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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe tatuada

rabiscado pela Gaffe, em 04.02.14

Instaladou-se uma indignação pouco ajuizada a propósito de uma menina que tatuou no braço o nome de um imberbe, candidato foleiro, descartável e temporário, a Peter Pan drunfado.

Confesso que tive de googlar o nome do rapaz. Apareceu-me uma amostra de puto baixinho, de calças pelos joelhos, t-shirt desagradável, piroso, delambido, branquelas, com ar de quem vai vomitar pastilha elástica, em poses idiotas, com uns desgraçados e perigosos ares de rebelde sem causa e sem um pingo de carisma. Mal por mal, seria mais engraçado ter escolhido o espanholito com quem a Carminho faz uns duetos. É mais encorpado e a tatuagem ficava com salero.

A rapariga quer morrer com o nome do moço cravado no braço.

Pois muito bem!

Como o  tempo não perdoa a ninguém, vai encarquilhar e mirrar com o tal Bieber a abanar na asa de morcego em que entretanto se transformou o braço e o Bieber não vai saber nunca que há uma velha portuguesa a badalar-lhe o nome que entretanto já cheira a suor e a mofo.

 

Tatuar seja o que for não é o mais indicado para perpetuar o que quer que seja. Mais vale desenhar uns arabescos passageiros com hena. Umas lavadelas e lá se vai o Bieber pela pia abaixo. Desenhecos com hena são muito mais Natura e qualquer um, se for caso disso, pode ficar com umas fotos bem catitas, para mais tarde recordar e sem amaldiçoar essa mesma tarde.

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Gavetas:

A Gaffe conservadoramente tatuada

rabiscado pela Gaffe, em 27.06.12

Lembro que referi num post anterior que uma rapariga não é particularmente fã de corpos cobertos por tatuagens. A opinião mantém-se, mas sublinha-se que o mesmo não acontece quando se fala de contrastes e colisões, por ventura antagónicas, que despertam no menos fundo da nossa intimidade os calafrios propensos à mais escandalosa das garotices.

Há no encontro de antíteses, no embate de imagens discrepantes, no choque de pormenores discordantes, um apelo, quase de índole sexual, que faz disparar todos os nossos alarmes.

O delicioso aroma dos bons patifes encontra-se, subliminar, nesta colisão.

Acreditamos, ou fingimos crer, que a conservadora imagem que nos é visível, camufla, embora sem convicção, um universo, mais ou menos esconso, que hesitantemente desejamos conhecer, porque somos todas, não há como negar, atraídas pelo marginal mais boémio, vadio e extravagante e a boémia malfeitoria, vestida por Prada ou Valentino, desculpa toda a tatuagem que não queremos abraçar e faz também de nós agulhas destinadas a riscar o corpo disfarçado.

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