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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe invisível

rabiscado pela Gaffe, em 05.08.13

Tenho uma amiga a quem foi oferecido um inacreditável anel de noivado composto por uma aliança de platina, larga, lisa e por bolear, onde os sete diamantes, com um número de quilates que me arrepiam só de pensar que tenho de os somar, estão incrustados no interior.

De acordo com o apaixonado, os olhos não conseguem ver o que de mais importante tem a vida.

Embora reconheça o sofisticado romantismo, confesso que não poder cegar as adversárias com o brilho ofuscante dos nossos melhores amigos, é uma desvantagem que toda a rapariga esperta deve considerar, mas admite que um rapaz que escolhe a direcção de Lia di Gregorio para se ajoelhar aos nosso pés oferecendo-nos aquele sedutor invisível para os outros, mas que sabemos nosso e palpável, acaba por nos entregar também a mais incontornável prova de que é um romântico ligeiramente pateta, mas um daqueles que nos faz merecer a condenação à morte se o perdermos.     

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A Gaffe ganha pulso

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.12

(Veronique Leroy)

Em 2013, minhas queridas, (E se ainda não o fizeram em 2012) abandonem a colecção de contas idiotas que vão sendo adicionadas a uma pulseira que vos recorda os momentos mais marcantes das vossas vidas e esqueçam as correntes subtis de ouro com medalhinhas de S. Jerónimo a badalar.

Os vossos pulsos serão lugar de destaque, local privilegiado onde todos os olhares convergem, onde todas as fantasias trazem medida e peso poderoso e onde o excesso deixará de ser condenável, porque abrange o despudor da sofisticação.

Tenham pulso e suportem o poder do excessivo, do dominante, do quase em demasia, predominando como o Empire State Building na cidade em que o vosso corpo ganha forma.

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A Gaffe na Índia

rabiscado pela Gaffe, em 14.06.12

 

Envolvida por ambientes exóticos e longínquos, não resisto, saída da fragilidade etérea e quotidiana da busca da imperfeição japonesa, a voltar o sonho para a Índia, Rajasthan, Jaipur no século XIX, e colocar no pulso uma das extraordinárias pulseiras com o confronto de cabeças Makara (Karas).

Ouro, diamantes e uma cristalina inserção na técnica Kundan, de esmalte policromático (minakari), tornam estas jóias as antepassadas do exotismo refinado, absolutamente sofisticado, apurado, culto e requintado de Yves Saint Laurent dos anos cinquenta.

Uma Viagem à Índia é sempre repleta de genialidade.

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A Gaffe e o tesouro naufragado

rabiscado pela Gaffe, em 28.05.12

 (PPQ bracelet)

Não é aconselhável a raparigas minúsculas e preocupadas com o facto de não constar na lista dos adereços da estação mais recente, porque esta fabulosa pulseira de resina grossa, para além de ser referenciada em 2011, é relativamente pesada e não convém partir um osso batendo com ela nos tornozelos.

É, no entanto, um acessório deslumbrante, que lembra tesouros afundados que a água aprisionou, fechando em transparências oceânicas jóias perdidas para sempre.

Um dos maiores fascínios de qualquer peça passa também pelo facto de nos despertar a capacidade de divagar e de nos perdermos nas imagéticas paisagens que nos povoam o sonho.

A peça de resina, pérolas e ouro, a prisão que sugere um quase naufrágio antigo e já esquecido, arrasta consigo a sombra de uma história quase dramática, trágica, de tão perfeita.

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