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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe muda de casa

rabiscado pela Gaffe, em 30.05.20

Gaffe

Nova morada

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Gavetas:

A Gaffe aqui e acolá

rabiscado pela Gaffe, em 29.05.20

nova morada

Quase um mês depois - mais dia, menos dia -, a Gaffe já é capaz de colocar frente a frente as duas plataformas que a apoiam. A primeira há imensos anos, a segunda muito mais imberbe.

É bem verdade que esta menina irrequieta não descansava enquanto não experimentasse passear nos domínios do vizinho e, com a urgência de descontrair um bocadinho mais que o habitual, tentar fazer dançar os malabarismos dos códigos nas entranhas do desconhecido.

É evidente que esta rapariga esperta não consegue dispensar a antiga, aqui, e a nova, acolá. Pensou manter rabiscos nas duas, colocando numa as suas cuesias, o azeite das suas receitinhas de bolinhos e da playlist, e na outra uns desabafos mais intimistas, uns olhares desconsolados para o mundo que a rodeia, as tragédias caseirinhas que a vão apoquentando, mas admite que baloiça, não se decidindo qual a mais adequada às suas andanças de etiquetas.  

São manifestas as pequenas diferenças entre estes seus dois amores.

Certa é a facilidade com que, acolá, se manipulam as características do blogue, como se altera o seu aspecto, como se manuseiam os segredos dos códigos e os mistérios do CSS. Por estranho que possa parecer, as reviravoltas codificadas são mais fáceis de dar acolá do que aqui. É muito importante este dado para uma rapariga volátil, inconstante e incapaz de deixar sossegadas as entranhas dos templates. A Gaffe arrancou os dentes às nuances originais do tema escolhido acolá e cravou a dentadura que entendeu, sem ter de usar o berbequim ou a broca do esgotamento mental. Um ponto a favor para acolá.

Jogando a favor do aqui, encontra-se a facilidade de interacção disponibilizada. No acolá é miserável, distorcida e incompleta, repleta de falhas que dificultam ou impossibilitam mesmo os comentários de quem quer que seja. Um horror que a plataforma tem tentado suprir, apoiando o utilizador com algum distanciamento que não convence - por ser demasiado gelado e demorado - e que contrasta com a atenção, a disponibilidade quase imediata, o carinho, o respeito e o profissionalismo da equipa SAPO.

Convém referir, no entanto, que as tão elogiadas – e verdadeiras - comunidades que se foram fomentando ao longo dos avanços do tempo nesta plataforma, existem comprovadamente na de acolá, apesar de mais cerradas e talvez mais imperceptíveis. Encontramos fidelidades, lealdades, fascínios perenes, amizades e cumplicidades, em todo o lado. Na plataforma do acolá talvez sejam mais difíceis de construir do que aqueles que se solidificam aqui, provavelmente devido às possibilidades que a equipa SAPO vai oferecendo, com, por exemplo, as rubricas tags, desafios, mais lidos, últimos posts e destaques.

Seja como for, a constância, a persistência da interacção e a identificação de grupo, são essenciais às duas plataformas como troca de opiniões e de gestos assíduos. Quer numa, quer noutra, a presença das nossas florinhas nos canteiros dos vizinhos, através de carradas de comentários tantas vezes tontinhos, é facilitadora de fidelizações, fomentando a criação de círculos que muitas vezes se tornam difíceis de quebrar.   

Uma outra característica que é útil sublinhar tem a ver com os escritos.

Acolá escreve-se extraordinariamente bem. Talvez se escreva melhor do que aqui. A quantidade de blogues que surpreendem pela qualidade literária da escrita - ou pelo maior gosto com que os lemos, dado que não somos críticos literários com pergaminhos firmados para sustentar a primeira afirmação – aparentam estar acolá em número superior. Não desmerece, não desvaloriza, não menospreza e não diminui, de forma nenhuma, o que se escreve aqui, mas, há que assumi-lo com frontalidade, os textos que a Gaffe tem lido acolá parecem-lhe mais trabalhados do que aqueles que se encontram aqui. Um pequeno número está na selecção exposta na barra lateral destas Avenidas que reúne alguns dos mais fantásticos autores que se encontram nas esplanadas alheias. Seria muito interessante revelar as faixas etárias que maioritariamente escrevem aqui e acolá. Suspeita-se que a qualidade literária se alia à maturidade literária e as duas são consequência também da maturidade do autor. Provavelmente aqui os jovens são em maior número. Como a juventude é quase sempre um ponto a favor nas futuras andanças do destino, nos empenhos de alegria, nas revoltas e mudanças, talvez  aqui se encontre uma promessa de vitória.  

 

Posto isto, meus amores, a Gaffe vai para dentro que está demasiado calor para se ficar aqui à toa esperando que Godot surja acolá, numa rajada de vento inconstante.  

