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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe exposta

rabiscado pela Gaffe, em 21.10.14

Celia Calle.jpgÉ curiosa a forma como sem contarmos um blog generalista, fútil e vagamente tonto se vai tornando um modo de expormos sem pudor pequenos episódios que se deveriam manter fora das avenidas.

À medida que vamos andando e rindo por um blog adentro, o cantarolar que tínhamos controlado e que não ultrapassava os limites do bom senso que deve reger a nossa privacidade, pode tornar-se uma cantilena esganiçada onde as notas que se querem atingir deixam de ser privadas, passando em consequência a ser inscritas nas pautas alheias às nossas melodias.

 

Acontece que, por muito que se recuse, acabamos inevitavelmente por nos aproximarmos daqueles que com mais assiduidade nos acarinham, visitando-nos ou participando nos nossos desabafos. Sabemos que na realidade não os conhecemos, mas temos a noção que é do domínio da raridade e muitas vezes do milagre conhecer seja quem for. A impunidade com que ilustres desconhecidos vão apanhando as nossas bagatelas com o mesmo cuidado com que nós apanhamos as migalhas deles, acaba por nos dar a sensação de santuário, de inocuidade, de distanciamento que não encontramos quando somos rodeados por aqueles que acompanham a nossa vida não virtual. Tornamo-nos mais confiantes, talvez mais seguros, ou então reconhecemos que, como diz um amigo, o local ideal para dizermos a verdade é a internet, um blog por inerência, porque aqui ninguém nos acredita verdadeiramente. Podemos ser tão reais como inventados. Para o público que nos lê, é indiferente. O conceito de verdade é relativizado ou exige reformulação.

A Gaffe tem vindo a expor-se em demasia. O objectivo primordial inscrito no editorial destas Avenidas foi adulterado. Choraminga por aqui instantes privados com a certeza da ignorância de quem os vive com ela. Partilha-os sem pudor e sem noção do risco que é perceber que desnuda momentos que pertencem também a outros que talvez os queiram secretos.

É uma maldade que deve ser corrigida.                                      

 

Este será portanto a última exposição pública desta rapariga esperta. Uma exposição bastante subtil, como é bom de ver. A partir daqui, contamos apenas com barbaridades mundanas, fúteis e superficiais, tal qual se promete no resumo dos dias e nos dias que se resumem apenas a um sopro.

Ilustração - Celia Calle

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Gavetas:

A Gaffe muda de endereço

rabiscado pela Gaffe, em 16.07.13

Desde o primeiro instante que o endereço deste cantinho soou mal à dona.

Sempre lhe pareceu desajustado, desadequado e um bocadinho idiota.

A resignação da Gaffe era uma pedra no seu  Jimmy Choo.

O querido SAPO acaba de possibilitar a emenda deste lapso, permitindo a extracção do pedregulho.
A Gaffe procurou o seu amigo para lhe impingir a adaptação da ruiva pin-up de Fernando Vicente ao novo endereço escolhido e, após uma luta renhida que durou mais tempo do que o conveniente e do que o respeitável, o seu querido designer pessoal declara que O blog da Gaffe é um endereço demasiado óbvio e de difícil encaixe. 

A Gaffe não é um portento criativo. Tinha-se limitado à mais evidente, à mais lógica e à mais directa das denominações e embora suspeite que o amigo apenas a quer fazer engolir o endereço que melhor lhe tomba naquilo a que a minha querida avó chamaria goto, aceita a sugestão.

Não é um endereço apelativo, original ou detentor de um brilho criativo capaz de encadear o mais incauto, mas sempre é bem melhor do que o anterior.

O grafismo vai acabar por sofrer algumas, ligeiras, alterações, mas A Gaffe e as Avenidas é já o nome deste blog.

Seria agradabilíssimo poder dizer às massas que devem alterar os links, mas as únicas massas que por aqui passam tem a Gaffe de as encomendar na pizzaria da esquina. 

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Gavetas:

A Gaffe avisa

rabiscado pela Gaffe, em 23.05.12

Este espaço não é, de todo, um manual de instruções. Não procura o estudo de tendências, não espalha as actualizações, as inovações, as novíssimas aquisições, o último gritedo histérico de todas as griffes, os mais recentes looks, aconselhados com tanto entusiasmo pelos nossos queridos manipuladores do consumo. Para tal, há uma quantidade exorbitante de material de consulta.

É, muito mais, um cantinho onde uma rapariga esperta, espreita, recorta, recolhe e surripia o que lhe agrada e tem o desagradável hábito de mostrar toda a cangalhada às suas visitas.

