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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe patroa

rabiscado pela Gaffe, em 16.11.17

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Felizmente que neste planeta a estorricar de gente parola e pobre, ainda sopra a brisa do irrepreensível bom gosto e da mais refinada sofisticação.

A Gaffe exulta ao saber que por entre a imundície criada pela falta dos candelabros da educação e de berço das pessoas pobres, cintila o mais refinado dos diamantes brancos, capaz de encolher de humilhação o agora vendido por Isabel dos Santos.
A Gaffe congratula-se ao reconhecer que ao lado de Gustavo Santos - o guru das pessoas sem posses -, a figura que adquire uma dimensão de superior importância é Paula Bobone - a Anna Piaggi que o país merece.

A Gaffe admite que sempre viu Bonone como uma espécie de tola.

Enganou-se.

A Gaffe lê o que consta do anúncio da sua obra de regresso:

 

Com o passar do tempo, e até aos dias de hoje, tudo mudou e sobrevieram outras realidades. O pessoal doméstico passou a apresentar contornos totalmente diferentes e a sua ligação às casas passou a ser uma profissão.

Hoje, cabe à dona de casa imprimir o toque do seu estilo, cuja elegância deve ser marcante.

"Domesticália" é a arte de receber, de sentar e de servir. Uma narrativa interessante sobre o funcionamento da profissão dos empregados domésticos, que certamente irá valorizar e contribuir para o respeito destes profissionais.

 

Não é fabuloso?

Há gente que devia ser canonizada.

A Gaffe só espera que as imbecis que posaram para a fotografia da capa, não se atrevam a dar um empurrãozito no balde para onde a Bobone trepa mesmo quando não tem uma corda ao pescoço. Há gente pobre - pessoal doméstico, na sua maioria -, que não sabe ler e, como é evidente, vai ignorar as páginas da bíblia.

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A Gaffe aos papéis

rabiscado pela Gaffe, em 09.11.17

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 - Estavam à espera de quê?! Que eu o tivesse enfiado no BES?

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A Gaffe de Outubro

rabiscado pela Gaffe, em 30.10.17

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A Gaffe decidiu escolher as figuras que mais se destacaram no mês que agora finda, procurando dar um cunho levemente ibérico à selecção encontrada, pois que de união este Outubro foi profícuo.

 

Escolhe como primeira anotação, e como não podia deixar de ser, o senhor engenheiro, não pelas razões óbvias, mais que abanadas e mais que esfregadas nas páginas do quotidiano de toda a população do planeta, mas pelo facto da Ordem dos Engenheiros ter deixado pendente a informação de não inscrição do senhor engenheiro nas suas vetustas listas. A Ordem dos Engenheiros durante trinta anos desconheceu - ou se conheceu, decidiu que era desagradável incomodar o senhor engenheiro com manigâncias destas -, que o senhor engenheiro não era senhor engenheiro e que o senhor engenheiro tinha passado pelos intervalos da Ordem sem que a Ordem do lapso desse notícia - pois que a não tinha! -, acrescentando porventura  que o senhor engenheiro não merecia afronta tamanha.

A Ordem dos Engenheiros é exemplar na luta contra o preconceito, há que sublinhar. A Ordem dos Engenheiros é indiferente a títulos académicos e preza apenas, isso sim, a personalidade, o carácter, a lisura, a honestidade, o sentido de ética e o respeito pela verdade de quem não tendo uma licenciatura, vive como se a tivesse, assinado mesmo na tenra juventude projectos abomináveis na terrinha.

A Ordem dos Engenheiros considerou durante trinta anos que o senhor engenheiro era senhor engenheiro por usocapião. Convinha, no entanto, inquirir as outras Ordens, pois que pendentes podem estar outras situações de igual amabilidade das Instituições para com os campeões.

 

Esta mimosa advertência leva directamente à escolha do segundo rosto do mês e, mais uma vez, não pelos motivos óbvios - o homem não tem culpa de ser contemporâneo de João Evangelista -, mas pela segunda assinatura no vómito do acórdão.

A senhora juíza Maria Luísa Arantes é uma maravilhosa ilustração daquilo a que os britânicos chamam bitchness. Depreendendo-se que a senhora juíza leu com a atenção exigida – não podia ter sido de outra forma, pois que a senhora juíza está inscrita na Ordem -, é fácil concluir que a senhora juíza coadjuva e subscreve as ilações e as sábias citações do companheiro de Ordem. É portanto uma mulher que também considera que a Lei de 1886 deve ser invocada para suspender a pena a um par de bandalhos que agrediram uma mulher no aconchego do lar, traído ou não.

