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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe retém

rabiscado pela Gaffe, em 20.12.13

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Gavetas:

A Gaffe sobre os ombros

rabiscado pela Gaffe, em 14.08.13

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Gavetas:

A Gaffe revivalista

rabiscado pela Gaffe, em 28.07.13

Prada já tinha proposto uma imagem geometrizada, retrocedendo aos anos 60 através de um vago minimalismo contido nas peças de desenho puro, linear e básico, usado nos Verões dos miúdos dos colégios caros.

Os casacos zipados unidos a uma limpidez de forma e a calções justos a acabar no início das coxas, fazem a alegria do recreio e de nós, raparigas espertas, meninas de fitas largas no cabelo, mini-saias de rodelas de Rabanne e camisolas justas apertadas no desejo.   

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A Gaffe sem verão

rabiscado pela Gaffe, em 19.06.13

 

Digamos que o tempo (a Gaffe recusa-se a mexer em lixo contaminado) atraiçoou todos os planos de uma qualquer rapariga que consegue ainda sonhar com um pequeno paraíso doméstico e domesticado produzido timidamente com o seu subsídio de férias.

As condições meteorológicas tão em voga, não permitem nenhuma ousadia e limitam as possibilidades de ofuscarmos o sol com os nossos corpinhos desnudos banhados pelas ondas de uma idílica paisagem marítima, ainda que sem bandeira azul.

Nestas circunstâncias, o minimalismo é um porto seguro. A conjugação de um curto corta-vento com as Women's Straight Leg Denim da Levi’s, por exemplo, umas mimosas sabrinas e uma carteira, larga, de qualidade razoável e com bom aspecto, a completar o arranjo, pode ser a solução ideal para esperar o autocarro onde viaja o Godot da nossa tão acabrunhada esperança de outros sóis. 

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A Gaffe repete-se

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.13

 

De volta ao Verão e, repetindo-me, de volta à interessantíssima aliança do blazer e dos calções.

Assumo que, desta vez, não hesito. O azul é perfeito, a cor e as pernas do rapaz que se adivinham fazem com que a minha santa avó me repreenda e refreie os meus libidinosos pensamentos com um olhar reprovador atirado para dentro da minha consciência.

Há pequeníssimos pormenores que me fascinam. Os óculos com um travo vintage, o colarinho da camisa que desdiz a rigidez aflitiva de Lagerfeld e que entrega ao conjunto uma brisa atraente de estudada negligência, a gravata traçada com o discreto gancho de metal baço e a textura sóbria dos tecidos, fazem-me render por completo, apesar de continuar a pensar que um saco gigante, se o portador tem a envergadura do Marques Mendes, se arrisca a abalar toda a harmonia e a nos fazer duvidar de quem transporta o quê.

Um must em tons de azul, para pousar no ouro das nossas noites quentes e estreladas. 

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A Gaffe a tentar

rabiscado pela Gaffe, em 03.05.13

É giríssima a blusa em camadas sobrepostas de tecido vaporoso, assemelhando-se a folhos desfeitos, conjugada com o casaquinho amoroso de rendado floral, óptimo para uma Primavera hesitante, e a carteira entrançada com a cor que se conjuga lindamente com o resto.

 

A Gaffe tenta. A Gaffe insiste em seguir as boas regras de uma digna fashion adviser.

Mas sente-se imbecil!

Da imagem recolhe apenas um etéreo e absolutamente feminino allure que se perde em sobreposições frágeis de películas que se assemelham a um bater de asas, um pequeno e perfumado bouquet que ampara o voo discreto da blusa e o ninho sem pássaros, entrançado e fechado.

Decididamente, a Gaffe não tem qualquer talento para o ramo.

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A Gaffe e uma canção

rabiscado pela Gaffe, em 09.04.13

(foto - Tommy Ton)

Um trench coat é sempre uma invocação subtil de Casablanca. A memória da obra-prima repleta de conflitos e de equívocos, que começam na selecção dos protagonistas (escolhas secundárias), não findando na recriação de cenários duvidosos, impregna uma peça que entregou uma marca indelével a Bogart e ajudou a tornar Bergman uma das mais divididas e angustiadas personagens do cinema.

É sempre um trench coat que acaba por povoar de enigmas e de voláteis mistérios a mulher que o usa, porque se apossa dos elementos masculinos impressos no trespasse (que oculta), no volume cintado (que esconde) e na sedução que é transportada pela névoa densa de uma fuga do amor no meio da guerra.

