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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe imaculada

rabiscado pela Gaffe, em 03.02.16
 

Existe muito pouca coisa tão pouco atraente como ser ofuscada pela imaculada alvura de umas meias brancas do cavalheiro que na nossa frente cruza as pernas.

Podendo funcionar com eficácia como método anticoncepcional, esta desagradável utilização do branco cilindra e reprime a libido, gelando todo o impulso mais maroto e fixando quase obsessivamente o olhar de uma mulher nos tornozelos do rapaz.

No entanto, há circunstâncias em que as meias brancas podem passar claramente despercebidas ou luminosamente aceites. São as ocasiões em que o rapaz que as traz calçadas pode usar tudo o que quiser que uma rapariga esperta apenas o consegue ver despido.  

 

Na foto - Edward Wilding por Cuneyt Akeroglu

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A Gaffe em pecado

rabiscado pela Gaffe, em 12.11.15

Pergunto-me se alguma vez aqui falei de underwear.

É um assunto melindroso, tendo em consideração a matéria de facto e sobretudo trabalhoso, dada a quantidade da oferta.

Podemos sempre iniciar a conversa pelas peças que, não sendo susceptíveis de classificação nesta categoria, foram adaptadas ou sugerem as que a ela pertencem.

 

Se deixarmos de babar, pasmadas, para o homem estatelado da fotografia e evitarmos pensar que há maçãs com imensa sorte e que nem todas foram condenadas, fazendo a perdição de Eva e da Branca de Neve, conseguimos perceber que a t-shirt cinza-tempestade - dizem os especialistas - é, apesar do seu decote, uma subtil adaptação das camisolas interiores do meu avô. Minimal e de malha de seda que tomba e se amarfanha nos músculos que devemos, mais uma vez, tentar ignorar.

 

O que também aqui se retém, é o cinto displicente, de couro genuíno, atado com o desleixo estudado de que tanto gostamos, e são as calças fantásticas de cor brevemente azeitona - e não azeiteira -, de corte limpo, quase tradicional, quase retro, possivelmente chinos, eventualmente antifit, com botões, adaptada a silhueta do consumidor, com cintura relativamente baixa, quadril desestruturado e corte recto nas pernas. Não tem o aprumo do perfeito, ficando nos quadris dos rapazes com - pequenas nunaces - algum tecido que parece sobrar e que insinua, que sussura, o sonho em que se podem tornar as calças do cavaleiro.

Sublinho, com veemência, a dobra - linda! - no fundo das pernas das calças e a cor contrastante ou complementar, ou mesmos padronizada, com que pode surgir.

 

Meus caros, se Deus está nos detalhes, já podemos olhar para este pecado com maçã.

 

Nota - não sendo uma maçã, será uma bola, mas nesse caso os trocadilhos tornavam-se perigosos.

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A Gaffe com um cartão de visita

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.14

A primeira impressão perdura mais do que aquilo que se pensa. A imagem que retemos mal avistamos o que desconhecemos, influencia demasiadas vezes uma apreciação futura e objectiva.

A importância de cartão de visita é notória e existe uma panóplia de criatividade a coadjuvar estes pequenos, mas significantes, modos de nos apresentarmos a alguém.

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A Gaffe "antes e depois"

rabiscado pela Gaffe, em 07.11.13

A Gaffe sempre considerou, logo depois dos diamantes, o seu estojo de maquilhagem, seguro nas mãos de um séquito de profissionais, e o Photoshop usado por um batalhão de designers, os seus melhores amigos.

Não existe nada de mais reconfortante do que saber que, mesmo depois de termos caído num poço de uma noite de fazer morrer de vergonha as nossas santas avós (ou de inveja, depende imenso das velhinhas), temos sempre a possibilidade de surgir no quotidiano horário do expediente com o glamour que se perdeu pelos caminhos tortuosos da realidade mais crua.

 Depois, mesmo acabado o tempo do bâton e esgotados os filtros do programa, há sempre o botox, para as raparigas que não nasceram ontem.

