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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe nas noites de quedas

rabiscado pela Gaffe, em 28.02.13

Não vou maçar ninguém com comentários relacionados com a noite dos Óscares. Há milhões de blogs que o fazem bem melhor do que eu. Sou uma provinciana invejosa que pensa que replicar mulheres anos-luz mais produzidas do que as quotidianas, banais e atarracadas de trabalho, é uma canseira e uma falta de respeito quase tão gigantesco como os decotes da Gala TVI.

Há no entanto uma fotografia que não quero deixar passar incólume e que prova que não se ganha um Óscar à toa. Trata-se da celebérrima foto da queda de Jennifer Lawerence, melhor atriz no O lado bom da vida.

Quem cai assim, não tropeça.

Um sumptuoso, elegante, deslumbrante, publicitário, sedutor e extraordinariamente bem vestido tombo, é, só por si, digno de ser premiado e permite incluir trocadilhos interessantes no discurso.

Não cai assim quem quer. Cai quem pode e sobretudo quem está a usar um vestido absolutamente arrasador que, durante a queda certa, permite ser atravessado pela luminosidade levemente colorida dos focos nas escadas.

Um momento colossal.   

A última vez que caí, foi no casamento da minha prima. A rapariga exigiu uma cerimónia comme il faut (o marido é um maganta do café) e todos os respeitáveis convidados pareciam ter saído dos armários dos grandes costureiros actuais (e alguns, de outros móveis mais ambíguos). Toda Armani Couture deslizo pelo  atapetado corredor principal e, quase a chegar ao lugar que me tinham destinado (tinham planeado até as idas ao WC), encravo o vertiginoso tacão dos meus Jimmy Choo (caríssimos e feios – sei-o agora) numa dobra mal projectada do tapete e vou por ali fora, disparada a esbracejar, pernas trocadas, tortas, deagraçadas, vestido num trambolho a voltear como um pássaro pedrado, sapato arremessado a aterrar nas orquídeas e caracóis domados pelo Miguel durante à tarde inteira, a incendiar o espaço reservado à alvura do toucado da noiva. Desabei aos pés do padre, logo depois de lhe ter tentado arrancar a batina rendada com as minhas  aflitas e pobres garras já partidas.

Uma miséria que me levou a cortar relações com o café da prima e a abençoar a hora em que recusei o conselho de não usar lingerie debaixo de um vestido apertado no rabinho.

Por isso, sei que cair como o faz  Jennifer Lawerence é como produzir uma obra-prima. Exige experiência, trabalho, dedicação, muitas tentativas, resistência à frustração, e sobretudo talento. Tudo o que não tenho.

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