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(Dan Trepanier)
A tentativa de um homem se demarcar e imprimir na multidão uma representação memorável, não está, na maior parte das vezes, no uso indiscriminado de exuberantes, coloridas, invulgares ou excêntricas imagens que procuram, com algum desespero patético, suprir uma espécie de carência de atenção necessária, embora enganadora, à solidificação da segurança e da auto-estima.
A garantia de solidez e de estabelecida personalidade, obtidas pelo uso de fanfarronices, mesmo as que trazem apensas as griffes mais sonoras, é franzina, quebradiça ou mesmo nula, perto do homem, como o da imagem, que parece escolher o que sempre obedeceu ao seu inabalável modo de se mostrar à vida, acomodando o que escolhe ao que o define.
Todas as constantes, e sobretudo cegas, adaptações, ajustamentos e submissões aos ditames dos folhetos de revista assinados pelos mais conceituados impulsionadores do consumo, reproduzem apenas a debilidade e a instabilidade dos que caninamente seguem um dono.
O Passado, é o Futuro usado – dirá Millôr Fernandes.
Há instantes raros em que o tempo se curva e o resultado é o encontro inesperado entre um lugar perdido e procurado por Proust, algures à sombra das raparigas em flor, e lampejos de esmaltes que se vislumbram no pescoço do presente.
Usemos o futuro como gargantilha.
MB - Pag. Serv.
ENT 20 999 / REF 999 999 999
Transf. banc.
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