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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe contratual

rabiscado pela Gaffe, em 06.01.15

A Gaffe contratual.jpgRapazes!

Prometemos que todas as manhãs do ano que se inicia nos renderemos inteirinhas ao vosso charme de pijama se ele for capaz de enfrentar as varandas de frio que faz tiritar o sol que nasce, com o compromisso quente de uma chávena de café servido por um sorriso aberto de avenida.   

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Gavetas:

A Gaffe comprometida

rabiscado pela Gaffe, em 04.01.15

 

Batman.jpgEm 2015 a Gaffe promete que vai seguir o exemplo. 

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A Gaffe nas "Entradas"

rabiscado pela Gaffe, em 02.01.15

the academy oscars.jpgQuando se fala de Ano Novo, fala-se nas Entradas.

Engolem-se doze passas, salta-se três vezes ou sobe-se para uma cadeira.

Há no entanto uma forma de entrar que prescinde de todo o ritual. É aquela que advém do facto de termos a segurança de que nada nos vai impedir de percorrer o caminho que sabemos que é só nosso e que a força dos nossos passos é maior do que todos os voos do albatroz.   

 

O meu querido amigo chegou ao fim da tarde para beijar a minha avó que o esperava desde o amanhecer com a ansiedade de quem deseja muito o presente que sabe que vai ter, mas que demora.
Discretamente, avisaram a minha irmã.
O homem estava esgotado, e era um dó d’alma fazê-lo enfrentar a multidão de corvos luzidios de sedas, reunidos pelos festejos.
- Mais valia seguir viagem, menina! O Senhor já nem sente os solavancos. – Implorava o D. que o foi buscar, do alto do seu metro e sessenta e do seu cabelo pintado de preto assustador.
Mas ele apareceu de braço dado na minha irmã.
O contraste deve ter sido planeado pela argúcia e maquiavelismo da acompanhante. Uma mulher Armani, de Cartier nas orelhas, sofisticada e repleta de requinte, de olhar altivo e saltos iguais e um homem desgrenhado e duro, fechado e imponente, de barba negra e cerrada, de olhar rígido e escuro, de caracóis largos e indomados, de sobretudo amplo e amarrotado e blusão de gola alta. Os dois de braço dado.
O gigante provoca nos tontos que rodopiam na sala o que sempre provocou em toda a gente:
A certeza absoluta de que somos fisicamente mais pequenos do que ele e a sensação de ser ele o mais velho dos homens e de súbito o Senhor de todos os presentes, embora na sala pastem dinossauros.
Atravessou calado os metros que o separavam da avó perante o silêncio imposto despropositadamente pela sua figura deslocada. Ajoelhou-se sem uma palavra  - são estas as atitudes do homem que envenenam de ciúmes os meus primos e fazem disparar o orgulho de o ter como Amigo - e beijou devagar as mãos da senhora já completamente rendida e comovida.
- Como está o meu rapaz?! Vejam-lhe a barba! Só há espaço para os olhos!
O homem parece cada vez maior. Lembra o escuro que se projecta no abismo que é sulcado por tempestades e por luas distantes, mas continua carregado da magia que lhe vem do facto de ter ousado permanecer no sonho, atando uma das pontas a uma pedra.
Pousou a cabeça no regaço da minha avó que lhe tentou dominar o cabelo.
Esperou tudo em silêncio, de copo na mão e colado sorriso imbecil.
Depois ergueu-se, agarrou numa das coxas gigantescas de frango assado com Champagne pousadas na mesa do jantar, e todo besuntado, saiu sem ver ninguém.
Esta é a entrada de um dos últimos românticos que existem.


É destas magníficas cenas que a Vida precisa para ganhar um Óscar.

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Gavetas:

A Gaffe de ano novo

rabiscado pela Gaffe, em 01.01.15

F. Vicente.jpgMudar de ano é como mudar de fato. Não é o tecido novo que nos altera, mas a forma como escolhemos misturar as peças que nos são entregues.  

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Gavetas:

A Gaffe de 2015

rabiscado pela Gaffe, em 31.12.14

Feliz 2015.jpg

 

Feliz 2015 

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Gavetas:

A Gaffe no Réveillon

rabiscado pela Gaffe, em 30.12.14

MM.jpgCom a aproximação da noite da passagem de ano, multiplicam-se as propostas e as sugestões relativas ao modo de nos tornarmos divinais à meia-noite.

Embora não se refira Cinderela – porque é previsível; porque nenhuma rapariga esperta está disposta a largar um Jimmy Choo em nome das fadas e porque todas sabemos que não é agradável sermos perseguidas por um rapaz com fetiche por sapatos – as variantes não são muito imaginativas e fazem com que a Gaffe, ao conhecê-las, fique com o sorriso de Charlene de Mónaco, ou seja, com a sensação de que calcou cocó de cão, mas que não pode raspar o sapato nas grades da varanda porque está a acenar ao povo.

 

O denominador comum é o vestido preto. O argumento que surge em defesa desta peça é o tradicional com um vestido preto, eu nunca me comprometo.

Nada mais tonto. A mais comprometedora peça de uma vida feminina é exactamente o vestido preto, salvo se transformado apenas no pano de fundo de uma gargantilha doada pela coroa inglesa. 

Os códigos que se colaram a este fragmento nocturno são demasiado evidentes e as suas leituras fáceis, porque restritas. Num primeiro relance - e é leviano desprezar este vislumbre - somos fatelas fatais ou sofremos uma fatalidade há pouco tempo. Nenhum vestido preto dispensa duas armas: a elegância rara das panteras, genética e inconsciente, e pernas até ao pescoço.

Surgem depois os brilhos.

Cintila-se por tudo quanto é canto, inclusivamente por aqueles onde não é suposto haver lantejoulas, porque picam quando nos sentamos. A proposta é transformarmo-nos numa bola de cristal de discoteca dos anos setenta.  

Se o brilho não tiver origem na Tiffany's é preferível mostrar as pérolas aos porcos.

Há também um rol imenso de decotes. Decotes e costas nuas. Abismos de carne que abana ao som do Eh! Meu amigo Charlie Brown, Charlie Brown. Sentimo-nos dentro de uma telenovela portuguesa onde as meninas fingem suportar os escaldões do ritmo jamaicano e tentam retirar o fio dental do rabinho enquanto o resto do biquíni prova que não é preciso ser-se boa actriz para fazer parte de uma série televisiva - basta ser-se boa atrás - enquanto lá fora rodopia Julie Andrews pela neve austríaca

 

The hills are alive with the sound of music

 

Embora a elegância não exclua a vertigem dos decotes, é sempre embaraçoso ter o pouco que resta da frente do vestido furado por mamilos enregelados.

Finalmente são sugeridos uns sapatos de tacão com a grossura de um embondeiro ou com plataformas que foram preparadas para podermos atravessar uma rua na Malásia sem sentirmos que estamos em Lisboa quando chove mais um bocadinho.

Minhas queridas, nenhuma flûte Moët & Chandon detém um glamour capaz de resistir empoleirado em dois barris de cascos de carvalho. Uns sapatos cujo salto não humilha o pé da flûte com que brindamos a chegada de 2015, ou são construções de Joana Vasconcelos ou então somos candidatas à Casa dos Segredo - embora uma coisa não se incompatibilize com a outra.

 

O ideal é sempre o que não é referido por um qualquer fashion adviser. Nenhum deles conseguiu, como a Monroe de modo tão certeiro, aconselhar o uso de apenas uma gota de Chanel no nosso corpo festejado.

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