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A Gaffe procura casa

rabiscado pela Gaffe, em 30.04.20

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Provavelmente a Gaffe pandémica amadureceu, envelheceu, senilizou e passou a acreditar que uma planície menos verdejante, mais seca, mais despojada, saudavelmente mais pirosa, absolutamente Barbie, repleta de detalhes inúteis, fúteis, superficiais e soltos das subtis amarras que se iam apertando à medida que as interacções surgiam e as rotinas se estabeleciam, seria uma forma de respirar o que os entendidos reportam como nova normalidade.

 

Mais fria e é seguro que muito mais longínqua, a plataforma que surge como hipotético novo albergue desta rapariga que sempre se quis superficial, poderá refrescar e iluminar os sombrios passeios que por aqui ultimamente se vão palmilhando.  

 

É uma decisão estranha - sobretudo tendo em consideração que esta rapariga foi outrora lindamente mimada nesta plataforma -, mas que foi crescendo até se tornar uma inevitabilidade.

 

Não é de todo certo que seja um abandono batráquio. É apenas uma outra hipótese, uma nova experiência já tacteada - mas que ficou por cuidar -, algures no tempo passado e em momento de spleen.  

 

A Gaffe deixa de contar com a habitual amabilidade das suas visitas e torna-se mais solitária. Tendo em conta que a solidão é também um dos refúgios dos tímidos, é seguro que a Gaffe espera encontrar ali pelo menos um exército.

 

Basta que se acrescente um hífen, um ligeiríssimo afastamento social, entre a Gaffe e as suas Avenidas, para encontrar a possível nova morada desta rapariga inconstante.  

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Gavetas:

A Gaffe contabilista

rabiscado pela Gaffe, em 29.04.20

Gaffe

A senhora de lábios tombados e sobrancelha erguida dispara o fruto seco:

- Com esse feitiozinho gostava bem de saber o número de namorados que já teve ...

A minha irmã, mimando o ar atenuado das estrelas:

- Meus ou das outras?

Mana

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Gavetas:

A Gaffe já nas bancas

rabiscado pela Gaffe, em 28.04.20

G. Mag.

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A Gaffe encoberta

25 de Abril de 2020

rabiscado pela Gaffe, em 27.04.20

René Magritte -1958

(A Abril)

A casa encoberta enche-se de navalhas de luz por esta altura.


Lanhos luminosos que se estilhaçam nos ladrilhos, que surpreendem as esquinas dos móveis e se estiram devagar prolongando o brilho dos tampos das mesas e dos corrimãos.


No Douro há esta casa oculta que permite a luz, que deixa que os clarões do sol invadam o sossego e que consente a enganosa sensação de ser habitada pela claridade mais límpida, pela imaculada cor do sol que se mistura nela.


No Douro, esta casa medonha enclausurou a melancolia dos distúrbios do sol no chão e nas paredes e as infantilidades luminosas que trepam os degraus e se dependuram nos umbrais das portas e janelas.


A casa trespassada pela luz, como se a luz não fosse mais do que um punhal.


Gosto da luz desta casa encoberta que me redime e deixa extenuada, porque se derrama e propaga como nenhuma outra claridade o faz dentro de nós que a autorizamos a entrar, porque me lava e limpa e me deixa dentro dissipada, por ser a única, a última, que dentro das paredes da clausura me permite, dentro da cegueira, olhar e ver a escuridão passada.

 

Imagem - René Magritte

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A Gaffe sem regressos

rabiscado pela Gaffe, em 15.04.20

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Deitava-me no chão de madeira encerada e permanecia horas inteiras a aflorar as tábuas do soalho com a polpa dos dedos.

Com a cabeça tombada num dos braços que me servia de almofada, pousava o insecto de uma das minhas mãos na pele do chão e traçava labirintos de jardins inventados.

Tudo era simples, como o silêncio que me apaziguava. Ficava pousada no chão como um inevitável facto e entre o soalho e o meu corpo havia um lençol de plumas estendido que impedia a mácula, atenuando o encontro agressivo com o chão.

 

Estas minhas ausências despertaram a indignação da minha avó que me proibiu aquelas imobilidades suspeitas, evocando vestidos que se sujam - o meu vestido de linho azul com miosótis bordados a cheio pela Jacinta -, ou entraves à contradança das empregadas.

 

As tardes de mapas no soalho tornaram-se mais espaçadas e de certo modo diferentes. Deixou de existir um manso toque para passar a haver um risco rígido, um raspar nas frinchas deixadas pelas uniões das tábuas ou nos lanhos que a madeira antiga deixava irremediavelmente por curar. Tentava escavacar o chão, procurando lancetar ou aprofundar as feridas da madeira. A cera quinzenal colocava compressas nestes rasgos, mas nas tardes distraídas da minha avó voltava a abrir aquela solidão de madeira. Quando o sol deixava as sombras soltas pelo chão, acabava pertença do soalho. Os reflexos de luz toldavam-me os olhos, sentia a pele misturada com brilhos dourados e os fios do meu cabelo enganavam os veios da madeira.

