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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe embrulhada

rabiscado pela Gaffe, em 16.12.16
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Sem photoshop, sem estudos imparáveis de luz, sem cuidados acrescidos dispensados por batalhões de aderecistas, cabeleireiros, maquilhadores e outras manigâncias essenciais, o que seria do produto que as gigantescas máquinas de publicidade tentam fazer acreditar que é condição imprescindível para a construção da beleza e apanágio da sedução?

 

Se a atracção animalesca de David Gandy ou se o corpo musculado e definido de Ronaldo (escoado o eterno saloio que tem dentro) dessem lugar à banalidade prosaica do homem da rua, a patética ilusão de que, usando o que eles usam, qualquer rapaz fica a ganhar milhões por temporada ou temporadas de milhões de raparigas ou, caso se trate de moça desatenta, que basta oferecer Armani ao parceiro para partilhar o capital do craque ou enlouquecer com o charme do modelo tombado nu na cama que é só dela, deixaria de surtir o efeito motivador do desejo consumista.

 

O homem da rua, banal, quotidiano, de barriguinha a despontar e de ameaças de roliços corpos sem ginásio, não é a embalagem com que o marketing inventa a próxima paixão saciada apenas na despesa.

 

Fabricam-se urgências, ambições, falhas - Roland Barthes falava de manque -, frustrações, aspirações, cobiças, ilusões, sonhos e lacunas nas vidas dos que passariam bem sem eles, mas que perante o fabricado não resistem a acreditar no que lhes é mostrado e que a felicidade depende daquilo que possuem e que se oferece em troca da compra das cuecas.

 

O bom uso de embalagens - e neste caso os vocábulos adquirem desvios interessantes -, faz com que, quem as não tem, passe a acreditar que basta possuir o perfeito laço do presente para que o mundo se deslumbre aos nossos pés e que, se não satisfizermos o despertado desejo que constroem, o resto que em nós fica é a humilhação de nos sentirmos iguais aos que connosco se cruzam pelos dias. 

 photo man_zps989a72a6.png


1 rabisco

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De anacb a 16.12.2016 às 09:49

Ah, a malvada da publicidade! Não são só as mulheres que são escravizadas. Cá para mim, estas coisas são feitas para olhar, não propriamente para consumir. Tal como gosto de olhar para um belo quadro - mas não me passa pela cabeça conversar com ele (ou fazer o que quer que seja).

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