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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe da Gaffe

rabiscado pela Gaffe, em 23.01.20

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Gavetas:

A Gaffe com todas as letras

rabiscado pela Gaffe, em 23.12.19

natal

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Gavetas:

A Gaffe cumprimenta

rabiscado pela Gaffe, em 04.12.19

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O querido Marcelo, Presidente popular sempre a pular - dir-se-ia se a união dos vocábulos não fosse tão manhosa e mais do que óbvia - não foi cumprimentar Greta Thunberg por recear misturar coisas e parecer que anda a tirar nabos da púcara - ou da Greta, caso a aproximação destes vegetais metafóricos a esta presença não pareça indecente.

 

A Gaffe também não foi esperar a Thunberg, porque também gosta de Boyan Slat, distinguido pelas Nações Unidas em 2016, pela revista Forbes que o considerou um dos 30 jovens mais influentes do mundo abaixo dos 30 anos, em 2017, que em Maio de 2018 foi galardoado pela Euronews com o prémio Empreendedor Europeu do ano, que a Reader’s Digest nomeou Europeu do Ano, por ter desatado a limpar o plástico dos oceanos e que não deixa de ser um bom rapaz, embora se tenha esquecido que na fórmula que produz ídolos juvenis, existe bem marcada uma dose descomunal de microfones que se digladiam por uma trança irritada e o alarido desmedido das latas de toda a comunicação social, acompanhadas das belas intenções das ecológicas que deixam escapar de repente um desprevenido o verde vende, coisa que não se diz por ser verdade.   

 

Greta vende, mas - feira por feira e nada para pular -, Marcelo escolhe Cristina Ferreira ao telefone, o novo Cardeal que o enche de povo benzido e a alegria dos jovens que o Vaticano reúne em Portugal para combater o Apocalipse, mas o do pecado bíblico e escapa, pela primeira vez, à selfie com uma cachopa.

 

A Gaffe pede perdão ao Presidente, mas considera, por exemplo, que chega a ser mais frontal a posição de João Almeida, potentado e imaginado líder do CDS que acha que a chegada de Thunberg a terras lusas é uma pouca vergonha e um triste espectáculo.

A Gaffe não pode deixar de concordar com o Almeida, pois que observa a dignidade, o recato, o pudor e a nobreza com que o CDS se extingue.

 

O planeta só tem que aprender com líderes destes.

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A Gaffe e os rapagões passados

rabiscado pela Gaffe, em 04.12.19
 

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Fui de repente convidada pela minha querida amiga para a acompanhar à festa de noivado - coisa simples - do seu ex, rapaz poderoso, escandalosamente rico, snob e detentor de uma personalidade pindérica, mesquinha, irritante e peluda. A minha querida amiga precisava de uma cúmplice para esgadanhar em surdina a futura consorte e nada melhor do que as garras da sua querida amiga para coadjuvar esta deliciosa tarefa.

 

O fui convidada é claramente um eufemismo para anestesiada, arrastada, amordaçada e drogada de forma a aceitar o convite sem espernear. Sou adversa a flutes onde cintilam as delicadas bolinhas de um Champagne daqui. Continuo a preferir, saloiamente, um alentejano maduro - semanticamente, polissemicamente -, com os sons de risos simples e saudáveis que fazem cintilar a alma.

 

Depois de alvoroçar a vizinhança com o facto de não existir no meu guarda-roupa um Armani a fazer pendant com o evento - coisa simples -, fui enfiada num YSL deslumbrante e emprestado, que eu destes tipos escolho Dior. Não preenchia as copas do vestido - a minha BOA amiga tem duas ogivas nucleares em vez de mamas -, mas o desenho flutuante, fluído, amplo e nada comprido do vestido disfarçava a ausência daquelas duas minas redondas que aparecem no fundo mar nos filmes debruçados sobre a II Guerra e no peito das meninas encorpadas.  

Cabelo preso numa banana ruiva - da Madeira, pois que tenho agora o cabelo mais curto -, suplicando aos deuses a imobilidade forçada e enraivecida dos meus caracóis de fogo furiosos, uma leve entoação na face a elevar os olhos, um reforçar da extensão das pestanas e um bâton prudente de brilho contido, suave e sem textura - nestes momentos a  minha excelente amiga soa tão influencer! -, chega-se aos sapatos.

 

O drama é shakespeariano.

