Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe retocada

rabiscado pela Gaffe, em 09.03.17

 

A partir de agora, rapazes, não se atrevam a presentear-nos com um sorrisinho jocoso ou um olharzinho galhofeiro quando dizemos que precisamos de retocar a maquilhagem.

 

Foto - Thomas Kelly - Nepal

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe "antes e depois"

rabiscado pela Gaffe, em 07.11.13

A Gaffe sempre considerou, logo depois dos diamantes, o seu estojo de maquilhagem, seguro nas mãos de um séquito de profissionais, e o Photoshop usado por um batalhão de designers, os seus melhores amigos.

Não existe nada de mais reconfortante do que saber que, mesmo depois de termos caído num poço de uma noite de fazer morrer de vergonha as nossas santas avós (ou de inveja, depende imenso das velhinhas), temos sempre a possibilidade de surgir no quotidiano horário do expediente com o glamour que se perdeu pelos caminhos tortuosos da realidade mais crua.

 Depois, mesmo acabado o tempo do bâton e esgotados os filtros do programa, há sempre o botox, para as raparigas que não nasceram ontem.

.

.
 
Ver mais )

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe na base

rabiscado pela Gaffe, em 04.01.13

(Erin Skipley)

Nada é tão desagradável como enfrentar uma rapariga que tem a cara e a parte da frente do pescoço barrada com uma pasta que se assemelha a uma mistela espessa feita de açafrão, canela e uma pitada de cimento.

Esta pasta robusta, que teima em transformar um rosto numa espécie de máscara de um Carnaval de província, resulta do total desconhecimento relativo ao tom da base a seleccionar tendo em consideração a tonalidade natural da nossa pele.

Raparigas! O tom da base que escolhemos deve obrigatoriamente ser um ou dois tons abaixo daquele que geneticamente é o nosso e sobre ela, base, deve ser espalhado com mil cuidados e pincel macio e farfalhudo, o pó (Dior é o mais conseguido) uniformizador e apaziguador de brilhos inconvenientes. Só então nos será permitido  ter orgasmos múltiplos usando todos os recursos que nos são disponibilizados pela cosmética.

Esta pequena exigência adquire o dobro da importância quando se é ruiva.

Nunca, mas nunca, a uma rapariga de fogo é tolerado o uso de pastas coloridas com o objectivo de uniformizar a pele, preparando-a para o que der e vier. A base translúcida mantém à superfície do sonho todas as sardas e todas as pequenas nuances de cor abrasadora e incendiária que uma ruiva possui naturalmente.

Tenhamos sempre presente, raparigas, que o fogo sempre exerceu um fascínio incontrolável sobre os homens e é maçador e idiota tentar ocultar as pequenas chamas com pedaços de barro ou de argamassa.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe de smoking

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.12

Graças ao elegantíssimo Yves Saint Laurent, a silhueta feminina ousou apossar-se de uma das mais típicas peças do guarda-roupa feminino.

Usufruindo de forma inteligente deste sofisticado direito, a mulher acentuou sobremaneira a sensualidade implícita no smoking, destituindo-o daquela previsibilidade que nos fazia confundir o embaixador com o garçon (geralmente muito mais atractivo do que o alto dignitário) de sorriso perfeito e Dom Pérignon em riste.

Fornecendo-lhe um halo de mistério e de enigma, o smoking jamais possibilitou a androginia, acentuando, pelo contrário, a saborosa insolência da atitude dandy e a ondulação sensual da star que o veste com a segurança do mito e a certeza do ídolo.

Uma das peças que precisam com rigor cirúrgico as características sublinhadas pelo uso feminino do smoking, é a deliciosa traição da cor do bâton.

Emerge Dior, comme d´habitude. Evocando a aura temporal das femmmes fatales, surge Dior Addict Lip Color e, entre a paleta disponível, a cor 989 que domina o negro sedoso e, neste caso, transgressor, da peça vestida e torna a mulher na única criatura que o embaixador e o garçon vão querer beijar com a diplomacia frágil do desejo

(Dior Addict Lip Color - 28.50€)

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe luminosa

rabiscado pela Gaffe, em 23.05.12

(Chanel - New Perfection Lumière Foundation)

Uma mulher pode estar empapada, embrulhada, incrustada, imbuída, repleta de make-up, mas é absolutamente obrigatório que só ela o saiba e que ela o perceba.

