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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe ensacada

rabiscado pela Gaffe, em 15.03.17

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É extraordinariamente difícil para um rapaz aguentar, impune, as calças cuja cintura descaída se alia ao um cós profundo, avantajado e quase infinito.

Não há paciência para tanto pano e para as inevitáveis suposições escatológicas que são permitidas pelas fraldas que parece estar a usar.

 

A absoluta necessidade de se possuir um corpanzil digno de registo e a urgência de se estar guarnecido de umas pernas com comprimento assinalável, obriga a cuidados acrescidos quando se escolhe este desenho.

 

A ousadia, na ausência do apoio físico requerido, torna-se inconsciente e tonta, fazendo crer que vos deslocais, rapazes, apenas com a parte superior do corpo. Tendo em conta que quem esta escolha faz, sem grandes pernas para o salto, não tem cérebro, concluímos rapidamente que apenas se move o vosso tronco. Um tronco que se mexe pode ser agradável em várias circunstâncias, mas confesso que assusta quando o vemos na rua, com dois pés.

 

O problema complica-se imenso quando a inexistência de cérebro se reflecte na escolha dos complementos para esta peça. A harmonia do conjunto é embargada com uma agilidade inesperada e torna-se desesperante ver entrar pelos nossos olhos sacos largos de variadíssimas texturas, tramas e padrões, contendo pouca coisa susceptível de figurar no nosso repositório principal.

 

- O ideal não anda sem ter pernas - diria Chanel se cá estivesse.

- Sem pernas, o ideal é não tentar andar -  digo eu que sou da aldeia.

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Gavetas:

A Gaffe e os rapazes descidos

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.15

Meus queridos e jovens amigos, se estão dispostos a transformar a vossa imagem naquela que vos possibilitará um relativo sucesso junto das multidões que querem ver aos vossos pés, não usem calças com cinta nos joelhos e cós a tocar onde querem que as multidões se encontrem.

As bags (chamam-lhes abreviadamente os entendidos) são um erro de casting, uma abominação com demasiado pano entre as pernas, local onde deveria situar-se outro tipo de atractivo, uma tragédia que vos faz parecer bassets infelizes, dachshunds perturbados ou, na melhor das hipóteses, alguém que em breve terá graves problemas ortopédicos pela forma como caminha neste vale de lágrimas.

As calças, meus queridos, devem estar bem localizadas, assentes na cinta ou ligeiramente abaixo dela, seguras com perfeição nas pequenas ancas por um acessório discreto e digno e de provocar inveja aos mais fleumáticos dos britânicos. Devem, nos mais conservadores, insinuarem a musculatura das pernas sem a bazófia dos halterofilistas ou, nos mais ousados, recorrerem ao que se convencionou chamar slim, ou seja, não devem apertar o que é desnaturado esmagar, mas podem acompanhar o formato dos músculos ou mesmo revelar que não existem.

É evidente que, mesmo seguindo esta pequena recomendação nem todos se transformam no exemplo dado, mas, pelo menos, deixaremos de ver os sacos do Continente enfiados nos meninos das ruas das nossas vidas, com boxers estampados a espreitar por cima dos legumes.

 

Na foto - D. Gandy por Mariano Vivanco - Dolce & Gabbana

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Gavetas:

A Gaffe de rabiosque

rabiscado pela Gaffe, em 21.02.15

rabiosque.jpgRapazes, embora não vos seja evidente e imediato, o vosso rabinho é uma das regiões que uma rapariga vistoria com assiduidade e muitas vezes aquele que decide se vale a pena viajar pelas restantes.

Um rabiosque em boa forma, dentro de uns jeans, faz por vós muito mais do que qualquer jantar à luz das velas.

Reconhecendo o facto, a Gaffe decidiu partilhar o único segredo que existe para que o vosso rabo, por muito fracote que seja, pareça saído das cuecas do Olimpo, em grego Όλυμπος - não vá isto parecer muito ordinário.

Os jeans devem permitir que dois dos vossos dedos consigam entrar sem dificuldade no espaço entre a parte traseira das calças e as vossas costas, ou seja, um espaço de cerca de 4/5 cm entre o tecido e a pele das vossas cuecas.