 

Recuso-me a usar as tenebrosas plataformas - plantaformas, para as mais dadas -, que equilibram a altura dos tacões, porque me fazem sentir, ou que tenho graves problemas ortopédicos, ou que estou em cima de dois garrafões de água do Luso, que são pesados, difíceis de transportar e, como sugere o nome, metem água.

A alternativa foi calçada.

Uns belíssimos Jimmy Choo com uma cor exacta - azul petróleo anoitecido - a minha querida amiga é muito meticulosa e específica nestas alturas -, sem plataformas - plantaformas ou tamparueres -, de betão, mas com muito mais do que os sinistros 10 cm de agulhas e um número acima daquele que calço, que não há outros que acompanhem e respeitem a atmosfera - apesar destas duas condições, estava fora da lista o calçado da Thundberg. 

 

Pensei que só me conseguiria equilibrar com eles calçados se me projectasse para a frente, embora correndo o risco de, com esta inclinação, bater com os queixos na braguilha do noivo, ou para trás, numa manobra circense, fazendo pensar que tinham contratado para animar a festa a contorcionista do Cirque du Soleil.

- Aguenta! - aconselha a minha querida amiga como se fosse prima do Ulrich.

Aguento e periclitante, oscilante, com tremuras, procuro o apoio da maçaneta da porta que se abre traiçoeira. Troco os pés, tropeço, caracóis vulcânicos já soltos, um azul petróleo anoitecido espapaçado no chão, um Jimmy Choo, um número maior que o imprescindível, com um tacão cravado nos estuques, um bâton de brilho contido todo esbardalhado na minha leve entoação na face.

 

Sem qualquer réstia de dignidade que suportasse a queda, ergui, desfraldei e fiz ondular a minha decisão como bandeira revolucionária e só não cantei Grândola Vila Morena porque me perguntam, sempre que trauteio um lá-lá-lá ainda que menos conotado com Abril, se me estou a sentir bem e nunca me sinto bem com um par de sapatos um número acima daquele que calço e mais de 10 cm de perigo calçado. Sou uma menina de boas famílias, caraças! Mais de 10, só se encaixarem no brasão.  

 

Acabamos as duas de pijama esparramadas no sofá, a rever aquela porcaria do Sangue Fresco, a comer Mon Chéri até ao tutano e aos confins da javardice, a comentar a leve entoação das faces dos actores, sem reter nada da série pateta, nem evitar tropeçar no fundo da segunda garrafa de vinho maduro alentejano.

 

Os homens que se foram, já são ex e que se casem ou que façam coisas. Sei lá. 

Ninguém quer saber. 

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Gavetas:

A Gaffe em crise

rabiscado pela Gaffe, em 03.12.19

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Aquilo a que os especialistas chamam Crise é um fenómeno avassalador que não faz esforço algum para nos avisar que nos vai tocar no bolso, sobretudo quando acreditamos estar já longe do alcance das suas manápulas.

Há no entanto pequenos sintomas, ligeiros alertas, que nos vão dando conta da extensão dos danos. Conheçamos alguns antes de entrar em depressão sem entendermos porque entramos tão depressa nessa noite escura:

1. Humedecer a ponta do marcador para ver se ele volta a funcionar; 
2. Lamber a tampa metálica do iogurte;
3. Andar de loja em loja olhar os preços e dizer ao vendedor: Só estou a dar uma vista de olhos;
4. Ir a um conserto, entrar na plateia e saltar para os camarotes desocupados;
5. Fazer um jogo de futebol com equipas com e sem camisola;
6. Baloiçar a lâmpada queimada para ver se ela volta a funcionar;
7. Aproveitar garrafas plásticas de refrigerante e colocar água no frigorífico;
8. Receber visitas e mostrar a casa toda;
9. Decorar vasos com flores de plástico;
10. Comprar carro novo e não tirar o plástico do banco só para dizer que é novo; 
11. Lamber a ponta da borracha para apagar o erro;
12. Usar molas de roupa para fechar sacos de arroz, açúcar, massa, etc.;
13. Pôr algodão na árvore de natal para dar efeito de neve;
14. Passar saliva no cotovelo para amaciar;
15. Guardar sobras de sabonete para fazer uma bola só;
16. Convidar amigos para jantar no seu aniversário e pedir para cada um levar uma coisa;
17. Consertar a tira da sandália com agrafador; 
18. Enfeitar a estante da sala com lembranças de casamento; 
19. Usar o fio dentário e depois cheirar para ver se o dente está cariado; 
20. Tirar cera do ouvido com a chave do carro ou com a tampa da caneta; 
21. Guardar panos de cozinha velhos para as limpezas; 
22. Ir ao restaurante e antes de fazer o pedido perguntar se aceita cartões ou tickets.

