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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe "atrumpalhada"

rabiscado pela Gaffe, em 27.02.17

Ali Kiani Amin.jpg

 

A Gaffe dá conta que anda demasiado solta.

 

Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos, declara aos israelitas, num tweet, a solidariedade do seu país. A terminar mimoso faz surgir a bandeira americana ao lado da bandeira da Nicarágua.

 

Durante a cerimónia dos Óscares o filme vencedor na categoria de melhor filme é anunciado de modo errado causando constrangimentos na turba - embora a queda de Jennifer Lawerence numa das edições anteriores tenha sido mais convincente.

 

Se este segundo deslize foi claramente propositado, animando uma cerimónia que se vai arrastando penosamente aos pedaços e aos trapos, o primeiro chega a surpreender. Mike Pence não é um sósia de Trump. É um animal manhoso e muitíssimo mais experiente, manipulador e perigoso. Se confunde símbolos num tweet de treta é porque quem lhe vai actualizando as redes sociais não é o mesmo estratega que planeia a entrega das estatuetas hollywoodescas.

 

A Gaffe suspeita que o pobre servo americano que confundiu bandeiras em nome de Pence, venceu o mesmo Óscar de melhor filme que foi atribuído ao La La Land, mas que será mesmo assim obrigado a enfiá-lo no lugar que vemos quando alguém decide filmar um mooning.    

 

A Gaffe aborrece-se quando se vê desperdiçada. É muito mais agradável esmiuçar as tolices de Trump, a gravata do Turmp, a cabeleira do Trump ou a assessora do Trump. Pelo menos sabemos que nos divertimos enquanto o homem vai riscando e assinando com marcador preto os atentados a Direitos consagrados.

 

A esquecermos qualquer coisinha, que seja uma que valha realmente a pena. 

 

Ilustração - Ali Kiani Amin

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A Gaffe desgostosíssima

rabiscado pela Gaffe, em 29.02.16

Alphonse Marie  Mucha 1909.pngA Gaffe esqueceu-se por completo da noite dos Óscares!

Consola-a apenas o facto de saber que se repete para o ano e que, comme toujours, tudo não passará de uma anedota má que deixa de o ser porque é sempre muito bem contada. 

 

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Gavetas:

A Gaffe de lady Chatterley

rabiscado pela Gaffe, em 23.02.15

836360.jpgO conflito de gerações pode parecer nulo quando a proximidade e a cumplicidade parecem fazer dele um ligeiro atrito que surge quando se percebe que existem opiniões que não são convergentes acerca dos óscares.

Para evitar este gotejar de inutilidade, a Gaffe e a sua estimada avó decidiram substituir a célebre noite de gala de transmissão em directo, por uma fita com peso e medida capaz de originar um debate acalorado acerca da fidelidade ou da infidelidade do que se vê ao que se leu.

Escolheram O Amante de Lady Chatterley desencantado na estante de um dos rapazes da casa.

Sentadas no sofá, de mantas da Covilhã nos joelhos, bolachinhas com pepitas de chocolate ao dispor, um bule com chá quente, preto e comme il faut, as duas raparigas preparam-se para comparar D.H. Lawrence com a adaptação de quem não lhes interessou saber o nome.

A primeira cena mostra uma loira Constance com um bâton demasiado carmim que se despe ao som de uma musiquita bastante ranhosa. Renda a renda, colchete a colchete, liga a liga, lacinho a lacinho, a rapariga demora tanto tempo a tirar as calcinhas que a Gaffe começa a suspeitar que não vai tão cedo sair daquele quarto. Nada que as embarace. Estóicas, aguentam a nudez da moça até ao momento em que a rapariga começa a acariciar-se e desata a gemer.

A Gaffe suspende as mordidas na bolachinha.

Sente os olhos da avó, de soslaio, a mirar o ruborizar da neta que tenta manter a postura descontraída que começa a escapar pelas paredes. Beberricam o chazinho.

O constrangimento agrava-se quando se por ali dento entra um compassado Oliver Mellors todo nu e, prolongando o gritedo da moçoila, reduz o Kama-Sutra ao programa da Grécia, ou seja, a um conto de fadas.

A Gaffe espreita a avó preocupada. Receia que a senhora esteja roxa, igual a si, de língua inchada e olhos desorbitados.

A Senhora, impávida, comenta os cortinados do aposento onde o forrobodó é mais do que o previsto.

A Gaffe concorda e refere a beleza do móvel do fundo.

A avó gosta do castiçal.

A luz das velas do castiçal elogiado continuam a iluminar nádegas ali, pernas acolá, maminhas soltas e espalhadas por demasiado grandes planos e a Gaffe está segura que por instantes a clarear mesmo a pilinha do acrobático actor.

A Avó refere a nouvelle vague e questiona a origem do filme.

A Gaffe não sabe, porque apesar de meia hora ter passado ainda não se ouviu ninguém falar.