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A Gaffe de bigode

rabiscado pela Gaffe, em 02.11.13

O bigode, como quase tudo na vida, antes de aparar, há que saber escolher.


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A Gaffe florida

rabiscado pela Gaffe, em 22.05.13

 

 

Sejamos práticas, raparigas!

Se a Primavera se tornar tímida, fazendo com que o Verão espere friorento a hora marcada para embarcar no navio do nosso contentamento, reconheçamos que só há uma Primavera em cada dia e é preciso canta-la bem florida.

Se a alvorada vier no baloiço dos perfumes, pode valer a pena sabermo-nos perdidas. Haverá sempre, aqui e além, o lugar exacto para nos encontrar.    

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A Gaffe e uma canção

rabiscado pela Gaffe, em 09.04.13

(foto - Tommy Ton)

Um trench coat é sempre uma invocação subtil de Casablanca. A memória da obra-prima repleta de conflitos e de equívocos, que começam na selecção dos protagonistas (escolhas secundárias), não findando na recriação de cenários duvidosos, impregna uma peça que entregou uma marca indelével a Bogart e ajudou a tornar Bergman uma das mais divididas e angustiadas personagens do cinema.

É sempre um trench coat que acaba por povoar de enigmas e de voláteis mistérios a mulher que o usa, porque se apossa dos elementos masculinos impressos no trespasse (que oculta), no volume cintado (que esconde) e na sedução que é transportada pela névoa densa de uma fuga do amor no meio da guerra.

Aliar estas inconscientes invocações à renovação da cor e acrescento de detalhes magníficos (como, neste caso, o dos acabamentos das costuras), faz com que se reconheça que a kiss is still a kiss, e que, mesmo que o tempo passe, teremos sempre Paris todos os dias.      

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A Gaffe e o Demónio

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.13

Se Deus está nos detalhes, o Diabo está no modo como são descobertos.

Despir um homem é facílimo. Normalmente não nos demoramos nas pequenas delícias que vamos descartando. Talvez por isso a Santa Madre Igreja tenha condenado a nudez. Não são devidamente abençoadas as peças que tombam por terra.

Vestir um homem é louvado pelos anjos como acção benemérita, digna de tornar santo Martinho de Tours e, no entanto, Satanás, matreiro e provocador hipnótico, espreita cada lanço, cada passo, cada gesto, cada mover de dedos, cada balanço de olhares com que uma mulher esperta desconstrói a nudez de um homem, tornando-a pertença dos sonhos mais privados.

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A Gaffe e os conselhos do avô

rabiscado pela Gaffe, em 19.01.13

 

 

 

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A Gaffe recortada

rabiscado pela Gaffe, em 22.11.12

Sou um recorte para o Sapo!

Não é a primeira gentileza que me fazem e fico sempre entusiasmada por receber gente que jamais se lembraria de passar por este cantinho ignorado (embora hospitaleiro) se não fosse esta pequena amabilidade.

Já trago vestido o meu Armani Privé - Haute Couture – e, pelo sim, pelo não, escolhi a mais rendada e vaporosa lingerie de que há memória, porque pressinto que o recorte foi da responsabilidade do sempre tão gentil Pedro e é sempre delicioso deixar um rapaz amável suspeitar que temos uns interiores dignos de figurar na primeira página do catálogo de Deus (a capa, sou eu toda nua). Se me enganar, sou diáfana na mesma.

No entanto, sou uma rapariga ingrata (embora esperta).

O Sapo faz, de vez em quando, com que nos sintamos numa festa onde se entra elegantemente enfarpelado e distinto. Torna-nos radiantes e leva-nos a oferecer a mão para que os cavalheiros a beijem (embora, em alguns casos, a mão deva ter garras).