 

A memória dessas tardes chega hoje como lenços a acenar, isenta de som, com se a mudez daqueles momentos contaminasse as recordações que deles tenho. Talvez a responsabilidade desta ausência de ruído não seja minha. Talvez o silêncio fosse um erro exterior a mim.

 

Agora o soalho não é encerado de quinze em quinze dias e mesmo o ranger das tábuas parece diluído.

 

Pesa de perfume o ar que não respiro agora, mas que me entra baço nas narinas e há escuro desperto nas rajadas de luz que entram pelas janelas. Não há vento e sinto as folhas esbaforidas a rodopiar lá fora. Estou aqui e sinto frio, como se tivessem aberto as portas todas e as correntes do ar enfurecidas viessem galopar o meu espaço.

 

Onde fiquei? É mesmo aqui que existo ou estou perdida nas folhas do meu álbum? Vou pairar, tenho a certeza, voar ou levitar e chegar ali, à minha infância, e, contudo, calco o chão agora como se dele nunca tivesse erguido os pés.

 

Atravesso a sala. Desvio-me dos móveis. Sei-os de cor. Os meus dedos esbarram nas esquinas e escorregam depois na pele de vidro da jarra onde matavam as mimosas. Não tenho medo. Agora não há perigo. Posso quebrar tudo o que quiser sem temer que escondam o meu erro. Já não fico com segredos repartidos e com o medonho medo dos meus cúmplices que ganhavam o poder de me moldar ou arrastar para culpas divididas.

Como se soubesse agora do que tenho a culpa.

 

Toco nas paredes, encosto-me de manso, de modo que os meus ombros se misturem com a surpresa de me ver aqui, com esta espécie de ondular que sinto e que é memória ainda do berço que baloiçava nos braços da minha avó.

Caminho devagar.

É grande, a sala, mas tudo é tão pequeno. O modo de eu a olhar é tão diferente! Mesmo a poeira batida pela luz não tem doirados e não fica presa nas patas do tempo. Tomba como uma sonâmbula no soalho e nada resta para esvoaçar depois. A minha escala é outra. Já cresci. Os meus olhos antigos não os uso agora e não consigo inventar estradas para deixar passar as tribos que inventava, entre a porta grande - grande, grande, imensa, enorme, que se abria para a minha avó entrar em contraluz - e o esconderijo do meu peito.

 

Nada tem a dimensão da infância.

 

Nada fica igual, quando da porta ao quarto se cavam pesadelos e as distâncias se traçam no interior da vida. Nada permanece, a não ser o ido.

Não há regressos. Não há normalidade.

 

Deito-me no chão. Ergo os braços, estendo as mãos para o tecto. Deixo-as tombar depois vazias e adormeço.

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Gavetas:

A Gaffe numa páscoa possível

Páscoa feliz!

rabiscado pela Gaffe, em 12.04.20

Páscoa Feliz

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Gavetas:

A Gaffe cativa

rabiscado pela Gaffe, em 10.04.20

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O que se repete de forma constante, pode nunca deixar de ser verdade, mas é atenuada, com a insistência que banaliza, a percepção da importância do dito. A verdade às vezes torna-se apenas um slogan e quase todos os slogans são, numa análise primária, actos de publicidade.

Pese embora a repetição seja uma manobra de eficácia publicitária comprovada, usada e abusada por quem sabe, a consciência aguda de determinado facto - nos casos em que o slogan cumpre a sua função, apresentando-nos um imaginário que afasta o real -, é acordada apenas quando é o indivíduo a sofrer no corpo a veracidade do cartaz.     

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A Gaffe sem Primavera

rabiscado pela Gaffe, em 06.04.20

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Esta casa foi adquirindo uma entidade própria e uma determinação indómita. Foi, enquanto o tempo envelhecia, sobrepondo o desejo das pedras à vontade do dono de modo que se deixou de perceber quem domina quem. Como no poema, o senhor tornou-se servo, por amor.

Esta casa vai construindo as ordens, vai solidificando o poder da pedra sobre a carne, vai erguendo o seu esmagador domínio sobre quem a deixou de ter, porque ela o tem. Decide quem entra, escolhe quem será expulso e responde agressiva àqueles que sem o seu consentimento se atrevem a passar. Não passam se forem ameaça. Não passam se lhe causarem ciúmes. Não são acolhidos se arriscam o amor daqueles que são dela. Não permite a invasão da mais ínfima partícula de almas estranhas. Impede a luminosidade dos pássaros e a cumplicidade dos amantes.