Aliar estas inconscientes invocações à renovação da cor e acrescento de detalhes magníficos (como, neste caso, o dos acabamentos das costuras), faz com que se reconheça que a kiss is still a kiss, e que, mesmo que o tempo passe, teremos sempre Paris todos os dias.      

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A Gaffe e o papá

rabiscado pela Gaffe, em 28.03.13

Lembro-me de ter visto, era ainda muito, muito pequenina, o meu pai, charmoso, bonito e boémio, a usar o que agora os especialistas chamam Vintage Levi’s trucker e pensar que nenhum homem me conseguiria agradar tanto vestido de modo tão informal e tão pouco paternalista.

Os pais são sempre os primeiros homens na vida de uma rapariga e na nossa memória é solta a imagem que sempre nos apaixonou e nos fez convictas de que o primeiro homem das nossas vidas é o perfeito, quando por nós passa um rapaz garboso usando o  Levi’s trucker agora vintage.

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Gavetas:

A Gaffe em Casabanca

rabiscado pela Gaffe, em 10.12.12

Há subliminares desejos que esporadicamente assomam à superfície do quotidiano corriqueiro, escoados, atenuados, pelo controlo que exercemos sobre a impulsiva e destemida vontade latente de belicismos.

Esta tontura, e a tentativa de a dominar, reflectem-se na procura e no fascínio que sobre nós exerce a imagem guerreira dos aviadores da II Grande Guerra.

Os blusões, que são memória da época, reprodução actualizada dos bravos do pelotão, de couro forrado e quase impenetrável, trespassam os dias gelados de todos os Invernos.

Perto deles, ouvimos sempre tocar um piano em Marrocos e o murmúrio ardente que nos garante para toda a eternidade:

- We always have Paris.

São perfeitos.     

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Gavetas:

A Gaffe acolchoada

rabiscado pela Gaffe, em 09.11.12

A proposta de Angelo Nardelli para o Inverno que se aproxima é tão satisfatória que apetece percorrer os acolchoados dos nossos rapazes e verificar se, entre os clássicos que se escondem no escurinho das cruzetas, não existe um exemplar fofo onde nos possamos reclinar.

A actualização dos blazers de tecidos nobres e de cortes clássicos, urbanos e vagamente bolsistas, através do uso do matelassé, obedece e alimenta a imagética do conforto e da protecção em tons pastel.

Se adereçados convenientemente, conseguem unir esta aconchegada representação do que pode ser fofinho, ao allure quase romântico dos descontraídos extravagantes dos nosso imaginário mais boémio.

Convém emagrecer antes de ousar.

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A Gaffe pelos cotovelos

rabiscado pela Gaffe, em 10.10.12

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Oriundas de um look casual, as ovais protecções do cotovelo, ou cotoveleiras, em couro, camurça ou bombazina, contaminam hoje imagens que se situam em universos onde a exigência de uma maior formalidade é ponto assente.

Não protegendo da dor do dito, as cotoveleiras introduzem uma discreta hipótese de evasão na rigidez dos gabinetes onde uma significativa, antiquada e cansativa multidão de yuppies ainda conserva a ilusão, muito própria da advocacia e da Bolsa, de actualidade uberssexual.

O pormenor com um brevíssimo travo de desobediência e de risco, apanágio de aventureiros e de nómadas, de boémios e de temerários, com a capacidade de quebrar regras e de romper, pelo uso, indumentárias a que atribuem um valor apenas limitado à sua utilidade prática, cria na formalidade de um blazer clássico, de tribuna judicial ou secretária ministerial, a fantasia máscula muito próxima de se ser um Indiana Jones, mesmo um de pacotilha.

Esta brevíssima fantasia contribui para um também brevíssimo encanto que se origina no encontro fugaz de universos mais ou menos díspares e é inflacionado quando se percebe que a insurreição do formal, do obedientemente rígido, do espaço limitado por fronteiras nítidas, está condicionada e se dilui no atrevimento insuficiente que rege a transgressão.

É sempre encantador ver um gatinho a tentar convencer-nos que pode ser um tigre.

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A Gaffe com pano para mangas

rabiscado pela Gaffe, em 19.09.12

Aqui temos uma bela animação que ilustra o que se quer dizer quando se refere que a manga de um casaco está desligada do conjunto.

Reportamo-nos ao ângulo em que a manga é inserida na cava. Se a curva e ângulo da manga não se harmonizam com a modo como os braços se deixam cair naturalmente, acaba por ser provocado um ensacamento feio na frente ou atrás da manga (geralmente atrás) que pode ser considerado inconveniente pelos mais atentos.

