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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe a um Cantinho

rabiscado pela Gaffe, em 12.11.19

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Aqui, às vezes – tantas vezes! -, o que importa é perceber que existe realmente gente dentro dos blogs e que é necessário voltar a olhar, voltar a abraçar e a redescobrir o que acreditamos já haver conhecido.

Subitamente entendemos que a forma mais simples, mais limpa e depurada de olhar, é talvez a única que se estende interminável pela maravilha que é o reencontro com a pacífica serenidade de um Cantinho da Casa.     

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A Gaffe sem argumentos

rabiscado pela Gaffe, em 07.11.19

Our Lady of Good Counsel, Bartolomé Pérez, c. 16

Uma das maiores inutilidades que entopem as nossas vidas é despejarmos tempo nas sarjetas a argumentar com quem nos detesta seja como for.

É apenas importante verificar se pronunciam bem o nosso sobrenome.

Mana

Imagem - Nossa Senhora do Bom Conselho - Bartolomé Pérez, c. 1680

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A Gaffe com a carta do Manelinho

rabiscado pela Gaffe, em 06.11.19

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"Ai, Nando, qu'é agora qu'ele vai ler a carta do Manelinho ao meu país!"

 

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Gavetas:

A Gaffe com uma vénia

rabiscado pela Gaffe, em 06.11.19

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"E as meninas conhesse o meu Carlitos daonde?"

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Gavetas:

A Gaffe embruxada

rabiscado pela Gaffe, em 31.10.19

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A Gaffe - uma cabeça no ar! - não se deu conta da manigância da data de hoje e esqueceu por completo que a sua reserva de rebuçados está há muito esgotada.

Desprevenida, mas sempre abnegada e com clara propensão para o martírio, vai com certeza ver-se obrigada a ser ela a goluseima.

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A Gaffe arredonda a saia

rabiscado pela Gaffe, em 30.10.19

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É uma maçada uma rapariga, depois de ter lido artigos inteligentíssimos relativos à saia de Rafael Esteves Martins, ser obrigada a pensar.

A verdade é que seria muito mais fácil deixar que o vento deslizasse por entre as faldas e as fraldas da montanha que um ratito conheceu biblicamente, mas o certo é que uma menina cuidadosa não pode permitir que a estação passe sem que a sua brisa se faça sentir ainda que leve, levemente como quem chama por si.

É um aborrecimento fazer de conta que ignorámos que um político, ou um voluntário a tal em nome da plebe, insinua com uma imagem - física, fotografada, visualmente palpável - as suas ambições eleitorais. A representação tem um poder de conversão significativo e cria e recria um elo de ligação, uma espécie de relação pessoal, entre o eleitor e o candidato.

A imagem adquire uma natureza representativa - paternalista? -, que sendo ao mesmo tempo uma supressão da linguagem, se torna consequentemente apta a enformar uma arma capaz de se escapar a um corpo de problemas e de soluções, para dar relevo a um modo de ser, a um estatuto social e mesmo moral.

 

A imagem do candidato é em consequência um provável assalto do irracional ao espaço que em princípio deverá ser o da racionalidade.

 

Desta forma, a saia de Rafael Esteves Martins - enfim, a imagem de qualquer político -, não consubstancia, de todo, o seu projecto, declara apenas o seu móbil, as suas circunstâncias mentais e até mesmo eróticas, o ser que ele é, o produto, o exemplo, o isco.

É mais do que evidente que a esmagadora maioria dos candidatos nos dão a ler na sua imagem apenas as normas - sociais, mentais, morais -, a que obedecem, mas convém acrescentar que essa mesma imagem impõe uma cumplicidade, porque nos permite ler o que nos é familiar, o que nos é conhecido, propondo-nos, em espelho, a nossa própria imagem, enaltecida, sobrevalorizada, transformada em convite para que nos elejamos a nós, através dos que a revelam. Entregamos um mandato a quem nos concebe uma verdadeira transferência física.  

 

É evidente que a saia de Rafael Esteves Martins permitiu uma visualização, uma majoração, de valores que tantos consideram essenciais. É evidente que estabeleceu uma cumplicidade visual com determinado grupo, mas não é suficiente, mas não autoriza a certeza de uma posterior e intransigente defesa desses mesmos valores. Não é um ideal político explanado, não é uma ideologia, não é um projecto, não é um plano, não é um programa. É um homem que vestiu uma saia, contra o aparente bom-senso, que, nestes exactos e precisos casos, funciona como defensor acérrimo de um mundo homogéneo, ao abrigo de perturbações e de fugas. Um mundo replicável.

 

Seria interessante que, ao contrário do usual, os candidatos ao Parlamento nos surgissem como caixinhas por armar. Os eleitores escolheriam as que queriam ver montadas.   