 

Se cumprimos dez - e bastam dez - destes tenebrosos indicadores, podemos começar a pensar em retirar o cavalinho da chuva, porque bem mais cedo do que mais tarde vamos ter de o vender para comprar forragem para o pequeno-almoço.  

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Gavetas:

A Gaffe gasolineira

rabiscado pela Gaffe, em 03.12.19

Para o Rui

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É irritante e provoca-me taquicardia ver, nas filas de abastecimento de gasolina, um homem que antes de pegar na mangueira e enfiar o manípulo no depósito, vai meticulosamente retirar um toalhete para protecção da mão que embala o berço.

 

Na esmagadora maioria dos casos, não é necessário e faz-me pensar naqueles que depois do chichi - ou do xixi, conforme os casos, que há gente para tudo - esfregam meticulosa e quase compulsivamente todo o que vai das unhas até ao cotovelo, como se o que acabaram de segurar fosse o repositório de toda a gama de bactérias e de outros bichos maiores, visíveis a olho nu – em 80% dos casos não se vislumbram bichos grandes e horríveis e nos restantes é fácil perceber o padecimento do rapaz pela cor anil ou esverdeada do sorriso confrangido.   

 

Não sou, de todo, contra esta social, higiénica e polidíssima regra - muitíssimo pelo contrário -, mas um homem que se preza agarra na mangueira com a mão nua - e não a cheira depois de colocar o manípulo no lugar - e esquece, de vez em quando, de lavar as mãos antes de sair do WC sem que notemos diferenças palpáveis e sem que disso venha mal ao mundo.

 

Há minúsculos gestos masculinos que são tão maçadores, tão obsessivos, tão obcecados e tão enervantes como aquele, feminino, que consiste em arrastar, puxar, repuxar, esticar, retesar e tentar alongar, como se não houvesse amanhã e o Senhor estivesse a chegar para chicotear os pecadores, a exígua mini-saia que tenta estrangular a dona sempre que a rapariga se levanta.

 

O ideal é a bicicleta. Não é poluente, não implica a mangueira e, quando o faz, o ar gelado do Inverno encarrega-se de aniquilar qualquer sinal de vida mais matreiro.

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Gavetas:

A Gaffe dos silêncios

rabiscado pela Gaffe, em 02.12.19

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A tarde disposta ao silêncio, espalhada no chão.

O meu corpo na penumbra, de vigia. Os meus olhos na sombra, os meus sentidos no escuro.

Escondida na obscuridade de um murmúrio, há na minha boca o sabor da transgressão. Um sabor rugoso de madeira ressequida. Tenho o direito de tentar compreender a minha ausência nos universos velhos femininos desta casa. Quero saber do ritual benéfico e do feitiço maldito, da prática secreta, da velha e encoberta fórmula de encantar.

 

Nesta tarde que se deita sobre a cama. Tarde de menina morta de olhos fechados, de caracóis pousados na almofada e colar de pérolas tombado, vestido azul escuro, enfolado, com pequenas flores, raminhos bordados.

 

Um fio de voz imperceptível, o fio de uma aranha, um fio de navalha. O fio ténuo e fino e perdido da voz da tarde a desfiar as feridas, a traçar os mapas e as marcas da dor, a descrever as mágoas. No corpo da tarde pousam as palavras, os dedos e os medos sussurrados das mulheres. Em cada palavra que não quer ser dita tudo parece consumado e o silêncio é maior que o resto.

O entardecer é colocado no lugar habitual empurrado com um gesto dócil.

É o momento dos desertos em que a solidão ondula e a dor prevalece como um cardo.

 

A casa inteira anoitece devagar.

 

No Douro há sempre tempo para tudo e dentro deste tempo compreendo o ritual diário destas mulheres, aquela quase dança de ternura e de deslumbre, aquele quase crime, aquela quase entrega de desmesurado amor. São estas mulheres que trazem encarcerado o corpo da casa. Ficam à espera que o silêncio chegue, ainda que fugaz, e nos conte, contando no corpo da casa, das marcas sofridas nos corpos de carne.