Há um ângulo perfeito para a maioria dos homens, mas alguns apresentem uma postura um pouco incomum. Os militares, por exemplo, muitas vezes são obrigados a permanecer mais erectos, os cavalheiros mais velhos podem apresentar um curvar de costas e mesmo os mais jovens ostentam, actualmente, um acentuado curvar de ombros. Em qualquer destes casos, se forem perfeccionistas, obcecados, maníacos ou patologicamente narcisistas, é necessária uma atenção especial à inserção das mangas no casaco.
Para verificarem se estas assumem uma posição correcta, basta que vistam o casaco e se coloquem, de lado, ao espelho. Se as mangas se exibem semelhantes aos três movimentos da ilustração, estão perfeitas.

Se surgirem diferenças, pode precisar de as ajustar. Se as ajustar por este motivo, deve agendar consulta no psiquiatra com a maior brevidade possível.

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Gavetas:

A Gaffe em Havana

rabiscado pela Gaffe, em 14.08.12

O Havana é um casaco prático e funcional que não deixa os seus créditos por mãos alheias. Alia-se na perfeição às calças de sarja macia ou às pragmáticas cargo, tornando-se peça ideal na construção de um casual agradável e atraente.

Há características a que o Havana deve possuir para ser classificado como tal.

Como sou uma rapariga simpática, aponto as essenciais:

 

1 – Lapelas entalhadas;

2 – Ombros naturais;

3 – Um botão de beijo (ou dois botões jaqueta);

4 – Bolsos de chapa;

5 – Casas funcionais;

6 – Dupla abertura lateral.

 

É evidente que me escapa o significado de algumas destas prerrogativas. Sou simpática, mas não sou alfaiate e, sejamos sinceras, num dia chuvoso não é de todo agradável navegar à procura do significado de pormenores, que não vou fixar, apenas com o intuito de esclarecer rapazes menos atentos e mais preguiçosos.

Os meninos que se cuidem.

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Gavetas:

A Gaffe alia-se ao imprevisto

rabiscado pela Gaffe, em 07.08.12

 

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Pergunto-me se haverá incompatibilidade séria entre o uso de calções em simultâneo com um blazer e hesito, periclitante, na resposta.

Não é de todo fácil aguentar com o charme que exige esta aliança. O refúgio no clássico e reservado azul-marinho pode ser uma estratégia acertada, mas o conjunto obriga a cuidados acrescidos.

A segurança é imprescindível ao homem que se permite desafiar imagens de reserva e discrição inerentes ao casaco rigoroso e de cor consensual, com a adição de uma peça naturalmente pouco estruturada e em subtil contradição com a linguagem que se espera.

A imposição desta imagem cruzada e agradabilíssima não é compatível com tímidos rapazes que tentam passar despercebidos nos gabinetes em que contabilizam o défice. É sobretudo uma representação descontraída de um homem capaz de, em simultâneo, cumprir com eficácia os objectivos que lhe são propostos, com um humor que cria uma atmosfera simpática e desprendida e o recurso ao azul-marinho, no blazer, coadjuvado por uma cor neutra ou por um padrão minimal nos calções, solidifica a presença incontornável destas características.

É, como parece evidente, uma solução fácil, mas, por vezes, a elegância cruza a mais simples das resoluções e poucas vezes procura os caminhos ínvios da mais complexa e labiríntica das encruzilhadas.         

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A Gaffe debruada

rabiscado pela Gaffe, em 03.08.12

 

Embora de fácil conjugação e insinuando um caminho quase minimalista, a imagem produz um efeito agradabilíssimo em consequência do bom uso que se faz dos detalhes do blazer.  

Um allure praticamente despojado e eventualmente banal, que se socorre da junção fácil entre o preto, o branco e o cinza e de cortes básicos e discretos, é enriquecido e tornado incontornável pelo acréscimo de pormenores colegiais num outrora reservado e bem comportado casaco.

Este pequeno malabarismo actualiza uma imagem tornando-a juvenil e, em simultâneo, amadurecida e provoca o encantamento discreto dos que com ela se cruzam (como se prova com o olhar suspeito do rapaz de branco que vai tornar a foto ligeiramente ambígua).

O ponto colorido no conjunto e o uso do lenço preto que reprime o eventual atrevimento capaz de quebrar uma sobriedade submissa, dispersam a atenção focada nos detalhes e equilibra toda a imagem.

A inteligência ao serviço de uma colegial e discreta insubordinação.

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