O grande plano do rabiosque de Mellors encaixado algures nas pernas da rapariga que não parava de gritar e de esfacelar as costas do vigoroso rapagão, encontrou a Gaffe enregelada, a suar constrangimento, incapaz de balbuciar fosse o que fosse e a desejar ardentemente que a avó tivesse desmaiado. Por sua vez, sentiu a senhora petrificada, de chávena de chá suspensa a olhar de lado sem pestanejar para o embaraço desta rapariga, só comparável ao que sofreu quando tropeçou na cauda do vestido e se esbardanhou escada abaixo na noite em que tinha decidido conquistar o homem que a apanhou estatelada aos pés ou quando ofereceu no Natal a caixa de jóias horripilante à pessoa que lha tinha oferecido no ano anterior.

Foi a entrada em cena de Clifford e a sua disponibilidade nua, muito nua, e crua para se juntar àquilo que se via, que levou a concluir que a obra não estava de todo bem adaptada.

- Valha-me Deus, querida! O seu irmão andou a ler a obra errada.

 

Não tenhamos dúvidas. O choque geracional, por muito ténue que seja, deve sobretudo ser evitado numa noite de óscares.  

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Gavetas:

A Gaffe cor-de-rosa

rabiscado pela Gaffe, em 04.03.14

 A Noite já passou. A Gaffe admite que não tem paciência para ficar estatelada no sofá a ver desfilar as vedetas oscarizáveis. Dá uma vista de olhos a Brad Pitt e desanda.

Confessa no entanto que admira alguns pormenores que são documentados depois nas revistas da especialidade. Selecciona alguns detalhes e vai verificando como vão evoluindo ao longo dos anos.

A Gaffe escolheu debruçar-se (e a palavra neste caso é bem achada) sobre os decotes! O modo como uma rapariga mostra as maminhas é revelador. Numa amostra muito sucinta conseguimos ver que, enquanto o tempo passa, nem sempre prescindir do soutien é a melhor opção, mas quando se acerta, o nosso par é sempre um privilegiado.

A Gaffe veste o seu tailleur cor-de-rosa e documenta algumas das vertigens dos rapazes. Não exagera, porque não está vocacionada para estudos com demasiado carácter científico. Vai apenas passar os olhos (jura que mais nada!) por algumas fotografias mais significativas e previne que ficou muito de fora.

   

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A Gaffe nas noites de quedas

rabiscado pela Gaffe, em 28.02.13

Não vou maçar ninguém com comentários relacionados com a noite dos Óscares. Há milhões de blogs que o fazem bem melhor do que eu. Sou uma provinciana invejosa que pensa que replicar mulheres anos-luz mais produzidas do que as quotidianas, banais e atarracadas de trabalho, é uma canseira e uma falta de respeito quase tão gigantesco como os decotes da Gala TVI.

Há no entanto uma fotografia que não quero deixar passar incólume e que prova que não se ganha um Óscar à toa. Trata-se da celebérrima foto da queda de Jennifer Lawerence, melhor atriz no O lado bom da vida.

Quem cai assim, não tropeça.

Um sumptuoso, elegante, deslumbrante, publicitário, sedutor e extraordinariamente bem vestido tombo, é, só por si, digno de ser premiado e permite incluir trocadilhos interessantes no discurso.

Não cai assim quem quer. Cai quem pode e sobretudo quem está a usar um vestido absolutamente arrasador que, durante a queda certa, permite ser atravessado pela luminosidade levemente colorida dos focos nas escadas.

Um momento colossal.   

A última vez que caí, foi no casamento da minha prima. A rapariga exigiu uma cerimónia comme il faut (o marido é um maganta do café) e todos os respeitáveis convidados pareciam ter saído dos armários dos grandes costureiros actuais (e alguns, de outros móveis mais ambíguos). Toda Armani Couture deslizo pelo  atapetado corredor principal e, quase a chegar ao lugar que me tinham destinado (tinham planeado até as idas ao WC), encravo o vertiginoso tacão dos meus Jimmy Choo (caríssimos e feios – sei-o agora) numa dobra mal projectada do tapete e vou por ali fora, disparada a esbracejar, pernas trocadas, tortas, deagraçadas, vestido num trambolho a voltear como um pássaro pedrado, sapato arremessado a aterrar nas orquídeas e caracóis domados pelo Miguel durante à tarde inteira, a incendiar o espaço reservado à alvura do toucado da noiva. Desabei aos pés do padre, logo depois de lhe ter tentado arrancar a batina rendada com as minhas  aflitas e pobres garras já partidas.

Uma miséria que me levou a cortar relações com o café da prima e a abençoar a hora em que recusei o conselho de não usar lingerie debaixo de um vestido apertado no rabinho.

Por isso, sei que cair como o faz  Jennifer Lawerence é como produzir uma obra-prima. Exige experiência, trabalho, dedicação, muitas tentativas, resistência à frustração, e sobretudo talento. Tudo o que não tenho.

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