É irónico ter sido uma mulher a comprovar que quando estão em causa os direitos da mulher, um dos seus maiores detractores, uma das suas mais ínvias e esconsas ameaças, é o facto de entre elas estar o inimigo. Maria Luísa Arantes é tanto ou mais responsável pela suspensão de pena a dois energúmenos que espancaram uma mulher como o senhor de 1886. Convém não esquecer que a violência doméstica exercida sobre uma mulher foi justificada por uma mulher que - temos todos a certeza - leu atentamente o acórdão criminoso, pois que de forma contrária a Ordem não permitiria que se mantivesse magistrada.

A justiça portuguesa não é de modo nenhum um dos pilares da democracia portuguesa, enquanto, no povo que se queixa, existir a angústia de saber quem é o juiz do seu caso, como se dependesse dos humores, das crenças, dos valores morais, dos preconceitos, das manias, das frustrações, das inclinações, da flatulência e do desgosto de cada um dos senhores juízes a sentença proferida. A rua não pode coagir ou forçar a Ordem instalada a alterar comportamentos dos senhores juízes que reivindicam tempo para repensar atitudes. O tempo deles, dos inscritos na Ordem, é tremendamente diferente do tempo dos que se queixaram e entretanto são os afectos e os desafectos que ditam sentenças.

 

Os afectos movem presidentes. A Gaffe escolhe o presidente dos afectos como terceira figura do seu repertório e admite que abraços e beijos conduzem a uma dúvida daninha que vai roendo a imagem que esta rapariga esperta guarda do senhor presidente.

O povo que o senhor presidente beija e abraça e diz defender, responde positivamente à carência de popularidade do senhor presidente, mas não é um povo carente. É um povo desesperado, espoliado, só, isolado, queimado, na miséria, sem apoio e com uma estrutura administrativa cravejada de burocracia - um povo que vê, por exemplo, a ajuda à reconstrução da sua casa travada por falta de licenciamento daquilo que agora não existe, mesmo tendo sido o IMI ao longo de trinta anos cobrado religiosamente -, mas que encontra dentro da desgraça o velhíssimo espírito português - ou alma lusa, como vos aprouver e seja lá o que isso for -, com força para plantar todos os pinhais de caravelas de coragem.

O senhor presidente dos afectos com tanto afecto demonstrado corre o risco de escapar ao escrutínio político a que, também ele, deve estar sujeito e acabar beijado pela mulher-aranha. A mesma mulher que andou a fechar a boca à escabrosa falta de empatia e de sensibilidade de um governo a queixar-se de falta de férias com uma ministra a arder em lume brando e um anafado desenvencilhem-se.

 

É evidente que desenvencilhar é o que terá de fazer o catalão com um penteado que o faz parecer um estranho cogumelo - independentista é claro. Madrid está mais do que habituada a impor monarquias a um povo inteiro e não se comove agora com uma república imposta à sovela. O charme de Filipe VI não funciona neste caso como funcionou a intrigante inteligência do papá em caso anterior. Sem rei, mas com um roqueiro, a república da Catalunha durará enquanto a ambição manipuladora de um oportunista for rainha e existir um inepto, intransigente e ultrapassado primeiro-ministro com tiques de parvo que usam, num caso e no outro, nos prós e nos contra, a voz de um povo que genuinamente inocente acredita que o defendem e que se encerrará o jugo de Madrid, ou a insolência catalã, com a rapidez com que se fecham este mês e este post que duram há tanto tempo.

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A Gaffe sentencia

rabiscado pela Gaffe, em 25.10.17

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O preconceito, sendo a mais básica forma de raciocínio, tem, não raro, como afluentes foleiros, aforismos, tantas vezes ditados populares, frases feitas e expressões várias que trazem dentro a maleita mais ou menos disfarçada.

 

Embora do preconceito sofrido pelo feminino reze a história - sobretudo a bíblica - não é agradável, nem muito esperto, desfraldar revoltas, rasgar vestes ou criar plataformas digitais - onde no primeiro intervalo da indignação se vendem cosméticos e se apela ao consumo de valor acrescentado. É francamente tonto reagir queimando em praça pública - ou seja, no facebook - o infractor que revela ao mundo a sua imbecilidade. Há preconceitos que são uns queridos e apoiam a mulher como nunca a falta deles o fez. Basta que os saibamos manipular e usar conforme as nossas conveniências.

 

A Gaffe, por exemplo, está habituadíssima a ser, como ruiva que é, classificada como predadora sexual, exigente e insaciável. Um mimo que se reporta ao conluio com Satanás, pacto assinado durante os picos da Idade Média e que actualmente tem uma variante - a assanhada.

É evidente que não é simpático ter a maçada de sabermos que a nossa cabeleira ruiva tem conotações sexuais, mas, por outro lado, o preconceito que a despenteia é ao mesmo tempo um repelente de pilas pindéricas. Nenhum homenzinho se atreve a assediar uma ruiva. Sabe que sai da liça completamente esfarrapado, humilhado, com o enxoval em pantanas e a chamar pela mãe. Neste caso, o preconceito é útil e acaba mesmo por nos assegurar uns valentes machos alpha que, desde que se mantenham calados, passam incólumes.