Portanto, minhas queridas e meus queridos, não esperem Sibilas, Cassandras ou, na pior das hipóteses, consultores de moda passeando por aqui como deuses pela brisa da tarde.

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Gavetas:

A Gaffe e o novo editorial

rabiscado pela Gaffe, em 01.01.12

Chegou o momento de reformular a linha editorial deste blog. Este, portanto, é o post de ruptura.

Dos pequenos e queridos momentos de divertimento, marotos por vezes, passamos exclusivamente a debater o que de mais fútil e frívolo existe à superfície do planeta: a imagem dos outros, as suas pequenas idiossincrasias, os seus mais subtis erros e as suas mais deslumbrantes formas de estar, as mais inteligentes propostas de carregar a vida com o glamour que se exige.

Sem qualquer contrapartida, vasculharemos todos os armários e bisbilhotaremos o que considerarmos o mais elementar sintoma de elegância para vos entregar um manancial de informação imprescindível para os que se querem sedutores, perfeitos e sem margem de erro.

Cortamos relações com as banalidade e as bagatelas que até momento nos importunavam e decidimos veementemente dar importância àquelas que vos importunam.

Não esqueçam:

Nunca cheguem como querem, venham sempre melhor.

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A Gaffe e um blog marinheiro

rabiscado pela Gaffe, em 08.04.09
Pequenas confissões, alguns desabafos, conselhos do coração e do sexo, muita macacada e um ligeiro sabor a piroso. Nada mais. Não sou de grandes falas e muito menos de grandes escritas, mas se todos arranjam tempo para criar um bicho destes, tenho a certeza que também os vou acompanhar. Não prometo de modo nenhum assiduidade, nem garanto qualidade, mas cá me hei-de lavrar e encher este espacinho de bonecada. Sou uma rapariga que dá valor a isso.
Tenho de admitir que fui impulsionada por um grande amigo que me preparou um template segundo as minhas indicações preciosas e me sugeriu um nome. Roubei uma figurinha para colocar aqui ao lado e fica assim até me aborrecer. Agora é só esperar que ele se esqueça da password (já que não tenho paciência para a mudar) e me devolva o e-mail…
É o que faz ter como melhor amigo um gay. Só se arranja lenha para atirar à fogueira. Não se pense que é uma alegria uma rapariga ter um estafermo destes com o estatuto de melhor amigo. Pensamos que vai ser uma loucura pegada, que vamos às compras muito agarradinhos e que podemos confiar no bom gosto do rapaz e na sua maravilhosa e vasta informação acerca do que se usa e não se usa, do que se passa e do que não se passa. Não é de todo verdade. É um estereótipo. Ter um amigo gay, da espécie do meu, é uma canseira. Às vezes penso se não seria bem melhor trocar este mafarrico por um hetero bem foleiro, de bigode farfalhudo, descapotável vermelho e que em relação às nossas confidências se comporta de igual modo, ou seja, espanta-se por as termos, e que na moda e na coscuvilhice faz como o Sócrates: só sabe que nada sabe.

Não se pense também que, por andarmos juntos quase todo o dia, temos a possibilidade de “comer” em comum, nem que seja com os olhos, a fauna masculina que nos enche as cidades de libidinosos pensamentos, partilhando experiências, conselhos e, se possível, os candidatos a frango. Não. Nem pensar. Um amigo gay é um rival em potência. Mesmo aqueles que só à lei da bala se detectam, como é o caso do meu, são um perigo para o nosso ego. Vai uma rapariga a cruzar-se com um deus que passa como uma brisa na tarde, pensa que aquele olhar fulminante é uma promessa de maiores folguedos, feita a nós, miúdas entusiasmadas, e afinal acaba-se por concluir que o fulminante é disparado pela culatra e que o alvo é o marmanjo ao nosso lado.

Também é lenda a capacidade de audição deste nosso amigo gay. Não há que iludir. Ouve-nos tanto como a funcionária da sex-shop quando nos vamos queixar que as pilhas não estão incluídas no massajador facial, porque simplesmente as usou até à morte, no aconchego do lar. No entanto, e segundo as minhas amigas, mais mulheres mas muito menos sofisticadas do que eu, é “cosmopolita” ter um gay ao nosso lado para o que der e vier. Não que seja aconselhável dar trela a este tipo de sofisticação, mas ajuda quando queremos classificar este blog (não me custa ser leviana) como “um blog na cidade”.

Apesar de tudo, vale a pena ter um. Um amigo, digo eu.

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