Há, no entanto, nos recortes do sapo, assim como em ocasionais e cavalheiresco movimentos de se beijar a garra, um minúsculo contratempo. Um recorte é como ser afagada por um gentil-homem tímido. Segura-nos a mão com a delicadeza e a graça que se espera, mas aflora-nos apenas as falanges, transformando em breve brisa refrescante o que devia ser uma beijoca repimpada (no mínimo, repenicada).

Uma rapariga em divina lingerie, ou mesmo dando graça a um Armani, já deslumbrante sem a ter lá dentro, espera muito mais do que um sopro nas suas falangetas esguias, ágeis e prometedoras.

Não há como iludir! Esta rapariga tonta tem preso na alça do soutien rendado o desejo de o ver rasgado pelo frenesim alucinado dos cavalheiros que perdem o juízo e, de repente, a destacam, corpo inteiro, com toda a pujança de um feroz batráquio.             

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A Gaffe nos punhos

rabiscado pela Gaffe, em 26.10.12

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O Tempo sempre entregou muitos mais laços e fitas às mulheres do que aos homens. Os apertos femininos foram, durante séculos, ataviados e adornados com veludos e cetins, enquanto a história passava.

Aos homens foram, muito mais cedo, fornecidos os botões como elemento de união de partes.

A Gaffe aproxima o olhar fugaz dos punhos dos cavalheiros.

É certo que os botões de punho são acessórios que não são próprios de quem tem tendência para o erguer. Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã ou mesmo o sorriso de João Proença, não se coadunam com este requintado pormenor, assim como não há uma ligação pacífica entre estes dois pequenos detalhes e um nicho cultural da esquerda, mesmo a chic. Os botões de punho são de direita.  

A hierarquia do poder político é detectada com facilidade através da presença destes mimos. Os Presidentes da Juntas apertam os punhos com botões de massa ou plástico; os Secretários de Estado usam bolotas exibicionistas a unir as entretelas; os Senhores Ministros são relativamente mais discretos e apertam-se, quando não querem dar uma imagem de suado labor (neste caso arregaçam as mangas), com dois berloques subtis, mas com alguma, pouca, modéstia – normalmente Armani - e os Senhores Presidentes das Repúblicas conseguem espartilhar os punhos duplos das camisas já com dois requintados objectos de valor considerável.

A aristocracia usa-os com alguma frequência, a unir padrões pastel axadrezados, casacos de trespasse, com botões metálicos, calças vermelhas e sapatos de vela. Nestes casos, é banal que os botões de punho sejam vintage, normalmente belíssimos e refinados (D. Duarte Pio não é representativo neste caso, porque parece estar a usar nos punhos da camisa os brincos pequerruchos da duquesa).

A elite, sobretudo financeira, bolsista ou bolsada (e muitas vezes boçal), é altamente permeável ao uso de botões de punho. Não há banqueiro, financeiro – com advogado ao lado - ou yuppie ultrapassado que se preze, que seja capaz de resistir ao brilho e distinção de uns botões de punho com diamantes engastados.

São tidos como representação de estatuto, de prestígio e mesmo de conservadorismo.

Há, no entanto, aquele irresistível grupo de homens fascinantes que consegue unir, ileso e impune, esta imagem gasta de seriedade que anexa e aperta dois lados de um problema, subvertendo a clássica, e muitas vezes maçadora rigidez, dos botões de punho sobre o rigor formal, com a ousadia e o humor de quem se diverte com jogos quase infantis com que se finta o tempo.

São os botões dos punhos dos sedutores pistoleiros por quem quase sempre nos apaixonamos.

 

 (John Varvatos - Men’s Spring 2013)

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A Gaffe pelos cotovelos

rabiscado pela Gaffe, em 10.10.12

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Oriundas de um look casual, as ovais protecções do cotovelo, ou cotoveleiras, em couro, camurça ou bombazina, contaminam hoje imagens que se situam em universos onde a exigência de uma maior formalidade é ponto assente.

Não protegendo da dor do dito, as cotoveleiras introduzem uma discreta hipótese de evasão na rigidez dos gabinetes onde uma significativa, antiquada e cansativa multidão de yuppies ainda conserva a ilusão, muito própria da advocacia e da Bolsa, de actualidade uberssexual.

