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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe lusíada

rabiscado pela Gaffe, em 14.10.15

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Perante uma miserável edição de Moda Lisboa, onde a plateia colava pensos rápidos nos calcanhares e as sabrinas funcionavam como amortecedores parolos da falta de talento e de dinheiros dos desfiles, a Gaffe resumiria tudo a um suspiro de lamento contido, se não encontrasse no meio da desgraça a colecção de Nuno Gama.

 

Absolutamente fascinante.

 

Com raiz nos Lusíadas, a sucessão de viagens oníricas que rumaram ao Oriente, à Ásia e a África, o apresentado por Nuno Gama é um exercício de inteligência, de talento e de maturidade.

Nada foi descurado e o perfeito jogo de cores, de texturas, de formas, de padrões, de recortes, de evocações, de insinuações, de sombras e de jogos de luz, de humor refinadíssimo, de traços subtis de memória, de evocações e de pormenores - são belíssimos os origamis nas lapelas e as borlas das faixas nas cintas – entregam à colecção um cunho internacional que, havendo suporte financeiro e máquina publicitária em condições, faria corar de vergonha Galliano que foi catastrófico nesta estação.

 

A Gaffe sugere que na próxima edição de Moda Lisboa se dê lugar ao talento e à inteligência, resumindo tudo a Nuno Gama.

 

O resto não vale nada.

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A Gaffe sem pensos

rabiscado pela Gaffe, em 09.10.15

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A Gaffe lê com alguma curiosidade a descrição do Kit que permite sobreviver à Moda Lisboa.

Repara com alguma perplexidade na presença de pensos rápidos e no alerta seguinte, muito cuidadoso - que já nos bastou Rodrigues dos Santos -, para os pés.

 

A Gaffe compreende as meninas que trincam barras de chocolate enquanto se esbardalham todas de um lado para o outro, desenfreadas, rotas, suadas e descabeladas, dispostas a arrancar os dentes a quem as fizer perder o Luís Buchinho ou uma amostra de perfume - uma rapariga tem de fazer pela vida -, mas fica curiosa quando descobre, através dos conselhos dados, que talvez existam pensos rápidos destinados a outras funções que não o alívio do dói-dói.

 

A Gaffe assistiu ao mais recente - desastroso e desconexo - desfile de Galliano, que a deixou deprimida e a lastimar que este rapaz talentosíssimo não tenha conseguido sair do café onde tombou de bêbado ofensivo, mas não teve notícia de desacatos pindéricos com visões de cremes baratos, não testemunhou insultos primários à elegância mais básica e não assistiu a algazarras de virgens na primeira vez na montanha russa.

 

A Gaffe sempre considerou que um desfile começa no glamour dos convidados e finda necessariamente com o allure de estrelas da plateia. Jamais será perfeito se os convidados chegarem de sabrinas, com os calcanhares infectados e um penso demorado nas cuecas.

 

Na foto - Chegada das bloggers de moda à Moda Lisboa. 

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A Gaffe entre serras

rabiscado pela Gaffe, em 04.04.15

Teresa_Martins_1160938.jpgMais uma vez deslumbrada, a Gaffe deixa Teresa Martins falar da sua mais uma vez extraordinária colecção:

 

"Sobre o desfile no Portugal Fashion
 

No passado dia 28 de Março, a TMcollection apresentou na Alfândega do Porto a coleção “Entre Serras” num desfile apoiado pelo Portugal Fashion.
Numa envolvência cénica com coreografia de Benvindo Fonseca e música ao vivo de Pedro Jóia, desfilaram manequins coroados por paisagens serranas, tendo o publico sido transportado para um imaginário imponente e austero pautado por toques de cor num romantismo e beleza tão característicos da marca .

 

Sobre a coleção OI 2015 “Entre Serras”

 

“Daquela janela, aberta sobre as serras, entrevia uma outra vida, que não anda somente cheia do Homem e do tumulto da sua obra”. 
 
Eça de Queirós,
A Cidade e as Serras, 1901

 

Sob a direção criativa de Teresa Martins, a TMcollection apresenta para o Outono-Inverno uma coleção inspirada na paisagem Serrana Portuguesa. A rigidez das montanhas espelha-se em silhuetas oversized de  corte recto, numa paleta diversificada com tonalidades sóbrias e outonais em fazenda de lã , seda e veludo, evocando o lado mais acolhedor da época fria.
 
Nos tons da Natureza, nos sobretudos austeros, nos veludos matizados de verdes e ocres, nos bordados de folhas que adornam golas, punhos e bolsos, nas estampas florais das sedas, espelha-se a rigidez das montanhas pautada por toques de feminilidade e cor.

