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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Manuela Moura Guedes

rabiscado pela Gaffe, em 24.09.13

Não tenho paciência para assistir durante muito tempo a concurso onde  se esbardenha  gente que não faz ideia de quem fala na obra de Nietzsche ou de quem não sabe que Lewis Carroll estaria hoje envolvido no processo Casa Pia, mas confesso que fui espreitar o regresso de Manuela Moura Guedes.

Moura Guedes sempre foi uma das minhas mulheres favoritas e uma jornalista capaz de enfrentar toiros bravos com emotividade, coragem e sem qualquer medo de se enfurecer quando era gritante o escândalo que se procurava camuflar. Reflectia nesses instantes de desgoverno e de irritação impetuosa aquilo que o espectador sentia impotente aos pulos na poltrona.

Não tem de Judite de Sousa a pose de diva intocável e omnipotente nem os olhos de carneirinho divino e cândido, o que lhe dá primazia nas minhas preferências, e, apesar de nem sempre ter aplaudido as suas escolhas editorais, merece-me o respeito a que todo o profissional empenhado e competente tem direito.

Durante os breves instantes em que assisti ao concurso que agora apresenta, Manuela Moura Guedes pareceu-me eficaz, simpática, elegante, correcta, balançando entre o papel de mazinha da fita, capaz de provocar hesitação no sábio mais renitente e convencido e a cúmplice benevolente dos que tremiam perante uma constrangedora ignorância posta a nu.

Não causa qualquer dano, não belisca qualquer dignidade, mesmo a mais hipócrita, e não provoca aquela mesquinha satisfação, apanágio dos medíocres que, pela calada das esquinas mais esconsas, sentem quando o rival parece já vencido e que se esquecem que não é conveniente bater em alguém que tombou momentaneamente, porque, para além de outras razões mais evidentes, o tombado se pode levantar e ser maior do que o agressor.

Manuela Moura Guedes está perfeita. Sem exageros tontos de cómicos de bairro, sem exuberantes descargas de vedeta parva, sem a alarve gargalhada dos mais rechonchudos rapazes de barbicha telegénica, sem a descompostura histriónica das noites a dançar e sem a tresloucada e doentia presença de quem obriga o pobre concorrente a comer sapos.

Foi um prazer revê-la. 

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1 rabisco

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De José Castro a 15.12.2013 às 18:56

Concerteza deve viver num mundo paralelo. Tantas qualidades numa pessoa que nunca mostrou qualidade em nada que fez (acredito que tem algumas qualidades... como crítica... todos nós temos pelo menos uma!!!) só mesmo alguém que vive noutro mundo (em que o preto é branco, o céu é a terra, etc).
Mas concerteza que; como em tudo, há sempre aqueles que gostam e aqueles que não gostam (embora, para si, a mulher é quase perfeita, e isso não é nem pouco mais ou menos verdadeiro).
"sem qualquer medo de se enfurecer quando era gritante o escândalo que se procurava camuflar." - O problema era quando ela entrava com duas pedras na mão quando entrevistava alguém que não fosse da sua linha política. Interrompia, julgava, ignorava... tudo aquilo que uma "jornalista" NUNCA deve fazer. E em cotraponto, quando entrevistava alguém da sua linha, a sua actuação mudava proporcionavelmente oposta ao que disse anteriormente.
Respeito opiniões diferentes, mas quando as coisas são tão óbvias tenho muitas dificuldades em fazê-lo.

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