Depois de novo o silêncio.

As mulheres do Douro são silêncios.

 

Aqui é bom o silêncio. É bom estar calado. É bom não dizer. É bom não ter corpo. É bom não pensar.

É bom ser só casa.

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Gavetas:

A Gaffe cerebral

rabiscado pela Gaffe, em 02.12.19

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- O grande problema da mulher é ainda ser desejada apenas pelo seu corpo, na esmagadora maioria das vezes.

- Pelo que observo, não é de todo o seu caso, minha cara.

- Espero que queira apenas dizer que há gente atraída só pelo meu cérebro!

- Sim. Não imagina a quantidade de zombis que eu conheço.  

Mana 

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Gavetas:

A Gaffe da deputada

rabiscado pela Gaffe, em 29.11.19

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Meus amores, o facto de parecer que Joacine Katar Moreira decidiu enfiar uma pilha de tolices no rabo, não permite pensar que o assessor é um pirilampo.

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A Gaffe voluntaria-se

rabiscado pela Gaffe, em 29.11.19

Hans Natge

- (...) porque é através do nosso voluntariado que, por exemplo, o sem-abrigo tem sempre um jantar quentinho.

- Claro que tem.

- Infelizmente o nosso micro-ondas avariou.

- Infelizmente.

- Seria maravilhoso que alguém nos ajudasse neste momento.

- Claro que seria.

- Não sabemos o que havemos de fazer com o micro-ondas avariado.

- Minha cara, ofereça-o ao sem-abrigo. Vai ver que devagarinho o seu voluntariado ainda lhe monta uma cozinha.  

Mana

fotografia de Hans Natge , 1921

 

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Gavetas:

A Gaffe no início

rabiscado pela Gaffe, em 28.11.19

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O risco era traçado a lápis sobre papel vegetal, cosido depois com pontos largos no linho. Era lento o processo de cobrir o desenho com os fios desfiados, retirados do pano, ou com os que sobravam da feitura da peça em teares caseiros, pequenos, sem largura, que impediam a construção de toalhas de mesa.

Só de rosto.

O desenho vegetal era coberto lento. Folhas de carvalho entrançadas em flores desconhecidas. Rosas trespassadas por ramos de oliveira. Malmequeres abertos sobre tulipas tombadas em cálices pálidos que se raiavam de cinza do lápis que indicava a rota.

Depois de retirado do interior com o bico da agulha os restos macerados de papel, era lavado o bordado findo, e, ainda húmido, passado a ferro. Do avesso, sobre uma tábua almofadada, para que o bordado a cheio não espalmasse.

- Nunca me ensinaste a bordar a cheio, Jacinta.

Baixo relevo.

A toalha que procuro nas gavetas largas, muito finas, quase rasas, do móvel com margens de madeira canforada, onde em papel vegetal dobrado adormeceram princesas de linho e renda e fios de seda com jardins picados lentamente ao longo da lonjura das agulhas dos tempos perdidos, é maçã de outras eras.

- A dos baptizados foi bordada por mim que a que embrulhou a mãe da menina estava num fio. Serviu toda a gente desta casa.

A dos baptizados dos meninos. De linho grosso, caseiro, de tear estreito que só dá para o rosto, tem os monogramas a cheio dos que protegeu, que os meninos da casa são baptizados nus.

- Foi a avó que fez todos os riscos.  As iniciais da menina estão aqui. Bordei-as eu com os fios que arranquei à peça de linho que deu a toalha, que nada sobrou em novelo depois dos dois primeiros.

As iniciais do meu nome - ao lado dos inícios da minha irmã, do meu irmão -, em linho caseiro. Grosso, rude e agreste, rugoso e rígido princípio. Nu, a cheio que nada sobrou depois dos primeiros.

- A avó da menina quis assim e que se lhe há-de fazer? Nem um froco, nem um remate bonito. Só as letras a cheio. Esfiapa com o tempo. Não parece de baptizado, assim tão áspera.

- Tu sabes que sim, Jacinta.

- Sei, mas ao menos uma renda, um entremeio. Dava mais leveza, dava mais vida. Às vezes, basta um pedacinho de luz a meio do caminho.  

 

Imagem - François Morellet

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Gavetas:

A Gaffe inútil

rabiscado pela Gaffe, em 27.11.19

Gaffe

A Gaffe começa a considerar maçador que, no aconchego da sua caixa de correio, lhe digam que é fútil, oca, vazia, tonta e superficial, embora sinta que tal colecção de epítetos possa conter alguns que não deixam de ser repetidos.

