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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do Halloween

rabiscado pela Gaffe, em 31.10.14

Bill Medcalf.jpgAcreditem, rapazes! A Gaffe raramente aprecia os vossos disfarces, as vossas máscaras de vampiro, as vossas monstruosidades de hipermercado ou as vossas partidinhas com aranhas de plástico. Normalmente sorri, esconde a vergonha alheia e suplica a Belzebu que reduza a cinza o vosso Halloweeen de pechisbeque.

Meus queridos, neste dia, o único receio de uma ruiva esperta é que o cabo da vassoura não faça pendant com a capeline negra azeviche Galliano. 

Ilustração - Bill Medcalf

 photo man_zps989a72a6.png

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Gavetas:

A Gaffe conta com bruxas

rabiscado pela Gaffe, em 31.10.14

shirley_temple_17.jpgEra uma vez, Azra.

Azra era uma bruxa pequenina de cabelo cor de fogo.

O chapéu preto de Azra era mágico, assim como mágicas eram a sua vassoura e a sua longa capa preta.
Do chapéu, Azra tirava todos os sonhos e todos os desejos de tudo o que existia no Universo. Da sua longa capa preta, Azra fazia a noite que é uma boa estrada para espalhar sonhos e desejos. Na vassoura, Azra caminhava pelo céu como se tivessem asas, ela e a vassoura.
Azra vivia no castelo que trazia dentro do chapéu. Mal acordava, Azra sacudia a poeira deixada pelo sol no chão do seu quarto, sentava-se numa esterlita e lia na sua bola de orvalho os sonhos e os desejos.
Ora, daquela vez, a bola de orvalho de Azra espelhou apenas um desejo. O desejo do sol.
O sol sonhava beijar a lua que Azra trazia no coração. Sentia-se cansado e só, o grande e pobre senhor brilhante.
Azra pôs-se a pensar. Pensou tanto que o céu inteiro se cobriu de nuvens e um ou dois trovões vieram para riscar a chuva. Nada de grave.
Subitamente, Azra descobriu!
Tirou as suas pantufas de algodão doce, a sua camisa de dormir feita de teias pequeninas e de prata e decidiu voar em pleno dia.
Azra voou e fez levantar o vento e o espanto dos homens.
Lentamente o céu começou a ser coberto pela capa de Azra. A pequena bruxa voava como se fosse um pincel molhado em tinta preta. Em direcção ao sol, Azra espalhava muito devagar a noite em pleno dia.
A bruxa pequenina sentia muito calor. Os seus cabelos ficavam ainda mais vermelhos, como fios de fogo espalhados no céu, mas avançava.
Na terra os homens viam a noite começar em plena tarde, cada vez maior, como se estivesse a comer devagarinho a bolacha doirada da luz.
Então, quando toda a capa de Azra se espalhou no ar, a bruxinha viu-se em frente ao sol que lhe sorria. Azra pensou que valia a pena fazer sorrir o sol e muito lentamente tirou do coração a lua e ofereceu-lha. O sol beijou-a e Azra corou ao ver corar a lua.

 

Depois, não sei. Azra partiu levando a sua capa nega e a luz da tarde regressou muito mais forte.
Dizem que Azra volta ao entardecer, todos os dias, para oferecer a lua a todo o sol que vive no coração dos homens.
Mas isso é um segredo que não se conta a ninguém.

 

Na foto - Shirley Temple

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