 

Silhueta – Recta, Cocoon, Linha A e Soleil.
Tecidos  – Fazenda de Lã, Seda, Algodão, veludo de algodão.
Cores – Verde Oliva, Azul Marinho, Azul Petróleo, Preto, Castanho Escuro, Tijolo, Bordeaux, Laranja, Violeta, Jade, Amarelo Mostarda, Líquen, Lavanda.
Jogos Gráficos – Geométricos: Pied-de-Poule, Riscas de Giz, Xadrez, Mosaico, Tweed, Espinhado, Zig-zag. Orgânicos: Flores, Folhas, Pintas."

 

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A Gaffe de collants

rabiscado pela Gaffe, em 02.04.15

Nuno Gama.jpgA verdade é que o trabalho de Nuno Gama me deixa sempre agradada. As colecções são belíssimas, credíveis e inteligentes, sobretudo quando o rapaz percebeu que esgotou todas as possibilidades de usar a simbologia nacional no momento em que colou sardinhas às cuecas dos modelos.

Uma das suas propostas para Outono/Inverno 2016 não parece contudo bem sucedida!

São lindíssimas as poderosas samarras, as sofisticadas gravatas, as poderosas botifarras, os esvoaçantes estampados gigantes que cruzam os pescoços, mas não se consegue compreender a ausência das calças e não parece simpático o uso de collants mais ou menos transparentes como recompensa, a não ser que Nuno Gama lhes acrescente os ligueiros.

Não seria de todo agradável uma rapariga estar sentada na amena cavaqueira com um rapagão, pronta a aceitar qualquer convite menos próprio e, no momento em que este se levanta, verificar que o mastodonte está a usar collants.

Apesar de tudo, é sempre preferível descobrir muito mais tarde que o homem vive com a mãe.

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A Gaffe de hijab

rabiscado pela Gaffe, em 28.10.14

Moda-Lisboa-LEGACY-FIlipe-Faísca-1.jpgQuando Mary Quant fez explodir as mini-saias ou YSL fez desfilar o smoking feminino, nada mais fizeram do que encarnar com o glamour das passerelles o que latejava nas ruas. Souberam de modo perfeito interpretar o pulsar dos desejos, das aspirações e das embrionárias metamorfoses do palco das avenidas. Mostraram com estrondo o que vinha a ser inconscientemente necessário. Não entraram em ruptura com o estabelecido como norma, deram apenas uma voz determinada e contínua ao que se vinha tornando evidente embora ainda detentor de pouco vocabulário.

Vestirmo-nos é também carregarmo-nos de signos, de símbolos, que comunicam como qualquer outro código. É também propormos uma identificam de grupo, é mesclarmo-nos com o quotidiano, é traduzirmos o que pensamos, o que queremos, o que nos revolta, o que nos agrada ou o que de comum existe entre os pares que escolhemos.

É idiota pensarmos que a inutilidade grassa no compasso e na cadência dos manequins. Interpretar e sermos interpretados pode ser a ponte que liga as margens do quotidiano aos passadiços da moda. O modo de passarmos.

A recente edição da Moda-Lisboa não teve história. Repetiu-se a esgotada receita e dela saímos com o paladar intacto.

Houve no entanto uma réstia de arrojo.

Os hijab e os Niqāb de Filipe Faísca prometeram muito mais do que o habitual.

Não seria a primeira vez que um criador faz estalar chicotes onde não se espera. Lagerfeld finda o seu último desfile fazendo surgir os manequins com cartazes onde se reivindica o fim da moda e a apologia da mulher liberta, numa homenagem à mãe, corajosa feminista.

Filipe Faísca insinua. Filipe Faísca promete. Filipe Faísca faz com que se espere uma intervenção contundente, mais ou menos ácida, na página que se vai escrevendo tapada na mulher do Islão.

Não se pedia muito. Não se exigia mais do que aquilo que era insinuado. Mas Filipe Faísca não cumpriu. Nada se fez, nada aconteceu. O criador declamou as banalidades do costume, os lugares comuns da praxe, as balelas habituais e transformou uma oportunidade de falar a sério através dos códigos que muitas vezes se levam a brincar.

Não prestou. Não valeu a pena.

Filipe Faísca acabou lido como seria correcto. Um homem de ceroulas, enfiado numa espécie de camisa de dormir masculina do início do século XIX, ao telefone com uma senhora que se esgota na repetição monumental dos objectos, inevitável em todos os eventos que reunam muita gente.

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Gavetas:

A Gaffe de Teresa Martins

rabiscado pela Gaffe, em 07.04.14

Teresa Martins é uma das minhas criadoras favoritas e uma das mais inteligentes e originais na planície de um Portugal Fashion que se vai esgotando no previsível e na continuidade entediante dos trabalhos apresentados nas edições anteriores.