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A Gaffe vê uma história

rabiscado pela Gaffe, em 29.10.19

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Do fundo dos séculos, a ordem estava escrita na memória dos povos.

 

Na ala abandonada do castelo, onde cresciam desgrenhadas silvas, despenteados troncos, furiosos ramos de árvores que enlouqueciam devagar; onde os lagos secos recolhiam folhas calcinadas; onde os pássaros tinham desistido de fazer os ninhos nos beirais destruídos das janelas fechadas e as estátuas de mármore branco e de alabastro tinham sido invadidas por líquenes e musgo; ali, no torreão mais alto, erguido na terra ressequida que se esvaía nos dedos das gentes cinzentas e queimadas, onde a desolação e a sombra matavam a luz estendendo os dedos por todas as estradas, armadas com punhais de medo e de ameaça, onde a morte espreitava em cada esquina, em cada passo, em cada choro de criança, a Princesa tinha sido encarcerada.

 

A ama vigiava.

 

Avançava lenta. Os veludos e véus pesados do vestido levantavam a poeira de prata que pousava nas folhas e nos anjos dos lagos de mármore mortos. Velha como o tempo dos segredos, vigiava.

 

Ao menor som, ao menor gesto, à mais pequena lágrima, a ama surgia, mordia e lancetava. Vinha e ceifava, quem ousasse tentar imaginar um fio de cabelo da Princesa.

Os corpos encontrados nas ruelas eram incendiados para que a peste não encontrasse modo de avançar. O fumo e as cinzas erguiam-se e aliavam-se à penumbra que se adensava sobre a terra. Tinha deixado de haver amanhecer. Havia apenas uma claridade amortecida, porque a luz não surgia no corpo das nuvens de poeira e cinza. O reino gemia de dor e desespero.

Os pássaros haviam desistido de cantar. Abriam as asas sem voar, pousados mudos nos braços das laranjeiras secas e os sussurros das ruas não chegavam a tocar as paredes do quarto de Sua Alteza. As horas desfiavam os seus fios invisíveis enredando o tempo. A Princesa mantinha-se quieta e muda. Tentava não pensar, escoar o que se sentia a sentir e que lhe apertava o peito sem se conhecer tenaz. Os dedos frágeis apertavam a ausência de memórias. Inventava os contornos, os desenhos herméticos, os símbolos e as insígnias da imensa solidão, mas não a sentia nunca por nunca a chegar a conhecer.

 

Ao canto do quarto, de dentro das sombras, erguia-se o corpo velho da ama que havia servido e protegido desde o começo dos tempos todas as Princesas.

Tinha sido a escolhida. Morreria a defendê-la. Nenhuma seta, nenhum punhal, nenhum veneno, nenhuma espécie de morte tocaria a bainha do vestido da menina sem antes tocar o seu coração gigante de animal protector.

 

De cem em cem anos, a Princesa assomava a uma das janelas do torreão.

A velha ao lado. Amaldiçoando os ganidos da multidão. Ganidos como ferros intermináveis, afiados pelo som de uma dor eterna.

Se os olhos da Princesa tocassem nos que choram, tudo seria perdoado. A terra abriria. A floração da Esperança. A luz inteira jorraria pelas ruas. O olhar da menina era o Milagre.  

 Mas Sua Alteza sorria, não olhava. Não os via. De cem em cem anos.

 

Apesar da desolação, do medo, da ameaça de condenação eterna, o povo daquele dia, cem anos passados deste um outro dia, arriscou a morte, que vida não era. Forçou o portão de ferro enferrujado. O que iam fazer era um sacrilégio.

Havia chegado o tempo que a ama temia.

 

Os gonzos rangeram e as portas abriram. Uma corrente de ar gelada rompeu pelo quarto e tocou nas mãos de Sua Alteza. A luz tocou-lhe a barra do vestido. Uma luz cansada e ferrugenta. O sol era diferente nesse dia? Os aromas que vinham dos jardins de longe tinham mais peso, sufocavam. A menina sentiu uma dor pairar naquele instante. Uma dor que não era a dela, mas que vinha devagar e se apoderava de tudo. Chispas de fúria e de ruído anunciavam o caminhar do povo. Ergueu-se e esperou. O ar tornava-se gelado. O denso azul da tarde tinha submetido o aposento, e a Princesa entendeu que da penumbra e da sombra, do escuro e da bruma, a ama não voltava. O frio era uma faca e a luminosidade era agora azul.

 

As portas abriram-se.

 

A luz ténue e dourada do exterior invadiu de manso o quarto e o povo entrou.

Partículas de poeira volteavam em redor de Sua Alteza e um perfume de sândalo começava a sentir-se, enrolando o ar, escondendo-se nas fendas das pedras das paredes. A menina aproximou-se estendendo as mãos. Sedas e veludos, rendas e brocados, arrastavam-se no chão de pedra polida. O barulho do vestido era diferente. Como se houvesse pressa, como se existisse urgência no caminho, como se houvesse gente à espera.

o povo trazia nos olhos o brilho do medo. Trémulo, de joelhos.