 

A Gaffe sempre soube que era apenas um balão repleto de ar.

 

Nunca prometeu ser um reflexo da Humanidade trágica, ou a compenetrada tragédia da galáxia por onde parece vaguear sem qualquer dose de pensamento crítico.

A Gaffe jamais se apresentou como ícone do raciocínio analítico ou influenciadora e representante inata de causas quebradiças que borbulham por baixo das saias de assessores de amores, clamores e glamores fracturantes e nunca disponíveis fora de horas.

 

A Gaffe nunca teve nada para dizer.  

 

A Gaffe nunca ambicionou ser mais do que, nas garras da futilidade, um estampido inútil que não perturba em demasia o sono dos que justos vão bufando as brasas dos mais renhidos fogareiros do saber dizer.           

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Gavetas:

A Gaffe nos SAPOS de 2019

rabiscado pela Gaffe, em 26.11.19

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Os SAPOS do ANO assim  apuraram. Estas Avenidas são outra vez finalistas na categoria Generalista.

Como já é norma, meus amores, a Gaffe não chega a mergulhar no charco. Fica a alguns saltitos da vitória.

Tendo esse facto em consideração, esta rapariga decide não fazer campanha, mas denegrir, conspurcar, difamar, perseguir, esbardalhar e destruir a campanha dos blogs concorrentes, prontos - mais uma vez -, a ficar-lhe com o título.

Preparem-se, que vai começar:

 

MAROTOS!

 

Então vá, viram?

Um horror. 

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Gavetas:

A Gaffe fiável

rabiscado pela Gaffe, em 23.11.19

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- É evidente que confio em si, meu caro.

Mas não se entusiasme. Também já acreditei no Pai Natal.

Mana

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Gavetas:

A Gaffe por "costumizar"

rabiscado pela Gaffe, em 22.11.19

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O template que uso é absolutamente antiquado. Suspeito que já nem existe no rol da plataforma que me dá abrigo. O SAPO descobriu novos nenúfares.

A verdade é que uma rapariga arejada se sente um bocadinho apertada neste desenho antigo. Deveria actualizar estas Avenidas, abrindo-as à modernidade, qual Napoleão, qual Pombal, qual Maria Leal.

 

Tenho, contudo, de confessar que quase sofri um AVC quando decidi costumizar estes passeios. Acertar com as riscas e com a escolha do fundo e com as medidas do cabeçalho, foi um trabalho descomunal que me fez sair daqui a parecer a protagonista do Exorcista nos seus momentos mais esverdeados. Acabei por me contentar com o aspecto que tem, mas confesso que sinto as portas a bater sempre que respiro.

 

Vivo neste blog como num T0. Levanto uma perna e abro uma janela, espirro e soltam-se as sanefas, afasto as cortinas e desaba o fogareiro - sou uma rapariga campestre -, estico os braços e tomba a caixilharia da marquise, bato as pestanas com mais força e escaco a louça do WC.

 

Uma maçada. Não se apanha sol e fica-se com sardas assanhadas mesmo assim.

 

Não entendo rigorosamente nada de personalização avançada e o mais próximo que estive do CSS foi durante os episódios do CSI Las Vegas que suspeito não terem nada a ver com este assunto, apesar de não me importar nada de ser costumizada por Gary Dourdan.

 

Vou às apalpadelas, embora de órbita mais ou menos prevista.

 

Não sou apologista do tuning, mas às vezes apetece-me muito olha e ver uma macacada infinita pendurada aqui. Receio ter dentro uma rapariga pronta a fazer saltar os faróis, a desatar o colorido do pára-choques, a sobrecarregar os laterais com desordenados slogans, a iluminar o tejadilho e a enfiar apetrechos aerodinâmicos no carburador, tudo ao som de uma batida bem sonora e bem pedrada.

 

Depois controlo-me. Lembro-me que, na única vez que fumei um charro, senti que a todo o momento me iam saltar os olhos e rebentar as maminhas. Não foi uma experiência agradável e dei comigo com a cabeça, enfiada no lavatório, a levar com jactos de água como se fossem meteoritos. Deixo, portanto, charros e costumização avançada para os profissionais.      

 

Eu fico-me por aqui, sentadita no meu calhambeque a ver passar os bólides.

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