O encontro de uma simbologia portuguesa extraordinariamente bem trabalhada com uma alma oriunda dir-se-ia da Índia, fez com que “Alma Mater”, a colecção de Teresa Martins para a TM Collection, se tornasse a colecção mais sedutora e mais singular de todas as apresentadas.

As cores, os volumes, as sobreposições, os adereços, a forma como são trabalhadas as texturas e a perfeição coesa das silhuetas, tornam a criadora um belíssimo exemplo de como a internacionalização de uma marca pode sem receio sustentar-se no que de genuíno existe na alma portuguesa.

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A Gaffe na GNR

rabiscado pela Gaffe, em 11.03.14
Acontece que 150 elementos da banda da Guarda Nacional Republicana (GNR), a cavalo que nos é dado ver sem mostrar os dentes, desfilam seguidinhos, certinhos, todos limpinhos e muito aprumados, no Terreiro no Paço a abarrotar de gente, desgentada e oca de alegria enevoada, dando alma a Panteão, a nova e belíssima colecção que Nuno Gama oferece à 42ª edição da Moda Lisboa. Depois dos cavalos, desfilam mais elementos da banda, apeados, transformados em cenário, e fazendo ecoar um cheirinho a Lisboa e a hino nacional.

Os deuses podem ser belicosamente generosos com os pacíficos. Ao alcance do nosso olhar escrutinador, os soldadinhos passam, ladeando o glamour de uma colecção perfeita.
Roi-te de inveja, Evita! Agora é a vez da Gaffe sentir que marcham para ela.

 

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De acordo com Nuno Gama convencer a GNR a participar no desfile foi o mais fácil possível. Bastou um email elogioso, mas, mesmo sem email, depois de mirarmos Nuno Gama percebemos que se torna impossível recusar-lhe seja o que for!

 Do outro lado da lua um cabo da GNR é suspenso por ter ousado mostrar a sua excelente forma física num bar qualquer, todo aos pulos de alegria feminina, mostrando quer os atributos que Deus lhe deu, quer os que a GNR usa como apetrechos do ofício.

O pobre do rapagão devia ter percebido que mais valia ter desfilado para Nuno Gama! Também era despido (a Gaffe deixou escapar alguns modelitos do criador, ocupada em desnudar um ou outro soldadinho), também usaria os símbolos da Nação (mesmo sem cavalgaduras) e também faria esbugalhar os olhos às meninas mais impressionáveis (cavalgaduras incluídas).

É certo que o cabo stripper não bamboleou o fio dental (um bocadito largo à frente) ao som do hino nacional, mas temos de admitir que foi mais rápido vê-lo despido do que imaginar os colegas do desfile só de cuecas.

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A Gaffe a aplaudir

rabiscado pela Gaffe, em 10.03.14

Mantendo uma linha com influência mais ou menos clara da corrente steam, Valentim Quaresma mais uma vez deslumbra com a colecção apresentada na Moda Lisboa deste ano.

Não é a primeira vez que o criador nos oferece a possibilidade de emergirmos num universo quase fantasioso onde a utilização dos objectos, matérias, texturas e cores que escolhe para produzir os seus adereços, nos transporta para um imaginário onde se mistura um instinto de defesa guerreiro com a aparentemente desprotegida sofisticação que é consequência de um bom gosto irrepreensível.  

Quaresma continua a marcar o espaço onde se torna cada vez mais difícil a permanência da criatividade inteligente.    

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A Gaffe de Xiomara

rabiscado pela Gaffe, em 16.10.13
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Uma das características essenciais a um criador de trapos é sem dúvida a capacidade de produzir peças que, sofrendo ligeiras alterações, conseguem ser transversais a todas as idades da mulher ou do homem. Verificarmos que aos sessenta conseguimos deslumbrar envergando, com ligeiras mutações, Luís Buchinho como seria expectante se tivéssemos trinta, é clara afirmação do criador.

Para além daquela que secciona e selecciona de modo inteligente um mercado específico ou um alvo determinado, a capacidade de atingir públicos de variadíssimas idades com a mesma colecção exige arte e engenho e é talvez a derradeira prova de talento.

Katty Xiomara não detém esta potencialidade.

Todas as criações até agora vistas destinam-se a uma mulher talvez demasiado infantilizada, dulcíssima, pastel e malmequeres, eventualmente frágil e romântica, mel e rosmaninho. A sensualidade inata, carnal e apelativa, da Venezuela, ponto de origem da criadora, não sendo obrigatório estar patente, desaparece por completo das suas colecções sendo substituída por uma ingenuidade de vestal apoiada por uma cândida e pueril imagem tímida, demasiado leve e inocente.

Katty Xiomara não consegue unir os tempos.

A colecção que apresenta agora, apesar do dito, consegue a proeza de não ficar cativa desta imagem etérea.