Naquele instante a Princesa entendeu.

Aproximou-se. Estendeu as mãos.

 

A bengala tombou no chão como um animal morto e então aquela gente ajoelhada viu em carne viva que a sua Princesa não via.

Era cega.

 

Ilustração - Olga Esther

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Gavetas:

A Gaffe do Rafael

rabiscado pela Gaffe, em 28.10.19

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Rafael Esteves Martinsassessor da deputada Joacine Katar Moreira, diz ponderadamente à comunicação social que está ali presente para discutir questões políticas e não para divagar sobre o seu outfit. Concorda-se, pois que ninguém divaga sobre os aventais que por lá se movem. 

Uma chapada de capeline branca.

 

Vamos acreditar, meu querido, que o menino é apenas um novato e que por consequência ignora que foi publicada mais vezes a cor do verniz das unhas da deputada - ou mesmo a cor da pele do nosso Primeiro -, do que legislação no Diário da República. A alternativa - o menino é useiro e vezeiro nestas marotices e sabe-a toda -, não faz justiça ao seu ar arejado.

 

Devo dizer-lhe, meu caro, que odiei alguns pormenores que me trouxeram à memória a catequista da aldeia de outrora.

 

Não é admissível que marche com um saco de pano foleiro a penduricalhar à tiracolo.

Bem sei, meu querido, que é mais ecológico - ou vegan, ou vegetativo, ou essas coisas hemopáticas, homoepáticas, homeopáticas -, e que é preferível a trazer um feito de parte de uma vaca assassinada e curtida para esse fim, mas, convenhamos meu caro, há bichinhos mortos e esfolados e transformados em maravilhosos Louis Vuitton com mais idade do que a Thunberg. Tinha desculpa. Na altura que o comprou não imaginava que iria aparecer uma piquena aos ralhetes e aos ramalhetes ecológicos e a bradar pelos ecossistemas. Toda a gente que se preza tem do pré-Greta e do pré-PAN qualquer coisita em couro e quando não tem leva o próprio. Não pode esquecer que é só agora que não se podem usar os netos desses falecidos como acessórios. Se for vintage é distinto. 

 

As meias!

Meu querido Rafael, as meias tricotadas pela avó, verde-bicho morto, são também elemento francamente provocatório. Para além de parecerem quentes enfiadas naqueles Dr. Martens - não convém começar a cheirar mal logo no primeiro dia -, aludem à tonalidade do que já se finou há pelo menos uma semana - provavelmente a semana que levou a decidir a melhor forma de espantar os pardais parlamentares e provocar o chinfrim habitual nas redes sociais.     

 

Vou entregar-lhe um conselho. Sei que é o menino que assessoria, mas uma pitada de malícia colorida em jeito de miminho conjuga lindamente com o seu pullover absolutamente oxfordiano que minguou na máquina de pretos que a senhora lá de casa fez na véspera, mas, meu querido, quando quiser que aquilo a que chamam comunicação social não lhe rompa e roa a bainha do outfit - em vez de o ver coser os ideais - escolha vir definitivamente deslumbrante e faça rodar sobre todas as bancadas parlamentares todas as pregas de um kilt bem moldado e, como é da praxe, usado sem cuecas.

 

Talvez assim se veja definitivamente que o menino tem tomates.

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A Gaffe simétrica

rabiscado pela Gaffe, em 25.10.19
 
O conceito de beleza - falo de beleza física - é um fenómeno volátil, divergindo no tempo e no espaço, dizem os entendidos.

Uma rapariga bonitona e gorducha amada por Rubens, não é considerada digna de piropos atrolharados passados pouquíssimos séculos.

 

Sabemos que hoje basta uma quantidade ínfima de anos para alterar o conceito.

Beatriz Costa era linda de morrer e de fazer moda e hoje brilha o rabo da radiosa Rita Pereira no panorama caseiro. A antiga namoradinha de Lisboa é agora apenas uma boa actriz. A Rita Pereira é por enquanto apenas boa atrás.

 

Há no entanto qualquer detalhe que falha nesta consideração.

 

Há quem afirme que existe uma especial característica na beleza que atravessa os séculos e é, em todos, revogada e reafirmada. A beleza possui, portanto, uma característica que não passa despercebida a um construtor de pirâmides, a um legionário do Império Romano, a um renascentista emproado, a um barroco floreado, a um maneirinho maneirista, a um iluminado aborrecido, a um romântico escanzelado e por aí fora que já se faz tarde.

Torna-se curioso saber qual é a característica que unifica este conceito tornando-o transversal e, mais do que isso, omnipresente.