 

Convém não esquecer que o preconceito é na esmagadora maioria das vezes manipulável.

 

Uma rapariga esperta sabe que sendo o preconceito um raciocínio esmagado, espalmado e plano, tem sempre um vértice, uma pontinha, um biquinho, uma arestazinha, capaz de nos entregar a possibilidade de infringir ao detentor do dito uns cortes parecidos com os do papel. Raras são as situações que cortam tanto um menino como aquelas em que o ouvimos declarar, por exemplo, que a cozinha é o lugar das mulheres, ou que a mulher quer-se como a sardinha – este é francamente uma porcaria! Imaginamo-lo de imediato - com alguma comiseração, é certo -, a cuspir os dentes num prato vazio e a tentar mastigar os que vão caindo, com uma espinha enfiada no rabo, só para mostrar que é capaz de grande ousadias e de brutas aventuras todas masculinas. Apetece imenso pedir ao petiz que vá num instantinho à pesca. Sabemos que só assim surgirão hipóteses do pobre ter um encontro amoroso, com promessa de envolvimento sexual. Terá de se apressar - pois que é dito que se vai proibir em breve a apanha das suas eventuais namoradas -, e nessa pressa, uma rapariga vai andando livre de aromas são-joaninos.

 

É evidente que nem todos os preconceitos são fáceis de manobrar. Existem os que se disfarçam de Velhos Testamentos, de sentenças bíblicas ou mesmo de leis anquilosadas que se aproximam imenso da vida dos que as proclamam hoje. São preconceitos que simulam o raciocínio, mas que se transformam em crime.

 

Os preconceitos dos pequenos homens dão imensa vontade de citar as mulheres do Douro e com elas murmurar à moda antiga que homem pequenino - ou velhaco, ou assassino.

 

Imagem - Julio Ruelas -1907

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A Gaffe e uma mulher cumpridora

rabiscado pela Gaffe, em 19.10.17

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Devo dizer que sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza. Se não vier de todo, não perderei a minha fé mas teremos obviamente de actuar em conformidade.

 

  Assunção Cristasministra do Ambiente, do Mar, da Agricultura e do Ordenamento do Território - 2012

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A Gaffe da Ministra

rabiscado pela Gaffe, em 17.10.17

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Os preparativos do baptizado estavam aprontados e a madrinha rejubilava.

O padre da Freguesia, homem dos seus trinta e poucos anos, serrano, robusto e bonacheirão, recusou terminantemente a indigitação da felizarda.

A agora lavada em lágrimas desolada mulher não podia ser a bafejada, porque era divorciada

.- É impura - afirma inflexível o jovem padre.

 

Estamos em Outubro de 2017.

 

Estes absurdos civilizacionais, estas anomalias temporais, estas aberrações culturais, não se confinam a uma área restrita. Estão assustadoramente dispersos por todos os cantos e esquinas em vias de abandono de um país que levou à letra a expressão que lhe agradava e que o dizia um jardim à beira-mar plantado. O que não cabe nesta parola representação, ou se abandona, ou é paisagem. O resto vai-se transformando - mais rápido do que seria seguro e passível de controlar -, em parques temáticos, ocos quando a noite deixa por alguns instantes de se prolongar, visitáveis por multidões que exigem apenas um aglomerado brutal de prestadores de serviços, excluindo, por inúteis, o pensamento crítico, a racionalização do uso do espaço urbano, o uso cultural que dele é feito, as manifestações de inteligência interveniente e a proliferação da ideia abstracta. As cidades entram em gestão. São comandadas por empresários que gerem a urbe exclusivamente como destino turístico. Veneza ou Barcelona, Zadar ou Atenas, Porto ou Dubrovnik - entre outras tantas -, são asfixiadas por milhões de turistas que não se vão dizendo, por ser incomportável - e inconveniente referir em panfleto - os números astronómicos a encontrar no interior de cidades que os não aguentam, cidades grávidas de lixo, cidades que não estão pensadas para os albergar de modo orientado.

 

Como se um coração fosse arrancado a um corpo, forçado a mimar uma existência, bater só por bater, para inglês ver, por se entender que a um corpo inteiro, todo, basta um órgão só a latejar. O resto transforma-se em nada.

 

É neste abandono que há mulheres impuras e se fazem queimadas, de mulheres e de restolho.

É deste abandono que é feita a tragédia.

É neste abandono que arde a tragédia.

 

A necessidade de decapitar um indivíduo, culpabilizando-o pelos cenários dantescos que foram erguidos em fogo, agora - três incêndios por minuto - e há quatro meses, reflecte provavelmente o medo de nos sentirmos responsáveis, o ilibar da nossa consciência, a desculpabilização, a crença na nossa inocência, a convicção de estarmos unidos e de sermos piedosos e humanamente impolutos, capazes de aliar a nossa urbanidade imprescindivelmente turística, o nosso citadino movimento de ancas, à terra mais extrema, onde pasta a solidão azeda, onde uiva a noite mais cerrada, onde a lama não é cosmética e onde morrem velhos sem ninguém saber.