Esta casa contém o interdito e cuida dos fantasmas.

 

É a ela a que chego agora. É dentro dela que retorno a mim, que me sinto dentro, por dentro. É dentro dela que fico em mim, a sentir o partir dos outros, dos que ficam a latejar nas pedras presas nas solidões que tombam como gotas grossas das águas das árvores depois de chover, em silêncio.  

 

É nesta casa que me recolho em mim e que reaprendo os pequenos passos, os mais breves gestos. Pormenores.

É nesta casa que toco nas pequenas, pequenas, pequenas, coisas. Nas toalhas de linho com monogramas bordados. No perfume de hortelã dos aventais da Jacinta agora morta. Na jarra de porcelana com peixes no dorso. Na cigarreira de prata sobre a escrivaninha. No papel de carta opalino pousado perto da imagem de marfim de um deus antigo. No constrangido marcador do livro que ninguém acaba. Nas folhas secas de tília mal florida que esperam por tisanas de abandono e de anoitecer. Na abóbada das mãos erguidas da imagem da Virgem do Amparo secular - que o seu santo manto nos cubra e nos porteja, hoje e para todo o sempre. Na tristeza que entardece este silêncio de gato enroscado no chão quente das cozinhas. No peso dos cortinados que se fecham sobre a luz cinzenta das copas de chuva dos candeeiros de mesa. Nos murmúrios das madeiras nocturnas e sozinhas.

É nesta casa que me deito dentro da sombra onde isolo a minha vida, no toque das pequenas coisas descobertas e neste poder da pedra sobre mim, sobre uma Primavera desgrenhada que emerge espantada e por iluminar.

 

É nesta casa que afloro as mais pequenas coisas esquecidas e é dentro delas que pressinto a urgência da memória para nos salvar a vida.  

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Gavetas:

A Gaffe confinada

rabiscado pela Gaffe, em 02.04.20

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A Gaffe do Holandês

rabiscado pela Gaffe, em 30.03.20

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Existia, para uso dos seus oradores encartados, uma lista de termos insultuosos destinados a classificar o inimigo capitalista, aprovada pela antiga Alemanha de Leste que incluía:

Bajuladores, paralíticos, estéries traidores da humanidade, servis imitadores de comedores de cadáveres, covardes e colaboradores, bando de assassinos de mulheres, turba degenerada de parasitas tradicionalistas, soldados boémios e janotas presunçosos.  

 

Felizmente que o muro de Berlim foi derrubado e a lista se perdeu debaixo das pedras.

 

Não há notícia de ali constar qualquer referência maldosa a ministros holandeses das finanças, como por exemplo:

Tulipas de sangue frio com complexos de superioridade; afectados e enfatuados com a mania que conquistaram terra ao mar, mas que ainda não perceberam que não devem ferver toda a comida - incluindo o pão; toiros metafóricos, inchados e insinuantes, de ossos gelatinosos, que carregam nos dorsos as suas colecções de porcelanas; chimpanzés pálidos e babões que tossem e espirram preconceitos cheios de egoísmo, de importância própria, de compaixão própria, de interesse próprio, ou seja, invadidos pelos aspectos mais negativos das aves de rapina diplomática que cheiram à distânica os cadáveres de ideais mortos.

 

Não há disto nota na lista abandonada.

Sentimo-nos tão felizes! 

 

Ficamos, no entanto, limitados ao que nos é dado observar.

Os holandeses são de dois tipos físicos bem distintos:

- Os pequenos, corpulentos e corados, como o queijo Edams;

- Os mais estreitos, pálidos e maiories como o queijo Goudas.

 

Estas características fazem da Holanda a cloaca de uma vacaria com o serviço do Hotel Ritz Carlton e da Europa a velha, gananciosa e senil vaqueira que empurra e afasta com o cajado quem se aproxima para lhe pedir ajuda.  

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A Gaffe de Jacob Jordaens

rabiscado pela Gaffe, em 30.03.20

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- Não adianta, moço. Desta vez já todas sabemos que tens a pila no meio da fruta.

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Gavetas:

A Gaffe sombria (sfumato)

rabiscado pela Gaffe, em 26.03.20

mercado de adjamé, costa do marfim, eddie wrey.jp

O destino da luz é provar a existência da sombra.

 

Adjamé, Costa do Marfim - foto de Eddie Wrey

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Gavetas:

A Gaffe profilática

rabiscado pela Gaffe, em 26.03.20

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- É evidente que estou isolada! Seria aborrecidíssimo ter de olhar agora para as caras dos que me consideram uma cabra elitista por ter sempre defendido que o distanciamento social é absolutamente profilático seja em que circunstância for.

Mana

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