O cinto, apertado, faz o resto.

Se as calças forem vestidas por um menino parecido com o da imagem, o truque é absolutamente inútil. Nenhuma de nós vai perder tempo a medir espacinhos nas calças do rapaz quando o que queremos é vê-lo sem elas.

 

Vá! Não me agradeçam! Foi um prazer ajudar-vos, mas agora comportem-se e não desatem todos a verificar as medidas a meio do almoço, sim?

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Gavetas:

A Gaffe na capoeira

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.14

Só as raparigas espertas são capazes de alterar com extrema elegância um ditado popular.

Apenas elas conseguem dizer impunes vale menos um pássaro na mão que uma data deles depenados.  

foto: Daks - Primavera/Verão 2015

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A Gaffe de meggings

rabiscado pela Gaffe, em 20.11.13

A Gaffe não entende como é que se deixou de usar ceroulas, uma peça de vestuário tão jeitosa.

Percebe contente que, no entanto, esta abandonada peça de interior aconchegado vai aflorando as suas avenidas, embora tenha alterado a sua habitual posição na hierarquia do vestuário.

As ceroulas são peças que entregaram valoroso contributo à solidificação do charme interior de várias gerações. O seu bisavô devia ter tido umas, embora suspeite que não lhe ficavam tão apelativas como aos rapagões da imagem, dada a pouca descendência. O seu avô, provavelmente tinha algumas e, pelas fotos que existem dele, o rapaz não era nada de se deitar fora. Foi pena o pai não se ter protegido dos rigores do Inverno com umas iguais (às dos valentões da foto, não às do seu bisavô), porque ainda agora é um homem muito atraente.

O mais próximo que esta rapariga esperta encontra desta velhinha peça de roupa são as as meias usadas pelos bailarinos do Bolshoi. A Gaffe refere o  Bolshoi, porque lhe parece adequado referir uma grande Companhia de Ballet para disfarçar as tontices que vai pensando. O Bolshoi sempre dá um cheirinho a coisa fina e respeitada. No entanto, não é, evidentemente, a mesma coisa. No caso dos bailarinos já se espera que entrem aos saltos e aos pinotes vestidos com uma adaptação aprimorada, e um bocadito afectada, das ceroulas.

Umas ceroulas devem ser másculas. Devem ser de algodão branco, canelado, grosso e macio, um bocado largotas em cima, com uma carcela abotoada (ou não, depende muito das circunstâncias) e com um punho nos tornozelos. Não devem é ser usadas no Verão. Não ficam bem com os calções em cima e chanatas no pés, pese embora o que hoje se nos atravessa nas ruas.

Contribuem também para a definição do macho. São coisas usadas de forma machista. Uma moçoila, se as traz vestidas, ou dança num rancho folclórico ou é mais velha que o Manuel de Oliveira. Um brutamontes com fio dental metido nos dentes de trás é deprimente e pode, em certos casos, causar ambíguas perplexidades a quem o apanha sem estar prevenido. Os boxers, se mal escolhidos, também como as ceroulas, não segurarem grande coisa, amarfanham-se nas pernas fazendo com que se acabe a suspeitar que o rapaz traz vestidos uns calções quinhentistas por baixo das calças do fatinho. As cuecas (as normalinhas - a Gaffe já viu de tudo) ainda são o que mais  assegura um bom andamento, mas é difícil encontrar as que favorecem a imagem a preços acessíveis, sem o Mickey estampado ou sem o nome do dono no elástico. Das outras peças destinadas a uso similar a Gaffe não quer falar, por se lembrar da sua santa avó.

Posto isto, chega-se à razão que a leva à eleição das ceroulas como tema.

Os rapazes que passam por ela todos os dias (os mais garbosos, é bom que se refira) andam de ceroulas!

As ceroulas ganharam o estatuto de peça exterior. Todos os atraentes matulões na casa dos vinte anos trocaram as calças por ceroulas. É vê-las às riscas, ao xadrez, de pie-de-poule e príncipe de Gales, lisas, às cores ou às ramagens, enfiadas nas pernocas dos meninos com casacos e camisas largalhonas a completar a indumentária.