 

Simetria

 

Um rosto simétrico atravessa o tempo e o espaço e é considerado belo, quer seja no deserto de Gobi, quer seja na Cochinchina, quer seja ainda na rua que atravessamos hoje de manhã, no tempo do arroz de quinze, no da Sr.ª Merkel e no que virá depois, caso vier.

Se o lado esquerdo de um rosto e de um corpo é igual ao seu lado direito, temos festa e piropos atrolharados pela certa e pela História.

A Beleza é simétrica, diziam alguns gregos velhos e diz o senhor Ramiro que não conta porque que vê beleza em tudo, vendo a dobrar, engarrafado em vinhaça.

 

Não me custa acreditar. Embora me seja penoso verificar que tenho uma orelha colocada um bocadinho mais abaixo do que a outra e que o meu braço esquerdo é imperceptivelmente mais pequeno do que o direito, não recuso a proclamada eternidade da simetria.

 

No entanto, seja lá pelo que for, olho fotografias como esta - enviada por um homem simétrico -, de gente banal e sem história, e penso que, respeitando ou não a regra que garante unanimidade, esta gente perdida no tempo e até no espaço, contém essa extraordinária beleza do que fica apenas porque não tem nada mais do que a verdade do que vejo, transformando o que vejo no que é belo - mesmo desigual, como metades de um fruto cortado tosco ao meio -, e provando sem lugar para dúvidas que, como diz esse meu querido amigo, em jeito de legenda, só o passado é eterno.

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A Gaffe toda pia

rabiscado pela Gaffe, em 25.10.19

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In Good we trust.

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A Gaffe aflautada

rabiscado pela Gaffe, em 24.10.19

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Se a Gaffe avançar pela banalidade e repensar o modo como queremos que uma verdade, ou uma mentira que desejamos que passe por verdade, seja ouvida, verifica que depois de se arregalar os olhos, se esganiça.

É que esganiçamos!

 
A Gaffe propõe que pensem nos momentos em que disseram a alguém no meio duma discussão, mesmo das pequeninas e com um travozito a mentira: 
Juro-te que é verdade. Mas é tudo verdade!

Esganiçaram. Aflautaram. Podem ter sido apenas um bocadinho, mas esganiçaram, mas aflautaram.

A Gaffe aposta que disseram a frase a caminho do falsete ou então aproximaram-se do esganiço. Foi ou não foi?

 
Este modo de dizer uma frase que pode ser dita na voz que deus nos deu, parece que fica mais credível se aflautarmos, mesmo se o sopro na flauta for discreto. Acontece apenas nestes casos. Como se a verdade, ou a mentira que queremos que passe por verdade, se tornasse de pedra e cal se tentássemos imitar o Nuno Guerreiro - esta linha de pensamento acaba por levar a Gaffe a pensar que o Nuno Guerreiro é uma verdadeira santa genuína quando desata a chiar. É de notar que esta é uma conclusão precipitada, consequência do mau discernimento e confusão mental que o homem provoca quando aparece desatado aos guinchos.

 

A Gaffe perdoa o bater pestanas num arregalado olhar azul. Descobriu que a maioria das pessoas portadoras de olhos claros, os esbugalha quando discute, provavelmente porque em criança de tanto ouvir clamar pela beleza dos ditos, considerou que os podia tornar argumento convincente, tentando ofuscar o contraditório, mas esta rapariga não entenderá jamais como Marta Temido foi reconduzida no cargo onde esganiçou uma quantidade tão elevada de vezes que só não perdeu pio porque se agasalhou com as listas de espera que conseguiu tricotar.

 

- Juro que é verdade! - aflauta esta rapariga muito convencida.    

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A Gaffe sem ler

rabiscado pela Gaffe, em 23.10.19

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Uma das armas da prepotência é aquela que faz com que os que a protegem não consigam, não queiram ou simplesmente deixem de ler.

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A Gaffe do Joker

rabiscado pela Gaffe, em 20.10.19

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Os grandes problemas de um país começam às vezes quando um dos seus governantes descobre que, para que a história o reconheça, precisa mais do que o seu sobrenome.

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A Gaffe num sorriso

rabiscado pela Gaffe, em 19.10.19

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São tão bonitos os homens que sorriem com os olhos!

Ficam iluminados. De olhos grandes, fechados com gargalhadas dentro. Os sons ecoam neles como nas abóbadas de duas catedrais.

Quando os olhos dos homens se riem, as palavras ditas antes parecem balões largados no ar, a perder a forma.

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A Gaffe num cálice de Douro

rabiscado pela Gaffe, em 18.10.19

(Com saudade)

A elegância apenas amadurece como um vinho de eleição, ganhando corpo, paladar, textura, aroma e personalidade inconfundível, se, para além de o fazer em cascos de qualidade única, traz os taninos da inteligência incutidos na história do chão donde proveio.  

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