O pormenor com um brevíssimo travo de desobediência e de risco, apanágio de aventureiros e de nómadas, de boémios e de temerários, com a capacidade de quebrar regras e de romper, pelo uso, indumentárias a que atribuem um valor apenas limitado à sua utilidade prática, cria na formalidade de um blazer clássico, de tribuna judicial ou secretária ministerial, a fantasia máscula muito próxima de se ser um Indiana Jones, mesmo um de pacotilha.

Esta brevíssima fantasia contribui para um também brevíssimo encanto que se origina no encontro fugaz de universos mais ou menos díspares e é inflacionado quando se percebe que a insurreição do formal, do obedientemente rígido, do espaço limitado por fronteiras nítidas, está condicionada e se dilui no atrevimento insuficiente que rege a transgressão.

É sempre encantador ver um gatinho a tentar convencer-nos que pode ser um tigre.

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A Gaffe recorda

rabiscado pela Gaffe, em 08.09.12

É sempre um prazer quando encontramos, perdidos nos labirintos dos nossos baús, conselhos com este sabor graciosamente vintage.

 

 

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A Gaffe vaporosa

rabiscado pela Gaffe, em 13.08.12

Embora actualmente de forma pouco segura e muito mais flexível, as rendas, os bordados e os padrões florais ou floridos, foram durante demasiado tempo apanágio do feminino.

Este facto deu uma enorme vantagem às mulheres que se apoderaram com convicção das potencialidades deste universo vaporoso e frágil, armadilhando-o e fornecendo-lhe uma conotação erótica que é, em última análise, proveniente da ausência obrigatória destes elementos no círculo de uma masculinidade empedernida que se vê deslumbrada e desperta pelo sussurrar destes tecidos.

O astuto, cuidadoso, engenhoso, e muitas vezes inquietante, uso feminino das rendas e dos padrões florais, opera maravilhas no subconsciente dos incautos rapazes que presos nas redes, teias e flora dos tecidos, acabam por sucumbir ao fascínio do que lhes é interdito.

A proibição, aqui como na esmagadora maioria dos casos, incute e impele o desejo de transgressão e é agradabilíssimo sentirmos que no esvoaçar do pano se liberta a sombra do pecado e o subtil fascínio da irresistível feminilidade.

Mas (convém não esquecer) a lua tem uma face mais obscura e trágico é quando este miraculoso encantamento de rendas e bordados a preceito, se traduz na visão catastrófica do nosso rapagão a desfilar pela brisa da nossa intimidade usando, balanceado, as nossas artimanhas.

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A Gaffe nos pulsos

rabiscado pela Gaffe, em 30.07.12

 

Reconheço que não sou grande apreciadora de adereços usados nos pulsos masculinos. Admito algemas, em ocasiões especiais e festivas.

Há, no entanto, a possibilidade de alargar esta limitação quando as pulseiras masculinas são usadas de forma quase desafiadora, contrabalançando com algum arrojo a ousadia discreta e reservada de um conjunto clássico e disposto a fornecer ao dono um aspecto de cavalheiro respeitável.

São detalhes que devem ser pensados com rigor, conta e medida, tendo em consideração que as contas coloridas no punho e os seus volumes devem obedecer à medida do risco que o homem quer correr.

A discreta ousadia de uma burguesia sofisticada permite um ligeiro e perverso boicote ao rigor dos clássicos e não contraria a elegância do conjunto.

Se o homem conseguir usar no pulso uma pulseira aparentemente proveniente de um universo que não é o habitual e costumeiro, que nos traz uma linguagem diversa da que se espera do resto do conjunto, far-nos-á suspeitar que, por baixo do corte impecável do fato Gucci, há a um subtil aroma a Indiana Jones.

O apelo é quase sublimado, mas funciona lindamente.

Basta evitar que os pulsos chocalhem.

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