Acarreta ao mesmo tempo a possibilidade de, ao fustigarmos alguém no adro da Igreja, amedrontarmos os outros que, acreditamos, coadjuvaram o maldito. Basta chicotear um indivíduo na frente do povo, para que a multidão que assiste não repita o erro cometido pelo suposto infractor. As ditaduras acreditam neste pressuposto e às vezes nós, tão democratas, não nos importamos nada de o fazer.

 

Ficamos sossegados. Tranquiliza-nos exigir cabeças. Satisfaz-nos ver sacrificado alguém em prol do nosso apaziguamento. Podemos então fazer biscoitos e bolinhos de maçã para acompanhar o chá e acomodar a nossa cosmopolita indignação. 

 

É medonha esta espécie miúda de vingança tresloucada que continua a possibilitar que se exija apenas a culpabilização demissão de uma senhora que nos aparecer sempre como se estivesse em vias de expelir um cálculo renal - sai de quando em vez, quando ela fala -, para que, pelo menos, sintamos que foram punidos os responsáveis e os mortos assim homenageados, mesmo reconhecendo que o trágico resultou de um somatório de circunstâncias naturais impensáveis, extremas e incontroláveis, aliadas a outras velhas, velhíssimas, e sabidas causas, que se arrastaram, se alimentaram e se abençoaram durante décadas, aniquilando os modos de vida das gentes, desolando terras, povoando-as de indiferença, vergando-as a interesses financeiros esconsos ou inscritos em papel de gabinete, ignorando planos de desenvolvimento sustentável das florestas e de reestruturação florestal, e permitindo que a incompetência, a falta de inteligência, a vigarice, os submarinos, a trumpolinice, a privatização dos meios de combate a incêndios, a corrupção daninha, magra ou de grande vulto, o mastodonte da burocracia que atrasa escandalosamente a ajuda a qualquer vítima, a escabrosa manipulação dos planos municipais de ordenamento do território, a correria quase psicótica nos corredores das licenciaturas da Protecção Civil, os 230 milhões anuais arrecadados pelos sucessivos governos que tributam as exportações de celulose - e mais que não se diz, porque há vergonha, há lamento e há uma senhora outrora responsável pela agricultura, mar, ambiente e ordenamento do território, que decide apresentar uma moção de censura ao governo, tentando que se esqueça o que não fez e o que assinou - Lei do Eucalipto Livre -, e um primeiro-ministro a avisar que isto é assim - se tivessem abatido e se tivessem governado durante muito mais que dois anos e quatro meses de mais que certas inoperância, ineficácia e incompetência aliada a uma manifesta falta de tempo para acudir a este lixo acumulado durante décadas, tirar férias ou ir ao cabeleireiro. 

 

Entretanto, ainda há mulheres impuras nos buracos deste jardim à beira-mar plantado, premiado internacionalmente como depósito de turistas.

 

Ilustração - Eliza Ivanova

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A Gaffe de Laurent

rabiscado pela Gaffe, em 20.09.17

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Vi pela primeira vez Laurent Filipe num programa de talentos. Era um dos elementos do júri. Não me despertou interesse. Percebi que era músico, mas aquela espécie de pedantismo mesquinho e paternalismo cretino extinguiu qualquer vontade de conhecer as suas melodias.

Suponho o programazinho lhe deu visibilidade. Acontece por vezes neste tipo de concursos.

Esqueci-o. Esqueço depressa os falsos snobs.

Vi-o ontem.

A breve entrevista na RTP2 servia para publicitar o seu concerto.

Continua a não me provocar qualquer entusiasmo ou interesse. Permanece nele aquele tipo de afectação melada e enjoativa que adivinhei no primeiro encontro.

Apesar de tudo, a entrevista corria bem. Laurent Filipe convidada os espectadores a ouvi-lo. Nada que não se esperasse. De repente, como se metido à sovela, mimando uma ironia que soou demasiado falsete, Laurent Filipe esbardalha-se:

 

- Já me perguntaram se convidei a Madonna. Sim, convidei. Vamos ver se ela aceita – e, sem ter a veleidade de o transcrever com rigor, acaba – às tantas o público que vier ao meu concerto, vê a Madonna.

 

Laurent Filipe prefere ter um concerto seu, repleto, a babar a hipotética aparição de Madonna do que apenas seis cadeiras ocupadas com a música que faz. Acena - vestido com um allure de falso parisiense e mascarando a intenção com uma ironia que não convence -, com uma cenoura vedeta internacional que eventualmente poderá estar ao alcance dos olhos do maralhal parolo que lhe comprou os lugares que restavam, depois do músico ter convencido os amigos a marcar presença.