Não é bonito de se ver. Perdem a dignidade e a respeitabilidade que tinham, terminando acanhadas nos tornozelos nus e sem nadinha que anuncie umas botifarras de respeito ou uns sapatos bicudos e com furinhos, que assumem assim usados proporções inesperadas.

A verdade é que esta rapariga sente uma certa nostalgia vendo as ceroulas de novo a passar, mas, ao mesmo tempo, alegra-se a pensar que se o seu avô fosse vivo podia perfeitamente fazer frente ao matulões que desfilam agora pela suas avenidas vestidos com a peça que outrora foi a alegria de uma alcova recatada.

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A Gaffe compra um cão

rabiscado pela Gaffe, em 06.08.13

(Marc Jacobs & Neville)

Rapazes, se não tiverem o simpático bull terrier Neville como companheiro de trela, nem considerem haver a mínima possibilidade de serem confundidos com Marc Jacobs, evitem, nos recônditos da terra onde se palmilham as pedras da calçada portuguesa, a ousadia experimental de umas calças lassas de algodão breve e leve, estampadas com ramagens quase tropicais.

As calças escapam à mordedura de Neville, mas jamais se manterão ilesas quando abocanhadas pelos olhos dos machos gentios que, apesar de latir como danados, acabam também por ferrar e estraçalhar os ramalhetes menos comuns. 

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A Gaffe sem verão

rabiscado pela Gaffe, em 19.06.13

 

Digamos que o tempo (a Gaffe recusa-se a mexer em lixo contaminado) atraiçoou todos os planos de uma qualquer rapariga que consegue ainda sonhar com um pequeno paraíso doméstico e domesticado produzido timidamente com o seu subsídio de férias.

As condições meteorológicas tão em voga, não permitem nenhuma ousadia e limitam as possibilidades de ofuscarmos o sol com os nossos corpinhos desnudos banhados pelas ondas de uma idílica paisagem marítima, ainda que sem bandeira azul.

Nestas circunstâncias, o minimalismo é um porto seguro. A conjugação de um curto corta-vento com as Women's Straight Leg Denim da Levi’s, por exemplo, umas mimosas sabrinas e uma carteira, larga, de qualidade razoável e com bom aspecto, a completar o arranjo, pode ser a solução ideal para esperar o autocarro onde viaja o Godot da nossa tão acabrunhada esperança de outros sóis. 

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A Gaffe e as Levi's 501

rabiscado pela Gaffe, em 24.05.13

 

Por muito que esperneiem as passerelles, as levi's 501 serão sempre a cara dos rabos bem feitos.

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A Gaffe vai à luta

rabiscado pela Gaffe, em 12.09.12

Debrucemo-nos com algum cuidado sobre o desporto nacional turco.

Com raízes na luta da Ásia antiga (que originou o que é hoje conhecido como Yağlı Gures - luta livre de óleo ou turca) consiste numa variante oleosa e com um sabor ainda mais alegre do que aquele que é apresentado pelo wrestling que conhecemos.

Relacionado com o Kurash Uzbeki, Khuresh Tuvan e o Koras tártaro (uma rapariga esperta sabe impressionar, mesmo recorrendo a serviços de espionagem e informação), esta modalidade faz com que os lutadores, conhecidos como pehlivan (herói ou campeão) usem um tipo de calças de couro grosso, costuradas à mão, o kisbet (ou kispet), tradicionalmente feito em pele de búfalo, e, mais recentemente, em pele de bezerro. O azeite ou óleo de oliva puro, que lhes cobre o corpo dificulta muitíssimo qualquer tipo de golpe, restando os locais onde, com alguma sorte, o óleo não penetrou, embora seja derramado também no interior apelativo do equipamento.