A criadora arrisca num mais sisudo e pensado allure e atinge uma maior maturidade nas cores que escolhe, nas silhuetas que oferece e sobretudo no desenho interessantíssimo das peças que a libertam, esperemos que definitivamente, das fadas saltitantes com que nos irritava.

Não é inata a capacidade de se tocar em todas as gerações, mas é sempre possível aprender a envelhecer com os sentidos voltados para todas as curvas do tempo.

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A Gaffe de Valentim Quaresma

rabiscado pela Gaffe, em 11.03.13

Finda que está a recente edição de Moda Lisboa, passo o Domingo saltitando, esvoaçando e debicando desfiles e apensos comentários, de acordo com o permitido pela minha paciência e capacidade de tolerância à tolice.

Não consigo (lamentavelmente, porque me afirmaram ser rentável) cingir a minha pobre e irrisória opinião ao adorei, adorei, adorei, mas do que mais gostei foi dos sapatos. Admiro e invejo, com uma sinceridade de coração aberto, os queridos que recheiam a conta bancária com notas deste teor, mas sou uma provinciana incapaz de arranjar rechonchudos (ou mesmo enfezados) patrocínios.

Acabo, portanto, a despejar sem peias, limites ou condições, o que espremi do evento.

Acredito que a criatividade, a originalidade, a inovação e a ousadia pensada e projectada com asas de faíscas de quem cria os imaginários da metamorfose – filhas legítimas da inteligência – são as primeiras órfãs da época carcomida que vivemos.

A edição da Moda Lisboa reflectiu a letargia e a imobilidade que grassa nos tempos referidos, demarcadas pelo monótono e pelo repetido. Todos os desfiles foram previsíveis e esbatidos (mesmo o do querido e inteligente Luís Buchinho e o do charmoso e ambíguo, mas provocantemente masculino, Nuno Gama, me pareceram atabalhoados - adorei, adorei, adorei os galgos!). A esmagadora maioria declarou uma semelhança empobrecida, quase uniformizando todas as propostas, provocando um fenómeno que se insinuava já nas edições anteriores, embora de forma muito ténue: a acentuada transferência do foco de atenção do interior da esperada inovação em desfile, para uma determinada fauna (que eu, por ser rústica e saloia, sou incapaz de compreender) que no exterior espera que aconteça a explosão de glamour, de criatividade desfraldada, de assunção da diferença, de renovação e aliança entre a inteligência do design, a técnica, a originalidade e a mutação.

Os desfiles sucederam-se e acabou tudo, não no mais do mesmo, mas no mais do muito parecido.

Reflexos subtis de uma recessão deprimente.

Nesta unanimidade e conformidade enfraquecida, destaca-se um outsider que, não sendo pertença directa do meio, acaba por conquistar definitivamente o evento.

Valentim Quaresma.

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É lamentável que não lhe seja dada a importância devida.

Leio brevíssimos comentários que se resumem a uma descrição árida do apresentado pelo criador, resumindo o que foi visto a uma procura de um ponto de ligação entre a industrialização e a criatividade.

É Valentim Quaresma o responsável por conclusões que são, apesar de pouco legíveis, vagamente esclarecedoras:

A criatividade é a materialização da imaginação, a ideia de "sonhar acordado" surge como uma oportunidade de estar em contacto com uma realidade transfigurada, que interpreta uma fantasia visionária. A industrialização surge através de uma cadência de movimentos, materializando-se na busca de cores e formas ambíguas aliadas a um espírito retro-futurista que caracteriza o seu universo criativo.

Creio que a criatividade é a materialização da inteligência. Valentim Quaresma tropeçou nas palavras, entregando à magnífica colecção Daydream uma semântica que a descreve de forma complexa e também (segundo esta miúda que não tem qualquer competência para discordar do que diz o autor) para inglês ver.

Quaresma é, em última análise, um escultor. Um belíssimo escultor, capaz de nos entregar peças esteticamente soberbas.

O ponto fulcral da colecção apresentada está na capacidade de tornar imprescindível, e notória, a fusão de um ilusório quase medievo, de másculos ferreiros de aventais de couro, de cavaleiros protegidos por articuladas placas de incompletas armaduras e de personagens femininas oriundas deste mesmo irreal, que habitam os lagos donde emergem as míticas espadas, e a tecnologia de ponta que projecta o objecto-futuro.

É simples, embora pareça rebuscado. Toda a obra inteligente permite um manancial de interpretações que escapa ao autor, porque se espalha por inumeráveis deltas.

Não é indispensável ouvir o criador quando a obra o supera de tal forma que se torna pertença do imaginário de cada um que a vê.

Valentim Quaresma fez esquecer a fauna e a flora dos espaços envolventes. Tornou-se único e única salvaguarda de um evento que não encontrou o Graal, mesmo um de plástico.

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