 

Esta macacada pacóvia atinge demasiados espaços do apelidado universo cultural português reduzindo-os - incluindo o público e os obreiros culturais que deles fazem parte - a uma amorfa cambada de cretinos parolos, sem critérios que não sejam os dominados pelo livrinho de autógrafos e pelo poster ranhoso colado a força de saliva na parede da mediocridade.

 

Prefiro Salvador Sobral e os seus gases.   

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A Gaffe de Anabela

rabiscado pela Gaffe, em 04.09.17

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Anabela Mota Ribeiro informa, com o seu habitual fastio de Greta Garbo dos chineses, que nesta edição da Feira do Livro do Porto, haverá pela primeira vez as Spoken Words.

A primeira Spoken Words dedicar-se-á à demanda de Saramago para uma melhor compreensão da sua obra.

 

Convém que os bichinhos ouçam com muita atenção, agradeçam e admirem, porque Anabela Mota Ribeiro teve a maçada de descer da estratosfera onde convive com o pensamento abstracto, com os mais complexos conceitos e com as mais eruditas vozes de peso cultural inominável, num tu-cá-tu-lá de capelinha, para comunicar aos gentios, aos terráqueos, aos pobrezinhos e aos mais desfavorecidos, que se realizarão as Spoken Words, pela primeira vez, na Feira do Livro do Porto, e que, pese embora o aborrecimento que lhe causa ter de avisar o populacho, a divulgadora generosamente permite que a ouçamos a fechar vogais num timbre onde o spleen espreita muito chique e com sotaque capaz de humilhar Sua Majestade inglesa.

 

Não sei o que são Spoken Words. Não são debates, pois que existe a palavra para os nomear; não são mesas-redondas, pois que a expressão está viva quando existe o círculo; não são conferências, visto assim se chamarem quando surgem e não são defesas de teses cultíssimas que tudo parece já mui doutorado.

 

Spoken Words provavelmente é apenas uma expressão pacóvia ouvida quando não se consegue disfarçar a parolice e se usa um estrangeirismo giro para substituir o que em português se entende como muito visto, já muito normal e sem nada de novo a esbardalhar.  

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A Gaffe trendy

rabiscado pela Gaffe, em 19.07.17

André Ventura

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A Gaffe no Mali

rabiscado pela Gaffe, em 19.07.17

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É curioso verificar que o único filme que aqui sugeri, referenciando-o como de interesse significativo, tenha sido um da realizadora libanesa Nadine Labaki, e que, neste momento, encontre num realizador da Mauritânia uma idêntica importância.

 

Ao contrário do primeiro - E Agora, Onde Vamos? -,Timbuktu não permite sorrisos, embora, e de um modo estranho, acabe por nos confrontar com realidades similares que se confinam ao esmagamento de toda a liberdade por força de opressões que se ligam alegadamente aos deuses.

É curioso também como as duas abordagens a este facto podem ser ao mesmo tempo díspares e convergentes, acabando, as duas, por revelar como é ínvia a existência de formas opostas de se sentir a mesma divindade e como essa alternância pode significar destruição de uma destas visões.

 

Do realizador Abderrahmane Sissako, o filme é uma belíssima longa-metragem que se torna imperdoável não ver.

 

Tem Timbuktu, Património Mundial da UNESCO desde 1968, no Mali, como uma das personagens mais marcantes e é o deserto que constrói a coloração do filme, apenas rasgada pela terra ocre e queimada, saturada e tantas vezes luminosa, dos tecidos e dos adornos das mulheres.

 

Em 2012, a cidade é ocupada por um grupo islâmico fundamentalista liderado por Iyad Ag Ghaly.

 

Timbuktu é invadida por leis, por medos, por proibições, pela desumanidade que trespassa a vida de cada um dos seus habitantes, tragicamente, dolorosamente, comoventemente.

É nesta construção opaca e implacável de inibições e de desmandos, de opressão, de repressão, de crueldade insana e irracional, de desmantelamento da arte de sonhar, que se inclui a proibição da música, da dança, do riso, do canto e da visão dos corpos, dos rostos e das mãos. É nesta brutalidade que esfacela à força a vida de Timbuktu, que, por entre este massacre, se vai erguendo a extraordinária floração daquilo que foi interdito.

 

A mulher que estoura em canto enquanto é chicoteada por ser apanhada a cantar.

A outra que prefere a morte a amanhar o peixe com as mãos vestidas.

O jihadista que se transforma em pássaro, dançando às escondidas, porque foi bailarino.

O jogo de futebol que é jogado sem bola, ou com a bola que inventamos quando há esconderijos de sonho por demolir.

 

Ao lado, ou mesmo em cima de nós, uma banda sonora magnífica, dolorosa, desértica, ou então impulsiva, quente, colorida e feliz, tantas vezes interrompida, emudecida, pois que é proibida toda a melodia.

 

Timbuktu é sem sombra de dúvida - como poderia, se sol a pique invade aquele povo? - um filme fabuloso.