Imperceptível tem de ser a palavra de ordem. Sem espessura, com a textura da base escolhida capaz de se fundir com a nossa pele, fazendo voar imperfeições e manchas, tornando-nos etéreas, transparentes e quase misteriosamente luminosas.

Perfection Lumière, da Chanel, (eu já devia ser patrocinada pela marca!) comporta-se na perfeição, obedecendo a todos estes requisitos.

Está disponível em 23 tons, com diferentes nuances tonais para garantir uma correspondência perfeita com o seu skintone (a palavra é tão profissional que não resisti).

Não provoca a mais leve sombra de pecado e é consistente com as nossas mais ténues exigências. A nº 12, Bege Rosa mistura-se connosco na mais conseguida harmonia e resiste surpreendente sob uma vasta variedade de condições de iluminação.

Trazendo um aroma subtil de damascos, óptimo para ser beijado, toda a gama é aplicada com a base dos dedos, em oposição à tradicional escova, embora, em consequência, o resultado possa parecer menos profissional. A fórmula de Perfection Lumière desliza facilmente, luxuosamente, luxuriantemente e deixa-nos a pele com a textura de um veludo veneziano.

Somos gôndolas que passam arrastando a maciez do entardecer, porque já flutuamos infalíveis, sem retoque algum, durante todo o dia que passa deslumbrante pelo sumptuoso Grand Canal.

 

Nota – e o preço (cerca de 45€) não nos arruína.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe e velha Senhora

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.12

(Chanel Cruise 2012/13)

Minhas caras, este é um dos rostos Chanel 2012/13, portanto, respeitinho. A velha Senhora ainda o inspira.

Num primeiro relance, torna-se evidente a pertença da marca e não é apenas pelo logo de veludo, adesivo, que a menina traz na suavíssima face e que substitui na perfeição os insinuantes e codificados sinais oitocentistas.

Tudo aqui exala Chanel e tenho uma certa esperança que não seja o nº5. Apesar de ser a única gota que Marilyn vestia para dormir, de figurar no Metropolitan Museum of Art e de ter adquirido o portentoso Brad Pitt para o oferecer a todas as ingénuas, sempre me enjoou terrivelmente. Suspeito que a Monroe o usava apenas porque entrava em coma hiperglicêmico e passava uma noite descansada.

Apesar de reter traços muitíssimo vagos (e absolutamente menos tenebrosos) de Rooney Mara, a heroína Lizbeth Salander do “Millenium - Os homens que não amavam as mulheres”, o rosto Chanel está isento da pesada carga e tensão emocional, tantas vezes a rasar o sufocante e sombrio, da personagem do filme.

Interessa reter o mate rosa envelhecido, um esbatido salmão, distribuído uniformemente por todo o rosto e as sobrancelhas que adquirem grossura. Há nuances subtis nas arcadas supraciliares que se aproximam das têmporas com uma cor mais pronunciada, mais densa e mais dramática. Recorda, de certo modo, as gueixas que expandiam o olhar, aprofundando o mistério, com uma gota de vermelho junto ao saco lacrimal e prolongavam os olhos com sombra carmim.

O rosto Chanel 2012/13 torna-se um misto de ingénua e incauta leveza e de perigo insinuado, mas iminente. Como se Lizbeth Salander não tivesse nascido no negro do enredo de Stieg Larsson e que, pelo contrário, Chanel tivesse escrito um enigma de portas abertas.

Um anjo com esporas.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe sangrenta

rabiscado pela Gaffe, em 14.05.12

(Federico Cabrera)

Mesmo que os psiquiatras vos digam que realçar os lábios é subliminarmente um apelo sexual, transformando a boca num simulacro de vagina, minhas queridas, ignorem.

Como diz um maravilhoso amigo meu, o mundo seria muitíssimo mais simples sem Freud e sem Woody Allen.

Sejam sanguíneas. Atrevam-se, neste Verão, a trazer na boca a prova de que cometeram o assassínio de um beijo e que a vítima ficou exangue, não por lhe termos sorvido o necessário, mas por perceber que jamais conseguirá sobreviver sem a nossa boca.

 

Nota – Voltarei a este assunto brevemente…

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)





  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
JIFR-J5MR-Y1XR-YACD