido.

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A Gaffe solar

rabiscado pela Gaffe, em 17.06.12

(Alrick por Paul Smith)

Relembro, embora desnecessariamente, porque toda a gente já memorizou ou intuiu, que um acessório pode com alguma facilidade tornar-se uma peça central de toda a imagem, definindo-a e conquistando-a por completo.

É o caso!

Não se permitam usar os óculos que vos são mostrados sem cuidar minuciosamente do que resta e recordar que o que resta, depois destes exemplares, é muito pouco. Estes dois objectos dominam e canibalizam com uma destreza espantosa todas as peças que a eles se unem.
É um exercício de inteligência, de perícia e de extrema lucidez, fazer acompanhar condignamente estes magníficos acessórios quase propositadamente estudados para assassinar um guarda-roupa menos cuidado.

Poderia arriscar palpites e fazer esvoaçar hipóteses, mas não resisto à delícia que é ver uma rapariga pouco esperta, ou um rapaz com as idênticas capacidades cognitivas, com os olhos protegidos por objectos magníficos, mas que desnudam por completo a escassa desvergonha e o copioso mau gosto crónico dos seus portadores.

Pelo sim, pelo não, seguindo o velhíssimo conselho da minha santa avó: Moço! Não arrisques calçar botas que pertencem a um colosso.

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A Gaffe protege o olhar

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.12

 (Prada - “Deluxe”)

Minhas caras, isto é Prada!

Nada no planeta é tão fácil de se transferir do grupo de acessórios para a qualidade de peça central.

Minhas queridas, se ousarem recatar os olhos com estes Prada, tenham a decência de usar, no mínimo, um Jaguar para os acompanhar e nunca, mas nunca, se atrevam a colorir o corpo com as fantasias sedosas e estridentes de um qualquer Versace de subúrbio.

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A Gaffe enlouquece

rabiscado pela Gaffe, em 24.05.12

(Ellery Quixote - Lucid Fairyfloss & Gold - Limited Edition - Ellery Kym in collaboration with Graz Eyewear)

Ellery Kym chega-nos, a mim por envelope, já que consegue destruir num ápice o orçamento de uma rapariga pouco esperta, da Austrália Ocidental e tem vindo a somar sucessos logo depois da apresentação da sua etiqueta Ellery em 2007.

Aplaudida pelos insiders da indústria, é tu-cá-tu-lá com as celebridades de aquém e dalém tempo, como Madonna ou Lady Gaga (nada que especialmente a recomende), mas faz furor nas páginas da Vogue, Harper’s Bazaar ou Rush.

A parceria com a Eyewear Graz (dirigida por Graz Mulcahy, a força motriz da formação AM e dos óculos Ksubi) tornou possível a Kym concretizar a deslumbrante colecção de óculos de sol com edição absolutamente limitada, absolutamente restrita (logo aparentemente chic) a que pertencem estes preciosíssimos Quixote.

Elegantérrimos, do tipo olho de gato, são oferecidos numa única e deslumbrante cor quase translúcida, a Fairyfloss Luci, e, minhas caras, com hastes de ouro e lentes marrons, podem ter a certeza que, como na canção, os levarão para a praia só para chorar a pindérica penúria em que transformaram as vossas contas bancárias.

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A Gaffe e as armações

rabiscado pela Gaffe, em 22.05.12

(Nackymade, custom glasses from Kobe)

Uma rapariga irrita-se!

Cansamo-nos de sublinhar que usar óculos, rapazes, não é um drama, nem nos provoca qualquer síndrome.

Escolham as armações de massa ou de tartaruga. Há belíssimas no mercado, desde as que rompem orçamentos, às mais simplórias, mas muito eficazes. É maçador ter de repetir que não deixa nunca de ser interessante ver um jovem rapazola que para nos olhar precisa de apoio.

Façamos um desenho:

 

(Giuseppe Vaccaro)

Estão a ver?! Ficam bem mesmo sem um trapinho a acompanhar!

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Gavetas:

A Gaffe a navegar

rabiscado pela Gaffe, em 19.05.12

Rapazes, acreditem que ser-se obrigado a usar óculos deixou há muito tempo de ser caso inibidor.

As lentes de contacto não contactam e as coloridas metem medo.

Procurem as hastes tartaruga de Armani. São estupendas (as dos óculos que das outras não sei) e esqueçam as fotossensíveis, que escurecem mal apanham um raiozinho de sol e que nos fazem crer que estamos em plena rua a dizer disparates tamanhos que obscurecem até as vidraças.

Existem adaptadores com um charme à prova de bala e de sol, que são divinais ver colocar com a perícia que nos garante as outras (perícias), mais íntimas e muito menos visíveis.

Depois, meus caros, encham-nos de azul!

Azul-marinho, eléctrico, do céu, azul profundo ou claro, azul apelativo ou mais conservador, azul impulso, azul magnético, azul em tons de azul aos quadradinhos, azul que tem azul dentro da alma, azul de tempestade ou azul bonança e façam-nos ondear nessas marés.

Esqueçam que sempre suspeitamos da Marinha. Esqueçam que sabemos que um marinheiro sempre teve beijos garantidos em cada porto estranho onde atracava e tornem-nos azuis de tanto mar.

Tudo isto existe, tudo isto é fado, nem todo triste.

Sobretudo não esqueçam, nunca, que as vossas calças nunca devem terminar com a correcção de um corrector e que para navegar não precisam de peúgas.

Uma rapariga esperta odeia ver-vos, depois, despidos de azul, com os pés enfiados em meias de algodão, por muito doce que seja.

 

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A Gaffe de Ray-Ban

rabiscado pela Gaffe, em 09.05.12

Eu sei, meus queridos, que a ânsia de sol é gigantesca, mas o tamanho dos óculos que protegem o vosso olhar de matador não deve ser proporcional ao desejo ensolarado de luminosidade.

Protejam-se com requinte e nunca esqueçam que só assentam bem às moscas os óculos negros com capacidade para cobrir a cabeça e servir de máscara cirúrgica.

Tornem-se adeptos do requinte retro com a actualização sempre perfeita da marca que ajudou a tornar irresistíveis os aviadores de outrora.

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