 

Acaba por nos fazer sentir gazelas. 

 

 

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A Gaffe editora

rabiscado pela Gaffe, em 17.07.17

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A Gaffe decide-se pela edição e torna-se detentora de uma revista cujo primeiro número aparece neste exacto momento e em primeiríssima mão.

 

A capa é em inglês apenas por duas razões:

 - A necessidade de a internacionalizar a muito curto prazo;

- O facto de ser parolo. Todos sabemos que neste recanto à beira-mar plantado o parolo vende que é um disparate - que o diga, por exemplo, Miguel Araújo que de acordo com Fátima Campos Ferreira passa a vida a cantar em inglês.

 

A Gaffe encontrou sérias dificuldades na escolha do tema de abertura a destacar na produção da capa. O ideal seria aproveitar um assunto disponível, fácil, logo ali à mão, capaz de criar controvérsia, originar discussões monumentais e todas imbecis nas redes sociais, com insultos execráveis logo ao lado de dissertações patéticas acerca do focado.  

 

Chegou a pensar na fotografia de Gentil Martins com uma pequena transcrição das suas opiniões, eivadas de preconceitos, acerca dos homossexuais - opiniões esbardalhadas em ambiente oficial e não no aconchego do lar em amena cavaqueira com um amigalhaço -, mas este querido e admirável cirurgião, que não tem lido muito a documentação oriunda da OMS - DSM e CID-10 é que nem cheiro -que lhe é entregue, já nem uma vedeta americana reconhece nos passeios por Lisboa. Pertence ao início da era pré-Madonna em que, como se sabe, a comunidade gay se confinava ao armário dos medicamentos e não saía muito, nem abundava nas Semanas de Moda e na Moda Lisboa.

Apesar de se poder tornar numa capa jeitosa, não renderia o ambicionado.

 

A verdade é que não é de todo imediato encontrar livre um nicho susceptível de ser aproveitado para gerar dividendos e nos pagar as férias na Grécia – Antiga o mais possível, que é na Antiguidade que há muita Mykonos à solta - e em simultâneo capaz de nos catapultar para o palanque das heroínas que empunham as bandeiras de causas esmagadas pelas opressões sociais e de nos entronizar como defensoras de determinados grupos ou específicas minorias. A revista CRISTINA açambarcou esta vertente, aproveitando dois homens que se beijam e duas mulheres nos mesmos preparos, para esbardalhar na capa como se fossem surpresas. É evidente que a Gaffe ficou sem hipóteses imediatas de ganhar uns valentes trocados e ser santificada ao mesmo tempo.

 

Pelo sim, pelo não, decide manter as âncoras no mesmo oceano e abordar o tema tão adverso a Gentil Martins, mas com uma pitada de suspense, que não fica mal, e uma ou duas insinuação de cariz mais intelectual que vão despertar a curiosidade aos eventuais compradores mais cerebrais. Depois, meus caros, o tema desta forma abordado e aproveitado é bem capaz de transformar a Gaffe em ícone das minorias e em simultâneo aumentar-lhe significativamente a conta bancária.

 

A revista não tem conteúdo. Não tem nada dentro. Só tem a capa. A Gaffe garante que esse o único ponto comum entre a GAFFE Magazine e a revista CRISTINA.  

 

As assinaturas estão ao vosso dispor.

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A Gaffe arrasada

rabiscado pela Gaffe, em 16.07.17

Notícia de rodapé.

 

A pátria de um porco é em toda a parte onde haja bolota. - F. Fénelon

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A Gaffe policial

rabiscado pela Gaffe, em 13.07.17

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Um choque, a polícia.

A Gaffe está escandalizada.

 

Aonde estão os polícias pachorrentos, bonacheirões, gorduchos, fofos, que ajudavam velhinhas a atravessar, que paravam de bloco de notas debaixo do braço cruzado só para nos deixar passar, que escondiam o casse-tête com a barriga e que tinham um apito lustroso com que arbitravam os jogos da pequenada?!

 

Os actuais são matulões hirtos e firmes como barras de ferro; umas cavalgaduras mal-encaradas; com fardas que ficam um mimo naqueles rabos; com queixos quadrados e másculos; olhos de lince, lábios de mosto, quem faz um filho falo com gosto; peitorais talhados em mármore; coxas de embondeiro; armas por tudo quanto é canto - e os recantos que eles têm! -; sempre prontos a disparar e dispostos a torturar, a espancar e a insultar a gente pobre que, como é sabido, não tem princípios, não olha a meios e que no fim, é bom de ver, acaba como o Lula: grelhada.

 

Uma maçada.