 

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 Ao contrário do wrestling olímpico, este jogo oleado pode ser ganho através de uma retenção eficaz do kispet do adversário. Assim, o pehlivan, coberto de acordo com a lei islâmica (entre o umbigo e os joelhos), visa controlar a luta, enfiando o braço nas calças do oponente ou colocando e tentando manter as mãos dentro do kispet do outro guerreiro agarrando-lhe as algemas, logo abaixo dos joelhos. Vencerá de imediato se conseguir realizar o movimento Kazik (manguito tolo – neste caso, as calças podem ser puxadas para baixo ou rasgadas). – O que anula a minha perplexidade ao deparar com estes divinais matulões com as mãos ferozmente enfiadas nas calças dos oponentes: É regra do jogo. Não são libidos recalcadas que explodem de modo encapotado.

Confesso que me agrada! O Kispet é fantástico e uma rapariga tem de se entreter com qualquer coisa vagamente similar à feminina luta na lama tão apreciada pelos motoqueiros.

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A Gaffe de peitilho

rabiscado pela Gaffe, em 03.07.12
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É dificílimo usar um overall sem o pindérico estereótipo que o associa a piropos de péssimo gosto, à robustez de mecânicos trogloditas e a uma série de signos que pouco dignificaram uma espécie de masculinidade defendida a todo o custo pelo homem do século XX.

O overall esteve, também, e durante demasiado tempo, ligado a imagens com laivos significativamente lúgubres e insidiosamente pouco másculos e imbuído de signos próximos de uma linguagem homoerótica que impedia o seu uso (sobretudo urbano) generalizado e aceite com indiferença (que, nestes casos, é a melhor e mais eficaz forma de se ser recebido). O lenço (ou bandana) preso no bolso esquerdo traseiro do overall era tido como uma mensagem codificada e lido, por exemplo, como uma anuência e um convite de cariz homossexual – diz o meu queridíssimo massagista que percebe de forma altamente suspeita deste assunto.

É, no entanto, uma peça encantadora.

A imagética que lhe é associada, ao contrário do que é habitual supor, passa nos Estados Unidos, onde é popular, pelo trabalho árduo, suor e músculos ou pela ingénua e cativante figura do rapaz um tanto ou quanto desprotegido, vagamente perdido, mas talentoso e dotado (James Dean é o paradigma desta segunda situação), capaz de percorrer o mundo em busca do Graal, mesmo tendo, nessa demanda, de ficar esporadicamente submerso em estrume.

É uma peça prática se o peitilho não for apertado e subido em demasia (neste caso, teremos o valoroso rapaz, em busca do Graal, muito devagarinho e com voz fininha) e pode ser usado informalmente, descontraidamente, relaxadamente, enquanto nós, nos jardins proibidos, baloiçamos a sombra de um pecado preso nas alças cruzadas nas costas do gentil guerreiro já suado.

Recomenda-se nos bucólicos piqueniques onde se estendem toalhas Vichy e se espalham cestos de vime sobre a relva fresca e onde nós, raparigas espertas, sabemos por experiência adquirida desapertar fivelas e nós, mesmo os mais cegos.

Não se aconselha nas urbes bolsistas, embora haja um nicho encantador nesses espaços, pronto a ser estendido nas toalhas dos nossos contentamentos e com um fantástico allure de artista incompreendido.

Está vivo e pronto a ser despido. Uma bela notícia para as raparigas que, como eu, gostam do magnético aroma de terra molhada.    

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A Gaffe e os chinos

rabiscado pela Gaffe, em 04.06.12

Se forem pacientes, dominarem o inglês mais básico e ainda existir lucidez e luz suficientes para lerem a minúscula legenda que acompanha a fotografia, poupam-me imenso trabalho, porque subscrevo o que é dito.

No entanto, como sou querida e tenho acesso a uma imagem maior, ajudo um bocadinho, em tradução absolutamente livre, dizendo que a cor de areia deste justos e elásticos chinos, que funcionam na perfeição sem o uso de cinto, conjuga-se muitíssimo bem com peças de Verão e sapatos claros, fornecendo ao rapaz que os escolhe um allure aerodinâmico que tem o sucesso garantido.

Se não estão seguros que a liberdade da minha tradução é fiel ao que foi dito, façam o favor de procurar uma lente, mas em qualquer das situações, meus queridos, não deixem de ter em conta o exemplo da figura e acreditem que mesmo os menos favorecidos pela Mãe Natureza ficam um encanto com estes chinos tão confortavelmente provocadores.

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