 

A Gaffe pega num pauzinho - não vá o rapaz cumprir a ameaça - e tenta cutucar Salvador Sobral de modo a que o menino dê autorização para que Amar Pelos Dois se ouça ininterruptamente nas esquadras da polícia. É evidente que há alterações a fazer à letra. O eu sei que não se ama sozinho revela apenas que Salvador ainda não descobriu os prazeres de Onan - não sabe o que anda a perder -, não se coadunando com os Hill Street Blues que amam aos magotes e fazem patrulhas com imensa gente, mas a tranquilidade, a doçura, a abnegação, a suavidade e a finura da canção teriam um efeito muito Zen na adrenalina desenfreada que provoca uns tantos desacatos e que tem tendência a esbardalhar contra as grades aquelas coisas maçudas que se escreveram na Constituição e que os hippies dos Direitos Humanos decoraram.

 

É evidente que, por outro lado, e no outro lado, seria aconselhável emitir também ad eternum uma cançoneta apaziguante. A Cabana Junto à Praia do Cid é perfeitamente capaz de dissuadir os delinquentes de azucrinar a paciência dos agentes, convencendo-os a dar uma voltinha no areal da Caparica tendo sempre o cuidado de evitar o sol do meio-dia que, como se sabe, mirra imenso as pessoas. Assunção Cristas pode perfeitamente tratar do sonoplastia, pois que calça uma botas e veste umas gangas para calcar cocó à vontade e, segundo reza a própria, é motivada por Jesus que sabemos ter sido uma pessoa amorosa e boa.

 

Como nota apensa, pois já que nisso se fala - e tendo em conta que a Gaffe se preocupa imenso com os veraneantes menos conflituosos -, é pertinente repetir:

 

O sol em excesso mirra as pessoas.

 

Não adianta depois tentar soprar que não voltam ao normal. Só incham. Pode inclusivamente fazer com que mudem de sexo. A pila com o calor envagina. Provavelmente é essa a razão da enchente de banhistas estranhos ao meio-dia, no Meco.

Seria muito importante criar uma campanha parecida com a se esbardalha nos maços de tabaco e sem o patrocínio de ninguém.

 

A Gaffe sugere um antes e um depois com um aviso mimoso:

 

ANTES

CP2.jpgCUIDADO

O sol mirra as pessoas

 

 

DEPOIS

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Não adianta soprar que só as incha

 

Agora, meus amores, vou incendiar as redes sociais e volto já.

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A Gaffe quintinada

rabiscado pela Gaffe, em 04.07.17

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A Gaffe considera que retirar a possibilidade de ficar maravilhada ao ver as borboletas frágeis que batem asas nos comentários que vai lendo e ouvindo por aí, é uma barbaridade. Uma criatura tem o direito de se espantar de quando em vez com o lado negro da força e de se sentir uma deusa ao imaginar o cérebro dos que originam estes deslumbres que, embora macabros, não deixam de nos apontar a dimensão que pode atingir o buraco negro onde vastas vezes se enfia parte da humanidade.

 

Exactamente por tal, a Gaffe está solidária com Quintino Aires.     

 

Este menino é um ídolo. Um dos seus maiores fornecedores de embasbacamentos. Vai e vem, vem e vai, e neste ir e vir entrega ao povo uma surpresa.

 

Para além de considerar que andar atrás das galinhas e das cabras e das vacas com intuitos menos cavalheirescos, com intenções menos próprias, com impulsos mais libidinosos - sem sequer as levar primeiro a jantar e descartando a elegância de lhes telefonar depois a dizer como foi importante aquela noite à luz da lamparina campestre -, consubstancia uma comunhão com a natureza, Quintino Aires revela que são os ciganos, a esmagadora maioria da ciganagem, a traficar droga e a esbardalhar esquinas com as costas preguiçosas e manhosas.    

 

A Gaffe acredita que conhecer biblicamente uma galinha ou uma ovelha, não é de todo a imagem que se lhe depara de uma noite badalhoca no Hilton, mas já admite que uma vaca não é de estranhar nestas posições, tendo em consideração a quantidade de bovinos que por lá vão passando. Quintino Aires provavelmente referia experiências passadas que eventualmente lhe foram narradas por um ou outro paciente seu, muito ecológico e mentalmente em comunhão com a Mãe Natureza que tanta gente diz ser uma cabra.   

 

Tendo em conta a profissão do seu rapagão e tendo-o já apanhado com o braço enfiado até ao cotovelo no pipi de uma vaca, a Gaffe vai prestar mais atenção às mensagens e aos contactos no telemóvel do homem.

 

A Gaffe, como é sabido, é chique. Não se aproxima dos ciganos. Escolheu mesmo a plataforma SAPO para albergar as suas elegantes divagações exactamente pelas razões que se adivinham.

Como criatura elegantíssima que é, só trata da maquilhagem do nariz na Linha. Desconhece portanto os negócios do povo nómada que nem sequer sabe traçar um turbante em condições e que não distingue um tapete Balúchi de um Gabbeh, porque os rouba sem qualquer critério estético. Não lhe interessam os pobres que vivem em tendas cobertas por lonas, sem qualquer intervenção de Gracinha Viterbo, e que permitem que 75% da sua comandita engane as pessoas civilizadas com porcaria dos chineses.

É evidente que o pó da Comporta é muito mais fino e trabalhado.

 

No entanto, a Gaffe ficou desta vez muito assustada com Quintino Aires. O maravilhoso profissional de psicologia afirmou que quem fuma charros em demasia - ou coisa que o valha, porque nestes casos há fogos sem fumo -, sobretudo os vendidos pelos ciganos, mais cedo ou mais tarde acaba na cama com uma pessoa do mesmo sexo. Com grandes hipóteses de ser com o dealer - a Gaffe acrescenta, pois, tal como ela, toda a gente de bem conhece a tendência que estas criaturas têm para a vida fácil.

 

O susto ficou acoplado às dúvidas existenciais que a assolaram de imediato:

 - E o inverso?

- Será que uma rapariga que vai para a caminha com outra, caminha em direcção à droga? Será que cedo ou tarde ilustrará o título da obra de Miguel Sousa Tavares transformando-se numa Madrugada Suja?  

- Será que um rapaz que acaba na cama com outro numa Sexta-feira à noite vai na manhã seguinte injectar morfina na pila? Ou será que aproxima o rabo de uma linha de coca só para se esquecer como lhe dói a vida?

 

São questões pertinentes e deveras preocupantes que devem ser esclarecidas por Quintino Aires numa das suas próximas aparições no programa de Cristina Ferreira, já que Goucha provavelmente estará no camarim todo mocado.

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A Gaffe a latejar

rabiscado pela Gaffe, em 30.06.17

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A Gaffe, de quando em vez, e lê os jornais e e vê os bonecos. A Gaffe, de vez em quando, está atenta ao latejar do seu país

 

É uma atitude que a maça imenso, mas que considera essencial para seu crescimento intelectual - coisa que, como é sabido, eleva qualquer um, apesar de ser mais interessante ver a chuva a cair e gatinhos a miar na rede.

 

Num destes batimentos auscultados, a Gaffe ouviu Passos Coelho a exigir sentido de Estado aos governantes, pouco tempo depois de ter anunciado suicídios em Pedrogão. É evidente, meus caros, que Passos Coelho se referia a ameaças de suicídio e não aqueles que só aconteceram porque um malandreco exagerado se lembrou de os inventar. Não se pode olvidar – a Gaffe estava ansiosa por usar um termo parlamentar! – que Passos Coelho sempre foi um visionário, um profeta disfarçado de estadista. Tendo em consideração a cinza que caiu nos móveis, que dá vastíssimo trabalho a limpar, uma paisagem toda cinzenta pela frente sem uma única piscina a funcionar no verde de uma espreguiçadeira, será bom de ver que depressa deprimimos. É evidente que o sentido de Estado pode e deve anunciar o que prevê após os factos ocorridos e que pode mesmo lembrar, caso ainda não seja projecto das vítimas, que o suicídio de uma criatura já calcinada por dentro pode ser mais uma belíssima oportunidade para arrasar a Constança. Se os suicídios não ocorreram e não existe previsão de tal, podemos sempre recorrer a um paspalho que nos mentiu e cravar no lombo do diabo um belíssimo e tão jeitoso foi ele que me disse, que pode ser usado também quando Passos Coelho de sorriso careca acarinha mimosamente o eucaliptal desgarrado, ilibando o pobre de incendiárias responsabilidades. Toda a gente sabe que o eucalipto é uma plantinha fofa, com características que não assustam nada e que só arde se a Mariana Mortágua a irritar muito. Passo Coelho sublinha o facto com veemência, ateando a botânica que lhe dizem.

 

Convém no entanto reter que este acreditar duro e puro naquilo que se ouve pode, não raras vezes, produzir benefícios.

A menina finalista que sabia de antemão, por fuga de informação de uma comuna sindicalista, que o seu exame contemplaria Alberto Caaaaaaaeiro, acabou possivelmente muito orgulhosa com a classificação que obteve, embora a Gaffe acredite que quem pronuncia Caaaaaaaeiro ao nomear um heterónimo do poeta, dificilmente lerá com rigor a pauta – ou a pôta? - onde se esbardalha a sua vigarice recompensada. Como será bom de ver, tornou ao mesmo tempo dificílima a localização da responsável pelo crime, tendo em conta que, para quem diz Caaaaaaeiro, todos os sindicalistas são comunas.

 

A Gaffe - para finalizar, que tudo isto é uma maçada -, sublinha que, contrabalançando estes extremos ocupados por um dito descompensado e um feito recompensado, podemos encontrar no meio Salvador Sobral. Foi lamentável o rapaz não ter dito e feito, colocando o microfone no rabo, gaseando as suas dúvidas, mas a verdade é que até esta pobre rapariga se debruçou estúpida, parva, imbecil, a cheirar uma mentirinha musical.

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